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Férias em Cuba: roteiro, onde ficar, o que fazer

Visto Para Cuba

O visto para Cuba é necessário, mas é possível comprá-lo no aeroporto, e evitar a função de comparecer ao consulado ou mandar o passaporte por correio à Embaixada no Brasil. Se você viaja por Copa Airlines, vai precisar fazer uma conexão no Panamá e lá mesmo eles vendem, no check-in. Se você viaja pela Aeroméxico, também pode comprá-lo em Mexico City. Para as demais companhias, melhor verificar antes de viajar! Custa 20 dólares.

Como Chegar

As duas opções mais fáceis são com a Copa Airlines, que tem voos de várias cidades do Brasil (SP, Rio, POA, Recife, Brasília) até a Cidade do Panamá, onde você pega uma conexão até Havana. A Copa normalmente tem ótimo preços e as conexões são rápidas. No meu caso eu usei milhas até a Cidade do México (35.000, super promoção) e paguei o voo de Aeroméxico até Havana, custou uns R$ 1.500.

Câmbio e Táxi

Troque todo seu dinheiro no aeroporto, pois é a melhor cotação da cidade. É a cotação oficial do Banco Central Cubano (lembre-se que é tudo tabelado). A boa é levar euros, e não dólares, pois os dólares são sobretaxados em Cuba. Do aeroporto até o hotel/casa de família espere gastar 25 CUCs, é praticamente tabelado, não pague mais, mas não espere pagar menos. Táxi comum amarelo, os táxis vintage custam mais caro, sobretudo no aeroporto.


Havana Vieja é o centro antigão da cidade, uma mistura de destruição e sítio histórico onde se percorre tudo a pé e nos bicitáxis (táxis improvisados em bicicletas com carrocinhas que levam até duas pessoas) e hoje bastante turística. Catedrais, praças, restaurantes, lojas de souvenir.

Os bares clássicos de La Habana

Visita obrigatória no La Floridita, onde Hemingway tomava seu daiquiri. Mega turístico, mas é um daqueles lugares que tem que ir pra fazer uma foto. Em lugares como o La Floridita sempre entram músicos e começam a tocar a música tradicional cubana, são super talentosos, aproveite. No final, passam o chapeu para você dar uma gorjeta: não seja mão de vaca. 😃 Outro point de Hemingway é a ‘La Bodeguita del Medio’, onde ele tomava seu mojito, mas todo mundo fala que a comida é bem fraca então acabei só passando na frente, sem dar muita atenção.

Passear sem rumo pelas ruas da cidade antiga. Para os amantes de arte, o Museu Nacional de Bellas Artes é uma opção, a parte de arte cubana é bem interessante. Adorei a feirinha da Plaza Vieja, com muitos posters de filmes clássicos cubanos, literatura latino-americana e relógios soviéticos. Entre em tudo sem medo: é muito interessante entrar em qualquer lugar que tenha escrito ‘aquí se paga con moneda nacional’, o peso cubano, pois lá rola a Cuba de verdade. Fiquei de cara com um mercado onde os cubanos faziam suas compras da semana, com a caderneta socialista, onde fiquei horas conversando com o ‘gerente’ sobre a situação de Cuba e como anda o socialismo. Viajar é pra essas coisas. Ah, e La Habana, apesar de meio ‘escura’ é super segura!

COMIDA‘O Reilly 304 e 309: não é um lugar de comida tipicamente cubana, mas de cozinha internacional deliciosa. São dois bares, um em frente ao outro. Ceviche, tacos de lagosta, e um daiquiri de manga incrível. Daiquiri é uma bebida bem típica caribenha, que mistura rum, suco de frutas e vem num copinho hipster. Um dos melhores drinks da viagem, sem dúvida. Já dá pra conhecer uns turistas legais, o staff é lindo.

El Chanchullero: restaurante/bar super animado com um Ropa Vieja (o típico feijão-com-arroz-e-carne-assada-cubano) delicioso e muito bem servido. Eu amei as paredes e a decoração deste lugar, com frases anti-revolucionárias, claramente operado com jovens que não estão tão contentes assim com o sistema comunista.

Uma visita obrigatória é a Fábrica de Arte Cubano, um novo espaço imenso de arte contemporânea de Cuba, onde rolam exposições, DJS, performances, shows, e tudo o mais. É ‘o pico’de Havana. Infelizmente quando fomos estavam trocando as exposições e a FAC estava fechada (ela só abre de quinta a domingo, então você precisa se programar bem), mas o restaurante que fica no topo vale muito a visita, rola uma balada por lá.

