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O melhor do Rock In Rio 2013 – parte I

No final de semana foi dada largada na quinta edição do Rock In Rio. Na sexta-feira, Beyoncé roubou a cena cantando seus grandes sucessos e encerrando as apresentações da primeira noite. Mas o auge foi quando, sem ninguém esperar, a diva pop dançou ao som de “Passinho do Volante”, homenageando o funk carioca… “Ah, lelek, lek, lek…”

Ivete Sangalo, que é tiete assumida da diva americana, além de assistir ao show também se apresentou e fez piada com Beyoncé: “Aqui é de igual pra igual Bey”.

E David Guetta levantou o público com o eletrônico.

Já o segundo dia foi dia de rock, propriamente dito. A atração principal do Palco Mundo foi a britânica Florence Welch, que se segurou somente com voz, presença de palco e pés descalços.

Diferente da serenidade de Florence + The Machine, o 30 Seconds To Mars fez um show cheio de firulas, com o líder Jared Leto descendo de tirolesa por cima do público durante a apresentação de “The Kill”, um dos maiores sucessos do trio.

E ainda teve Muse.

No domingo, o pop voltou a reinar com Justin Timberlake e a apresentação mais elogiada do final de semana, tirando, inclusive, a atenção em cima de Beyoncé. O presidente do pop fez um mega espetáculo.

Enquanto Alicia Keys, além de cantar o mais recente sucesso “Girl On Fire”, convidou Maria Gadu para dividir os vocais com ela no primeiro de sua carreira, “Fallin'”.

E a divertida Jessie J também deu o ar da graça.

Fique de olho que o próximo fim de semana começa mais cedo para o Rock In Rio, na quinta, dia 19, com o esperado show do Metallica. See you soon!

Coachella: o Rei dos festivais

Vocês sabem que eu (junto com a galera do I Hate Flash) sou alucinado por festivais de música né? Os festivais são os melhores catalisadores da cultura jovem-urbana-global da nossa década: música, atitude e moda em um só lugar. E se existe uma estrela principal nessa constelação de festivais por todo o mundo, é o Coachella, no deserto da Califórnia, próximo a Palm Springs. O Coachella é mesmo a última Coca-Cola do deserto.

Imagine um tapete infinito de grama plantado no meio do deserto, ilustrado por uma emblemática roda gigante, palcos com som altíssimo e um monte de gente linda e a fim de uma grande farra que dura três dias, estampada por um céu azul imaculado. Ao meu lado mais de 20 amigos, colegas e parceiros de trabalho, um entourage brasileiro mais que completo. A graça do Coachella está nos detalhes, na energia do lugar e do seu público e, para quem curte moda, nos looks desert chicwoodstock em 2013. Vamos aos highlights, meu e da minha turmona, claro!?

The XX

Eu achava sue o show poderia se perder no meio do deserto, pelos álbuns serem tão intimistas [sex music né?]. Mas Jamie XX é um gênio e rearranja tudo para soar grande e épico. E pra quebrar, teve participação da Solange, a irmã da Beyoncé, um dos nomes mais hypados do ano.

Lançamento Daft Punk + Pharell

Havia uma expectativa muito grande sobre a presença do Daft Punk no Coachella, e muita especulação em torno de uma possível aparição no show do Phoenix, já que eles são amigos de longa data. Acabou que o lançamento oficial do novo single foi lá, e todo mundo foi ao delírio

Fiquei muito triste porque precisei abrir mão do terceiro dia, o Domingo, que tinha o melhor line-up, com Red Hot Chili Peppers, Jessie Ware, Disclosure. Mas com o ao vivo do Fashion Rio para o GNT marcado para às 18h da segunda-feira, não dava para arriscar nenhuma conexão mais apertada.

 

Eu não esperava ansiosamente pelo Blur, a primeira grande atração. Tenho amigos muito fãs, mas nunca foi uma banda que eu tenha comprado um album, que eu tenha vibrado com rumores de shows no Brasil ou coisa do tipo. Talvez por isso o show tenha me surpreendido tanto: hit atrás de hit, daqueles que você canta do começo ao fim sem nunca ter precisado tentar decorar, com o Damon Albarn mostrando por que é o frontman de um dos maiores fenômenos desse tal de Britpop.

Mesmo atrasado (foi uma das atrações que cancelaram em cima da hora ano passado), La Roux fez um ótimo show. Ainda que parecesse um grandeplayback, pela incredulidade da voz da Elly Jackson realmente sair daquele jeito.

Pode falar que a Katy Perry passando do nosso lado como uma pessoa normal vale como uma atração?

Bom, foi o que lembrei agora, uma semana depois. Curtimos muitas outras atrações dignas de nota, tipo Passion Pit, Metric, Tegan and Sara, Jello Biafra, Foals, Johnny Marr, Bassnectar, Hot Chip, Violent Femmes, Yeasayer, Two Door, Janelle Monáe, Major Lazer, Franz, New Order, Dinosaur Jr, Grimes, James Blake, Alex Clare, entre outros. Mas como tem gente que já parou de ler mesmo a gente tendo escrito só o que saiu de primeira, tá bom parar por aqui. :)

Jessie Ware

A última revelação do R&B e um dos nomes mais promissores do line-up do Coachella entregou um show impecável no começo da tarde de domingo. Jessie Waretransborda carisma e sinceridade no palco, canta sem nenhuma dificuldade e transmite uma certa leveza e sofisticação sonora que a música pop não via há tempos. De bônus ainda pudemos conferir a moça cantando “Running” e botando a pista abaixo no live do Disclosure, último show do festival.

