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Detox no Sul da Índia: tudo sobre o Panchakarma!


Sorriso durante o quarto dia de Panchakarma, um dos dias que me senti mais leve em toda minha vida.

Por que fazer um retiro de desintoxicação?

Neste post descrevo com detalhes a minha experiência vivida em Setembro/Outubro de 2017 em um centro de medicina ayurvédica localizado na região do Kerala, no Sul da Índia. O ayurveda é uma tradição indiana que hoje se populariza pelo mundo como um caminho terapêutico holístico para encontrar o equilíbrio corporal e mental.

O outro, sempre ele. O outro não sou eu, nem você que está lendo. O outro é a terceira pessoa que está oculta nesta conversa. É a pessoa em quem inconscientemente eu quero chegar o tempo inteiro. Você também pensa nesse outrem. É a pessoa para quem você vai falar bem ou mal deste post. É a pessoa que você vai taguear nos meus posts e fazer com que minha mensagem circule mais, e mais.

Minha exigência com o outro parte desta necessidade inexplicável de ser admirado, querido, aceito. Tudo isso parece normal, mas temos algo que potencializa a presença do outro nas nossas vidas: smartphones, redes sociais e vidas inteiras financeiras e profissionais baseadas neste mundo virtual.

O superego construído a base de likes, comentários e afagos virtuais. Se me serve de consolo, eu sei que não sou o único que se sente pressionado pelas redes sociais. Sei mesmo até que devo oprimir muita gente — a linha entre opressão é inspiração é bem tênue. A internet amalgamou a inveja, potencializou os ególatras e produziu ansiosos em massa.

Trabalhar o tempo inteiro, sem parar, faz muito mal à saúde. A cabeça a mil, a vontade de criar impacto, tudo isso nos move, mas nos distancia da nossa essência. E obviamente, a pressão por viver ‘todos os dias como se não houvesse o amanhã‘ apenas amplifica o desamparo. Então eu levei o work hard, play harder bem à sério, para também desafogar a intensidade da minha vida profissional.

Eu não conseguia perceber o quanto este estilo de vida alimentado por jobs, hashtags, celebridades e muito fervo me faziam mal até não conseguir curar gripes, sinusites, dores de garganta, dores musculares, torcicolos. Tudo foi se somando, e eu comecei a me fragilizar cada vez mais. Minhas mãos e pés formigavam. Eu não conseguia respirar direito, pensar direito, dormir direito. Ansiedade.

Eu não conseguia encontrar a resposta em nenhum dos clínicos gerais, otorrinos, e psicoterapeutas que eu frequentei nos últimos meses. Não existe diagnóstico ou tratamento para uma pessoa que não para, não desliga, não descansa. Eles me medicavam, eu voltava sentindo as mesmas coisas, eles me perguntavam: você fez repouso? Eu sorria, de nervoso.

Eu decidi tirar um tempo. E parar é a palavra mais assustadora que você pode sugerir a um millenial, porque na sociedade da velocidade e da informação-capitalismo, um parado é um improdutivo, um ineficiente, um reles? Paro, logo inexisto.

Mas eu não poderia mais empurrar a minha existência em nome do próximo trabalho, da próxima parceria, do próximo rolê, porque meu corpo e minha mente cansaram do outro. É hora de entender ‘o que porra estou fazendo aqui’. Nós mesmos estamos nos acabando para impressionar o outro.

Decidi radicalizar. Resolvi fazer um retiro de ayurveda. Comprei a passagem e estou, neste momento, sobrevoando o Atlântico a caminho de Paris, em seguida Bombaim, e por fim Trinvandrum, aeroporto de entrada para a região de Querala, no Sul da Índia, onde nasceu o ayurveda.

A CAMINHO DAS ÍNDIAS

Aeroporto de Mumbai. Foto Robert Polidori
Mumbai (Bombaim) é uma das principais cidades indianas, junto com Nova Delhi, cada uma com 20 milhões de habitantes. A cidade sofrera um dilúvio por dois dias inteiros, o que criou um verdadeiro caos no aeroporto. Do pouso até o portão de desembarque, levamos duas horas esperando por uma vaga para estacionar. Pus-me a conversar com os vizinhos de fileira: um editor de uma revista sobre granjas (nunca soube na minha vida que existia este mercado editorial), e um pastor cristão que acabara de vir da comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante, na Alemanha.