Show do Buena Vista Social Club

Fomos buscar um lugar para curtir a noite na terça-feira, e um taxista acabou nos levando no show do ‘Buena Vista Social Club’, que sinceramente parece um show de cruzeiro. Me pergunto se havia mesmo algum componente original do Buena Vista por ali, talvez um ou dois. Meio cafona, mas se não tiver outra opção, vá para ouvir boa música, porque no fim das contas tem muita qualidade, e é divertido. 30 CUCs. A boa mesmo é ir no ‘Casa de La Música’, que tem bem menos turistas e a galera local.

City Tour em carro vintage

Você certamente vai ficar fascinado com os carros dos anos 50 que dominam o cenário de Havana e vai querer andar em algum deles. A carcaça é original, mas os motores estão tunados, portanto, andam super bem. É um passeio bem divertido e que rende ótimas fotos. O Parque da Cidade, ao lado do Capitólio, é um bom point para negociar com os cubanos, custa em média 30 CUCS por hora.

Eles te levam para um city-tour por pontos importantes da cidade, como a Plaza de La Revolución, onde estão as imagens míticas de Che Guevara e Camilo Cienfuegos, herois da revolução, e outros points da cidade. Antes de escolher o carro converse muito com eles para ver quem são os mais divertidos e falantes, porque faz toda a diferença.


No meio do entra-e-sai das locadoras de carro, visitamos o Hotel Nacional, o Copacabana Palace de Havana. Para entrar, você paga 5 CUCs, que se converte em um drink. É realmente lindo e tem o ‘bar dos mafiosos’, um bar super clássico onde você toma o Mojito de La Mafia, que foi o melhor da viagem: eles misturam rum Añejo Especial (mais escuro) com rum normal. Delícia.


Com o carro na mão, fomos passar o fim de tarde na zona de Vedado, outro bairro super importante da cidade, onde acontece a Havana de ‘hoje em dia’. Parada obrigatória na sorveteria Coppelia, cenário do filme clássico ‘Fresa y Chocolate’. Leve pesos cubanos e fique na fila dos cubanos, se você só tiver CUCS, eles vão te direcionar para a área turística, onde você pagará uma fortuna por uma bola de sorvete. Aliás, a Coppelia é mais pelo astral mesmo porque o sorvete é pura gordura hidrogenada.

Ao lado de Havana: Playas del Este

Depois, à tarde, partimos para a Playa Santa María, no mesmo carro conversível, a 30-40 minutos de Havana, pra começar a curtir o mar caribenho. Água cristalina e o primeiro batismo nas piscinas caribenhas.

O grande perrengue que foi alugar um carro

Alugar um carro é maravilhoso porque quem gosta de dirigir se diverte na estrada parando nos lugares, fazendo fotos únicas, conversando com os cubanos, ouvindo as playlists, enfim. Além de que no nosso caso foi bem necesário porque estávamos cheios de malas, equipamentos, drones, e não dá pra ficar entrando e saindo da rodoviária carregando um montão de coisas.

Só que ninguém avisou que para garantir um carro você precisa reservar com no mínimo 30 dias de antecedência. Perdemos o dia inteiro indo a todas as locadoras, que ficam dentro dos hoteis, até conseguir um carro por volta das 16h, depois de muito chororô. Não é barato, cerca de 80 CUCs por dia, mas foi o preço necessário pra nossa independência. As locadoras são estatizadas, como tudo em Cuba. Conseguimos na do Hotel Sevilla, fica a dica. Valeu muito à pena.

Pé na Estrada para Trinidad

Dia para finalmente pegar a estrada para Trinidad, cidade colonial e parada obrigatória entre todos os turistas que passam por Cuba. No caminho, fizemos uma parada maravilhosa na costa entre Playa Larga e Playa Giron. O estresse pra alugar o carro já valeu à pena pelas praias desertíssimas em que paramos, com uma mistura incrível de piscinas naturais verdes e azuis.

Trinidad é o máximo, vale muito à pena. Havana é incrível mas pode ser bem estressante aquele pede-pede dos cubanos e o ter-que-ficar-o-tempo-inteiro-dizendo-não. Imagine que Trinidad é uma cidade como Paraty, Olinda, ou Ouro Preto. Umas mansões coloniais absurdas, as ruas de pedras antigas, todo mundo andando a pé, restaurantes e bares cheios de mochileiros, e uma praça central onde rola todo o bafo: shows de salsa, vendedores de mojito, um fervo. Fizemos uns bons amigos espanhois e fomos parar na boate La Cueva, a música era bem comercial com muito reggaeton, mas é o point da galera.

