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Los Angeles 2014: um brunch com DiCaprio, compras e uma night!

Mais uma vez voltei à Califórnia em Abril, pelo segundo ano, para tirar umas férias. O período é sempre o mesmo – por coincidência, depois do São Paulo Fashion Week e Fashion Rio, acontece o Coachella em Palm Springs. Neste ano preferi pular o Coachella: não estava louco pelo line-up, um pouco de preguiça do perrengue (solzão, andança, ressaca), e a sensação de gastar dinheiro para fazer exatamente a mesma coisa me dá um pouco de aflição. Se o Coachella deu uma orkutizada ou não, nem faço juízo de valor. Mas tava morto de cansado, e não fui.

Abril é uma época incrível pelo clima (solzão, solzão, solzão) e a cidade não está muito cheia. Queria fazer uns programas mais locais – acabei fazendo algumas coisas diferentes, e aprendi algumas coisas da cidade para dividir com vocês.

1. Não fique em Santa Monica / Venice Este ano dividi minha estadia entre Santa Monica / Venice Beach em um motel (Rest Havel Motel – xexelento, mas gracioso) e a casa de um amigo no Franklin Village. A Los Angeles de verdade acontece no East Side: Hollywood, Los Feliz, Silver Lake, Echo Park. Ficar em Santa Monica é uma mega contramão, a não ser que você não queira mesmo sair de lá. Durante uns dois dias é legal, mas depois não tem muita novidade. Los Feliz é o lugar mais astral.

2. Compras? Vá ao Space 15 Twenty No coração de Hollywood, muito pertinho da Amoeba Music, fica a galeria/shopping Space 15 Twenty com a melhor Urban Outfitters de Los Angeles (esta em especial é imensa, que mistura galeria de arte, além de roupas, acessórios, loja vintage); a livraria Hennessey + Ingalls (http://www.hennesseyingalls.com/), uma livraria de arte, arquitetura e design que prejudicou muito o meu orçamento – títulos e revistas i-n-c-r-í-v-e-i-s; e a loja da adidas originals. Vale muito à visita, depois ou antes de passar na Amoeba, claro.

3. Roupa masculina com design e qualidade? É na Mohawk. Quase em frente ao café Intelligentsia, em Silver Lake [point semi-obrigatório dos hipsters] fica a loja Mohawk, de excelente curadoria de marcas masculinas. Pense em A.P.C (marca francesa de básicos muito elegantes, bem cortados e não muito caros), Industry of All Nations (roupas com materiais orgânicos, sustentáveis, comércio justo, e tudo o mais). Quem gosta de moda um pouco mais selecionada e clean, vai amar este lugar.

4. Um brunch cafona é obrigatório! Eu amo coisas cafonas. Acho que as programações mais cafonas dizem a mais pura verdade sobre suas cidades. Principalmente quando são cafonas e feitas pelos locais, como um brunch no Beverly Hills Hotel, no restaurante Polo Lounge. O elenco é composto de senhoras com chapeus, oculos de lente degradé e muito botox, executivos da indústria do entretenimento e A-List celebrities, como no dia que eu fui, Leonardo diCaprio, a duas mesas de distância, com seus amigos. Fotos, nem pensar. A experiência do glamour vintage semi-decadente não é muito barata: o menu é US$ 70 por pessoa – mas são três pratos, e um drink. E claro, pertencer aquele cenário de zoológico-chique de Beverly Hills. Um dos pontos altos da viagem.

5. Akbar. Bar-boate em Silver Lake divertidíssimo. Fui duas vezes, conheci um monte de gente legal nas duas, perdi um monte de dinheiro na JukeBox que não funciona. Drinks baratos. Eles tem até Manifesto: “We are AKBAR. We believe in the power of rock and roll. We love guitars. We abhor homophobia. And hetero-phobia. We enjoy a cold beer. We cannot abide a mean drunk. We don’t get organized religion. We like disco. We despise racism. We cannot respect disrespectful behavior. We do not condone “velvet ropes.” We do not care who is a celebrity and who is not. We love our friends. We can be silly. We do not understand gay Republicans. We wing it. We try to obey traffic laws. We do believe variety is the spice of life. We do not enjoy excessive profanity. Damn it.” Deu vontade? Porque aqui, deu saudade.

Cidade do Cabo e as belezas da África do Sul

Há muitos anos eu trabalho [antes mesmo de surgir a televisão, a moda, e este blog] na IE Intercâmbio, agência brasileira que envia milhares de jovens para o mundo inteiro para estudar e trabalhar. Comecei como agente, em 2006, e hoje sou o embaixador oficial da rede [eita!].

