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Motivos para desconectar

Algo está fora do lugar. Você também está sentindo? Manda mensagem no Face e vamos falar mais sobre isso. Sim, eu vi a foto que você postou há dois minutos no Insta. Quê? Ah, é que no comentário eu estava falando de umas questões que você levantou naqueles vídeos infinitos do Snapchat. Você é bom nisso, Snapchat. Pera, chegou um email, preciso responder agora ou meu trabalho vai pelos ares. “Triiiim”, “piupiu”, “cuco”, “bzzzz”. Alô? Quem ainda se liga em tempos de internet? Tá vendo? Não posso ficar sem bateria! Tenho 100 mensagens não lidas no Whats. Preciso gerenciar minhas contas! Preciso existir online! Preciso!… Espera, o que é que estava fora do lugar, mesmo?

Things Organized Neatly

Se identificou de algum jeito? Seu celular tá aí do seu lado nesse momento, né? Isso se você não estiver lendo essa matéria pelo celular. De qualquer modo, você está conectado. E eu também. Estamos todos. E estamos surtando. Precisamos urgentemente pensar sobre o impacto de tamanha conexão em nossas vidas. Não estamos sabendo muito bem como lidar com tanta informação. Estamos ansiosos, insensíveis, um pouco mais burros, impacientes pra caramba e cada vez mais sozinhos, ainda que tenhamos milhares de seguidores no Instagram.

Sim, precisamos desconectar. E isso não quer dizer deixar tudo pra trás e ir morar no mato, ainda que essa ideia soe tentadora muitas vezes. O caminho é mais o do equilíbrio, pra que a gente possa tirar o melhor dessas ferramentas todas que nos são disponíveis. E pra que a gente deixe que dar likes obcecados nas fotos da viagem fodona do coleguinha, enquanto, ao nosso lado, tem gente rindo, sendo feliz, batendo um papo legal para o qual fomos convidados. Aliás, acabamos de conversar aqui sobre como a vida real acontece offline. É, estamos pensando muito sobre isso.

Desconecte para lembrar que internet não é realidade, mas um mundo virtual. E é absurdo que, cada vez mais, esse mundo virtual esteja virando a nossa realidade.

Desconecte, porque os brasileiros gastam 650 horas por mês em redes sociais, uma média 60% maior que a do resto do planeta, e o tempo é precioso.

Desconecte se a sua relação com o celular, o computador ou a internet se parece mais com um vício, e você se sente mutilado se te falta um desses (ou todos eles).

Desconecte porque sentir tédio também é bom, ócio criativo é uma realidade, e você não deve se sentir culpado por se dar um break. Um belo break.

Desconecte porque selfies podem matar! Inclusive elas já mataram mais do que ataques de tubarões em 2015. Aguardamos um novo clássico do terror com o celular como vilão.

Desconecte porque, se você trampa na internet, provavelmente já não tem hora para começar e parar de trabalhar, e folga é um direito de todos. Mais que isso: é uma necessidade para manter mente e corpo sãos.

Desconecte porque o uso compulsivo de internet piora distúrbios já existentes e causa novos, tipo a síndrome do toque fantasma (quando seu cérebro te faz achar que o seu celular está tocando) ou a nomophobia (ansiedade por não ter acesso a dispositivos móveis).

Desconecte porque o uso irrefreado do Facebook está ligado ao aumento da depressão. Pois é.

Desconecte porque está sol lá fora e o que você realmente quer é pegar uma praia — sem celular, ou porque está chovendo e uma soneca cairia muito melhor que qualquer feed.

Desconecte porque sexting é divertido, mas o objeto de desejo está a alguns minutos de distância.

Desconecte porque ninguém é feliz o tempo todo (e tudo bem!!!), mas no Instagram todo mundo finge ser.

Desconecte. Porque você já entendeu o propósito desse texto. Desligue o computador e dê um alô à vida lá fora!

