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V Mostra de Artes Jardim Suspenso: a mostra que mora no Morro da Babilônia

No alto do Morro da Babilônia, comunidade carioca rodeada por Botafogo, Urca, Leme e Copa, quem não sobe nem imagina o que se passa lá em cima. A V Mostra de Artes Jardim Suspenso, um festival cultural que oferece exposições, residências e experimentações, ocupou a favela de sua parte alta até a floresta e esteve aberta para visitações entre os dias 19 e 20. Sim, floresta, porque o Morro da Babilônia ainda tem, lá dentro, uma Área de Proteção Ambiental (APA). Instalações, performances, site-specific, música, poesia se misturam com o cenário hora de comunidade, hora de verde da mata, em trabalhos construídos junto aos moradores da região, num processo de troca verdadeira que buscou, todo o tempo, fugir de qualquer tipo de aproveitamento abusivo.

A gente conversou com o Jeferson Andrade, uma das cabeças e corpos por trás da organização do Jardim Suspenso, para entender melhor a mostra, de seu nascimento até seu funcionamento atualmente. O Jeferson participa da mostra desde sua segunda edição e esse ano esteve bastante envolvido no processo de curadoria/escolha dos artistas que participariam da residência, vivendo e criando durante um mês numa casa no Morro e produzindo diálogos reais com a comunidade e com aquela localidade, tudo inserido dentro do tema dessa edição, que é “Descolonização”.

Como começou o evento? O evento foi inicialmente idealizado pela Dandara [Catete], uma artista que está até hoje conosco e que começou com um projeto no casarão no Cosme Velho, posteriormente fez um outro na Tijuca e na 3ª edição passou aqui para o Morro da Babilônia. O Álvaro [Júnior], que mora aqui, sempre foi um dos produtores, desde o começo. Eu entrei na 2ª edição, na Tijuca, participando como artista e da organização. Uma das características do Jardim Suspenso é que os artistas fazem parte também da produção, assim como os músicos. A ideia é que seja um evento de artes integradas que explore outros ângulos, outras linguagens, como a roda de capoeira, o debate…

E como foi o processo de organização desse ano? E de seleção de artistas? Esse ano eu estou no Jardim como produtor de arte, fazendo a produção conceitual do evento, a seleção… Fizemos a seleção a partir do espaço, contando com a ajuda de uma arquiteta, a Laura, e do Ivan Pascarelli, que nos deu uma assessoria muito importante quanto a como os artistas poderiam utilizar a experiência espacial de todo o território, desde a casa até aqui. Abrimos um edital, uma convocatória pública, para selecionar dez artistas que seriam residentes, e esses artistas residentes, junto com a gente, selecionariam outros tantos artistas como não residentes. Os artistas residentes vieram para morar, então privilegiamos artistas de endereços distantes, de periferia e até de outros países (o Peter é um artista de Berlim, o Nacho é argentino de Córdoba). Tentamos ter uma diversidade de propostas e de gênero e fomos desenvolvendo os trabalhos em torno de um tema geral, que esse ano foi descolonização.

Como esse tema se relaciona com o espaço do Jardim Suspenso, com o morro? Estávamos interessados em leituras pós-coloniais, no que seria o decolonial, as produções de linguagem como resistência, criação de novas palavras, de novas situações, instalações espaciais… O espaço da favela é um espaço que tem uma estética de vivência, vivência como produção estética contínua, decolonial. As próprias construções: eles constroem as casas deles de maneira bem manual, é uma coisa muito interna, estão sempre construindo e isso é uma demarcação de território, é uma tomada muito interessante, um senso de comunidade dentro de um cerco Zona Sul, branco e que não considera o morro como parte do bairro, mas as pessoas estão aqui vivendo há muito tempo. Na década de 80, eles foram responsáveis pelo reflorestamento da região, essa era uma área desertificada pela criação de gado. A gente conversou muito com o presidente da associação de moradores, o André, que tem um projeto interessante e uma fala incrível sobre o problema racial e de exotificação, o porquê disso, de transformar a favela num zoológico, esse turismo predatório num nível psiquíco, então ele fez parte também, no primeiro dia da residência já iniciamos com uma fala muito boa do André.