Nós temos um projeto na IE chamado IE Explorer [que no caso, sou eu!], através do qual eu viajo o mundo gravando vídeos sobre as minhas experiências e dos estudantes lá nos destinos da IE. E depois de New York, Toronto, Vancouver, San Francisco, Londres, Dublin, Malta, Los Angeles, San Diego, chegou a vez de conhecer a Cape Town, a Cidade do Cabo, na África do Sul. E dessa vez, tive a chance de convidar o amigo Marcelo Cidral, do tumblr Como eu Me Sinto Quando para me acompanhar! Diversão garantida e sonho realizado!

Aliás, a Mãe Natureza se superou quando resolveu criar Cape Town: emoldurada pela estonteante Table Mountain, a metrópole sul-africana lembra tanto o Rio de Janeiro pelo clima amistoso [tanto a temperatura como a galera!], a praia, as festas, e tudo o mais. Vamos às fotos?

Vista da Table Moutain e o Castelo da Boa Esperança, no centro da cidade

O Green Square Market é um lugar bacana onde você pode encontrar o artesanato típico africano – a dica é barganhar: um cinto que tentaram me vender por R$ 200 saiu por R$ 25

Mama Africa, restaurante ~performático~ que fica na Long Street, uma das principais ruas de Cape Town. Ponto turístico obrigatório.

A arquitetura colonial de Cape Town pode ser vista em diversos pontos da cidade: amo as grades vazadas e os lambrequins, bem no estilo vitoriano.

Tava frio, frio demais até. Definitivamente o verão é mais bacana que o inverno em Cape Town. Mas nada que tirasse a magia de estar na África.

Mochila da IE, sempre inseparável, e a paisagem da Table Mountain. Impressionante como se vê a montanha de praticamente qualquer lugar da cidade. Uma pena que durante o mês de Agosto, ela fecha para manutenção.

A região histórica de Bo-Kaap , conhecida pela arquitetura colorida e pelas ruas de paralelepípedo, me lembrou muito Olinda, mas com um charme muçulmano [é la que fica a Mesquita]. Point bacana para bater fotos.

~Arte contemporânea~

A vista do Signal Hill, um mirante que fica próximo à Table Mountain. Um olhar infinito em direção ao Atlântico Sul, até a Antártida.

Your Respect is My Strength [O seu respeito é a minha força] é uma frase que faz todo o sentido para a sociedade sul-africana, cujas camadas mais desfavorecidas foram tão maltratadas. É impressionante se deparar com as mazelas do apartheid, que só acabou em 1994, e perceber que a África do Sul ainda vive uma versão mais ˜suave~ do problema, mas é sempre bom enxergar uma mensagem de otimismo.

Look bacana que o Marcelo Cidral comprou lá na Topman South Africa [preços bem parecidos com os do Brasil, no V&A Waterfront, complexo/shopping bombado da cidade.

Eu adoro esses programas de dança bem pega-turista, com ver um tango em Buenos Aires. Na África, não poderia ser diferente e fomos assistir a um espetáculo de cultura Africana. Um cheirinho bacana das danças tribais e da musica africana. Baratinho (cerca de R$ 25) e rápido, vale à pena se você curtir o assunto. É tão turistão que até Hakuna Matata teve. Risos.

Visitar um township é uma experiência e tanto porque são bem diferentes das favelas aqui no Brasil. A township foi criada na época do apartheid, e obrigava os negros e mestiços a saírem de seus lares originais e se mudarem para estas regiões, em condições que vocês devem imaginar. Existem muitos barracos e locais sem saneamento básico, assim como casas classe média alta, para os negros que tinham dinheiro. Na foto, estas senhoras defumam cabeças de carneiros [iguaria local, provei!]

Senhoras no centro de artesanato do township, pintando louça. Comprei cinco pratos lindos aqui pra casa!

Bandeira da África do Sul em formato de coração-mosaico.

Um dado triste sobre a África: é possível encontrar em muitas esquinas cartazes com telefones de clínicas de aborto. Muitas mulheres africanas acabam engravidando na adolescência e recorrem à estas clínicas de risco =\ Um pouco chocante ver isso tão escancarado.

Que tal um corte de cabelo?

Ame a sua África do Sul!

 

Nada substitui o amor das crianças que conhecemos lá, super espontâneas e brincalhonas!

Fachada da escola: Construa uma criança, construa uma nação.

