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Resumão da Casa de Criadores: saiba tudo que rolou na 41ª edição do evento

Ano após ano, edição após edição, a Casa de Criadores vem se confirmando como o espaço da experimentação e do ativismo na cena fashion brasileira. Sua 41ª edição, comemorativa de 20 anos do rolê, não foi diferente. Coleções para o Verão 2018 foram apresentadas na Oficina, em São Paulo, mostrando que a nova moda do país está sim preocupada com impactos ambientais, desconstrução de gêneros, representatividade, racismo e pautas LGBT. Nas passarelas que lançaram nomes como João Pimenta e Ronaldo Fraga vimos gente muito diversa representando as marcas, ao longo de cinco dias bombados de desfile. Aqui vai um resumão do que rolou pra você ficar por dentro!

08.05 SEGUNDA-FEIRA

Brechó Replay, Cemfreio, Fernando Cozendey, Filipe Freire, Rober Dagnani

O 1º dia do rolê juntou 5 estilistas: Brechó Replay e Diego Gama abriram a passarela com foco no empoderamento negro, enquanto Cemfreio trouxe referências quentes na coleção batizada de “Fogo na Babilônia”, com a trilha feita ao vivo por Pabllo Vittar. Fernando Cozendey surpreendeu ao trabalhar muito jeans e Felipe Freire estreou no evento, apostando em correntes nessa coleção. De quebra, rolou Rober Dognani, que investiu em produções all black.

09.05 TERÇA-FEIRA

Tarcísio Brandão, Felipe Fanaia, Weider Silveiro, Också, Ellias Kaleb

Na terça, Tarcísio Brandão chegou com tudo e resolveu explorar suas origens e sua história como estilista, trazendo tecidos de seu estoque e referências regionais. Felipe Fanaia brincou com o tema “Patricinhas de Beverly Hills” e abusou de alusões ao filme, passando pelas misturas de tecidos e padronagens típicas da época e do clássico. Weider Silveiro nos apresentou peças inspiradas na Espanha com o plus do upcycling e do jeans revisitado, enquanto a Också também quis relembrar a sua história ao trazer releituras de peças, que aparecem cada vez mais voltadas para a rua. Ellias Kaleb fez bordados como metáfora para o tempo em looks cheios de romantismo.

10.05 QUARTA-FEIRA

Diego Fávaro, Rafael Caetano, Alex Kazuo

No 3º dia da Casa, Diego Fávaro explorou o tema da depressão e de pedidos de ajuda tanto física quanto psicológica, inspirado por experiências próprias, na coleção “SOS”. O resultado de pegada streetwear e bem pop entregou as melhores pochetes da temporada. Rafael Caetano veio de universo queer, inspirado especialmente por “Kinky Boots” e “Priscilla: a Rainha do Deserto”. Alex Kazuo trouxe muitos looks pretos e referências do Japão em peças com reaproveitamento de tecidos. A abertura do dia ficou por conta do Projeto LAB, com Neriage por Rafaella Caniello, Acrvo, Rocio Canvas, Senplo, Caroline Funke, Renata Buzzo. Clica aqui pra saber as resenhas completas!

11.05 QUINTA-FEIRA

Isaac Silva, Ben, Igor Dadona, Karin Feller para Di Gaspi

Dia de muito “clôsy” na passarela com a Coleção de Isaac Silva em parceria com Magá Moura, claro, mega colorida e de pegada 80’s/90’s. Releituras de looks de praia com muito preto e branco e vibe modernosa foram vistas na coleção da Ben de Leandro Benites. Igor Dadona trouxe uma alfaiataria noturna e rolou ainda Karin Feller para a Di Gaspi, que homenageou o Brasil do concreto à Mata Atlântica.

12.05 SEXTA-FEIRA

Ale Brito, Heloisa Faria, Mrtns, Fila por Der Metropol

O último dia de Casa de Criadores apresentou Ale Brito, que super explorou a tendência do oversized em alfaiataria, Heloisa Faria, que se inspirou nos encontros e desencontros da vida e misturou cores, tecidos naturais e fluidos, a Mrtns e sua trupe de party people em looks da virada dos 70’s pros 80’s e a Fila por Der Metropol, que fechou a noite com inspiração no hip-hop e coleção preciosista, mas sem exageros.

Se tem uma dica amiga da moda brasileira que a gente dá, é a de ficar de olho nas marcas e estilistas que desfilam na Casa de Criadores! Cada vez mais ousados e fora da caixinha, é de dar gosto de ver. Quais foram as suas coleções preferidas? Conta pra gente!

AHLMA: nova marca de André Carvalhal coloca a moda com propósito em prática

Para acalentar os corações meio carentes de marcas alinhadas com propósitos que vão além do óbvio nasceu, nessa semana, a AHLMA, mais novo projeto do multitask André Carvalhal, autor dos livros “A Moda Imita a Vida” e “Moda Com Propósito” (duas leituras recomendadíssimas aos interessados no assunto, por sinal) e co-fundador da Malha, espaço colaborativo mara no Rio de Janeiro. Oficialmente lançada no dia 10, a AHLMA é uma marca de roupas, mas, como tudo que André costuma produzir, não só isso.