Você está com uma instalação aqui? A minha instalação são as placas,tem duas aqui e duas lá embaixo. São placas publicitárias, de vendas de imóveis, a Imobiliária Privilégio, que eu não necessariamente inventei. Eu estava dando um rolê no asfalto em Copa, tudo caro pra caralho, e aí eu passei por uma imobiliária com esse nome perto do metrô. Existe! Aqui em Copa! E aí eu falei “putz, será?”. Eu tinha conversado com o André, que tinha me dito que eles estavam com um problema super sério com a galera que mora numa clareira no morro; as pessoas estão a ponto de serem removidas porque a Área de Proteção Ambiental tem as áreas limítrofes demarcadas com barras de ferro, que foi onde coloquei minhas placas. Tudo que está pra trás vai ser removido, já existe uma ordem judicial para isso e eles alegam que é pelo impacto ambiental, mas na verdade é porque dá pra ver, de Copacabana, os barracos aqui da frente, entendeu? Isso atrapalha a especulação imobiliária.

Fala mais sobre o processo de seleção dos artistas, foi por vivência, por trampo? Foi uma seleção totalmente aberta. Fizemos um editalzinho, não foi nada burocrático. Os artistas inscritos enviaram projetos e nós selecionamos esses projetos de acordo com isso que estávamos interessados em construir. A partir do projeto do Jardim Suspenso a gente entendeu que a melhor experiência que poderíamos produzir era uma experiência imersiva.

Quando chegamos ao Jardim Suspenso, fica logo claro que uma das coisas mais importantes de todo aquele processo acontecendo ali é a relação entre os artistas e o lugar, especialmente se pensarmos que muitos artistas de outras cidades e até de outros países de repente se viram morando na Babilônia. “O Jardim se instaura dentro de uma questão geopolítica que a gente não pode negar, é uma favela com UPP. Tem uma pequena guerra rolando aqui, os residentes tomaram noção disso, é uma guerra, pessoas morrem, esses corpos devem ser colocados em questão, o corpo periférico, o corpo feminino, o corpo preto, o corpo do favelado”, afirma Jeferson.

Toda essa diversidade foi perseguida, mas no sentido de travar diálogos tanto com essas pessoas que possuem seu lugar de fala quanto com quem vive distante de tal realidade: “a gente não pode ficar conversando entre a gente sobre descolonização, os corpos privilegiados têm que vir aqui também, é importante criar esse tipo de integração para ter o debate”, explica Jeferson. E nisso se deu também a vontade de criar uma residência internacional. Na casa convivem artistas de Berlim, de São Gonçalo, de Mesquita, de São Paulo. E aí os tensionamentos acontecem, afinal, como essas pessoas que vêm de realidades tão diferentes lidam com a favela? E como elas se relacionam entre si diante de suas experiências tão diversas com as cidades?

Ana Matheus Abbade, de São Gonçalo, fez uma vídeo-instalação inspirada em experiências que teve ali. “Só Não Pode Ser Ele” nasceu de seu processo de reconhecimento do lugar e de sua descoberta da homosexualidade como um grande tabu na comunidade. Histórias de homens que pulavam muros para transar com outros homens sem serem vistos pipocaram em seus ouvidos, “essa relação de como se formula a identidade que se perpetua no seu corpo e como se constitui na negociação com a pólis, acho que foi mais ou menos essa a minha forma de pensar a estrutura do filme”, diz Ana, que é residente do projeto. Já Miguel Vida, que é da Espanha, mas vive na Babilônia há dois anos, tem seus trabalhos espalhados pelo Morro. Ele faz parte do projeto do Espaço Cultural Jardim da Babilônia, uma iniciativa relevante de fomento artístico e empoderamento cultural que tem um bar, por meio do qual eles pretendem viver, crescer e sustentar o projeto. Miguel pintou os degraus das escadas do Morro: “fiz uma poesia e coloquei nos degraus, porque é o que é mais visto quando você carrega material, e queria trazer para o físico. Os carregadores de material passam o tempo inteiro olhando pro chão”.

Visitar o Jardim Suspenso e entender todas essas questões na prática é deveras impactante. Não se trata de uma exposição tradicional nem da reprodução de clichês, mas de uma explosão do que se entende como instituição e espaço de representação da arte, como o próprio Jeferson nos explicou. No Morro da Babilônia, os artistas se envolvem de maneira ativa com questões políticas, sensoriais, locais, identitárias e de luta, e isso se traduz em suas obras, além de alcançar uma parte da população carioca que nem sempre tem acesso a isso. “trabalhar dentro da favela foi muito interessante porque a gente pôde explorar umas coisas incríveis, dá pra emergir coisas incríveis falando só desse lugar sem ser predatório ou exploratório. A gente tem que ter capacidade de integração, não é unidirecional”, conclui Jeferson.

Você pode saber tudo que rolou na programação do Jardim Suspenso aqui!