♥♥♥ QUE AMOR ♥♥♥

Um dia fizemos um Safari no Aquila Game Reserve, uma área gigante onde os animais estão soltos. Sim, eu sei que não é um safari original, onde você vai caçar os animais. Mas pelo tempo curtinho da nossa viagem, não dava tempo de se deslocar até o Kruger Park e embarcar numa expedição. O objetivo do safari é ver o Big 5, os cinco animais mais “exóticos”: leopardo, elefante, rinoceronte, leão e búfalo.

Hipopótamo, que parece ser super lento manso mas é super violento! Medo.

Rinocerontes são lindos, lindos. As fêmeas tem o chifre pontudo.

E o macho tem o chifre achatado.

Onde está Wally? Tem dois animais na foto. Quais são?

No truck do Safari vamos passeando e o guia nos conta as particularidades de cada animal.

Sonho realizado: um leão de perto. Leões são lindos, parecem gatos gigantes. Tem mesmo porte e cara de Reis da Selva.  Este estava super tranquilo, lambendo a pata, sem se importar com a nossa presença. A leoa já tinha uma postura bem mais arisca e estava mais atenta. Qualquer semelhança com os seres humanos é mera coincidência.

Jaqueta Topman | Hoodie H&M | Camisa Levi’s | Calça PacSun | Botas Timberland | Óculos RayBan

No útlimo dia da viagem fizemos um passeio imperdível pela costa de Cape Town até o Cabo da Boa Esperança: uma aula de história muito bacana em uma paisagem arrebatadora!

Por todas as partes há placas com alertas sobre o babuínos, que são atraídos pela comida e invadem as casas e carros dos sul-africanos e causam a maior confusão lá pela terra. Eles chegam até a bater nas pessoas por conta de comida, fazem formação de quadrilha. Morri de rir com as histórias, mas fechei a janela.

Monumento em homenagem a Bartolomeu Dias, o primeiro a cruzar o Cabo da Boa Esperança e chegar no Oceano Índico, na Rota das Especiarias. Tão legal visitar esse ponto da história mundial.

Kaap Die Goeie Hoop? Leia-se Cabo da Boa Esperança. São 11 os idiomas oficiais da África do Sul, e um dos principais é o Africânder, ou Afrikaans, bem semelhante à um dialeto holandês, devido à colonização de Kaapstadt, a Cidade do Cabo. Entre eles você ouvirá africânder, zulu, xhosa, e mil outras línguas afro, mas todo mundo fala e entende super bem o inglês, o idioma oficial do Governo.

 

O Cabo da Boa Esperança, ex-Cabo das Tormentas. Demos muita sorte e pegamos um sol lindo no dia. Paisagem impressionante!

Chegou a hora de ir para casa: uma curiosidade – o voo para o Brasil dura 8 horas para chegar e 10 horas para voltar, pelos ventos do Atlântico. Muito curioso né? Até a próxima viagem!

 

Bogotá: a joia emergente da América Latina

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Bogotá não é exatamente um lugar que está na lista de prioridades turísticas de um brasileiro. Já sabemos muito pouco sobre nossos irmãos de continente. E a Colômbia? Quando um brasileiro pensa em Bogotá e na Colômbia, o que nos vem à cabeça? Guerrilhas, FARC e Shakira. Não necessariamente nessa ordem, mas é por aí.

[fazendo amigos nas praças bogotanas]   

Só que a Colômbia é um tema comum na minha família. Tenho ouvido muito sobre a reviravolta de Bogotá nos últimos anos dentro de casa. Meu pai já foi duas vezes. Um amigo dele, Murilo, que me viu crescer e poderia ser meu padrinho, já realizou dezoito viagens à Colômbia e publicou um livro sobre a reviravolta que as cidades de Bogotá e Medellin vivenciam, e conseguem ~poco a poco, pero adelante~ ajustar os ponteiros do abismo social através da cultura cidadã, mobilidade urbana e uma política séria de combate ao crime organizado. Hoje Murilo é secretário de segurança cidadã do Recife, onde nasci, e se espelha na evolução colombiana para evoluir a cidade.

[una chica colombiana, vendedora de esmeraldas]

A temática de cidades, urbanismo e qualidade de vida me enche os olhos, e queria muito ver isso de perto. Acabou que fui convidado pelo organizador da festa Mr. Perra a tocar como DJ no aniversário da fiesta. Meu primeiro ~show~ internacional. Mais uma vez, a moda me ajudando [ô bença!], e foi o empurrãozinho a mais que eu precisava para me mandar para Bogotá, e trouxe junto meu amigo fotógrafo Raul, do I Hate Flash, que ilustra as fotos lindas desse post.

