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Marina Abramovic e a Rússia

Durante o mês de Outubro, eu passei 20 dias viajando pelo Marrocos, França, Inglaterra e Rússia. A viagem rendeu um montão de coisa, e entre elas, essa matéria para o GNT com a rainha da arte contemporânea, Marina Abramovic.

Jornal na Rússia. Entendi tudo.

Aos bastidores: eu sempre quis muito ir à Rússia, desde que eu tenho, sei lá, 16 anos. Lembro que até no meu orkut (vergonha alheia!) eu fazia parte de uma comunidade “Eu ainda vou à Rússia”. Nem sei te explicar direito o porquê. Em 2009 eu fiz um mochilão para a Europa, tirei o visto para a Rússia (na época, ainda precisava), mas perdi o passaporte na Alemanha na véspera do embarque. Tive que adiar o sonho mais dois anos.

Confesso que valeu à pena demais ter esperado. Eu costumo dar sorte nas viagens e acabo conhecendo umas pessoas incríveis, mas dessa vez, foi demais. Na Rússia eu fiquei na casa do Fyodor, o russo mais brasileiro de Moscou, que é performance artist, e também já foi apresentador de TV. Pra vocês terem uma noção, eu fui direto do aeroporto para a Bienal de Moscou, pra conhecer a exposição “The Artist is Present”, que aparece na matéria, e a própria Marina Abramovic.

E no final das contas, foi o rolê mais artsy que eu já passei na vida. Havia um entourage de artistas, galeristas e curadores de museu (incluindo o do MoMa) em Moscou, por causa da abertura da Marina. Então a minha experiência russa foi visitar as casas e ateliês dos artistas mais underground do país (que já é bem underground e ponto) – a maioria instalações e performances, o que é mais legal. E fazer balada com essa turma, e com um dos meus melhores amigos que também chegou por lá, o Victor, aqui do Rio.

E o tempo inteiro com a Marina, que é um ícone e muito querida. A gente sempre saía pra jantar, ela ‘roubava’ strogonoff do meu prato. Na verdade ela comeu quase metade, mas eu deixei, não fiz bullying (HAHAHA!). E contou as histórias mais absurdas, que já veio ao Brasil e foi ao Pará para procurar minerais, isso há algumas boas décadas. Ela adora o Brasil. Geralmente eu fico meio sem graça perto dessas ultracelebridades, mas depois de ver a exposição dela e chorar na saída, ela te faz sentir próximo, e como um amigo. Sensacional.

Olha que absurdo o teatro do Kremlin. Assisti o Lago dos Cisnes.

Nunca vai rolar um post “The Moscow Hipster Guide”, porque os nomes dos lugares são indecifráveis, e eu não sei como chegar. Mas sendo bem sincero, acho que essa viagem para Moscou foi tão incrível assim porque eu tinha um anfitrião como o Fyodor, que conhecia tudo da cidade e por causa dessas companhia das artes. A cidade não é fácil de entender, e o entretenimento não é tão acessível ao turista. Alguém que chega a São Paulo, por exemplo, não vai saber exatamente o que fazer, a não ser que tenha um bom amigo. Pegue isso e multiplique por dez em Moscou. Mas a aura de estar na Rússia, em frente à Praça Vermelha ou embaixo do prédio da KGB, é impagável.