A vida real acontece offline

Campanha publicitária minha em parceria com a Ray-Ban, que por coincidência, tem o tema ‘A Vida Real Acontece Offline’

Vocês devem ter visto recentemente a notícia de Essena O’Neill, a instablogger australiana que resolveu jogar tudo pro alto e “abandonar” a sua vida perfeita. Essena faz parte de um fenômeno chamado influenciadores digitais – no qual eu também posso me enquadrar, por trabalhar há seis anos com ferramentas digitais e manter uma personalidade digital. Eu recebi a notícia de Essena com algum entusiasmo, por ver que existe gente por aí que realmente está se dando conta da inversão de valores tão rápida que sofremos, da busca eterna por likes, da amizade de famosos, por comentários positivos, e essa ansiedade sem linha de chegada em ser aceito.

O vídeo de 18 minutos é um pouco desesperador, repetitivo, mas tão contemporâneo.

A ruptura foi drástica: ela deletou 2.000 fotos e re-legendou algumas delas, com o tema ‘Social Media is Not Real Life’, e agora propõe um novo estilo de vida, mais desconectado e principalmente mais próximo à realidade. Essena agora não quer mais ser uma garota bonita, magra, bronzeada e de dentes brancos, apesar de ter construído milimetricamente este código. Quer ser conhecida pela sua mensagem, algo que apesar dos seus milhares de seguidores, jamais conseguiu materializar, pois ao perceber que suas fotos calculadas com barriguinha de fora, pose zen e saladinha no almoço faziam muito sucesso, preferiu seguir por esta linha editorial. Um caminho óbvio, esquecível, e pelo visto, que deve surtar.

Raf Simons deixa a Dior – ele só queria ser um grande estilista, e não queria fazer o rolê da celebridade. Há um ponto de contato com a história de Essena?

A maturidade de Essena, com pitadas de síndrome do pânico, nos faz refletir sobre a carência da vida real travestida do rótulo de ‘instablogger’. O quanto estamos deixando de viver momentos reais com pessoas ao lado para pensar na próxima imagem perfeita e projetar um estilo de vida invejável? O quanto estamos perdendo músicas incríveis no show do nosso artista preferido para fazer vídeos toscos e tentar colocar isso na internet só para dizer que fomos? Quantas vezes estamos sentados num restaurante sem falar com o amigo que divide a refeição conosco porque queremos fazer a foto perfeita para o Instagr.am? Quanto a isso sim, realmente, temos que abrir os olhos. Obrigado por reforçar o coro, Essena.

E aí você começa a se perguntar: será que eu sou meio Essena? É, eu devo ter meus momentos de deslumbre. Tenho meus momentos egotrip quando posto uma foto sem camisa com um resultado suado de academia, o que pra mim é motivo de orgulho pela minha vocação boêmia (gente, meu pai é do Carnaval, dá um desconto). Mas, durante toda a vida estudo, estudei e estudarei, e tento agregar isso no meu conteúdo audiovisual, como em vídeos do Youtube. Hoje dou aulas e palestras pelo país sobre comportamento jovem e empreendedorismo, momentos onde a troca de energia e principalmente conteúdo com gente pensante e interessada vale mais do que qualquer chuva de likes. Uma boa entrevista com um artista impressionante me enche de ideias e inspiração que o Instagram jamais verá. Uma viagem onde a jornada e as pessoas que a gente conhece valem mais do que os bons filtros do VSCOCam são memórias que eu vou só vou contar numa mesa de bar. Portanto há sim muitas chances de criar momentos incríveis com as plataformas online e usá-las ao seu favor ao invés de sentir que ‘criou o seu próprio monstro’. Conteúdo é uma escolha.

É necessário dar um passo para trás e perceber que tipo de comunicador você quer ser, e isso vale para qualquer carreira, afinal, não existe mais nenhum negócio no mundo sem comunicação digital. Mesmo os médicos hoje em dia tem boas páginas com um super sistema de SEO. Talvez eu nunca seja o cara do um milhão de likes. Mas eu escolhi não ser. Se você quiser ser, vou até te dar uma dica: crie um Instagr.am com moodboards com fotos de estilo de vida, cartões de embarque na executiva, pratos lights, relógios, carros, barcos, whey, abdôme trincado, e claro, muita selfie com famosos. Cuidado só pra não Essenar após alguns aninhos.