Contei-lhes o objetivo da minha missão na Índia e receberam o tema, para minha surpresa, com muita familiaridade. Falaram maravilhas do ayurveda, inclusive que a irmã de um deles tinha se curado de um problema de coluna após passar um mês em um centro de tratamento na mesma região onde eu me destinava, o Querala, e que meu prognóstico era muito bom: eu sairia de lá um novo homem.

Papo vai, papo vem, falo da minha profissão, da correria, pressão, do momento louco que o Brasil vive, e o pastor começa um lindo sermão, dizendo que esta minha aventura pela Índia era necessária para que eu voltasse a ser uma pessoa mais humilde e me colocasse diante do mundo como apenas mais um dentre bilhões de pessoas. Parecia Vivaldi nos meus ouvidos, tudo o que eu queria ouvir, que carinho.

Seguimos o textão, quando ele me diz que meditação, yoga, ayurveda, todas essas coisas são muito boas, mas são temporárias. O que realmente deixa um homem feliz é Jesus Cristo dentro do coração. Conseguimos um finger para desembarcar. Na hora certa. Amém.

Eu simplesmente decidi que queria fazer um detox ayurvédico porque era a única maneira que eu conseguiria parar de verdade e me reorganizar. Sim, é claro que eu poderia ter feito um detox no Rio, na minha casa, com algum acompanhamento médico, mas a tentação em casa é muito grande. Acho que o grande aprendizado desta vivência vai ser a resignação de tudo: do álcool, das festas, do chocolate, da velocidade. Aqui não tem socialzinha com os amigos, não tem açaí na esquina, não tem choppinho no Baixo Gávea pra dar uma relaxada.


Comecei a procurar no Google lugares onde poderia fazer esta vivência e descobri que os melhores lugares do mundo estão aqui no Kerala, região onde nasceu o Ayurveda. Há resorts chiquérrimos com vista pro mar, há lugares super simples, há lugares medianos, e há hospitais ayurvédicos. Como eu não tenho nenhuma condição grave de saúde, como uma doença auto-imune por exemplo, passei longe do hospital. Há muitas pessoas com doenças graves que decidem se tratar em hospitais ayurvédicos na Índia com sucesso: um exemplo que ficou conhecido no Brasil foi o de Laura Pires, diagnosticada com esclerose múltipla. Quando voltou, Laura publicou vários livros, entre eles ’Nutrindo Seus Sentidos’, um best-seller.


Optei por um lugar de preço e luxo medianos, que cabiam no meu bolso sem agredir. Escolhi o Athreya Ayurvedic Resort. Em tempos de Black Mirror, este lugar valia 5 estrelas, de um total de 5 no TripAdvisor. Acho importante falar isto porque este dia realmente chegou, em que estamos baseando nossas escolhas através do ranking virtual. Restaurantes, hotéis, companhias aéreas, cursos, crushes, e por que não, retiros? Vários amigos me criticaram por entrar em uma “aventura” sem calcular os riscos reais, sem referências, sem alguém conhecido. Mas quantas pessoas vocês conhecem que foi a Índia para um retiro detox ayurveda? Confiei nos ratings, e cá estou.

Fui levado ao meu quarto, que me surpreendeu pela amplitude e conforto: cama de casal, ar condicionado, banheiro próprio, varandinha particular com vista para o rio. Ótimo para ficar quinze dias, tinha até ar-condicionado, que eu jamais liguei.


O processo começou antes mesmo de sair do Brasil, quando enviei um e-mail para o Athreya e recebi uma resposta do Dr. Srjit, responsável pelo centro aqui na Índia. Ele envia um questionário enorme para que a gente preencha detalhes sobre a nossa saúde, e entra em contato alguns dias depois via Whatsapp com um diagnóstico, previsão de cura e mais detalhes. Ayurveda moderninha, né? Quando cheguei no retiro, era como se a gente já se conhecesse. Eu não me apaixonei por ele à primeira vista, mas depois entendi que ele é um sujeito sábio.

O RESUMÃO DO AYURVEDA

Eu não sou um especialista no assunto, então não me sinto à vontade de discorrer sobre o ayurveda como se fosse um tema do meu domínio – indico o livro Ayurveda: saúde e longevidade na tradição milenar da Índia, do Dr. Danilo as como praticante, posso fazer um resumo. Ayurveda é uma junção de duas palavras em sânscrito: ayus, significa vida, e veda significa ciência, ou conhecimento. A vida é encarada com uma definição complexa que combina o corpo, sentidos, mente e o espirito. A boa saúde é a combinação dos nossos aspectos vitais, além do equilíbrio físico, inclui a harmonia mental, espiritual e emocional. Parece óbvio, mas a classe médica científica raramente consegue nos enxergar desta forma.