Hospedagem: ficamos no Hostal Eilynn na Calle Maceo #700, em frente ao Hostal Colina. 30 CUC por quarto para duas pessoas, uma casa colonial belíssima com um terraço no segundo andar, uma acolhida muito simpática e carinhosa! Reverteu a má impressão da casa fria onde estivemos em Havana.

Sobrevivência nas Estradas

Uma dica importante para quem vai viajar de carro por Havana: quando houver internet, abra no Google Maps no seu telefone por cima do mapa de Cuba, com alguns zooms estratégicos nas cidades onde você pretende visitar. É muito fácil se perder nas estradas super mal sinalizadas, então o Google Maps apesar de não conseguir te criar roteiros (pela falta de 4G), te mostra pelo menos onde você está)

Tivemos um dia livre em Trinidad e fizemos um passeio pela Playa Ancón, onde inauguramos o nosso drone! A gente imaginava que o drone era proibido em Cuba, e por isso fomos extremamente discretos usando ele, sempre em lugares muito vazios e longe da polícia. Na verdade, ter entrado com o drone em Cuba foi quase um milagre, porque eles revistam você inteiro quando chega, mas por algum motivo, nosso drone passou despercebido. Se alguém tivesse nos pego, teríamos que guardar o drone no aeroporto e só pegar na saída.

Mas já que passou, fizemos imagens incríveis como estas:

Voltamos para a noite em Trinidad, onde tomamos mojitos na praça central e vimos um montão de salsa, até que começou a chover canivetes. A galera vende mojitos por 3 CUCs

Cayo Guillermo

Pegamos a estrada mais uma vez (250km) em direção a Cayo Guillermo, um paraíso do caribe. Cayo Coco é a praia ao lado mais famosa, Cayo Guillermo é um pouco mais tranquila e tem um esquema maravilhoso: um restaurante à beira mar com peixe e drinks, e uma piscina caribenha verde esmeralda à disposição. Chama-se Playa Pilar (anotem esse nome!)

O caminho é uma emoção à parte, os cubanos constroem uma estrada chamada ‘tetraplén’, que é como se fosse um aterro. Um aterro que cria um istmo (alô aulas de Geografia!) entre as ilhas e o continente, de 40km de comprimento. Estrada fascinante, e vista pelo drone, mais ainda.

Estas praias cubanas são super populares entre os turistas gringos e estão cheias de resorts internacionais, como Meliá, Pestana, mas a gente não tinha budget pra isso. À noite ficamos um ‘hotel de selva’ baratinho, só 30 CUCs para os dois a noite. Super em conta.

As fotos incríveis de Havana são do meu companheiro de viagem Victor Roncally – @roncca

Não deixe de asssitir o ‘Caio na Estrada CUBA’

Roteiro de Arte no Brasil: onde encontrar?

A guide to see art in Brazil

A-do-ra-mos fazer roteiros culturais quando viajamos pra fora! Visitar museus, ficar de olho na arquitetura, sacar um pouco mais da história daquele lugar ou ver de perto os mais diversos movimentos artísticos são motivos de animação. E aí que, às vezes, acabamos esquecendo que o nosso país também tem destinos mara quando o assunto é arte. Assim, inspirados pela Arte de Viajar Pelo Brasil, montamos um roteirinho artsy dos bons, pra você pegar a estrada djá!

Amazonas: Começamos em Manaus. Que tal visitar o Teatro Amazonas? Inaugurado em 31 de dezembro de 1896, ele é hoje uma das obras arquitetônicas mais importantes do país e representa o período áureo da borracha, sendo patrimônio artístico do estado. Vai lá que é lindo, lindo.

Distrito Federal: Brasília é uma cidade-monumento. Projetada por Lúcio Costa, possui um formato de ave com asas abertas e, de quebra, é tomada pela arquitetura cheia de curvas de Oscar Niemeyer, o que confere tanta modernidade à cidade, que inclusive impulsionou o Construtivismo no Brasil. Ou seja, museu a céu aberto, né?

Pernambuco: Da capital, pulamos direto pra Recife, já que o Instituto Ricardo Brennand é um must go da cidade. Veja tapeçarias, esculturas, mobiliário e pinturas de diferentes épocas e provenientes de Europa, Ásia, África e América, reunidas durante mais de 50 anos pelo colecionador homônimo, num complexo arquitetônico com cara de Medieval.