[policiais garantindo a segurança da Nova Colômbia]

Durante a viagem eu vi todos os cases que Murilo mencionara: o Transmilenio [corredor de ônibus avançado, como o de Curitiba], o alargamento das calçadas [gente na rua é sinônimo de segurança, porque um protege ao outro], as ciclovias [as bicicletas são o veículo do futuro], o policiamento ostensivo [o Estado sem vacilar]. Claro que me veio o Brasil na mente: nem tudo está perdido no País de Todos.

[amigos da viagem: Manuel, Carla, Raul e Casti, no Andrés Carne de Res]

Se nota em Bogotá um otimismo lindo em seus cidadãos e uma vontade de cooperar junto com o governo para superar as dificuldades. Isso me remete diretamente ao Rio de Janeiro, que viveu um período tenebroso antes das UPPs e hoje retomou o fôlego. Nós, cariocas, fazemos parte disso ao respeitar o Rio. Os bogotanos fazem o mesmo: antes apavorados, hoje vivem uma nova relação com a cidade.

[na Candelaria, na alpaca Relámpago!]

Foram apenas quatro dias, mas uma clara experiência: bogotanos são amáveis, sociáveis e super cordiais. Tem sotaque muito neutro, musical e fácil de entender. São ecléticos, de excelente gosto musical – em uma pequena viagem de carro navegamos por clássicos colombianos, como Carlos Vives, salsa, Beatles e Nicolas Jaar. As noitadas fecham às 3 da manhã por lei, mas eles encontram um after ou o produzem. São boêmios. Beijam bem.

[vestindo uma máscara de cacique no Museo del Oro, cortesia e talento de Raul Aragão]

Se pode subir no teleférico Montserrat ao melhor estilo Pão de Açúcar. Os preços de Bogotá são justos: não chegam a ser uma barganha como a Bolívia, nem proibitivos como em São Paulo. É tudo cerca de 30% mais barato que o Brasil. Me chocou o fato de que Ingrid Betancourt é persona non-grata no país. Lembro-me dos pesadelos que tinha quando li o seu livro, Não Há Silêncio que Não Termine. Há até um post bem antigo aqui do blog, com uma passagem linda do seu livro.

[recebendo as bençãos do Andrés Carne de Res]

Bogotá hospeda o restaurante-complexo de entretenimento-boate-museu mais impressionante do mundo, o Andrés Carne de Res. O Andrés merece e terá um post exclusivo com mil detalhes, preparem-se. A cidade tem uma matiz linda cor de telha: é o segundo lugar do mundo com mais construções do gênero, prédios de tijolinhos. Lembra Londres, mas é emoldurada pela serra dramática que lhe abraça e orienta a localização dos moradores.

[que pasa, pombo?]

A Colômbia me reconectou com a riqueza humana, herdada através de valores históricos. Me encantaria me envolver em algum projeto que permeasse esse universo, o nosso continente. Esta rápida viagem me aguçou a sensibilidade e a consciência de que sou um autêntico latino-americano, além de brasileiro.

25 anos de sonhos, de sangue, e de América do Sul.

PS: Vou publicar mastigadinho as dicas de lugares, restaurantes, e passeios em um Guia de Lifestyle. Enquanto isso, quando pensar nas suas próximas férias, considere a Colômbia ao invés de voltar pela segunda ou terceira vez a Buenos Aires.

Diário de Viagem: Buenos Aires

Eu adoro Buenos Aires. Amo. Buenos Aires está a menos de 3 horas de avião de São Paulo [mais perto que ir a Recife], e muitas vezes, tem a passagem aérea bem mais em conta, por haver tanta oferta. Aí você soma ao fato de ser um lugar tremendamente cosmopolita, cheio de gente linda e simpática, preços bons para os brasileiros, e também por eu ter um braço da família por lá. Vou quase todos os anos, alguns deles até mais de uma vez. Esta foi a oitava!

Buenos está sim, mais decadente do que em 1998, quando a conheci pela primeira vez. Cristina Kirchner é mesmo uma louca e adota uma política econômica de naufrágio completo. O poder vicia mesmo, e ela ludibria os argentinos como uma mestre. Apesar de achar que os seus dias estão contados, o buraco é grande e a inflação bem alta. Pra quem ganha em peso tá bem difícil. Desejo sorte aos hermanos.

