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Aos 52 anos, o modelo veterano Jorge Gelati ainda causa comoção nas passarelas do SPFW

No Brasil especialmente para o desfile da Ellus, que comemora 45 anos nessa SPFW N43, o modelo veterano Jorge Gelati virou a pauta do momento depois de cruzar a passarela. Com 52 anos e de uma beleza escandalosa, Gelati roubou a cena e fechou a apresentação comemorativa da marca. Daqui ele já ia para Praga, onde seguiria trabalhando. O migo continua ativo no mercado e defende que a cena deve mesmo incluir pessoas mais velhas, que esse é um movimento de olhar para a realidade e até de reconhecer quem tem poder aquisitivo para comprar certas roupas.

Ze Takahashi/FOTOSITE

Ze Takahashi/FOTOSITE

Gelati, que virou modelo aos 24 anos e já esteve em campanhas para a Dolce & Gabbana fotografadas por Steven Meisel e anúncios de perfume para a Givenchy, hoje vive na Suécia com a mulher, o filho e a filha, que ele diz ter jeito para a passarela, mas ainda ser muito nova (ela tem 15 anos). Pois ter vindo ao Brasil depois de tanto tempo rendeu ao modelo não apenas calor em termos de temperatura, mas um calor humano daqueles kkk! Todo mundo queria uma palavra ou uma foto do cara. Apesar de não ter sido o único mais velho do desfile, Gelati é considerado um ícone brasileiro.

Esse movimento de valorizar pessoas de mais idade na moda vem acontecendo há um tempo, de maneira cada vez menos tímida. A Dolce e Gabbana adora colocar pessoas de todas as idades em suas campanhas, e recentemente, na Semana de Moda de Londres, modelos mais velhas desfilaram na passarela de Simone Rocha. A Céline já colocou Joan Didion como estrela de uma de suas campanhas e uma marca de Lingerie neo-zelandesa, a Lonely Lingerie, trouxe uma garota-propaganda de 56 anos!

Desfile Simone Rocha

Que assim seja!

Moda: sobre se identificar totalmente com a nova coleção da Ratier desfilada no SPFW

A Ratier, marca relativamente jovem de Renato Ratier, dono da D-Edge (casa noturna bombadíssima de São Paulo), desfilou no São Paulo Fashion Week no dia 27 a sua nova coleção, que já foi apresentada nos moldes “see now, buy now”. E olha, gerou desejo imediato! Com referências muito contemporâneas e, ao mesmo tempo, um DNA próprio, a coleção acabou como uma das nossas favoritas da temporada. Sabe quando você quer tudo? Então.

Claro que a vibe baladeira estava lá, afinal o dono da marca também é proprietário de um dos rolês mais foda da cena de SP. Essa pegada festiva pôde ser vista especialmente nos looks metalizados, como as jaquetas metalizadas maravilhosas em prata ou dourado e preto. Os muitos looks em preto, que também casam perfeitamente com uma ocasião mais “dançante”, podem facilmente ser adaptados ao dia, ainda mais porque continuamos investindo na pegada “gótico suave” e não há nada mais prático do que um pretinho básico (ou nem tããão básico assim) para qualquer hora.

As modelagens são fluidas, soltas, com os cortes oversized que ultimamente vemos em tudo que é canto, além de vários shapes esportivos, outra tendência que segue fortíssima nos nossos corpinhos. Nos materiais, moletom, nylon, malha e seda (inclusive em looks com carinha de pijama). Nos pés, os sapatos da vez: sneakers e slides (com meia, claro). As jaquetas alongadas são ótimas e a calça cinza de alfaiataria e cintura alta é peça chave e tem uma vibe meio Gosha que a gente ama.

Quem mais curtiu o desfile da Ratier? Conta pra gente!

Fotos: Zé Takahashi/FOTOSITE

Moda: a Just Kids de Ju Jabour e Karen Fuke trouxe um streetwear por amor ao ofício

Sem frescurinha e sem glamour demais: todos de pé, juntos e misturados, para assistir ao desfile da Just Kids, nova marca que nasceu da união entre duas mulheres da moda, Karen Fuke e Juliana Jabour, antigas colegas da Triton. O desfile rolou dentro da programação do SPFW, mas fora da arena de eventos montada no Parque Ibirapuera. Foi no corredor da loja Cartel 011, em Pinheiros, com a passarela demarcada por uma linha de sal, e que delícia foi receber na cena de moda brasileira esse projeto tão atual.