Bahia: O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) fica no Solar do Unhão, lugar privilegiado com arquitetura do século 17 (tem capela, casa grande e senzala) e na beira da Baía de Todos os Santos. O acervo é grande e conta com artistas como Cândido Portinari e Di Cavalcanti. Ainda na cidade, o Palacete das Artes Rodin Bahia é outro que merece visita, com quatro peças de Rodin em seus jardins e exposições temporárias de arte moderna e contemporânea. Tá pensando que a Bahia é só Axé?!

Minas Gerais: Os mineirins têm o sotaque mais delícia desse Brasil e também muita arte pra oferecer, começando por Inhotim. O centro de arte contemporânea iniciado por Bernardo Paz abriga um dos mais importantes acervos do nosso continente (#modéstia) e fica em Brumadinho. Lá, você pode ver obras de Olafur Eliasson, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Matthew Barney, Yayoi Kusama… A interatividade é ponto alto. E que tal dar um pulinho em Ouro Preto? A cidade é monumento nacional e reúne um grande acervo religioso, contando a história do nosso país com obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde, por exemplo.

São Paulo: Alô destino mais cosmopolita desse país! Sampa reúne um bocado de museus e galerias para amante de arte nenhum botar defeito! Do Museu de Arte Moderna (MAM) ao MASP. Da Pinacoteca ao Instituto Tomie Ohtake. Do Museu da Imagem e do Som (MIS) ao Museu de Arte Contemporânea (MAC). São paulo transpira arte inclusive nas suas ruelas e avenidas, já que a arte urbana também é seu forte. Tem que ir!

Rio de Janeiro: O Rio pode continuar lindo, mas vamos ali pra Niterói, onde fica o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Aquele mesmo, cuja arquitetura projetada por Oscar Niemeyer é reconhecida no país todo. Além da vista, você pode apreciar o acervo que possui obras de Hélio Oiticica e Tomie Ohtake. Ah! No Rio, o CCBB, a Casa Daros e o Museu de Arte do Rio (MAR) também merecem atenção, hein!

Rio Grande do Sul: Bah! Porto Alegre está cheia de opções pra quem curte um bom museu, mas dois deles são realmente imperdíveis: o Museu de Arte Moderna do Rio Grande do Sul (MARGS), com seu enorme acervo, e a Fundação Iberê Camargo, que reúne obras do artista de mesmo nome e realiza expos de arte contemporânea. Fique de olho na sua arquitetura e feche com chave de ouro esse roteiro artsy brasileiro!

ENGLISH

We Brazilians love to do cultural tours when we travel to other countries. Visit museums, keep an eye on the architecture, learn a little bit more about the new places and take a close look to different artistic movements are reasons for excitement. Sometimes, we simply forget that our country also has wonderful destinations when it comes to art and that’s why we put together a travel plan for you to see art in Brazil. Let’s go!

Amazonas: We’ll start in Manaus. How about visiting the Amazonas Theatre? Opened in December 31, 1896, it is now one of the most important architectural masterpieces in the country, representing the golden age of rubber and an artistic heritage for the state. You should go, ‘cause it’s a beautiful, beautiful building.

Distrito Federal: Brasília is a city-monument. Designed by Lúcio Costa, it has a “bird with open wings” format and it is taken by the curves of Oscar Niemeyer’s architecture, which ensures the city’s modernity that boosted Constructivism in Brazil. Well, it’s like an open-air museum, right?

Pernambuco: From the capital we go straight to Recife, as the Ricardo Brennand Institute is a must go in this city. See tapestries, sculptures, furniture and paintings from different eras and from Europe, Asia, Africa and America, all gathered in over 50 years by Brennand, in an architectural complex with a Medieval flair.

Bahia: The Museum of Modern Art of Bahia (MAM) is housed in Solar do Unhão, a privileged place with 17th architecture and an ocean view. Its collection is large and features artists like Cândido Portinari and Di Cavalcanti. The Palacete de Artes Rodin Bahia is another museum that deserves your visit, with four pieces of Rodin in its gardens and temporary exhibitions of modern and contemporary art.

Minas Gerais: This state has a lot of art to offer, starting with Inhotim, in Brumadinho. This contemporary art center started by Bernardo Paz houses one of the most important collections of our continent. It features artists like Olafur Eliasson, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Matthew Barney and Yayoi Kusama, and the interactivity is key to the experience over there. You shoul also go to Ouro Preto, a small city considered a national monument, full of religious Brazilian art.

São Paulo: Well, hello to our most cosmopolitan destination! São Paulo is full of museums and galleries, such as the Modern Art Museum (MAM), MASP, the Pinacoteca, the Tomie Ohtake Institute, the Museum of Image and Sound (MIS) and the Museum of Contemporary Art (MAC), to name a few. There’s art everywhere, even in the streets, sice its urban art is also potent. You have to go!