James Blake

A gente também concorda que um show do James Blake cairia melhor à noite do que sob uns 35 graus à tarde, mas é impossível não se impressionar com o jogo de graves e toda a ambientação sonora tão peculiar do garoto. Outro privilégio foi poder conferir ao vivo algumas das músicas do “Overgrown“, discão que oJames Blake lançou 15 dias antes do Coachella.

Major Lazer

O show do Major Lazer é sempre o mais certo no critério “dançar até a perna dar cãibra”. A salada de texturas musicais do coletivo, que vai de dancehall edrum’n’bass a dubstep e frevo em dois tempos, foi potencializada por uma performance frenética numa tenda insanamente lotada. Teve Diplo numa bola que flutuava sobre o público, participação surpresa do rapper 2Chainz e um pôr do sol arrebatador como plano de fundo.

The XX

Difícil esperar menos do trio que precisava honrar toda a responsabilidade de um main stage no segundo dia do Coachella. Jamie xx, conduzindo tudo lá de atrás, é de fato um gênio dos graves e a sintonia de Oliver e Romy no front é certamente uma das coisas mais tocantes que já vi ao vivo. Tudo soou ainda mais dramático levando em conta a cenografia: contra luz predominante, projeções delicadas, jogos de cores diversos, tudo absurdamente sincronizado e nada óbvio.

As estações de bebida vendem apenas água, Red Bull e água de coco. Não poder tomar uma cerveja próximo aos palcos, e apenas em uma praça de alimentação fechada pode ser frustrante. Como beber dá trabalho e custa caro [US$ 9 o copo de cerveja], veja pelo lado bom: nada de ressaca e sobrar disposição para a maratona musical.

 

 

 

 

Hot’n’Cold: durante o dia, o calor é de rachar. à noite, a temperatura cai pela metade. Não se engane com o calor da manhã e traga um casaco, e use amarrado na cintura, ou alugue um locker.

Chegue cedo: não espere o sol baixar para chegar. O Coachella perde metade da mágica quando anoitece, porque fica super escuro.

– Leve um lightstick ou algum tipo de sinalizador para a sua turma: é muito fácil se perder à noite. Vende em qualquer loja tipo Wal-Mart ou Home Depot. Marque um ponto de encontro.

– Fumar maconha na Califórnia é legal. Você pode ser examinado por um médico, os chamados Green Doctors e solicitar a sua carteirinha, e comprar numa boa. Seja consciente e aproveite.

Não compre ingresso VIP: o VIP custa o dobro do preço por um cercadinho que fica quase à mesma distância do palco. A não ser que você seja um wannabe-amigo-de-celebs-gringa, mas olha, se for, você não tem nada a ver com o Coachella. Lá todo mundo já é VIP.

MEUS LOOKS DO COACHELLA:

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Tie-Dye Army

Meca Festival 2013: road trip report

BRASIL, ATENÇÃO. Temos uma nova vedete no mundo dos festivais. Bem-vindos ao M/E/C/A Festival, a surpresa mais surpresa das supresas de 2013. Esqueça tudo o que você viu no Brasil nos últimos três anos, quando surgiu esse boom festivaleiro: filas intermináveis, palcos gigantes, multidões, cenários ~assépticos~. O Meca é um ‘pocket’ festival que acontece na Praia de Xangri-Lá, no litoral Gaúcho, a cerca de 1h30 de Porto Alegre. E por acaso, o festival mais delicioso do país.

1. I Hate Flash Crew + Ringo
2. Chegando no M/E/C/A Festival
3. Com Raul Aragão, I Hate Flasher.
4. A crew completa: Esper, Duarte, Schlaepfer, Aragão e Braz.

Antes de falar mais sobre o MECA, neste ano preparem-se para acompanhar uma parte da minha trajetória com essa galera das fotos, o I Hate Flash. Você já deve ter ouvido falar neles: o IHF é um talentoso coletivo artístico do Rio de Janeiro, do qual agora eu faço parte. Queremos neste ano fazer uma turnê mundial de festivais. O que vai acontecer de fato, não sabemos – inclusive, patrocinadores, sejam bem-vindos [momento jabá]. Somos um grupo de fotógrafos, videomakers e repórter[es] viajando por aí pra desvendar o lifestyle dessa geração vidrada em música, arte e estilo.

Estas duas fotos exemplificam bem o cenário onde acontece o Meca: uma espécie de fazenda, repleta de árvores na beira de um lago, com muita área de lazer [parquinhos, sombras para piquenique] e piscina. Falando em piscina, assim que chegamos no local, nos deparamos com este cavalo bebendo Heineken [foto 1] ao som de Flight Facilities. Sim, eles estavam tocando na beira da piscina, como quem vê um CDJ vazio e decide assumir porque tá de bobeira. Um dos pontos altos do dia, que começara há tão pouco.