Ju e Karen criaram a Just Kids por amor à moda, num movimento contrário ao de preocupação profunda com mercado e volume de vendas. É uma provocação e uma subversão (num cenário onde, naturalmente, importa muito quanto se vende) vindas de duas profissionais que viveram a realidade de grandes grupos e resolveram quebrar essa lógica montando uma marca pequena.

As roupas? Maravilhosas. A coleção veio reafirmar isso que andamos repetindo quase que exaustivamente por aqui. Em três palavras? Streetwear, agênero, gráfico. Os moletons maravilhosos vieram com estampas provocadoras, um pouco auto-críticas e de mensagens poderosas, como “we’re not here to sell clothes”, “a girl is a gun” ou “boys can use makeup, girls can like porn”. Tamanhos oversized, cartela de cores enxuta (preto, branco, cinza e vermelho, basicamente) e umas referências meio místicas, bruxescas que trazem um peso, uma aura especial.

Não bastasse ser muito massa o fato de que as sócias se juntaram para celebrar o amor que elas têm por fazer moda, a criatividade, o prazer de criar sem amarras econômicas, temos que ficar bem felizes porque a proposta da Just Kids é extremamente contemporânea, muito da rua, um streetwear que tá bombando na gringa, mas que ainda engatinha aqui no Brasil. Esse papo todo não quer dizer que as peças são acessíveis a qualquer um, né? As roupas custam entre R$ 600,00 e R$ 800,00, o que se justifica pelo cuidado em todo o processo criativo e pela produção em escala mínima. Quem quiser investir, pode ir numa loja Cartel ou comprar online.

Fotos: Zé Takahashi/FOTOSITE

Moda: precisamos falar sobre a LAB, marca estreante de Emicida e Fióti

Na segunda noite de São Paulo Fashion Week e na estreia de sua marca com seu irmão Fióti, a LAB, Emicida entrou na passarela montada no Parque Ibirapuera cantando uma trilha pensada especialmente para o momento. Não houve quem não se sentisse minimamente tocado pela entrada triunfal, mas aquele era só o começo. Emicida logo se sentou ao lado de Costanza Pascolato, onde manteve o microfone na mão quase que num simbolismo do que acontecia ali: a representatividade sendo defendida na moda por quem realmente tem lugar de fala, representatividade de quem, de fato, representa o que diz.

Isso porque, desde que o empoderamento e seus debates ocuparam os espaços de comunicação que a gente consome e produz e representatividade foi, cada vez mais, se tornando a pauta da vez, (como era de se esperar) houve uma captura desses discursos pelo mercado, inclusive o de moda. Falamos sobre a mulher sem sermos mulher. Falamos sobre o gordo sem sermos gordos. Falamos sobre o trans sem sermos trans. Falamos sobre o negro sem sermos negros. Queremos significar coleções e linguagens apresentadas nas semanas de moda (porque esse papo vende, não é mesmo?) sem legitimidade.

Zé Takahashi/FOTOSITE

Eis que vem a LAB e faz isso com toda a genuinidade e pertinência. Eis que negros e rappers da periferia, que hoje circulam pelos mais variados ambientes, traduzem em moda seu universo. O lugar de fala é real e se garante não apenas em Emicida e em Fióti, mas em toda a estrutura do desfile, cujas roupas foram apresentadas por uma maioria de modelos negros, além de alguns plus size e os amigos Seu Jorge (portando uma maravilhosa saia longa plissada) e Ellen Oléria. Foi uma comoção e um tapa na cara ao mesmo tempo, e sobre isso Fióti deu uma ótima declaração: “Não estamos fazendo nenhum tipo de protesto. Apenas retratando o Brasil como ele realmente é. A moda tem que ser inclusiva e não gerar mágoas ou destruir sonhos”. A LAB chegou e fez algo que a moda gosta de falar sobre fazer, mas quase nunca faz de fato.