Pra vocês terem uma ideia – no câmbio oficial, R$ 1 vale 2.5 pesos. Isto é, se você troca no Banco, ou em uma casa de câmbio. No câmbio paralelo/negro, R$ 1 vale 4 pesos. Os turistas desinformados voltam esbravejando com os altos preços da cidade, porque trocam a moeda no valor Kirchner e pagam o dobro sobre o valor que já está bem inflacionado. Os mais espertos podem desfrutar de uma Buenos Aires cheia de restaurantes incríveis a um preço mais acessível de que o Brasil Pré-Copa.

Você pode pagar qualquer coisa com reais, pesos, dólares ou euros. Os argentinos vivem apavorados com as notas falsas e não confiam na sua própria moeda. Entretanto, durante o período áureo [até 2000], construiram zilhões de parques lindos para os portenhos e não roubaram todo o dinheiro como se faz aqui.

Mesmo com toda a crise, Buenos ainda humilha qualquer cidade do Brasil. Decadance avec elegance. Menos o Rio, porque enfim, vocês sabem. ♥ Daqui a pouco posto um pequeno guia de passeios imperdíveis. Enquanto isso, algumas fotos da viagem.              

                                   

Coachella: o Rei dos festivais

Vocês sabem que eu (junto com a galera do I Hate Flash) sou alucinado por festivais de música né? Os festivais são os melhores catalisadores da cultura jovem-urbana-global da nossa década: música, atitude e moda em um só lugar. E se existe uma estrela principal nessa constelação de festivais por todo o mundo, é o Coachella, no deserto da Califórnia, próximo a Palm Springs. O Coachella é mesmo a última Coca-Cola do deserto.

Imagine um tapete infinito de grama plantado no meio do deserto, ilustrado por uma emblemática roda gigante, palcos com som altíssimo e um monte de gente linda e a fim de uma grande farra que dura três dias, estampada por um céu azul imaculado. Ao meu lado mais de 20 amigos, colegas e parceiros de trabalho, um entourage brasileiro mais que completo. A graça do Coachella está nos detalhes, na energia do lugar e do seu público e, para quem curte moda, nos looks desert chicwoodstock em 2013. Vamos aos highlights, meu e da minha turmona, claro!?

The XX

Eu achava sue o show poderia se perder no meio do deserto, pelos álbuns serem tão intimistas [sex music né?]. Mas Jamie XX é um gênio e rearranja tudo para soar grande e épico. E pra quebrar, teve participação da Solange, a irmã da Beyoncé, um dos nomes mais hypados do ano.

Lançamento Daft Punk + Pharell

Havia uma expectativa muito grande sobre a presença do Daft Punk no Coachella, e muita especulação em torno de uma possível aparição no show do Phoenix, já que eles são amigos de longa data. Acabou que o lançamento oficial do novo single foi lá, e todo mundo foi ao delírio

Fiquei muito triste porque precisei abrir mão do terceiro dia, o Domingo, que tinha o melhor line-up, com Red Hot Chili Peppers, Jessie Ware, Disclosure. Mas com o ao vivo do Fashion Rio para o GNT marcado para às 18h da segunda-feira, não dava para arriscar nenhuma conexão mais apertada.

 

Eu não esperava ansiosamente pelo Blur, a primeira grande atração. Tenho amigos muito fãs, mas nunca foi uma banda que eu tenha comprado um album, que eu tenha vibrado com rumores de shows no Brasil ou coisa do tipo. Talvez por isso o show tenha me surpreendido tanto: hit atrás de hit, daqueles que você canta do começo ao fim sem nunca ter precisado tentar decorar, com o Damon Albarn mostrando por que é o frontman de um dos maiores fenômenos desse tal de Britpop.

Mesmo atrasado (foi uma das atrações que cancelaram em cima da hora ano passado), La Roux fez um ótimo show. Ainda que parecesse um grandeplayback, pela incredulidade da voz da Elly Jackson realmente sair daquele jeito.

Pode falar que a Katy Perry passando do nosso lado como uma pessoa normal vale como uma atração?

