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Moda: sobre se identificar totalmente com a nova coleção da Ratier desfilada no SPFW

A Ratier, marca relativamente jovem de Renato Ratier, dono da D-Edge (casa noturna bombadíssima de São Paulo), desfilou no São Paulo Fashion Week no dia 27 a sua nova coleção, que já foi apresentada nos moldes “see now, buy now”. E olha, gerou desejo imediato! Com referências muito contemporâneas e, ao mesmo tempo, um DNA próprio, a coleção acabou como uma das nossas favoritas da temporada. Sabe quando você quer tudo? Então.

Claro que a vibe baladeira estava lá, afinal o dono da marca também é proprietário de um dos rolês mais foda da cena de SP. Essa pegada festiva pôde ser vista especialmente nos looks metalizados, como as jaquetas metalizadas maravilhosas em prata ou dourado e preto. Os muitos looks em preto, que também casam perfeitamente com uma ocasião mais “dançante”, podem facilmente ser adaptados ao dia, ainda mais porque continuamos investindo na pegada “gótico suave” e não há nada mais prático do que um pretinho básico (ou nem tããão básico assim) para qualquer hora.

As modelagens são fluidas, soltas, com os cortes oversized que ultimamente vemos em tudo que é canto, além de vários shapes esportivos, outra tendência que segue fortíssima nos nossos corpinhos. Nos materiais, moletom, nylon, malha e seda (inclusive em looks com carinha de pijama). Nos pés, os sapatos da vez: sneakers e slides (com meia, claro). As jaquetas alongadas são ótimas e a calça cinza de alfaiataria e cintura alta é peça chave e tem uma vibe meio Gosha que a gente ama.

Quem mais curtiu o desfile da Ratier? Conta pra gente!

Fotos: Zé Takahashi/FOTOSITE

Moda: a Just Kids de Ju Jabour e Karen Fuke trouxe um streetwear por amor ao ofício

Sem frescurinha e sem glamour demais: todos de pé, juntos e misturados, para assistir ao desfile da Just Kids, nova marca que nasceu da união entre duas mulheres da moda, Karen Fuke e Juliana Jabour, antigas colegas da Triton. O desfile rolou dentro da programação do SPFW, mas fora da arena de eventos montada no Parque Ibirapuera. Foi no corredor da loja Cartel 011, em Pinheiros, com a passarela demarcada por uma linha de sal, e que delícia foi receber na cena de moda brasileira esse projeto tão atual.

Ju e Karen criaram a Just Kids por amor à moda, num movimento contrário ao de preocupação profunda com mercado e volume de vendas. É uma provocação e uma subversão (num cenário onde, naturalmente, importa muito quanto se vende) vindas de duas profissionais que viveram a realidade de grandes grupos e resolveram quebrar essa lógica montando uma marca pequena.

As roupas? Maravilhosas. A coleção veio reafirmar isso que andamos repetindo quase que exaustivamente por aqui. Em três palavras? Streetwear, agênero, gráfico. Os moletons maravilhosos vieram com estampas provocadoras, um pouco auto-críticas e de mensagens poderosas, como “we’re not here to sell clothes”, “a girl is a gun” ou “boys can use makeup, girls can like porn”. Tamanhos oversized, cartela de cores enxuta (preto, branco, cinza e vermelho, basicamente) e umas referências meio místicas, bruxescas que trazem um peso, uma aura especial.

Não bastasse ser muito massa o fato de que as sócias se juntaram para celebrar o amor que elas têm por fazer moda, a criatividade, o prazer de criar sem amarras econômicas, temos que ficar bem felizes porque a proposta da Just Kids é extremamente contemporânea, muito da rua, um streetwear que tá bombando na gringa, mas que ainda engatinha aqui no Brasil. Esse papo todo não quer dizer que as peças são acessíveis a qualquer um, né? As roupas custam entre R$ 600,00 e R$ 800,00, o que se justifica pelo cuidado em todo o processo criativo e pela produção em escala mínima. Quem quiser investir, pode ir numa loja Cartel ou comprar online.

Fotos: Zé Takahashi/FOTOSITE