Rio de Janeiro: Let’s go to Niterói, where the Museum of Contemporary Art of Niterói stays. A building with a famous architecture designed by Oscar Niemeyer and recognized all over the country, featuring works by Hélio Oiticica and Tomie Ohtake, for example, besides a great view. In Rio, you can go to the CCBB, Casa Daros and Rio Museum of Art (MAR).

Rio Grande do Sul: Porto Alegre is full of options for those who enjoy a good museum, but two of them are a must go: the Modern Art Museum of Rio Grande do Sul (MARGS), with its huge collection, and the Iberê Camargo Foundation, which brings together works of the artist and contemporary exhibits. Keep an eye on its architecture and end this trip in an amazing way!

Fotos de Reynaldo Stavale, Fernando Vivas, Mirele Pacheco e divulgação

E se a gente fosse agora pra Shanghai?

Em algumas das minhas viagens eu resolvo filmar um montão de momentos, e esqueço o material. Fui para Shanghai, na China, em Dezembro de 2011, e um ano e meio depois, me deparo com os arquivos nas profundezas de algum HD aqui na minha mesa.

Resolvi editar. A música, é claro, foi trilha da viagem, bombava em 2011 [e bomba até hoje, na verdade], cheguei moreno, saí loiro, e descobri o outro lado do mundo com meus amigões. Ah, que saudades.

Vai viajar? Descubra o AirBnB!

English version available, just click!

Viajante, atenção! Na sua próxima viagem, por favor experimente o AirBnB – é um site ‘de classificados’ de moradias pelo mundo inteiro, ou seja, vai te permitir ter uma casinha, ou um quarto em qualquer lugar desse planeta. Sabe aquela história de que é muito mais legal ficar na casa de alguém gente boa quando você tá viajando do que em um hotel com cheiro de mofo e gente esquisita?

Pronto, chegou a solução: você pode escolher entre dividir um quarto com alguém, alugar um quarto só para você, ou alugar um apartamento só para você.  Cada morador ou cada apartamento tem suas regras, a graça do AirBNB é que ele ainda não orkutizou, então a maioria das pessoas que fazem parte da rede estão genuinamente interessadas em trocar experiências culturais, em serem bons anfitriões e hóspedes.  A impressão que dá é de ser ocupado por uma galera jovem (early adopters) que faz isso para ganhar um trocado (claro) e se divertir.

Neste último giro pelos EUA e Vancouver eu testei o AirBNB em duas situações: em Toronto, onde fiquei na casa de um canadense, e em San Francisco, onde aluguei um apartamento! Como funcionou:

Eu não conhecia nada em Toronto então acabei escolhendo a casa do Ricky Kruger, porque ele tinha boas reviews. (se tiver boas recomendações, siga em frente!). Viajando sozinho, eu queria poder ficar com alguém que me desse umas dicas boas da cidade, e ter um pouco de companhia. Ele mora em um cottage lindo em uma área residencial da cidade, com o terraço mais agradável dessa vida, todo aquele cenário de verão Canadá (pense em esquilos, árvores, almofadas)

Ele não estava em casa para me receber e me enviou uma mensagem por e-mail (I will leave the back door open). COMO ASSIM? Deixar a porta aberta para um estranho? Pois é galera, Canadá é Canadá. Primeiro mundo.

Chego na casa dele, a porta estava aberta com um bilhete para eu cozinhar o que quiser e ‘make myself at home‘. Ele chega todo animado, me leva para um parque com a melhor vista de Toronto, no dia seguinte dá uma volta comigo pelo bairro, me explica tudo direitinho, e pronto: eu saio para trabalhar, e ele para fazer as coisas dele. Fiquei só dois dias, no último dia, a gente não conseguiu se despedir, ele não dormiu em casa. Eu fiquei só, fui embora, e deixei a chave sobre a mesa. 100% confiança.

Em San Fran eu encontrei o Daniel Molina, um amigo que mora lá nos EUA, a gente resolveu alugar um apartamento. Encontrei o cottage do David pelo AirBnB pela bagatela de US$ 122 por dia – um quarto-sala todo equipado e aconchegante, reformadinho, perfeito. Queria morar lá para sempre.

A localização era excelente, a duas quadras da principal rua do bairro Castro, perto das linhas de ônibus, restaurantes, baladas, e etc. Fiz a reserva online, combinamos um horário de chegada, e ele me entregou as chaves, de maneira bem simples. Na saída, era só deixar as chaves na mailbox, e resolvido. No AirBnB você paga tudo antecipado, então não tem stress, e faz tudo na base da confiança.

