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Você precisa conhecer Anitta!

Por Carol Althaller, do Rio de Janeiro 22h de uma quinta-feira triste. Liga Caio Braz “PRE PARA, bebê! A gente (…)

Por Carol Althaller, do Rio de Janeiro

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22h de uma quinta-feira triste. Liga Caio Braz “PRE PARA, bebê! A gente tá indo pro show da Anitta!” E isso é o que me apaixona no Rio, me falta em São Paulo. Cada vez mais, a gente explora a cidade. Semana passada foi um trem até Madureira, subo o Vidigal, não me incomodo de ir beber na padaria da Barra, vou no samba no centro da cidade. O destino ontem era o Barra Music. Gardênia, R$ 50,00 reais de táxi da Gávea.

Anitta

O tamanho do Barra Music assusta. Minha primeira vez na casa, camarotes lotados, pista cheia, cabem ali umas 6.000 pessoas. A lotação não tá esgotada, mas o número é grande pra um dia de semana. Diz que até o Edmundo, sim ele mesmo, o Animal, tem um camarote cativo na casa. Um pouco depois do horário previsto, começa o Show das Poderosas. Anitta chega carregada numa cadeira no alto, com pose de Rainha. O figurino não fugia muito do que as minhas amigas usavam no B.G. naquela mesma noite – hot pants preta e um top cropped. Mas ela pode.

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Depois de frases de efeito que conquistam o público, ela convoca o exército e dá início ao baile. Anitta tem voz, dança que é uma beleza, tem uma banda com oito integrantes, trio de metais no palco e um corpo de baile de vinte dançarinos. E ganha a platéia em minutos, agradecendo no final de cada música com um vocabulário recheado de gírias que são comuns nas conversas com meus amigos gays e fashionistas. Seu estilo não é nada “nem”.E depois de duas ou três músicas menos conhecidas, ela emenda um medley de sucessos que mistura Lulu Santos, Catra, Kelly Key e Tim Maia. Achei que Anitta tinha um quê de Sandy e não demorou muito para ela lançar alguns sucessos antigos de Sandy & Junior, que todo mundo (ainda) sabia cantar.

Depois disso, teve tempo pra Rihanna, Flora Mattos (!), Jorge Ben, Katy Perry, Claudia Leite e Los Hermanos, sucesso absoluto no coro do BM. Fiquei encantada como ela conseguia mesclar tantas referências, antigas e novas, e estilos. Bom, com a plateia dominada, a casa veio abaixo na parte do set dedicada ao novo funk: MC Beyonce, MC Federado e os Leleks, Bonde das Maravilhas, MC Bola. E ela, de fato, só comprova que é mesmo top, capa de revista.

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Na platéia, as patricinhas, as barrenses, as suburbanas, todas fãs da Anitta, dançavam até o chão e cantavam com ela todas as letras. Anitta simplesmente nos representa. É funk, mas ela é poderosa, fala mal dos homens de um jeito sincero, é meiga e abusada, como diz uma das suas letras. Seu nome foi inspirado na minissérie da Globo, que trazia Mel Lisboa “sexy sem ser vulgar”. É isso que Anitta é, mesmo quando volta ao palco com figurino meio Lara Croft, pra cantar seu novo sucesso. Ela avisa que “Tá na Mira” já tá no iTunes e que é pra todo mundo comprar, assim ela fica rica logo!

Meiga e Abusada, videoclipe de Anitta com quase 1 milhão de views, gravado em Las Vegas

Uma hora e alguma coisa de show, fico pensando como é que Anitta consegue misturar tão bem as referências da cultura de massa que antes eram negadas por nós, do asfalto. Num intercâmbio cultural, no momento do já tão discutido “empoderamento da classe C”, cada vez mais poderosa, tem espaço de sobra pro funk ostentação paulistano (http://hermanovianna.wordpress.com/2013/01/12/funk-paulistano/), o sertanejo de luxo e uma MC que dirige seus próprios clipes, que poderiam ser confundidos com vídeos de divas como Rihanna ou Beyoncé. O Brasil, a meu ver, finalmente começa a aceitar e reconhecer a mistura do seu caldeirão cultural.

O triste, penso eu, é ainda essa mania da gente de criticar tudo que é produto da nossa cultura. O último clipe de Anitta tem comentários grosseiros sobre o seu estilo ser cópia dessas grandes estrelas internacionais. E o que isso importa, de fato, uma vez que Beyoncé é rainha, mas a maioria dos seus sucessos tem referências transformadas em cópias? (http://www.billboard.com/articles/columns/the-juice/1560092/op-ed-when-beyonces-inspiration-turns-into-imitation)

O show das poderosas, com coreografia digna de Beyoncé.

Voltando à classe C, poderosa, vejo a classe A no caminho inverso: Se o desejo de uma vida simples já é antigo, o comportamento que começo a perceber agora é uma negação dessa ostentação, que sempre nos foi tão característica. Deixa de ser cool pagar caro pra jantar, comprar roupa de marca e se conformar com os preços surreais do Brasil. BM, quase 3 da manhã: Anitta termina seu show das poderosas repetindo a sua música mais famosa. Um amigo gringo, que provavelmente não conhecia metade dos hits brasileiros das últimas décadas que a cantora interpretou tão bem, me lembra que esteve ali anteriormente pra assistir o fenômeno Naldo. “Ele cantou a mesma música 4 vezes, ela dominou o público, dá de 10 nele.”

É, Anitta está, de fato, podendo.

Anitta show das poderosas caio braz

Eu e minhas amizades, após uma cervejas, no Show das Poderosas.
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