O objetivo do Ayurveda é preservar e lapidar a saúde das pessoas saudáveis, prevenir as doenças, e harmonizar as pessoas enfermas. Simples assim. Associa-se muito também o ayurveda ao rejuvenescimento, significa, um corpo em harmonia adoece menos e por isso mantém-se mais saudável.

PANCHAKARMA

O processo de desintoxicação ayurvédica tem nome e tradição: panchakarma. O panchakarma é um ritual milenar ao qual qualquer pessoa pode se submeter, com o objetivo de melhor a saúde a qualquer grau. Pode ser curativo, rejuvenescedor, como você e o seu médico designarem. Totalmente diferente da cultura do ‘suco detox’ que a gente tem no Brasil, um bom panchakarme é coisa séria e demora pelo menos duas semanas para ser feito com sucesso. Panchakarma não é comer saladinha e cortar o refrigerante, como as revistas de fitness no Brasil insistem em nos convencer do que deveria ser um ritual de desintoxicação.


Assim que você chega no Athreya,vai direto para o centro de tratamento receber uma massagem abdominal bem vigorosa, seguida de uma massagem no pescoço e cabeça e um banho de ervas. A massagem abdominal se repete por vários dias durante o tratamento, explico o porquê: a maioria das nossas toxinas se acumula na região do estômago e dos intestinos. Dependendo do seu dosha em desequilíbrio (kapha, pista ou vata), cada uma das áreas fica mais vulnerável: estômago para kapha, intestino delgado para pitta e intestino grosso para vata. A massagem é mesmo para fazer com que essas toxinas ‘descolem’ das paredes dos órgãos e possam ser eliminadas.

Dia 01

Depois de quase 48 horas de viagem, eu lembro que cheguei exausto e um pouco tonto no centro. A chegada foi por volta das 16h, onde recebi a massagem abdominal, massagem muscular na área do pescoço e costas e o meu primeiro shirodara, um banho de coalhada na testa, muito recomendado para quem tem pitta agravado. É uma terapia recomendada para casos de ansiedade, raiva, agitação. Terminamos com um banho de água quente e ervas por todo o corpo, para relaxar o corpo. Aliás, água quente é algo muito subestimado por nós porque vivemos num país super quente, mas só quem tem dores musculares sabe o poder de cura que a água quente tem.


Sala de tratamentos do ayurveda com maca de madeira. Frequentei esta sala durante todos os dias do detox, mais de uma vez por dia.

Dia 02

O vamana era o procedimento que eu mais temia porque todas as memórias que tenho de vômito são de cachaças muito mal tomadas ou de comidas horríveis que passei mal algum dia. Mas se revelou incrivelmente simples, na verdade. Preparam uma bacia (mesmo, enorme) com uma mistura de ervas e te dão um copo. Você enche o copo e toma repetidas vezes esta mistura até vomitar. Vomitei seis vezes. Esta terapia auxilia a limpar o estômago, o primeiro lugar por onde passa a desintoxicação. Neste dia li um livro de Gandhi, com muitos ensinamentos sobre o poder da religião, o que me estimulou a rezar o tempo inteiro sempre que algo me afligisse ou me entediasse. Uma boa lição inicial: se reconectar com o divino.

Dia 03

Importante dizer que nos primeiros dias, você come a mesma refeição no café da manhã, almoço e jantar: feijões verdes (calma, não é igual o nordestino), buttermilk curry e kanji. A princípio é até gostosinho, mas a partir da quinta vez eu já estava muito mal-humorado. Resistência.

É dia de virechana, ou terapia de purgação, ao tomar uma mistura de mel e ervas o efeito é drástico: diarreia. Fisicamente foi o pior dia das terapias, me senti muito fraco, cheguei a ir ao banheiro vinte vezes. A purgação limpa além do intestino delgado, o fígado e pâncreas. Faz todo sentido depois de tantos anos de farra este ser o dia mais vulnerável, risos. Praticamente não comi o dia inteiro, porque não aguentava mais repetir a refeição-padrão, e tive muito desejo de comida não-Indiana: açaí, batata frita, feijoada, galeto, peixe na brasa, e muito chocolate. Foi bom para refletir como sou viciado em doces, algo que não tinha percebido em mim até então.