E mais uma vez, dei sorte, com um jardim incrível na porta de casa!

PARTE CHATA: Antes de eu alugar a casa do David em San Francisco, eu tinha entrado em contato com uma garota que alugava um outro apartamento muito bonitinho. Ficamos conversando por dias, nos apresentando, e na véspera da viagem ela me envia uma mensagem falando que no meu perfil pessoal tinha escrito que ‘eu gostava de festas‘ e que ela não queria mais alugar a casa para mim.

Ela obviamente ficou com medo de que eu quebrasse a casa inteira, eu fiquei muito p. da vida e mandei uma mensagem esculachando a mulher. Ela nunca tinha alugado a casa, entendo até a preocupação, mas assumir que eu sou um vândalo em potencial é demais, né? No seu perfil ela diz que adora fazer jantares com amigos. Na minha terra isso se chama festa também.

Não tive nenhum prejuízo financeiro, só perdi um bom tempo. Moral da história: nem todo mundo é maravilhoso como o Ricky, ou o David. Deve ter umas roubadas por aí, umas pessoas chatas, metódicas, esquisitas. A dica para evitar essas coisas é procurar alguém jovem, que geralmente tem menos frescura, e que já tenha algumas recomendações no perfil!

São Paulo Hipster Guide

Available in English

Agora que eu sou oficialmente um morador da cidade de São Paulo, e com a São Paulo Fashion Week na porta, resolvi escrever o “São Paulo Hipster Guide”, para você que está vindo de fora, para trabalhar, passear, se divertir, tudo. Esses devem ser os lugares, além da Bienal, onde você pode encontrar a toda a galera da moda, e aproveitar melhor a maior cidade do Brasil. Ah, e claro que serve também para depois do evento!

COMER

Chez Lorena (ex-Lorena 1989) Alameda Lorena 1989, Jardins.

O Chez Lorena é um dos points mais badalados da cidade e funciona tanto na hora do almoço, como no jantar. De tarde eles oferecem almoço executivo por um precinho mais em conta (algo em torno de R$ 25-30). Eu lembro que pedi um picadinho, que é um dos hits da casa, e já provei o risoto de limão siciliano – também uma delícia!

O ambiénce lá é incrível, e eu adoro principalmente, o atendimento. Paulistanos tem essa mania de levar super à sério o atendimento, o do Lorena costuma ser impecável. Não aceitam reservas, então principalmente à noite, é bom chegar cedo pra garantir uma mesinha legal. É um ótimo lugar pra fazer uma pré antes de engatar o badalo.

Ritz Alameda Franca 1088, Jardins.

O bolinho de arroz do Ritz é quase uma instituição gastronômica em São Paulo, muito delicioso, assim como o Ritz Burguer, um hamburguer feito em casa que é de babar.

O Ritz é super badalado e tem um lance de colocar jovens universitários lindos para trabalhar como garçons. Já fui algumas vezes com uns amigos e a gente sente que o garçom tá meio que cagando pra gente, então não espere muita coisa do atendimento. Pode ter sido uma coisa pontual, mas já ouvi outras pessoas reclamando também.

O Ritz é muito bem frequentado, a comida é deliciosa, o preço é ok, então pra mim, isso basta. Vale à pena.

COMPRAR

À La Garçonne Rua João Moura 395, Pinheiros.

Olha, eu já rodei brechós de vários lugares do mundo, e o À La Garçonne está no mesmo patamar dos melhores brechós internacionais. Só entra na loja peça incrível, e tem muitas opções para os rapazes, o que é raro aqui no Brasil. T-shirts de bandas, jaquetas, sapatos, cintos, bermudas jeans, coturnos, bonés, chapeus, tudo o que você gostaria de ter no seu guarda-roupa.

Eu sempre prejudico minha conta bancária quando vou lá – se a gente comparar com os brechós das gringas, é bem mais caro. Mas se comparar com qualquer shopping center brasileiro, nem fica tão caro assim, e as peças são bem mais legais.

BADALAR

Festas Sem Loção & Javali A festa Sem Loção, sucesso recifense, foi importada para São Paulo pelo promoter Mano Vilar, e acontece frequentemente com os DJs originais da minha terrinha, como Lala K e Original DJ Copy. Toda a irreverência pernambucana, muita música pop, indie e brasileira em uma festa animadíssima.