Evocando as energias da lua cheia, a AHLMA chega com vibes místicas e sustenta que a moda é a potência e a ferramenta para defender o que se acredita. Construída coletivamente, a marca se define como eixo de co-criação e promete fazer roupa enquanto reflete sobre consumo, indústria têxtil e os caminhos pra mudar nosso jeito de se relacionar com essas questões. Pretensiosos da melhor maneira! A gente volta e meia conversa por aqui sobre novas formas de fazer, consumir e pensar moda. Elas existem e têm mais é que ser postas em prática!

As propostas da nova brand se fazem verdade por meio de diferentes processos que abrangem de uma comunidade de parceiros, produtores e fornecedores engajados à comunicação, que deve ser bem transparente. Além disso, rola o O.V.N.E., “Onda Virtual da Nova Era”, que é um canal de conteúdo desenvolvido pelo The Summer Hunter e que traz reportagens, fotos, matérias, vídeos e entrevistas aprofundadas e cheias de qualidade; vale muito acompanhar.

Estamos animados com esse lançamento, deu pra ver, né? Agora é seguir acompanhando os desdobramentos dessa AHLMA!

Bolovo: uma marca bem massa e comprometida com os good times

Vamos falar de coisa boa? Vamos falar de Bolovo! “Hãm?”, você talvez pergunte. Sim, Bolovo, a marca que celebra 10 anos de estrada e que nasceu das mentes inquietas de Deco Neves e Lucas Stegmann de um jeito bem descompromissado e é divertidíssima.

Tudo começou em 2006, quando Deco e Lucas filmavam e fotografavam as suas viagens com os amigos. O nome “Bolovo” surgiu numa dessas viagens e acabou pegando. Como a turma era uma gangue, o nome foi parar em camisetas que o Deco fez com a mãe no Brás, em São Paulo, “elas eram muito podres”, ele diz. De lá pra cá surgiu um interesse natural e bem orgânico de produzir também umas peças de roupa que a galera tinha vontade de usar, mas não encontrava para comprar. Foi daí que veio a marca, que é definida como “de espírito livre” e inserida numa espécie de plataforma onde os caras também produzem vídeos, fotos e tudo que dá na telha.

A gente bateu um papo com o Deco pra saber mais dessa história, se liga:

Podemos definir a Bolovo como uma marca? Ela parece ser quase uma filosofia de vida… Acabou virando mesmo algo nesse sentido. A Bolovo é como se fosse uma “plataforma de lançamento” das nossas ideias. Um monte de coisas legais que temos interesse, a gente coloca dentro da Bolovo e lança pro mundo: vídeos, fotos, roupas, amigos, festas, viagens, esportes, ideias de “girico.com.br”… Isso tudo sempre com o norte que é: fazer memórias/ter boas histórias pra contar. Queremos ficar velhos e ser aqueles tiozinhos que sempre têm uma história boa na manga.

Como funciona o processo criativo de vocês? O que inspira as criações? Depois desses anos todos acho que a gente ainda não sabe da onde vem a inspiração, mas normalmente não é de onde procuramos na primeira vez. Nosso processo criativo é bem solto, não tem muito um caminho, mas as melhores ideias acabam sempre saindo de quando estamos todos juntos conversando sem muita preocupação. Aí depois a gente tenta lapidar as que achamos melhores. O que a gente acha mais legal mesmo é fazer as coisas acontecerem e nessa hora vem mais um milhão de ideias. A gente curte fazer coisas pra estrada e pros amigos. Daí já é um bom norte de “inspiração”. Também curtimos coisas extremamente bem feitas ou extremamente ridículas.

Quem usa Bolovo? Acho que são pessoas que entendem o valor de sair de casa e ter boas histórias pra contar, que curtem pôr a mão na massa mesmo e fazer coisas. Não ligamos pra classe social ou se curte isso ou aquilo. Acho que se você ver alguém usando Bolovo um dia deve ir trocar uma ideia com essa pessoa que ela deve ser bem gente fina.

Quais são seus planos para 2017? Tem sido uma fase muito legal e nova pra gente. Depois que saímos da MTV [os caras já trabalharam com a MTV e mais um monte de marca legal, tipo Nike, Vans, Void, Perestroika…] tivemos mais tempo para tocar a marca e estamos com bastante coisas no horizonte. Vamos lançar algumas colabs bem legais esse ano e novas peças que nunca tínhamos trabalhado antes.

Nós compramos um furgão 82! Vamos levar ele pra estrada e isso vai virar nossa websérie no youtube, que vai se chamar “Go Out” e deve estrear no fim de Março, começo de Abril. Nosso livro de 10 anos, financiado via crowdfounding, finalmente vai sair! Queremos fazer um campeonato de snowboard dentro da nossa casa e sei lá o que mais vamos inventar até o fim do ano.

Queria agradecer todo mundo que tem apoiado essa ideia louca que é a Bolovo e por deixar os Good Times rolarem. Ohhh Yeahhh!

Bem massa, né? A Bolovo tem loja online, então quem quiser fuçar mais das ideias, das loucuras e, claro, dos produtos dos caras, é só entrar lá e se jogar. Nós temos uma queda por tudo, das meias aos shorts, passando pelas camisetas que têm uma cara meio antiguinha. É tudo mega descolado e divertido e os preços começam nos R$ 25,00 (meias invisíveis) e vão até os R$ 209,00 (casacos).

Todas as fotos são do Instagram da marca!