Essena agora quer se reinventar. Mas peraí, ela vai aproveitar sua plataforma – o que pra mim é controverso, afinal, se você quer mesmo desconectar, seja mais Ana Paula Arósio, amiga – para falar de coisas que para ela importam ‘de verdade’ como veganismo, preservação do meio ambiente, amor, autenticidade, mindfulness, liberdade de expressão. Por ironia do destino, ou não, todos esses temas são ~super bacanas~ e relevantes no nosso zeitgeist. É Essena, acho que ainda dá tempo de passar mais umas horas no divã.

Ficar careca é horrível, mas pode ser incrível

Coluna do Caio Braz

Já dissera Marcelo Camelo em Conversa de Botas Batidas: este é só o começo do fim da nossa vida.

É assim que eu me sinto quando começo a ver as primeiras entradas nos cantinhos da minha cabeça. Um pequeno clarão perto da testa, uma transparência a mais, um cabelinho mais fino. Nunca achei que esse dia fosse chegar. Logo eu que sempre amei apavorar com os cabelos – que já foram loiros, azuis, cacheados, com reflexos, espetados, emos, à Restart. Não está sendo fácil vê-los querer partir. Agora é ladeira abaixo.

Eu sempre, sempre tive cara de criança. Ninguém consegue acertar a minha idade de primeira, sempre me deram menos anos de idade. Até mesmo minha puberdade foi uma das últimas a chegar na sala da escola – então enquanto os meninos já exibiam barba fechada, eu estava dando chilique porque tudo o que eu tinha era um buço muito escroto. Ver minha primeira entrada é um sinal esquisito de que este lugar do novinho na minha vida está indo embora mesmo, e cada vez mais rápido.

A queda não me exigiu mudar o espírito. Ele mudou sozinho. Amadurecer é a melhor coisa do mundo. A maturidade pode me levar alguns dos fios, mas deixou de volta meu coração tranquilo nas sextas à noite porque eu não preciso mais estar em todas as baladas para fazer liquidação de oi e a provar a mim mesmo que eu tenho uma vida legal. Que voltar a acordar cedo é legal, que ficar em casa lendo pode ser massa. Que eu posso ficar uns dias sem postar nada e tá tudo bem. Que aprender coisas novas ainda é o melhor lifestyle.

O primeiro sinal de decadência do meu corpo vem acompanhado de uma tranquilidade emocional e busca por profundidade – tão, mas tão pisciana – que eu aceito que Deus me leve a cabeleira deixando um pouquinho de sapiência no lugar de cada bulbo. Se o retorno de Saturno é a época onde a ficha cai, Cronos, a ficha está no chão. Calvície não tem cura, e para mim representa a primeira grande batalha que eu não vou enfrentar porque não há como derrotá-la, o que já é um exercício de humildade.

E eu me pergunto: será que eu vou ficar feio? Mas eu trabalho na TV, será que vão me querer careca? E eu vou esconder, assumir, vou fingir que não tá acontecendo nada? E me lembrei de uma entrevista com Fernanda Montenegro, quando ela disse que não se preocupa com a velhice porque nunca fez carreira em cima da mocidade. Ainda me faltam quase 60 anos para chegar em Fernanda, mas olha, a lição já foi aprendida. Obrigado pela presença queridos, podem ir, de preferência deixando alguma sabedoria.

Desabafo de uma pintosa?

PORTUGUESE ONLY

Obviamente, como “qualquer pessoa que tem mais que dois neurônios”, sou completamente contra qualquer crime de ódio e o preconceito, social, racial, geográfico, profissional, musical, e especialmente a homofobia. Mas esse pode ser um discurso pronto que a gente vê por aí. Todo mundo diz ser contra o preconceito. Um Bolsonaro ser anti-gay, bom, deixa, porque ele é uma caricatura tosca do antiquado e até meio doido, pinel mesmo, lelé. Mas tô falando de outra coisa:

– Por favor levanta o dedo quem nunca foi chamado de bicha? 100% dos gays sem exceção.

– Por favor levanta um dedo quem nunca foi chamado de bicha pintosa? Aproximadamente 100% dos gays. Você pode até achar que não, mas já foi.

– Agora levanta um dedo quem nunca foi chamado de bicha pintosa – em tom depreciativo, não de brincadeira – por uma outra bicha? Climão, né?