Fotos: West Pereira

Roteiro de Arte no Brasil: onde encontrar?

A guide to see art in Brazil

A-do-ra-mos fazer roteiros culturais quando viajamos pra fora! Visitar museus, ficar de olho na arquitetura, sacar um pouco mais da história daquele lugar ou ver de perto os mais diversos movimentos artísticos são motivos de animação. E aí que, às vezes, acabamos esquecendo que o nosso país também tem destinos mara quando o assunto é arte. Assim, inspirados pela Arte de Viajar Pelo Brasil, montamos um roteirinho artsy dos bons, pra você pegar a estrada djá!

Amazonas: Começamos em Manaus. Que tal visitar o Teatro Amazonas? Inaugurado em 31 de dezembro de 1896, ele é hoje uma das obras arquitetônicas mais importantes do país e representa o período áureo da borracha, sendo patrimônio artístico do estado. Vai lá que é lindo, lindo.

Distrito Federal: Brasília é uma cidade-monumento. Projetada por Lúcio Costa, possui um formato de ave com asas abertas e, de quebra, é tomada pela arquitetura cheia de curvas de Oscar Niemeyer, o que confere tanta modernidade à cidade, que inclusive impulsionou o Construtivismo no Brasil. Ou seja, museu a céu aberto, né?

Pernambuco: Da capital, pulamos direto pra Recife, já que o Instituto Ricardo Brennand é um must go da cidade. Veja tapeçarias, esculturas, mobiliário e pinturas de diferentes épocas e provenientes de Europa, Ásia, África e América, reunidas durante mais de 50 anos pelo colecionador homônimo, num complexo arquitetônico com cara de Medieval.

Bahia: O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) fica no Solar do Unhão, lugar privilegiado com arquitetura do século 17 (tem capela, casa grande e senzala) e na beira da Baía de Todos os Santos. O acervo é grande e conta com artistas como Cândido Portinari e Di Cavalcanti. Ainda na cidade, o Palacete das Artes Rodin Bahia é outro que merece visita, com quatro peças de Rodin em seus jardins e exposições temporárias de arte moderna e contemporânea. Tá pensando que a Bahia é só Axé?!

Minas Gerais: Os mineirins têm o sotaque mais delícia desse Brasil e também muita arte pra oferecer, começando por Inhotim. O centro de arte contemporânea iniciado por Bernardo Paz abriga um dos mais importantes acervos do nosso continente (#modéstia) e fica em Brumadinho. Lá, você pode ver obras de Olafur Eliasson, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Matthew Barney, Yayoi Kusama… A interatividade é ponto alto. E que tal dar um pulinho em Ouro Preto? A cidade é monumento nacional e reúne um grande acervo religioso, contando a história do nosso país com obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde, por exemplo.

São Paulo: Alô destino mais cosmopolita desse país! Sampa reúne um bocado de museus e galerias para amante de arte nenhum botar defeito! Do Museu de Arte Moderna (MAM) ao MASP. Da Pinacoteca ao Instituto Tomie Ohtake. Do Museu da Imagem e do Som (MIS) ao Museu de Arte Contemporânea (MAC). São paulo transpira arte inclusive nas suas ruelas e avenidas, já que a arte urbana também é seu forte. Tem que ir!

Rio de Janeiro: O Rio pode continuar lindo, mas vamos ali pra Niterói, onde fica o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Aquele mesmo, cuja arquitetura projetada por Oscar Niemeyer é reconhecida no país todo. Além da vista, você pode apreciar o acervo que possui obras de Hélio Oiticica e Tomie Ohtake. Ah! No Rio, o CCBB, a Casa Daros e o Museu de Arte do Rio (MAR) também merecem atenção, hein!

Rio Grande do Sul: Bah! Porto Alegre está cheia de opções pra quem curte um bom museu, mas dois deles são realmente imperdíveis: o Museu de Arte Moderna do Rio Grande do Sul (MARGS), com seu enorme acervo, e a Fundação Iberê Camargo, que reúne obras do artista de mesmo nome e realiza expos de arte contemporânea. Fique de olho na sua arquitetura e feche com chave de ouro esse roteiro artsy brasileiro!

ENGLISH

We Brazilians love to do cultural tours when we travel to other countries. Visit museums, keep an eye on the architecture, learn a little bit more about the new places and take a close look to different artistic movements are reasons for excitement. Sometimes, we simply forget that our country also has wonderful destinations when it comes to art and that’s why we put together a travel plan for you to see art in Brazil. Let’s go!