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Os irmãos se juntaram ao estilista João Pimenta para essa empreitada fashion ontem apresentada, que veio inspirada em Yasuke, um samurai negro que quebrou vários paradigmas. É um recorte sem estereótipos de referências da nossa história, uma releitura da ancestralidade africana que se perdeu no Brasil, com pegadas asiáticas e, claro, muita moda de rua e alusões ao universo do rap. As criações (que já estão à venda) são para qualquer gênero, nas palavras do próprio João Pimenta, e trazem um streetwear em preto, branco e vermelho. Surra de estampas gráficas, coisa que tá muito em alta nas marcas de streetwear do mundo afora, moletom em calças e casacos, capuz e golas enormes, quimonos revisitados, ombreiras e muito oversized.

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Depois do desfile, Emicida fez um show de 40 minutos na tenda do evento. Hora de celebrar a representatividade realmente e verdadeiramente vista minutos antes na passarela do SPFW e hora de digerir toda a discussão que a LAB veio fomentar no mundo da moda. Seguimos torcendo por cada vez mais espaços como este sendo construídos e que esses se mantenham fiéis à sua verdade, mesmo com toda a pressão que a gente sabe que o mercado pode fazer para “corromper” o discurso alheio. Vida longa à LAB!

Os pontos altos da moda masculina na 41ª edição do SPFW

Acabou de rolar a 41ª edição do SPFW, mais uma semana de moda intensa para o currículo brasileiro e que entregou ótimos desfiles. Depois que termina o bafafá é hora de concluir quais tendências prometem dominar os guarda-roupas dos fashionistas e de que forma elas irão se traduzir nas ruas. Escolhemos nossos favoritos da vez e te contamos os motivos!

1. Cotton Project

Ainda não conhece? Pois trate de ficar a par dessa marca que desfilou ano passado na Casa de Criadores e chega ao SPFW muito bem. Tudo deu certo nessa nova coleção, que traz as roupas simples e de bom gosto que são a cara da marca. As jaquetas bomber são pra querer já, a paleta de cores é mega contemporânea. Curtimos muito o design gráfico.

2. João Pimenta

O conceitual deu as mãos ao material de primeira linha no desfile do João Pimenta. Uma rede desenvolvida especialmente para a coleção foi encomendada ao Redes Santa Luzia, empresa paraibana que trabalha com algodão. O resultado foi traduzido inclusive em saias e vestidos para homens, palmas para a marca! Vimos também croppeds maravilhosos. As peças listradas são um luxo, dá vontade de ter tudo. Personalidade no talo!

3. Murilo Lomas

Ainda que não saibamos onde as roupas serão vendidas ou se a marca terá loja própria, é sempre muito bom ter novas opções de masculino por aí. Salve para os materiais, todos de qualidade extrema, do couro à seda, e para as belas estampas. As calças largas e com barra mais curta são ótimas, têm a modelagem do momento. Ah, e que casting era esse? Os modelos mais bonitos do Brasil cruzaram a passarela! Marlon Teixeira, Evandro Soldati, Mateus Verdelho… Parabéns, parabéns.

4. Ellus

Sempre urbana e de pegada rocker, a Ellus fechou a temporada com um desfile-espetáculo todo tecnológico. O audiovisual estava super bem montado, e o vídeo ao fundo intercalava imagens de ondas com fotos feitas no backstage, logo antes do desfile começar. A cara da marca! As estampas lindas, inspiradas no Havaí, mexeram com o coração de um Brazinho recém “voltado” daquelas bandas.

Moda Masculina: o melhor do São Paulo Fashion Week

The best of Sao Paulo Fashion Week W16

O São Paulo Fashion Week comemorou 20 anos, e mais uma vez eu estava por lá, nesse evento que sempre vira a minha vida de cabeça para baixo e deixa tudo muito corrido. Foi uma semana incrível com o Canal GNT em mais uma transmissão ao vivo – desta vez pela TV e Internet, junto com o Facebook Mentions. Entrevistas à parte, vamos falar de moda masculina, e olha, teve muita coisa boa, deu até gosto de ver!

OSKLEN A Osklen fez o desfile mais bonito da temporada. Sim, por conta das roupas que realmente são lindas, contemporâneas e o principal, muito fáceis de usar. Ponto também pela direção de cena, a trilha, as projeções, o casting, enfim. Na passarela, tudo que o homem quer usar hoje em dia — camisetões mais largos, regatonas, hoodies. Tudo bem clean sem ser boring, esportivo, muito moletom. Rola até um veludo molhado para os mais modernos.

