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Resumão das semanas de moda internacionais: macrofomentos para ficar de olho em 2017

Janeiro foi um mês agitado para o calendário fashion. Londres, Florença, Milão e Paris receberam desfiles de grandes marcas que apresentaram suas coleções masculinas de inverno 17/18. Muito close, vários fomentos, e a gente foi atrás dos nossos favoritos pra te deixar informado do rolê. Repara:

Uma coisa é importante ser dita. Essas semanas de moda trouxeram uma ideia de que o sonho acabou. Um ar de desencanto paira diante de tantas questões preocupantes e reviravoltas políticas que tomam o planeta. Agendas de extrema direita, Brexit, Donald Trump no poder. E de que forma isso se traduz? Especialmente nas referências à juventude, dessa vez mais anárquica, certamente melancólica, saindo das utopias e sonhos de infância e adentrando o mundo real. Referências à juventude pipocam até mesmo em marcas voltadas para um público mais maduro. A juventude é a esperança de um mundo melhor, mas será que ela vai aguentar o tranco?

Gosha Rubchinskiy

Vetements

A Louis Vuitton, que fez um desfile em parceria com a Supreme e inspirado em artistas de Nova York que viveram a glória entre 70 e 90 (Basquiat, Andy Warhol, Keith Haring…). Muito pop e trazendo a alta moda para um universo mais street (e jovem, claro).

De forma mais clara e prática, isso se mostra também no militarismo, que apareceu bastante. Não tanto como tema de uma coleção inteira, nem sempre de forma literal, mas ali, rondando, reforçando a ideia de nos equiparmos contra o que está por vir. Sim, é uma vibe bélica mesmo, reflexo dos atuais movimentos no mundo.

Moschino / Walter Van Beirendonck / Gosha Rubchinskiy / Rick Owens / Lanvin

Outra parada que bombou na temporada? Acessórios. Começando pela pochete se afirmando absoluta no reino fashionista e aparecendo em uma pá de desfiles, da óbvia Supreme em parceria com a Louis Vuitton até a Lanvin, passando quepes, bonés e boinas de variados materiais (couro especialmente, parece que vai bombar), até echarpes típicas do mundo futebolístico (alô Gosha Rubchinskiy e Lanvin).

Versace / Missoni / Louis Vuitton / Lanvin / Gosha Rubchinskiy

E sim, parece que a estampa xadrez está voltando com força. Tínhamos dado um tempo nas camisas de flanela (ou não) de estampa xadrez, especialmente aquelas estampas maiores, né? De alguma forma isso começou a voltar, as camisas amarradas na cintura foram reaparecendo (Justin Bieber usa muito e inclusive fez modelos para sua coleção Purpose Tour), e agora a estampa pode ser vista em diversos tamanhos e estilos, da pegada mais grunge à mais elegante, em casacos, camisas, sobretudos… A mistura de azul com preto marcou uma presença especial.

Versace / DSquared2 / Facetasm / Givenchy

É muito massa repararmos de que forma a moda molda nosso comportamento e também como rola o movimento inverso. Pois sem saber quem veio primeiro, o ovo ou a galinha, fato é que nessa temporada algumas marcas trouxeram muitas referências do universo raver e techno, como a Dior (ahã!). “HarDior” foi a expressão escolhida para juntar hard techno e Dior numa coisa só. Particularmente em Londres essa leitura foi mais forte, com alusões encontradas em Christopher Shannon, Cottweiler e Topman (com sua psicodelia contraposta a uma pegada mais dark e, advinha, melancólica), entre outras marcas. Nada feliz e supercolorido, mas rebelde, indócil, dark. (Fun fact: no Rio de Janeiro a cultura techno tá voltando com tudo. A pegada é underground e da rua e vem se proliferando na cidade).

Dior

Christopher Shannon / Cottweiler / Topman

Agora, a macrotendência que foi puro fomento nessa temporada sem dúvidas é o street. Não importa muito a mensagem que o designer queria passar, pois o street se encaixa, se adapta a tudo. Inclusive à alta moda, que um dia já se esquivou declaradamente dessa tendência. Da Louis Vuitton ao Gosha, da Dior à Lanvin, da Vetements à Versace… Seja nos cortes super oversized que podem ser encontrados em cada vez mais marcas, seja nos jacos esportivos, nos tênis, nas referências a grupos underground e a manifestações de rua… Enquanto em alguns lugares as tentativas são de suprimir essas iniciativas, em outros elas são até de apropriação. Mas que a estética é mara, isso é.

Lanvin / Versace / Louis Vuitton / Ermenegildo Zegna / Comme des Garçons