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Viagem: ainda na vibe de Narcos, 5 lugares que já foram perigosos pra visitar

5 formerly dangerous places to visit today

Certas cidades, há não muito tempo atrás, seriam destinos turísticos impensáveis, salvo para os mais aventureiros ou aqueles que ouvem um chamado humanitário. Mas a história acontece, as coisas mudam, e muitos lugares que antes exigiam todo o cuidado e exibiam taxas de violência altíssimas agora recebem seus visitantes de braços abertos, com muito mais segurança. De quebra, não fazem parte dos destinos turísticos tradicionais, evitando aquele crowd de gente com pau de selfie na mão que, né? Pode dar no saco kkk! Bora acrescentar uns lugarezinhos à lista de viagem?

Medellín – Colômbia Medellín, por David Peña

Alô Narcos! Alô Netflix! Eu assisti, você assistiu e quem ainda não viu, que veja a série, de preferência sabendo que a antes extremamente violenta metrópole, dominada pelo terrorismo dos carteis e de Pablo Escobar em especial, agora é o símbolo de uma Colômbia que renasce moderna e cheia de encantos.

Sarajevo – Bósnia e Herzegóvina Sarajevo, por Michal Huniewicz

Duas décadas depois do fim da Guerra da Bósnia, que deixou a região em ruínas e Sarajevo famosa pela violência, o país vira a página e constrói nova história. Ainda que a guerra tenha ficado para trás, o turismo local obviamente explora seus acontecimentos para atrair turistas. Mas isso não é tudo: a cidade concentra igrejas católicas, mesquitas, sinagogas, belíssimas construções e preços convidativos. Deixe o preconceito de lado e faça um pit stop por lá.

Beirute – Líbano Beirute, por Salih IGDE

O Líbano viveu uma destruidora guerra civil entre 75 e 90. Anos depois, em 2006, uma guerra com Israel acabou com o país, num ataque de mais de 30 dias. Ainda assim, Beirute é conhecida como “a Paris do Leste” e tem uma arquitetura bem linda, que mistura cais?!

Jerusalém – Israel Jerusalém, por Berthold Werner

A cidade sagrada de Jerusalém, centro espiritual do judaísmo, islamismo e cristianismo, foi disputada entre Israel e Palestina. Israel ganhou a batalha, mas as rusgas dessa disputa seguem existindo. especialmente nos anos 90, a cidade sofreu com muitos ataques terroristas. Agora as coisas estão mais calmas, e Jerusalém transpira história e religiosidade, o que faz desse um destino único e inesquecível.

Cidade do Panamá – Panamá Piscina do Trump Tower na Cidade do Panamá, por Sergejf

Como o contrabando tem papel importante na economia local, a cidade consequentemente luta bastante contra a violência. Os números diminuíram, ainda que gangues permaneçam tocando certo terror por lá. Mas, ó, vai sim, que lá tem bairros bonitos (o novo, o velho…), boa comida, bares bacanas e um visu mara.onstruções antigas e prédios modernos. A cidade ainda tem noite das boas e praia. Quer mais?

ENGLISH

Certain cities used to be inthinkable tourist destinations not long ago, except for the more adventurous or those who hear a humanitarian calling. But things change and many places that previously required all the caution and exhibited very high violence rates now receive their visitors with open arms and more security. Besides, those places are not part of the traditional tourist destinations, which is perfect to avoid crowds with selfie sticks walking around, yay! Let’s add new places to our travel list?

Medellin – Colombia Well hello Narcos! Everybody watched the new Netflix series. You have not? Well, watch it preferably knowing that the city that used to be extremely violent and dominated by the terrorism of the cartels and Pablo escobar in particular is now the symbol of a colombia that is reborn modern and charming.

Sarajevo – Bosnia and Herzegovina Two decades after the end of the Bosnian War, which left the region in ruins and made Sarajevo famous for the violence, the country turns the page of its history. Although the war is behind them, the local tourism likes to explore that part of their history to attract tourists, but that’s not all! The city concentrates Catholic churches, mosques, synagogues, beautiful buildings and attractive prices. Sarajevo deserves a pitstop!

Beirut – Lebanon Lebanon experienced a destructive civil war between 1975 and 1990. Years later, in 2006, a war with Israel destroyed the country in an atack that lasted more than 30 days. Still, Beirut is known as “the Paris of the East”, with a beautiful architecture that blends old and moderns buildings. The city is on the beach and also has great parties. What else do you need?

Jerusalem – Israel The holy city of Jerusalem, the spiritual center of Judaism, Islamism and Christianity, was fought between Israel and Palestine. Israel won the battle, but the dispute still exists and especially during the 90’s the city suffered with many terrorist attacks. Things are calmer now and Jerusalem exudes history and religiosity, which makes this a unique and unforgettable destination.

Panama City – Panama The city fights violence since smuggling plays an important role in the local economy. The violence numbers declined, although gangs remain acting there, and now this is a more accessible destinations with beautiful neighborhoods (new and old ones), good food, cool bars and a lovely cityscape.

Bogotá: a joia emergente da América Latina

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Bogotá não é exatamente um lugar que está na lista de prioridades turísticas de um brasileiro. Já sabemos muito pouco sobre nossos irmãos de continente. E a Colômbia? Quando um brasileiro pensa em Bogotá e na Colômbia, o que nos vem à cabeça? Guerrilhas, FARC e Shakira. Não necessariamente nessa ordem, mas é por aí.

