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Brian Anderson: um dos maiores skatistas do mundo se assumiu gay e isso importa muito

Brian Anderson é um skatista profissional nascido em Connecticut, nos Estados Unidos, em 1976. Prestes a completar 41 anos, Anderson tem no currículo o reconhecimento mundial: a mídia se refere a ele como “lenda”, ele já foi apontado como profissional do ano algumas vezes, seus vídeos de manobras eram virais antes mesmo da internet existir, passeando em VHS e DVD entre as mãos da cena skater, ele assinou uma linha de sneakers com a Nike e claro que hoje em dia é possível assistir suas sessions online, ao alcance de um clique. Pois bem, Brian Anderson, lenda viva do skate, resolveu assumir, no final do ano passado, que é gay.

O papo rolou em setembro de 2016 e a revelação veio em forma de vídeo da VICE; um mini doc no qual Anderson conta que desde os 3 ou 4 anos de idade já sabia de sua orientação sexual. Com isso, claro, veio a necessidade da cena se confrontar com possíveis preconceitos, machismos, incômodos velados… Afinal de contas, a cena skater tem essa pegada underground, mas não é exatamente a mais diversa: não são espaços onde encontramos muitas mulheres ou gays. E skatistas da nova e da velha geração provavelmente tiveram essa revelação de um de seus ídolos e se confrontaram com suas opiniões, o que é ótimo.

Muita gente questionou Brian quanto ao porquê de ter demorado tanto tempo para se revelar gay. Sua carreira como profissional começou em 1998 e, desde então, ele acumulou patrocínios de grandes marcas, como Nike e Spitfire, foi eleito skatista do ano em 1999 pela Trasher, que é uma das revistas mais respeitadas de skate do mundo, entre muitas outras conquistas. Brian é claro com relação a isso e diz que tinha medo de perder os apoios dos patrocinadores e de comentários homofóbicos.

Ele acredita que, caso tivesse se assumido no início de sua carreira, não teria alcançado o apelo e o sucesso que tem agora. Ao mesmo tempo, agora que chegou onde chegou, sua mensagem vai muito mais longe, chega nos moleques skatistas e gays que seguem com medo de se assumir, chega nos caras que talvez ainda tenham preconceitos e que vão enfrentar o fato de que isso não influencia em nada no talento de um skatista, nos caras que descobriram que seu skatista favorito é gay. E DAÍ?!

“Muitos moleques sem esperança estão por aí, morrendo de medo. Ouvir minha história sobre como tudo melhorou quando destruí a vergonha de ser quem eu sou, pode ajudar pessoas a serem mais felizes. Então falar que sou gay é uma mensagem importante.”

Brian Anderson

Muito massa que Anderson deu essa letra agora, ao mesmo tempo que é foda pensar na quantidade de gente que segue durante tantos anos dentro do armário por saber que sua existência, seus talentos e suas oportunidades poderão ser sumariamente reduzidas a essa informação. Na verdade, é uma pena que essa ainda seja questão tão importante para tanta gente na hora de validar o outro, mas essa segue sendo nossa realidade e acontecimentos como esse nos levam um pouco mais adiante na luta.

Cada um tem seu tempo e enfrenta essa parada do seu próprio jeito e de acordo com sua conjuntura, mas, por outro lado, é claro que existe um grupo e uma relação de apoio e de troca que se baseia muito em exemplos como Anderson: distantes e próximos ao mesmo tempo. Aliás, pode valer a pena aprofundarmos nesse assunto, então assistam ao vídeo do canal do Brazinho abaixo, que fala sobre como ser gay é difícil.

Vamos trocar essa ideia? O amor é livre!