O MECA parece um editorial de moda da i-D, ou um site de streetsyle personificado. São centenas de jovens muito bem vestidos. Como diria Raul, que viajou comigo: “Aqui em POA a galera leva realmente a sério o look né?” Este menino da primeira foto, de cabelo azul e casaco H&M por Versace, tá a cara da capa do álbum do MGMT. De gente bonita e bem-vestida a gente nunca cansa. A consciência fashion e ótimo styling do público do Sul são um fator muito importante do festival, que ajuda a colorir a energia do lugar. Eu, que fui de camiseta preta, bem básico, me achei tão boring.

É disso que eu tô falando. Nem no Coachella elas são tão lindas e bem vestidas.

1. O duo australiano Flight Facilities
2. A lead singer Martina, do Dragonette
3. Pedro e Pata, do Holger

Vamos falar de música? Meus três shows preferidos foram Flight Facilities, Dragonette, e Holger. Depois que o Flight Facilities publicou essa mixtape em Dezembro [se você ainda não baixou, do it now!], surtei com eles e comecei a baixar todas as músicas e remixes. O som é finíssimo, sexy, soulful, enfim. Memorável.

Dragonette já era um velho conhecido: desde o desfile da Auslænder, quando eles tocaram no Fashion Rio 2010, antes mesmo da explosão da track Hello com o Martin Solveig. A Martina, vocalista, continua afiadíssima no palco – em entrevista para nós, ela confessou sempre ficar nervosa quando vem tocar no Brasil porque considera os brasileiros “o povo mais cool do planeta”.

E o show do Holger, de longe a melhor atração nacional. As principais faixas do excelente Ilhabela [que levou prêmio de melhor disco nacional de 2012 aqui no blog] colocaram t-o-d-o m-u-n-d-o pra pular. A formação do Holger no palco é muito interessante: eles se revezam no palco, em uma espécie de rodízio, onde todos podem cantar e tocar qualquer instrumento, em uma dinâmica ágil e divertida. E claro, todo o ambience do Meca pareciam casar perfeitamente com o som deles: o por do sol, o streetstyle. Excelente.

Quem ficou com vontade de ir no ano que vem? Enquanto isso, as fotos de 2013 já estão no ar, na íntegra, pra vocês entenderem tudo. Beijos.

Fotos: I Hate Flash

Dia dos Mortos, México e Moda

O dia dos mortos no México é comemorado de um jeito bem diferente do brasileiro – por lá, essa data tem a mesma proporção do nosso carnaval. É uma das expressões culturais mais tradicionais e antigas de todo o mundo. Na tradição mexicana, os mortos voltam neste dia para visitar os parentes, o que faz as pessoas arrumarem suas casas e prepararem oferendas. O que poderia ser associado à tristeza e nostalgia, para os mexicanos, é uma maneira otimista de celebrar o ciclo da vida e lembrar, com alegria, aqueles que se foram. A morte, para eles é festejada com muita simbologia, boa música, comida e, claro, muitas cores. O país inteiro para: há desfiles de carros, bonecos, decoração nos cemitérios, comidas especiais (entre elas vale destacar os doces de caveira e o “pão dos mortos”) e muitas, muitas flores.

 

As famílias mais tradicionais preparam um verdadeiro banquete com doces, frutas e, claro, tequila junto com um caminho de pétalas que vai da porta de casa até o local do banquete (geralmente o quarto que pertenceu à pessoa). A noite a celebração continua e, em cidades menores, os vizinhos se juntam trajando roupas e maquiagem especiais para uma única festa. Conversando com uma mexicana que mora no Brasil há alguns anos, ela me contou que se você come o banquete oferecido ao morto, as comidas perdem totalmente o gosto. Imaginário ou não, o importante é a gente entender como essa celebração é levada a sério por eles. Tão a sério que a Unesco a declarou, em 2003, como Patrimônio da Humanidade, e a festa hoje, é comemorada em diversos outros países.

O Dia de Los Muertos tem origem indígena: as civilizações pré-colombianas já praticavam o culto aos mortos, assim como a conservação de crânios como troféus de guerras ou conflitos, o que explica a tão popular Caveira Mexicana, que carrega diversos significados e é um símbolo essencial nesta data. Hoje, a caveira mexicana foi para além disso, e já ganhou prateleiras e araras no mundo inteiro. É a principal responsável, inclusive, por levar um pouco dessa cultura aos outros países. Não à toa, virou a queridinha também na moda, e está em seu melhor momento.

As caveiras, as cores, estampas, costumes e alguns ícones mexicanos (como Frida Kahlo e Diego Riviera) viraram referências em editoriais de moda e inspiração em coleção de diversos estilistas.  Além disso, ganhou as ruas de todo mundo, estampas dezenas de modelos de camisetas, estofados, acessórios… O boom ficou conhecido como caveirismo, e a referência agora você já sabe.

Fotos: Fernando Schlaepfer <3 / I Hate Flash