[fazendo amigos nas praças bogotanas]   

Só que a Colômbia é um tema comum na minha família. Tenho ouvido muito sobre a reviravolta de Bogotá nos últimos anos dentro de casa. Meu pai já foi duas vezes. Um amigo dele, Murilo, que me viu crescer e poderia ser meu padrinho, já realizou dezoito viagens à Colômbia e publicou um livro sobre a reviravolta que as cidades de Bogotá e Medellin vivenciam, e conseguem ~poco a poco, pero adelante~ ajustar os ponteiros do abismo social através da cultura cidadã, mobilidade urbana e uma política séria de combate ao crime organizado. Hoje Murilo é secretário de segurança cidadã do Recife, onde nasci, e se espelha na evolução colombiana para evoluir a cidade.

[una chica colombiana, vendedora de esmeraldas]

A temática de cidades, urbanismo e qualidade de vida me enche os olhos, e queria muito ver isso de perto. Acabou que fui convidado pelo organizador da festa Mr. Perra a tocar como DJ no aniversário da fiesta. Meu primeiro ~show~ internacional. Mais uma vez, a moda me ajudando [ô bença!], e foi o empurrãozinho a mais que eu precisava para me mandar para Bogotá, e trouxe junto meu amigo fotógrafo Raul, do I Hate Flash, que ilustra as fotos lindas desse post.

[policiais garantindo a segurança da Nova Colômbia]

Durante a viagem eu vi todos os cases que Murilo mencionara: o Transmilenio [corredor de ônibus avançado, como o de Curitiba], o alargamento das calçadas [gente na rua é sinônimo de segurança, porque um protege ao outro], as ciclovias [as bicicletas são o veículo do futuro], o policiamento ostensivo [o Estado sem vacilar]. Claro que me veio o Brasil na mente: nem tudo está perdido no País de Todos.

[amigos da viagem: Manuel, Carla, Raul e Casti, no Andrés Carne de Res]

Se nota em Bogotá um otimismo lindo em seus cidadãos e uma vontade de cooperar junto com o governo para superar as dificuldades. Isso me remete diretamente ao Rio de Janeiro, que viveu um período tenebroso antes das UPPs e hoje retomou o fôlego. Nós, cariocas, fazemos parte disso ao respeitar o Rio. Os bogotanos fazem o mesmo: antes apavorados, hoje vivem uma nova relação com a cidade.

[na Candelaria, na alpaca Relámpago!]

Foram apenas quatro dias, mas uma clara experiência: bogotanos são amáveis, sociáveis e super cordiais. Tem sotaque muito neutro, musical e fácil de entender. São ecléticos, de excelente gosto musical – em uma pequena viagem de carro navegamos por clássicos colombianos, como Carlos Vives, salsa, Beatles e Nicolas Jaar. As noitadas fecham às 3 da manhã por lei, mas eles encontram um after ou o produzem. São boêmios. Beijam bem.

[vestindo uma máscara de cacique no Museo del Oro, cortesia e talento de Raul Aragão]

Se pode subir no teleférico Montserrat ao melhor estilo Pão de Açúcar. Os preços de Bogotá são justos: não chegam a ser uma barganha como a Bolívia, nem proibitivos como em São Paulo. É tudo cerca de 30% mais barato que o Brasil. Me chocou o fato de que Ingrid Betancourt é persona non-grata no país. Lembro-me dos pesadelos que tinha quando li o seu livro, Não Há Silêncio que Não Termine. Há até um post bem antigo aqui do blog, com uma passagem linda do seu livro.

[recebendo as bençãos do Andrés Carne de Res]

Bogotá hospeda o restaurante-complexo de entretenimento-boate-museu mais impressionante do mundo, o Andrés Carne de Res. O Andrés merece e terá um post exclusivo com mil detalhes, preparem-se. A cidade tem uma matiz linda cor de telha: é o segundo lugar do mundo com mais construções do gênero, prédios de tijolinhos. Lembra Londres, mas é emoldurada pela serra dramática que lhe abraça e orienta a localização dos moradores.

[que pasa, pombo?]

A Colômbia me reconectou com a riqueza humana, herdada através de valores históricos. Me encantaria me envolver em algum projeto que permeasse esse universo, o nosso continente. Esta rápida viagem me aguçou a sensibilidade e a consciência de que sou um autêntico latino-americano, além de brasileiro.

25 anos de sonhos, de sangue, e de América do Sul.

PS: Vou publicar mastigadinho as dicas de lugares, restaurantes, e passeios em um Guia de Lifestyle. Enquanto isso, quando pensar nas suas próximas férias, considere a Colômbia ao invés de voltar pela segunda ou terceira vez a Buenos Aires.

O dicionários das crianças da Colômbia

Olha que coisa mais adorável: o maior sucesso da feira de livros da Colômbia foi a republicação do livro Casa das Estrelas: o universo contado pelas crianças. O escritor Naranjo coletou com crianças da zona rural suas versões de significados de algumas palavras. As definições são emocionantes, e às vezes até engraçadas.

A Colômbia lidera uma revolução de qualidade de vida nos países latino-americanos, com o combate eficaz ao terror e políticas de transporte inclusivas. Aqui no Brasil, os temas mobilidade, ciclofaixas, transporte público parecem ser a nova obsessão dos governos e ambientalistas – a Colômbia foi o país que levantou a barra anos atrás e utilizou estas alternativas para [re]incluir a sociedade, com sucesso

“Fiquem com a pureza da resposta das crianças”

Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos) Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos) Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos) Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos) Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos) Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos) Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos) Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos) Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos) Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos) Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos) Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos) Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos) Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos) Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos) Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos) Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos) Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos) Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos) Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)

Via BBC Mundo/UOL