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Guia de Bogotá: hospedagem, restaurantes, compras e passeios

“A Colômbia é uma magia só – povo muito simpático, feliz, gentil, muita arte e cultura, sabores, música. Telúrica, sagrada, profana, deliciosa. Bogotá é um exemplo lindo de cidade latino-americana que está vencendo a síndrome de terceiro mundo, com soluções de mobilidade, policiamento, combate ao crime organizado, e para nós visitantes, preços super justos.

A America Latina tem sido mesmo ultimamente o lugar onde o meu coração está batendo mais forte.”

Em 2012 fui a Bogotá para fazer um DJ set e tive uma gratíssima surpresa com a capital colombiana. Aqui neste diário de viagem conto no detalhe as aventuras por Bogotá, em formato de diário amoroso, mas senti falta de escrever um post mais simples com as dicas para o viajante que pretende fazer turismo em Bogotá pela primeira vez. Vamos lá?

HOSPEDAGEM

A Zona Rosa é onde você, turista, quer estar na cidade, por estar perto dos principais restaurantes, lojas, opções de noitada e claro, segurança. Podemos dizer que Bogotá é uma cidade bem segura para parâmetros da América do Sul (acho mais tranquila que São Paulo, ou Buenos Aires), porque tem policiamento bem forte. Dentro da Zona Rosa existe a Zona T, que é o buxixo meeeesmo (se eu soubesse antes, teria bookado um lugar lá), uma zona de pedestres cheia de lojas e hoteis.

Qualquer hotel naquela área (ou quem sabe, um apêzinho no AirBnB) é uma boa opção – eu fiquei no NH Hoteles, em média US$ 90-100 por noite, quarto super confortável, hotel limpo, bem cuidado, excelente.

MUSEU BOTERO

Eu sempre amei a arte de Botero porque desde sempre houve posters dele na minha casa, então rola todo aquele lance de memória afetiva. Para quem não o conhece, Fernando Botero é um dos grandes nomes da arte colombiana, em português rústico, o melhor pintor de gordas do universo. Suas esculturas também são geniais, e o seu museu fica numa casa belíssima na região da Candelária, o Centro Antigo de Bogotá, outro ponto de interesse para você fazer umas fotos incríveis.

MUSEU DEL ORO

É um dos museus mais importantes do mundo quando o assunto é ouro, com um acervo lindo pré-colombiano, centenas de esculturas com uma importância histórica surpreendente. A arquitetura do lugar também é muito bacana, enfim, Museu del Oro é um programa muito chique e imperdível.

CENTRO ARTESANAL DE LA CANDELARIA

Não dá pra ir em Bogotá e não voltar com aquelas bolsas incríveis [que foram hit um verão desses aqui no Brasil] de tricô, mantas, e mil coisas coloridas para enfeitar a casa. Comprei uma rede linda demais, também há muitos ponchos, blusas de frio, bastante coisa legal com aquelas padronagens típicas da América do Sul. Vale a visita!

CERRO DE MONSERRATE

Bogotá merece ser vista lá das alturas, então pegue teleférico do Cerro de Monserrate e aproveite a vista. Não lembro direito quanto custava para subir, mas nada de outro mundo. Os restaurantes lá em cima não valem à pena, muito turistões e caros demais.

BAUM

A BAUM [pelo menos em 2013 era] é o point de Bogotá de música eletrônica da melhor qualidade, muita gente linda e louca pela pista até o amanhecer. Rumba de las buenas, é a única indicação de noitada que eu tenho, porque minha viagem foi muito curtinha!

ANDRÉS CARNE DE RES

O melhor e o mais importante: o Andrés Carne de Res é o restaurante mais lindo e incrível que já estive no mundo. O mais incrível fica na periferia de Bogotá e você precisa mesmo ir até lá, então negocie com um taxista pra te levar por um precinho bom. Ocupa mais de um quarteirão e você sairá encantado com as performances, a decoração, a música, as cores, os sabores, é o auge da experiência latino-americana. Uma aula de ‘brand experience’ para publicitários ou qualquer pessoa que um dia sonhe em trabalhar com gastronomia, ou serviços. Jogue-se depois na loja de artesanatos. Ah, e a comida é uma delícia.

Já foi a Bogotá? Deixa umas dicas aqui nos comentários!

Bogotá: a joia emergente da América Latina

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Bogotá não é exatamente um lugar que está na lista de prioridades turísticas de um brasileiro. Já sabemos muito pouco sobre nossos irmãos de continente. E a Colômbia? Quando um brasileiro pensa em Bogotá e na Colômbia, o que nos vem à cabeça? Guerrilhas, FARC e Shakira. Não necessariamente nessa ordem, mas é por aí.

