A Rainha não perde a majestade

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Eu não entendia esse frenesi todo das pessoas com Londres. Já tinha ido algumas vezes, só que mais jovem, com outros interesses, e meio que cagava pra essa “avant-gardismo” daqui. Mas acho que era porque eu devia ser um baita de um reaça, ou ainda não tinha me visto tão de perto.

Hoje em dia, não tem como não ficar impressionado com Londres. Não é só pelas galerias de arte, a quantidade absurda de gente linda, os looks de chorar, o sotaque charmoso, opções de entretenimento e cultura, a organização, o funcionamento do transporte, segurança, enfim. É porque Londres realmente é o lugar que eu mais senti na vida a liberdade de ser quem eu quiser.

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Ninguém tá nem aí pra você, e daí vem a fama de frios ou carudos. O ser quem você quiser não significa ir pra balada, ficar loucão e tirar a roupa – e sim estar menos sujeito ao preconceito e às pressões/padrões que a gente sofre no Brasil. Em Londres,  você se vê rodeado por muita gente empurrando as fronteiras da atitude, do lifestyle e da criatividade. Que nem todo mundo tá correndo atrás só de grana, e sim de fazer algo que tenha mais significado, e menos superfície.

E cai a ficha de como a gente é careta. Que eu sou obrigado a ver no meu Facebook – porque todo mundo compartilha, e é engraçado, de fato – o vídeo da filha de um político de Cuiabá que levou uns oitos atores da Globo pra sua festa de 15 anos. Que gap cultural.

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East London não tem uma aura de ”terra das oportunidades” – porque se a gente quer falar de ganhar dinheiro, sinceramente, o Eldorado hoje é Pernambuco, cujo PIB cresceu 9,5% no ano passado. Praticamente uma China. Aqui talvez seja um ensaio da terra da liberdade criativa. Quando você se vê rodeado por essas pessoas e quer ser um artista – qualquer que seja a sua arte, e porque não uma mistura de todas – não me restam dúvidas que Londres e quem é parte dela fazem você olhar para a frente. Determinismo, mesmo.

Outra coisa, eu amei que Londres não tem muito isso de panela. Óbvio que as panelas estão por todos os lugares, mas é diferente. Parece que o importante aqui não é tentar entrar em uma panelinha, e sim ter bom senso para a quantidade arrebatadora de opções e referências pra você seguir a sua vida.

É um pouco decepcionante abrir os olhos e viver no eixo Rio-São Paulo, que soma mais de 25 milhões de habitantes, e perceber que a gente é tão provinciano. O Rio é lindo, mas o carioquismo raramente sai da mesmice. Estou prestes a completar quatro anos de Rio, e tá dando bode. São Paulo é mais inteligente, mas a qualidade de vida é um atraso de vida. E gastamos tanto dinheiro pra sobreviver . Acho que é isso que eu fico mais puto na verdade. Porque se fosse provinciano e fosse baratinho, eu ficava calado. Mas como é cara a vida de quem mora no Rio ou em São Paulo. Morar, comer, se locomover. E o preço das roupas? Prefiro nem comentar, enfim.

Tarsila Marinho esteve no Joiners e vestiu lenço Hermès e luvas Kenzo

Então fica aqui um pouco do meu desabafo e ode à Londres, a cidade mais cosmopolita do mundo, boa pra você ser tudo o que você sempre quis. E pra quem acha a libra esterlina um assalto, faz as contas e vê que assalto é ter que pagar R$ 25 em qualquer táxi na cidade de São Paulo porque o metrô ainda não chegou (que piada) onde você quer ir.

Jana Mello, stylist carioca, que agora trabalha na Super Super

E pra não perder o ânimo, vou continuar almoçando um PF baratinho pra sempre sobrar algum dinheiro pra voltar aqui.

Maria Catarina Duncan, my beautiful London host.

Thanks Cata and Gabe for the intelligence sharing and embracing me throughout this experience. Cousins forever stay.

 

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