A Javali é uma das novas festas do Mano – “tudo é permitido na pista”, de acordo com o briefing, e as pessoas que frequentam essas festas são super legais, de todas as indústrias e orientações sexuais. O repertório é super variado, garantindo uma pista muito divertida.

CLUBE GLÓRIA Rua Treze de Maio 830, Bela Vista

Ícone da noite gay paulistana, é um lugar frequentado por muita gente jovem (18-25 anos), e vive sempre abarrotado. Nas pick-ups, os hits da Billboard e muitas ‘divas pop’, como Madonna, Britney Spears, Beyoncé, e por aí vai. Quando a noite em São Paulo está agitada, muita gente acaba fazendo todo o circuito de baladas para terminar no Glória. É um lugar onde a montação fashion sempre cola. Dica: as festas dos promoters Johnny Luxo e Laís Pattak tem animação garantida.

Bar Secreto Rua Alvaro Anes 97, Pinheiros

O Bar Secreto surgiu há anos em São Paulo como um bar realmente secreto. Não tem placas na porta e pouca gente o conhecia. Hoje já faz parte da história da noite da cidade, com público entre os 20 e 40 anos, muitos da cena fashion. Adoro o Secreto principalmente quando tem grandes shows em São Paulo, porque os artistas costumam fazer after parties e DJ sets para poucas pessoas por lá. Já passaram: Justice, MGMT, Mika, e até a Madonna. Durante a programação normal, fique de olho na festa Tropicanalha, do Jackson Araújo e o DJ Ad Ferrera, é super divertida, só de música brasileira.

 

Yacht Rua Treze De Maio 703, Bela Vista A poucos passos do Glória, o Yatch é um point recém-chegado na noite paulistana – tem um arquitetura linda, iluminação incrível e muito bem-frequentada pelos homens mais coxinha. Apesar da localização vizinha, é bem diferente do Glória, o público é um pouco mais velho (frequentador de lugares como Lions Club e The Week), e nas pick-ups uma mistura de música pop e eletrônica. É o menos ‘hipster’ da lista, mas é novidade!

 

Studio SP, Beco 203 & Sesc Pompeia Rua Augusta 591, Rua Augusta 609, Bela Vista| Rua Clélia 93, Perdizes São três casas muito descoladas da cidade com ótima estrutura para shows ao vivo – o público vai sempre variar de acordo com o artista que for se apresentar, mas quando você estiver em São Paulo, sempre vale à pena conferir a agenda desses locais para ver um bom show. O Studio SP e o Beco 203 ficam na badalada região do Baixo Augsuta e tem uns artistas um pouco mais pop, enquanto o SESC Pompeia cumpre uma agenda mais indie.

Rio Hipster Guide

Republicando esse post pra toda a galera que tá chegando na cidade pra trabalhar no Fashion Rio! Divirtam-se!

De vez em quando chegam uns e-mails (adoro quando vocês mandam, podem continuar) pedindo dicas de lugares pra sair, por onde eu vou. Então vou começar uma série “The Hipster Guides”, e só vou usar esse nome porque eu realmente não consigo pensar em outra palavra pra descrever o perfil desses lugares. Ah, e porque ajuda no SEO do Google.

PRAIA

FOTO: Posto 10, Ipanema

Começando pela praia, que é o coração da cidade: de épocas em épocas as galeras vão mudando de points. Já foi a época do Coqueirão (hoje só tem fortões), Garcia D’Ávila e do Arpoador, que acabou de perder o seu reinado. Eu gostava muito de lá, e peguei uns dois anos de praia na frente do Fasano, mas deu uma bagaceirada e já vi uns roubos brabos rolando na praia. Não é comum roubarem na praia no Rio, mas o Arpex, como a gente chama,  tá meio tenso. Então a boa do momento é o Leblon, perto da Rainha Guilhermina. Fica meio cheio, mas a galera é ótima. Se você quiser mais tranquilidade, pode ir no Posto 10 sem erro, na altura das ruas Henrique Dumont ou Aníbal de Mendonça. Lugar low-key e incólume às modinhas.

COMER

NA FOTO: letreiro do Braseiro, no Baixo Gávea

Ok, eu não frequento o Celeiro. Primeiro porque eu acho um absurdo pagar R$ 90,00 o kilo. Mas super entendo que um ser humano que ganha 40 mil por mês vá comer sua saladinha por lá, porque realmente é uma delícia. Fui só uma vez, se você estiver passeando no Rio, de repente vale à pena conhecer, mas não sou habitué.