O dia-a-dia simples da alimentação ayurvédica

Dia 04

Um dos melhores dias do tratamento. Me senti cheio de vida, leve, sorridente, com a pele bonita, os olhos brilhantes e o sorriso incrivelmente claro. Parecia que tinha passado por um dentista. Meus olhos tinham muito brilho. Resolvi postar essa foto no Instagram. Recebi muito carinho, mas depois me arrependi da exposição. Decidi não postar mais fotos minhas durante o panchakarma e fechar este canal energético até sair daqui efetivamente. Comecei a ler Dias Bárbaros, vencedor do prêmio Pulitzer de Melhor Biografia. Super livro, especialmente para alguém que gostaria de escrever algum dia, como eu.

Dia de enema, onde introduzem por via retal uma decocção de ervas para limpeza do intestino grosso, para acalmar o dosha vata, em desequilíbrio no meu corpo por causa da minha velocidade excessiva. Mais massagens, aliás, o médico ayurveda explicou que todas as massagens, além de relaxarem o corpo, servem para ‘derreter’ as toxinas, liquefazê-las, levando-as para o intestino, o caminho de saída. O intestino é também o órgão responsável pelo controle da imunidade.


Os horários das refeições. Perdeu o horário, fica com (mais) fome (ainda).

Dia 05

Um dia bem difícil emocionalmente, onde eu realmente senti a resignação e comecei a me questionar o porquê de estar aqui. Me perguntei muito por que eu não estava “aproveitando” minhas férias para conhecer a Índia do Taj Mahal, do Rajastão, de Goa, os templos, os temperos, os ritmos, e estava vivendo essa experiência tão monástica dentro de um retiro? Por que não estava vivendo a minha ‘juventude’ pelas ruas? Por que não estava com o Happn ligado procurando crushs em Nova Delhi? Nesse dia me passou tudo na cabeça, até vontade de abreviar minha viagem e sair do retiro em dez dias, ao invés de quatorze, para ter mais tempo livre para passear.

No fim do dia, fiz psicanálise por Skype com meu terapeuta, como sempre faço quando estou viajando. Discutimos meus dilemas do momento: Édipo, o Rei, Narciso, mitologia rivalitária. Tomei fôlego e resolvi ficar quatorze dias, como previsto anteriormente. Para mim é muito importante resistir à tentação do poder, de decidir, de mudar de rota. Algo que estou trabalhando na minha ‘maturidade’ é não só o poder de tomar decisões, mas de viver plenamente as consequências delas. Não é hora de desistir.


Curry de manhã, de tarde, e de noite

Dia 06

Um dia tranquilo, bastante feliz porque finalmente parece que ouviram as minhas preces e deram uma ‘melhorada’ na comida. O curry estava menos forte, teve melão de sobremesa, um arroz delicioso com tâmaras e passas. Comi como não havia me alimentado todos os dias. Perdi 2,5kg nos primeiros dias e cheguei a ficar preocupado.


Me senti bem mais vigoroso nas sessões de yoga, que acontecem às 05h30 da manhã, horário delicioso, com o canto dos pássaros e da natureza, e às 17h, para encerrar o dia. Conheci melhor Jay, nosso mestre yogui, muito educado. Finalmente voltei a conversar com as pessoas, como as vizinhas da França, e as recém-chegadas da Austrália. Estava calado todos esses dias, e na verdade sigo sem muita conversa com a galera, afinal, já falo tanto na minha vida. Falo até demais, às vezes.

Eu não tinha trazido desodorante porque queria fazer uma linha mais natural, harebo. Mas eu mesmo não conseguia suportar o meu cheiro que estava a puro curry, e resolvi ir na rua procurar um — além de uma acetona porque estava com uma unha toda mal pintada. No supermercado tinha um Oreo. Meu coração disparou, mas não comi, voltei pra casa, com saudades.


A vaca do Athreya: magrinha né? Mas toda trabalhada no Sacramento. As índias são super sagradas na Índia, e no Kerala não é diferente.