Pirei com os sapatos com um montão de cadarços (não achei foto, mas a sandália mostra bem!) e as mochilas também repletas deles. Rolou também uma vibe mitologia grega, já que o tema remete às Olimpíadas do Rio 2016 e já dá pra prever que as peças com o símbolo da coroa de louros dourada vão vender que nem água. Falei no Insta e repito por aqui: todo mundo só quer saber de preto de branco, e esse também foi um super acerto da Osklen. Fácil, clássico e que vai durar um tempão no guarda-roupa.

RATIER Uma excelente estreia. Todos os lugares do mundo têm uma boa marca ~gótica suave~ para chamarem de sua, e a Ratier finalmente veio cumprir essa lacuna aqui no Brasil, fazendo moda masculina muito boa. T-shirts longline, bermudas de couro na altura do joelho, leggings para usar debaixo da bermuda, tudo muito cool, com uma cara de Rick Owens. Tem tudo pra virar a etiqueta da galera cool de São Paulo, que ama se montar no preto e nos couros. Imagina uma regata de tricô e uma calça de couro? Prontíssimo para a noite. Mas regata de noite pode? Claro. Como faz pra não ficar com cara de forrozeiro? Ratier neles.

GIG COUTURE A GIG é uma marca mineira muito massa de duas amigas, Gina e Patrícia, que conheci este ano na temporada internacional na Europa. Elas tem um maquinário absurdo que faz umas composições no tricô que são bem inacreditáveis. Pela primeira vez elas resolveram apostar no masculino (obrigado!) e eu amei tanto que até usei no Fashion Week. Olha esses blusões sem manga (é galera, tá tudo sem manga mesmo, vambora malhar esse braço). Sai o preto e branco e entram cores e estampas art decó e grafismos porque a gente não é de ferro, com uns tons terrosos lindos, bem a cara do inverno.

Eu usando o camisão da GIG no quarto dia de SPFW

ENGLISH

The Sao Paulo Fashion Week celebrates 20 years and once again I was there at the event that always turns my life upside down and makes everything so, so busy. It was an amazing week with the GNT Channel in a live broadcast on TV and Internet along with Facebook Mentions. Interviews aside, let’s talk about men’s fashion, since we had so many good labels to see!

OSKLEN Osklen made the most beautiful show of the season. Yes, because of the really beautiful, contemporary and easy to wear clothes, but also because of the scene direction, the soundtrack, the projections, the casting… On the runway we saw everything a men wants to use these days. Wide T-shirts and tank tops, hoodies. Clean without being boring, sporty, lots of swetpants and some wet velvet to the most modern.

I fell for the shoes with a lot of laces, same thing with the backpacks. There was a Greek mythology vibe going on, inspired by the Rio 2016 Olympics. I’m sure that the pieces with the golden laurel crown symbol will sell out! like I said in my Instagram, everyone just wants to know about black and white and this was another Osklen hit. Easy, classic, to last a lifetime in your wardrobe.

RATIER An excelent debut. Countries all over the world have a good soft gothic brand to call its own and Ratier finally came to fulfill this gap in Brazil, producing great menswear. Longline T-shirts, leather shorts, leggings to wear under the shorts, everything very cool-Rick-Owens feelings. it has all it takes to become the label of Sao Paulo’s coolest guys, those who love to wear black an leather at night. Imagine a knitting tank top and leather pants and you will be ready for the night! Tank tops at night? Of course, of they are Ratier.

GIG COUTURE GIG is an awesome brand by two friends, Gina and Patricia, whom I met at this year’s international season in Europe. They have an absurd machinery that makes this knitting compositions that are quite unbelievable. For the firt time they decided to bet on men’s fashion (thank you very much) and I loved it so much that I even wore at the Fashion Week. Look ate those sleeveless jackets (it’s all about sleeveless, let’s work out our arms)! Black and white step just a little bit aside as we enjoy some colorful garments, art deco and graphic pieces with beautiful earth tones that are perfect for winter.

Fotos: Márcio Madeira e Sérgio Caddah