Bom, foi o que lembrei agora, uma semana depois. Curtimos muitas outras atrações dignas de nota, tipo Passion Pit, Metric, Tegan and Sara, Jello Biafra, Foals, Johnny Marr, Bassnectar, Hot Chip, Violent Femmes, Yeasayer, Two Door, Janelle Monáe, Major Lazer, Franz, New Order, Dinosaur Jr, Grimes, James Blake, Alex Clare, entre outros. Mas como tem gente que já parou de ler mesmo a gente tendo escrito só o que saiu de primeira, tá bom parar por aqui. :)

Jessie Ware

A última revelação do R&B e um dos nomes mais promissores do line-up do Coachella entregou um show impecável no começo da tarde de domingo. Jessie Waretransborda carisma e sinceridade no palco, canta sem nenhuma dificuldade e transmite uma certa leveza e sofisticação sonora que a música pop não via há tempos. De bônus ainda pudemos conferir a moça cantando “Running” e botando a pista abaixo no live do Disclosure, último show do festival.

James Blake

A gente também concorda que um show do James Blake cairia melhor à noite do que sob uns 35 graus à tarde, mas é impossível não se impressionar com o jogo de graves e toda a ambientação sonora tão peculiar do garoto. Outro privilégio foi poder conferir ao vivo algumas das músicas do “Overgrown“, discão que oJames Blake lançou 15 dias antes do Coachella.

Major Lazer

O show do Major Lazer é sempre o mais certo no critério “dançar até a perna dar cãibra”. A salada de texturas musicais do coletivo, que vai de dancehall edrum’n’bass a dubstep e frevo em dois tempos, foi potencializada por uma performance frenética numa tenda insanamente lotada. Teve Diplo numa bola que flutuava sobre o público, participação surpresa do rapper 2Chainz e um pôr do sol arrebatador como plano de fundo.

The XX

Difícil esperar menos do trio que precisava honrar toda a responsabilidade de um main stage no segundo dia do Coachella. Jamie xx, conduzindo tudo lá de atrás, é de fato um gênio dos graves e a sintonia de Oliver e Romy no front é certamente uma das coisas mais tocantes que já vi ao vivo. Tudo soou ainda mais dramático levando em conta a cenografia: contra luz predominante, projeções delicadas, jogos de cores diversos, tudo absurdamente sincronizado e nada óbvio.

As estações de bebida vendem apenas água, Red Bull e água de coco. Não poder tomar uma cerveja próximo aos palcos, e apenas em uma praça de alimentação fechada pode ser frustrante. Como beber dá trabalho e custa caro [US$ 9 o copo de cerveja], veja pelo lado bom: nada de ressaca e sobrar disposição para a maratona musical.

 

 

 

 

Hot’n’Cold: durante o dia, o calor é de rachar. à noite, a temperatura cai pela metade. Não se engane com o calor da manhã e traga um casaco, e use amarrado na cintura, ou alugue um locker.

Chegue cedo: não espere o sol baixar para chegar. O Coachella perde metade da mágica quando anoitece, porque fica super escuro.

– Leve um lightstick ou algum tipo de sinalizador para a sua turma: é muito fácil se perder à noite. Vende em qualquer loja tipo Wal-Mart ou Home Depot. Marque um ponto de encontro.

– Fumar maconha na Califórnia é legal. Você pode ser examinado por um médico, os chamados Green Doctors e solicitar a sua carteirinha, e comprar numa boa. Seja consciente e aproveite.

Não compre ingresso VIP: o VIP custa o dobro do preço por um cercadinho que fica quase à mesma distância do palco. A não ser que você seja um wannabe-amigo-de-celebs-gringa, mas olha, se for, você não tem nada a ver com o Coachella. Lá todo mundo já é VIP.

MEUS LOOKS DO COACHELLA:

Clique para acessar:

Tie-Dye Army

Saudações da Califórnia!

Estou há cinco dias em Los Angeles, na Califórnia. Vim por vários motivos, principalmente para visitar um amigo espanhol que mora aqui, e para o festival Coachella que acontece do dia 12 a 14 de Março em Palm Springs, em pleno deserto californiano. Não conhecia Los Angeles direito, estive aqui em 2010 só durante 3 dias, o que realmente não dá pra nada.

Los Angeles é o lugar mais legal que visito desde 2012, mesmo tendo passado por Nova Iorque, Vancouver, Toronto, Dublin, Londres e até Malta. Me lembra tanto o Rio de Janeiro, só que tem outras qualidades. A vibe solar, a praia, toda a gente linda e bronzeada pelos cantos se misturam às freeways da Califórnia, à imigração latina [amo!], e a indústria do entretenimento, que me fascina tanto. Acho que o espírito californiano está me pegando – e eu não quero deixá-lo ir embora nem tão cedo.

Me acompanham nesta primeira semana, Carolina Althaller, do WGSN e Raphael Lima do Telecine Fun. Me sigam no instagram para mais fotos: @caiobraz.

        

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