Quero defender as pintosas. Detesto quem maltrata as pintosas. FREE PINTOSAS. Como se se vestir como uma pintosa fosse mais gay do que boy-bee vaidosíssimo que se fantasia de skatista (ou seria sgaytista?). Como se gostar de Whitney Houston fosse mais gay do que gostar disco-house-hipster? Como se ser mais gay ou menos gay importasse já que todos são minoria ––– surpresa, gueis.

Não chega a ser um crime de ódio, mas eu tenho sentido essa ‘onda de preconceito’ entre os próprios gays crescer. Uma coxinhização dos viados. Agora que ‘ser gay’ está na moda (frase péssima), alguns gays querem provar que são gays sim, mas nem por isso são menos homens. Acho super maravilhoso isso (ops, bati cabelo nessa frase). Mas fibra moral, respeito, bons hábitos, caráter, educação, não tem a ver com mais ou menos pinta. Não vamos confundir as coisas. A gente sabe disso.

Será que não basta já ter que aturar gente que veste polo com brasão (contém preconceito fashion), mas aturar bicha que veste polo com brasão and homofóbica? Omg. Essa heteronormatividade é pior que a homofobia. Quer que eu prove a vocês que eu não estou inventando isso? Vamos ao Scruff, Grindr, esses aplicativos de putaria: a coisa mais comum de se ler em uma descrição é: ‘não curto afeminados, procuro macho de verdade, só homem másculo, bichinhas não.’ Pra que essa frescura toda pra chupar um pinto, gente?

Qual é a graça de ser bicha e não poder dar uma pinta? Deve ser a mesma de ser sapatão e saber não tocar um violão. A maior indenização comportamental de ser gay (haja vista uma vida quase inteira de preconceito pela frente) é poder dar pinta, arrasar, se divertir com isso.

Brou, nada contra suas fotos no insta fazendo trilha, surfe, no Maracanã, acho até sexy, mas não vem meter bronca de boy e pagar de hetero, ‘masculinizado’ e na hora que vir uma buceta perguntar onde tem um garfo e faca porque não sabe comer? Puh-lease.

Eu já parei de falar com bicha homofóbica há muito tempo. Acho um sono. É esquisito porque elas tem esse comportamento pseudoheteronormativo mesmo em lugares onde 100% dos presentes sejam gays, como em uma boate de gueis, por exemplo. É como se eles tivessem lido a revista VIP durante toda a adolescência, recheada de dicas para (aparentar) ser (mais) macho e resolvessem fazer o quiz da última página ‘Você é macho de verdade?’ no Domingo do 00. Risos.

Não queria entrar nesse mérito de tentar descobrir se são gays-frustrados-que-queriam-ser-heteros, ou gays-que-trabalham-em-lugares-coxinhas-e-precisaram-se-masculinizar-a-pulso. Não to dizendo que ninguém precisa sair amanhã de shortinho e clog, falar aqué e bafo e ouvir Britney mas na próxima vez que eu ouvir uma bicha-homofóbica gongando uma bicha-supostamente-pintosa, ah meu amô eu vou rodar a minha baiana, porque issé uó: com todas as forças que essas duas letrinhas tem.

Libera a pinta, viadêro. 2014, relou?

Cinco oportunidades de mudança de vida, um oferecimento Copa do Mundo

Enquanto todo mundo no Facebook reclama que não vai haver Copa do Mundo, e os manifestantes tomam conta das ruas contra o excesso de gastos (em tempo: acho tudo válido, mas não participo porque não tenho ~tempo~), eu não paro de pensar em como essa tão esperada Copa oferece uma gama de possibilidades de diversão off-futebolísticas. ‘Ninguém vai estar trabalhando’, tudo vai estar mais frouxo e eu acredito piamente que este será um belíssimo mês de férias. E não consigo decidir o que fazer entre as cinco opções abaixo:

1. Fugir para um SPA Ninguém vai querer saber onde estou. O foco é onde o Neymar está. Ninguém quer saber do meu preparo físico. Querem saber do preparo físico do Neymar. A Copa parece uma bela oportunidade para me enfiar em um SPA e independente do Brasil atingir a sexta estrela, eu atingir o meu tão sonhado objetivo de seis gominhos. E no SPA tem telão pra ver os jogos.

