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Moda Para Homens: o maravilhoso desfile de verão da Prada

A Prada desfilou a sua coleção primavera-verão/2018 no último dia 18, na semana de moda de Milão, dessa vez sem o resort feminino. O desfile bem lindo chamou a atenção pelas referências e pela estética, cujas inspirações vieram das histórias em quadrinhos. “Eles são feitos à mão, humanos, simples e reais. Mesmo que tragam todas as piores fantasias, eles são simples… Pequenos fragmentos da vida, que é o que você tem agora da informação, da mídia”, disse Miuccia Prada sobre a direção que tomou na hora de criar as peças.

Os quadrinhos, na verdade, surgiram em sua mente quando ela refletia sobre se sentir presa entre a humanidade e a realidade virtual. “O mundo inteiro está se deparando com essa questão”, comentou. E aí que as HQs dominaram a passarela, trazendo beleza, provocação, um ar muito moderno e ao mesmo tempo algo retrô à coleção, com elementos literais e outros mais subjetivos relacionados ao tema, mas tudo do tipo que nos deixa morrendo de desejo.

Os macacões, por exemplo, foram destaque forte da temporada e apareceram em 18 dos looks. Miuccia alegou que eles são sua nova obsessão especialmente por sua simplicidade; são peças que remetem ao trabalho, ao uniforme, e que aparecem em muitas cores, às vezes cobertas com sobretudos, outras acompanhadas de ótimos acessórios, como as pochetes (que seguem reinando!) e sapatos e sandálias incríveis. As cinturas vieram altas, com elásticos e as camisas pra dentro. As barras das calças estão curtinhas, assim como os shortinhos mega curtos também deram o ar da graça. Fashionistas com calor dizem amém, kkk!

Vale ficar de olho também nos truques de styling, como as meias longas usadas bem altas, as golas das camisas usadas pra cima como o detalhe mais chamativo da peça, o suéter pra dentro da calça, as sandálias com meias… Outro detalhe pra ficar de olho: a icônica etiqueta da marca que agora também aparece do lado de fora das roupas. Diz a Prada que quer questionar a relação entre marca e produto e o logo enquanto símbolo de status — eles até lançaram a #PradaEtiquette no Insta.

Pra completar o rolê apaixonante, o cenário foi todo de quadrinhos feitos pelos artistas James Jean e Ollie Schrauwen, quase tudo preto e branco com um ou outro toque de cor. A coleção vem super sintonizada com a moda urbana que temos visto ultimamente, tipo de roupa criada por uma grande maison que agradaria facilmente um bom amante de streetwear. Pra colar no board de referências já.

Resumão das semanas de moda internacionais: macrofomentos para ficar de olho em 2017

Janeiro foi um mês agitado para o calendário fashion. Londres, Florença, Milão e Paris receberam desfiles de grandes marcas que apresentaram suas coleções masculinas de inverno 17/18. Muito close, vários fomentos, e a gente foi atrás dos nossos favoritos pra te deixar informado do rolê. Repara:

Uma coisa é importante ser dita. Essas semanas de moda trouxeram uma ideia de que o sonho acabou. Um ar de desencanto paira diante de tantas questões preocupantes e reviravoltas políticas que tomam o planeta. Agendas de extrema direita, Brexit, Donald Trump no poder. E de que forma isso se traduz? Especialmente nas referências à juventude, dessa vez mais anárquica, certamente melancólica, saindo das utopias e sonhos de infância e adentrando o mundo real. Referências à juventude pipocam até mesmo em marcas voltadas para um público mais maduro. A juventude é a esperança de um mundo melhor, mas será que ela vai aguentar o tranco?

Gosha Rubchinskiy

Vetements

A Louis Vuitton, que fez um desfile em parceria com a Supreme e inspirado em artistas de Nova York que viveram a glória entre 70 e 90 (Basquiat, Andy Warhol, Keith Haring…). Muito pop e trazendo a alta moda para um universo mais street (e jovem, claro).

De forma mais clara e prática, isso se mostra também no militarismo, que apareceu bastante. Não tanto como tema de uma coleção inteira, nem sempre de forma literal, mas ali, rondando, reforçando a ideia de nos equiparmos contra o que está por vir. Sim, é uma vibe bélica mesmo, reflexo dos atuais movimentos no mundo.

Moschino / Walter Van Beirendonck / Gosha Rubchinskiy / Rick Owens / Lanvin

Outra parada que bombou na temporada? Acessórios. Começando pela pochete se afirmando absoluta no reino fashionista e aparecendo em uma pá de desfiles, da óbvia Supreme em parceria com a Louis Vuitton até a Lanvin, passando quepes, bonés e boinas de variados materiais (couro especialmente, parece que vai bombar), até echarpes típicas do mundo futebolístico (alô Gosha Rubchinskiy e Lanvin).

Versace / Missoni / Louis Vuitton / Lanvin / Gosha Rubchinskiy

E sim, parece que a estampa xadrez está voltando com força. Tínhamos dado um tempo nas camisas de flanela (ou não) de estampa xadrez, especialmente aquelas estampas maiores, né? De alguma forma isso começou a voltar, as camisas amarradas na cintura foram reaparecendo (Justin Bieber usa muito e inclusive fez modelos para sua coleção Purpose Tour), e agora a estampa pode ser vista em diversos tamanhos e estilos, da pegada mais grunge à mais elegante, em casacos, camisas, sobretudos… A mistura de azul com preto marcou uma presença especial.

Versace / DSquared2 / Facetasm / Givenchy

É muito massa repararmos de que forma a moda molda nosso comportamento e também como rola o movimento inverso. Pois sem saber quem veio primeiro, o ovo ou a galinha, fato é que nessa temporada algumas marcas trouxeram muitas referências do universo raver e techno, como a Dior (ahã!). “HarDior” foi a expressão escolhida para juntar hard techno e Dior numa coisa só. Particularmente em Londres essa leitura foi mais forte, com alusões encontradas em Christopher Shannon, Cottweiler e Topman (com sua psicodelia contraposta a uma pegada mais dark e, advinha, melancólica), entre outras marcas. Nada feliz e supercolorido, mas rebelde, indócil, dark. (Fun fact: no Rio de Janeiro a cultura techno tá voltando com tudo. A pegada é underground e da rua e vem se proliferando na cidade).

Dior

Christopher Shannon / Cottweiler / Topman

Agora, a macrotendência que foi puro fomento nessa temporada sem dúvidas é o street. Não importa muito a mensagem que o designer queria passar, pois o street se encaixa, se adapta a tudo. Inclusive à alta moda, que um dia já se esquivou declaradamente dessa tendência. Da Louis Vuitton ao Gosha, da Dior à Lanvin, da Vetements à Versace… Seja nos cortes super oversized que podem ser encontrados em cada vez mais marcas, seja nos jacos esportivos, nos tênis, nas referências a grupos underground e a manifestações de rua… Enquanto em alguns lugares as tentativas são de suprimir essas iniciativas, em outros elas são até de apropriação. Mas que a estética é mara, isso é.

Lanvin / Versace / Louis Vuitton / Ermenegildo Zegna / Comme des Garçons