Dia 07

Comecei a perceber um padrão onde tinha um dia bom e um dia ruim. Tanta instabilidade, dizem os médicos, é normal, enquanto você recebe um tratamento nos moldes do ayurveda. É o nosso corpo querendo repetir padrões de aceleração versus o ambiente te trazendo para outra velocidade.

Quarto e penúltimo dia de enema, aliás, sabe o que tem dentro de um enema? Entre ervas, óleos e mel, uma pitada de xixi de vaca destilado. Eita.

Dia 08

Pela primeira vez resolvi sair um pouco do retiro para dar uma volta pela cidade. Kottayam é bem precária, tem algumas lojas que vendem coisas de plástico, eletrodomésticos, umas roupas feias, nada demais. Acabei descobrindo um shopping, onde fui em busca de um cartão de memória para câmera. Encontrei uma loja de tortas com 16 sabores diferentes, fiquei estarrecido, saí correndo, muito desejo de doces. Falta de sexo também.


Terapeutas mulheres para clientes mulheres, terapeutas homens para clientes homens. Os tratamentos são feitos sempre sem roupa.

Dias 09 e 10

Dia de iniciar uma nova terapia, o nasya. Nasya é um procedimento onde eles vaporizam o seu rosto e depois colocam um líquido nas narinas para você expelir o muco do sistema respiratório. Para mim, especialmente, muito bom para ajudar na sinusite. Me incomodou muito, então é um sinal de que realmente precisava.

Estou até melhorando no yoga — tenho a flexibilidade de um senhor de 70 anos. Adoraria ser bom nisso um dia, me faz muito bem. Yoga e ayurveda tem tudo a ver.


Dia 11

A galera inventou um passeio pelas backwaters do Kerala, um roteiro turístico famoso no sul da Índia. São vários canais e encontros de braços de rio com o mar. Alugamos um barco enorme e ficamos lá curtindo o por do sol tomando água. Ah se fossem outros tempos, eu pensei. Tive uma miragem e vi aquele barco cheio de amigos, cerveja gelada, o DJ tocando Caetano. Saudades de Fevereiro na Bahia.


Marari Beach, balneário indiano. Para quem tá acostumado com as praias do Nordeste, a praia indiana não chega aos pés!

Dia 12

Quarto dia seguido de nasya, sinto que minha respiração está bem melhor. Decidi sair mais uma vez do retiro para conhecer a praia de Marari Beach, famosa por ser paradisíaca. Um lixo a ceu aberto, cheia de urubus, fiquei traumatizado. O mar, apesar de tranquilo, tinha banho interditado por causa das monções, que trazem muita sujeira dos rios para as praias. Acabei me enfiando em um resort onde o Paul McCartney já ficou hospedado, pagando o day use e curtindo o entardecer. Comida maravilhosa: neste dia eu acabei fugindo da dieta ayurveda, comi um biscoito e tomei um chá no hotel. Senti o açúcar percorrer meu corpo, sério.


Um dos terapeutas que me acompanhou no processo inteiro, Sri.

Dia 13

Último dia de retiro! Últimos tratamentos, uma massagem maravilhosa, inesquecível, feita com um saco de arroz quente sobre os músculos, melhor que transar. Última consulta com o Dr. Sryjit, que passou remedinhos para levar para o Brasil, para a sinusite, dores musculares e ansiedade. Espero que a alfândega não me encha o saco. Me despedi de todos os amigos e preparei as malas para seguir viagem para o Norte da Índia. Eu teria direito a mais uma manhã de tratamento, mas preferi ir logo para Delhi porque tenho poucos dias livres no país.

Conclusão

* Valores (média): 13 noites x R$ 400 = R$ 5.200. Inclui hospedagem, alimentação, yoga, transporte para o aeroporto
* Amei a experiência como uma introdução ao mundo ayurvédico, as massagens são uma delícia, o descanso é rejuvenescedor.
* Senti falta de receber mais conhecimento, aulas de ayurveda, saber melhor o que estava comendo e porque estava comendo aquilo.
* Senti também falta de mais aulas de meditação, além do yoga. Técnicas, pranayamas. Preferia que não houvesse internet nos quartos, teria ficado mais desconectado.
* Há pessoas que voltam até mais de dez vezes ao Athreya, como um senhor incrível da Espanha que estava por lá. Não sei se eu voltaria pra lá porque gosto de variar as experiências, mas é importante dizer que não são quinze dias de massagens que vão curar as noias da sua vida inteira: é importante levar os ensinamentos pra casa