[fazendo amigos nas praças bogotanas]   

Só que a Colômbia é um tema comum na minha família. Tenho ouvido muito sobre a reviravolta de Bogotá nos últimos anos dentro de casa. Meu pai já foi duas vezes. Um amigo dele, Murilo, que me viu crescer e poderia ser meu padrinho, já realizou dezoito viagens à Colômbia e publicou um livro sobre a reviravolta que as cidades de Bogotá e Medellin vivenciam, e conseguem ~poco a poco, pero adelante~ ajustar os ponteiros do abismo social através da cultura cidadã, mobilidade urbana e uma política séria de combate ao crime organizado. Hoje Murilo é secretário de segurança cidadã do Recife, onde nasci, e se espelha na evolução colombiana para evoluir a cidade.

[una chica colombiana, vendedora de esmeraldas]

A temática de cidades, urbanismo e qualidade de vida me enche os olhos, e queria muito ver isso de perto. Acabou que fui convidado pelo organizador da festa Mr. Perra a tocar como DJ no aniversário da fiesta. Meu primeiro ~show~ internacional. Mais uma vez, a moda me ajudando [ô bença!], e foi o empurrãozinho a mais que eu precisava para me mandar para Bogotá, e trouxe junto meu amigo fotógrafo Raul, do I Hate Flash, que ilustra as fotos lindas desse post.

[policiais garantindo a segurança da Nova Colômbia]

Durante a viagem eu vi todos os cases que Murilo mencionara: o Transmilenio [corredor de ônibus avançado, como o de Curitiba], o alargamento das calçadas [gente na rua é sinônimo de segurança, porque um protege ao outro], as ciclovias [as bicicletas são o veículo do futuro], o policiamento ostensivo [o Estado sem vacilar]. Claro que me veio o Brasil na mente: nem tudo está perdido no País de Todos.

[amigos da viagem: Manuel, Carla, Raul e Casti, no Andrés Carne de Res]

Se nota em Bogotá um otimismo lindo em seus cidadãos e uma vontade de cooperar junto com o governo para superar as dificuldades. Isso me remete diretamente ao Rio de Janeiro, que viveu um período tenebroso antes das UPPs e hoje retomou o fôlego. Nós, cariocas, fazemos parte disso ao respeitar o Rio. Os bogotanos fazem o mesmo: antes apavorados, hoje vivem uma nova relação com a cidade.

[na Candelaria, na alpaca Relámpago!]

Foram apenas quatro dias, mas uma clara experiência: bogotanos são amáveis, sociáveis e super cordiais. Tem sotaque muito neutro, musical e fácil de entender. São ecléticos, de excelente gosto musical – em uma pequena viagem de carro navegamos por clássicos colombianos, como Carlos Vives, salsa, Beatles e Nicolas Jaar. As noitadas fecham às 3 da manhã por lei, mas eles encontram um after ou o produzem. São boêmios. Beijam bem.

[vestindo uma máscara de cacique no Museo del Oro, cortesia e talento de Raul Aragão]

Se pode subir no teleférico Montserrat ao melhor estilo Pão de Açúcar. Os preços de Bogotá são justos: não chegam a ser uma barganha como a Bolívia, nem proibitivos como em São Paulo. É tudo cerca de 30% mais barato que o Brasil. Me chocou o fato de que Ingrid Betancourt é persona non-grata no país. Lembro-me dos pesadelos que tinha quando li o seu livro, Não Há Silêncio que Não Termine. Há até um post bem antigo aqui do blog, com uma passagem linda do seu livro.

[recebendo as bençãos do Andrés Carne de Res]

Bogotá hospeda o restaurante-complexo de entretenimento-boate-museu mais impressionante do mundo, o Andrés Carne de Res. O Andrés merece e terá um post exclusivo com mil detalhes, preparem-se. A cidade tem uma matiz linda cor de telha: é o segundo lugar do mundo com mais construções do gênero, prédios de tijolinhos. Lembra Londres, mas é emoldurada pela serra dramática que lhe abraça e orienta a localização dos moradores.

[que pasa, pombo?]

A Colômbia me reconectou com a riqueza humana, herdada através de valores históricos. Me encantaria me envolver em algum projeto que permeasse esse universo, o nosso continente. Esta rápida viagem me aguçou a sensibilidade e a consciência de que sou um autêntico latino-americano, além de brasileiro.

25 anos de sonhos, de sangue, e de América do Sul.

PS: Vou publicar mastigadinho as dicas de lugares, restaurantes, e passeios em um Guia de Lifestyle. Enquanto isso, quando pensar nas suas próximas férias, considere a Colômbia ao invés de voltar pela segunda ou terceira vez a Buenos Aires.