2. Elevar minha espiritualidade na Índia Não há melhor período para fugir para a Índia, me enfiar em uma montanha com um xamã, aprender tudo sobre meditação transcendental e cultivar um estilo de vida saudável. As churrascarias estarão lotadas de argentinos reclamando e comparando que tudo na Argentina é melhor, e de alemães querendo Frankfurter, mas só tem Toscana da Sadia. Como comer carne na Índia é pecado, vou pra lá, como muita salada, rezo o dia inteiro, e ainda me aproximo um pouco de Deus, já que Copacabana vai estar mais a cara do inferno. Não veria os jogos, mas olha que chique chegar no Brasil e só descobrir aqui que ganhamos a Copa enquanto eu fazia fotossíntese na paz de Shiva?

3. Ir para Berlim achar que sou Wagner Moura em Praia do Futuro Quem viu o filme sabe do que estou falando. Quem não viu corra pro cinema. Berlim no verão é uma rave 24 horas. Se a Copa dura 30 dias, serão 720 horas de gente loiríssima, altíssima e belíssima ao meu redor em clima de paquera e sedução. Voltarei semi-morto de tanta farra, mas quem vai estar mesmo de ressaca é o Brasil, cheio de contas para pagar e com as cidades destruídas.

4. Fazer uma maratona de seriados e filmes que estão atrasados desde 2007. Assistir do início ao fim: Orange is the New Black, Game of Thrones, The Newsroom, Downton Abbey, toda a filmografia dos irmãos Cohen e de Almodóvar. Todos os filmes do James Franco e Cate Blanchett. Procurar no VIVA NOW todos os episódios do melhor programa da história da televisão brasileira: Brasil Legal. 5. Arrumar um freela em Fernando de Noronha Parece a razão perfeita para trabalhar como recepcionista na Ilha mais linda do meu Pernambuco (ops, Brasil), conhecer um monte de gente linda e gringa, e virar um expert em qualquer programa aquático: surf, mergulho de superfície, mergulho profundo, nado com golfinhos, nado sincronizado, velejar, diversas categorias de pesca, preservação de estrelas-do-mar do Atlântico Sul. Se em Noronha uma água já custa uns R$ 15, imagina na Copa?

E vai ter Copa. E a gente vai ganhar essa porra!

Normcore: a moda agora é ser boring?

O fim dos tempos estava previsto para 2000, mas parece que na moda ele está chegando em pleno 2014. Já saiu no The Guardian, New York Times, The Huffington Post, Vogue inglesa, e onde mais você puder imaginar. Quando parece que já vimos todas as tendências surgirem e desaparecerem – pode pensar: listras verticais, horizontais, diagonais, estampas tropicais, náuticas, ciganas, hippies, preto-e-branco, cores fluo, – a moda ainda assim, dá um jeito de se reinventar.

E não é que a ‘moda’ agora é ser o mais normal possível? Ah, e essa moda tem até nome: o normcore. Vestir-se (ou ser) normcore é pensar na roupa que seu pai lhe pegaria no aeroporto: uma camiseta qualquer, uma calça cáqui, e um tênis de corrida meio esculhambado. Misture isso e você já está pronto para ser fotografado em qualquer site de streetstyle do mundo.

Realidade seja dita: esse movimento surge das cabeças da moda em contraponto à ostentação (sim, isso só é moda no Brasil e no funk) e pra dar um chega pra lá nos flamboyants de plantão. Nas semanas de moda do mundo inteiro, o que a gente mais vê é gente toda apapagaiada querendo aparecer nas revistas e nos blogs de estilo. Mas se você se vestir de ‘normcore’ as chances de aparecer tendem a zero. Ninguém quer fotografar alguém que parece um tiozão né?

O desafio agora é diferenciar quem é o tiozão de verdade e quem tá fantasiado de. A diferença é que os normcores vão estar dando uma pinta de desleixado e ‘normal’ com peças caras, vintage, e calculadas para parecer normal. Enquanto os ditos ‘normais’, bem. Eles não tão nem aí pra esse circo.

Esta é a primeira colaboração do Caio Braz para o blog da Reserva. Confira aqui o blog!