Meu lugar preferido nesse Rio de Janeiro de meu Deus é o Braseiro, no Baixo Gávea. Não tem dia, nem hora certos, pode chegar a qualquer momento. Comida brasileira – feijão, arroz, batata frita e picanha ou galeto. A Picanha no cardápio diz ser para duas pessoas, mas alimenta quatro seres humanos normais. E o galeto dá pra duas. Porque a fila de espera é meio grande e você vai comer uma linguicinha no balcão e tomar uns chopps, que dá uma enroladinha na fome. Dá no máximo uns R$ 30, e você tá rodeado de gente bela e cheia de savoir faire (hehehe).

Ah, e não se engane. Na frente do Braseiro existe o Hipódromo, que sempre tem lugar pra sentar enquanto o Braseiro está abarrotado. A comida não tem comparação, o Braseiro é bem melhor, então é melhor você esperar mesmo. Pode confiar.

TOMAR UM DRINK

NA FOTO: parte interna do Meza Bar, no Humaitá (André Rodrigues)

Roxanne, não hesite. Drink, durante a noite, no Rio de Janeiro, é no Meza Bar. Enquanto os playboys batem ponto no Veloso, no Leblon, os artistas, profissionais de cinema, teatro, e cultura vão ao Meza, que fica em um casarão bem charmoso no Humaitá. O dono, Fabio Battistela, está lá quase todos os dias e você vai acabar conhecendo e ficando amigo, como ele faz com todos os clientes. A carta de drinks já ganhou prêmio da Veja, o Bloody Mary é ótimo, enfim. De segunda a segunda, pode bater o cartão.

NA FOTO: a humilde vista do Bar Urca, durante um por do sol.

E durante o dia, a partir das 3, 4 da tarde, não tem programa melhor do que tomar uma cerveja Original e comer um pastelzinho na mureta do Bar Urca, com uma vista impressionante do Rio, e uma galera legal. É um programa bem ‘a cara do Rio’, ao ar livre e despretensioso.

NIGHT

NA FOTO: Eu, dando mosh na galera, na I Love Pop.

Night? O Rio tá numa fase braba de noites, porque não tem nenhuma boate que eu posso te falar com certeza, que vai ser legal. Depende sempre do promoter, ou do coletivo que está organizando a festa naquele dia. Mas quando você chegar na cidade, procure saber das seguintes festas/grupos agitadores:

NA FOTO: José Camarano, um dos organizadores de I <3 Pop, com mãos de Mickey Mouse

I Love POP: pra quem quer dançar música pop e hipster hits, organizada pelo José Camarano e Suzykill, do Gema TV. Eu já toquei na POP várias vezes, e lá conheci grandes amigos de hoje em dia. Não perder.

NA FOTO: ambience da Moo no Morro da Urca, em Janeiro-2011.

MOO: música eletrônica chique, festa meio careira, mas eles investem muito no som e na iluminação. É ótima pra quem curte um eletrônico chique, e não estilo David Guetta. Eles sempre trazem atrações internacionais, e a festa não acontece com tanta frequência, é bom ficar de olho na agenda.

NA FOTO: Yugo, um dos melhores DJs do Rio, que reside e organiza festas com o Party Busters

Festas do Party Busters: o som segue a linha da Moo, eletrônico e disco, e a galera que frequenta também é bacana, e a maioria early 20’s.. Olho no portal deles para a programação – eles sempre indicam as boas da night em tempo real

NA FOTO: uma edição da 7-Day Weekend, organizada pelo I Hate Flash!

Fosfobox: depois do fechamento do 69, que dominou a noite do Rio em 2008/2009, a cidade ficou meio órfã de um clube daqueles que “não importa o dia, vai sempre tar bom.” A Fosfobox cumpre esta lacuna de alguma forma, com um pouco mais de incerteza em relação à agenda.

NA FOTO: a festa lá pelas oito da manhã, com toda a galera reunida.

New Laje: acontece muito de vez em quando, é uma festa Open Bar (prepare-se!) muito divertida, de uma galera novinha (18-25 anos), que toca de Los Hermanos, a tecnobrega e Lykke Li. Vale o ingresso, vai sempre até de manhã cedo.

Rocka-Rocka: pra os rockers de plantão, a Rocka-Rocka tá acontecendo no Clube Santa Luzia e lotando. Não dá pra perder quando rolar.

Em tempo: pitboys, patriçocas, galera que gosta de pedir mesa e estourar champagne com foguinho de artifício, vocês estão lendo o guia errado e se seguirem as minhas dicas, vão se decepcionar profundamente. Os demais, joguem-se, o Rio de Janeiro é o máximo!

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