Amazonas: We’ll start in Manaus. How about visiting the Amazonas Theatre? Opened in December 31, 1896, it is now one of the most important architectural masterpieces in the country, representing the golden age of rubber and an artistic heritage for the state. You should go, ‘cause it’s a beautiful, beautiful building.

Distrito Federal: Brasília is a city-monument. Designed by Lúcio Costa, it has a “bird with open wings” format and it is taken by the curves of Oscar Niemeyer’s architecture, which ensures the city’s modernity that boosted Constructivism in Brazil. Well, it’s like an open-air museum, right?

Pernambuco: From the capital we go straight to Recife, as the Ricardo Brennand Institute is a must go in this city. See tapestries, sculptures, furniture and paintings from different eras and from Europe, Asia, Africa and America, all gathered in over 50 years by Brennand, in an architectural complex with a Medieval flair.

Bahia: The Museum of Modern Art of Bahia (MAM) is housed in Solar do Unhão, a privileged place with 17th architecture and an ocean view. Its collection is large and features artists like Cândido Portinari and Di Cavalcanti. The Palacete de Artes Rodin Bahia is another museum that deserves your visit, with four pieces of Rodin in its gardens and temporary exhibitions of modern and contemporary art.

Minas Gerais: This state has a lot of art to offer, starting with Inhotim, in Brumadinho. This contemporary art center started by Bernardo Paz houses one of the most important collections of our continent. It features artists like Olafur Eliasson, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Matthew Barney and Yayoi Kusama, and the interactivity is key to the experience over there. You shoul also go to Ouro Preto, a small city considered a national monument, full of religious Brazilian art.

São Paulo: Well, hello to our most cosmopolitan destination! São Paulo is full of museums and galleries, such as the Modern Art Museum (MAM), MASP, the Pinacoteca, the Tomie Ohtake Institute, the Museum of Image and Sound (MIS) and the Museum of Contemporary Art (MAC), to name a few. There’s art everywhere, even in the streets, sice its urban art is also potent. You have to go!

Rio de Janeiro: Let’s go to Niterói, where the Museum of Contemporary Art of Niterói stays. A building with a famous architecture designed by Oscar Niemeyer and recognized all over the country, featuring works by Hélio Oiticica and Tomie Ohtake, for example, besides a great view. In Rio, you can go to the CCBB, Casa Daros and Rio Museum of Art (MAR).

Rio Grande do Sul: Porto Alegre is full of options for those who enjoy a good museum, but two of them are a must go: the Modern Art Museum of Rio Grande do Sul (MARGS), with its huge collection, and the Iberê Camargo Foundation, which brings together works of the artist and contemporary exhibits. Keep an eye on its architecture and end this trip in an amazing way!

Fotos de Reynaldo Stavale, Fernando Vivas, Mirele Pacheco e divulgação

Virei Viral: Identidades e Coletividades

a new exhibit in rio about digital culture

Começou na semana passada a segunda edição do Virei Viral, projeto anual sobre a cultura do século XXI, marcada principalmente pelo digital. O tema deste ano, Identidades e Coletividades, é mais uma vez apresentado no CCBB, por meio de uma coletânea de obras que propõem um olhar fresco sobre o comportamento humano diante do mundo virtual e os efeitos da cibercultura no indivíduo e no coletivo.

Com curadoria do Estúdio M’Baraká, a exposição é interativa e abusa de jogo, toque e, claro, compartilhamento nas redes sociais, para incentivar a reflexão do visitante. O íntimo e o público são contrapostos na instalação PostSecret, onde é possível revelar os segredos mais íntimos e compará-los com o projeto original de Frank Warren. Já em Facebook Series, Bruno Veiga utiliza a estética plástica de personagens para simbolizar formas de representação online.

Se destacam as videoinstalações Miroir Miroir, onde Antonia Dias Leite critica a obsessão pela perfeição estética, e Iphone Me Iphone You, uma narrativa poética e muito sensível, construída por Marcus Faustini com todo o conteúdo pessoal de dois celulares. A mostra vai até o dia 22 de dezembro e conta com obras de 18 artistas espalhadas pelo prédio histórico do centro do Rio de Janeiro. Vai lá!

Virei Viral: Identidades e Coletividades

Ideia Original: Diogo Rezende Curadoria: Estúdio M’Baraká (Diogo Rezende, Isabel Seixas e Letícia Stallone) Quando: de 22/10 a 22/12 Onde: CCBB RJ (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro) Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h

ENGLISH

The second edition of Virei Viral began last week. The annual project investigates the culture of the 21st century, characterized by the presence of the digital in almost all spheres. This year’s theme is Identities and Collectivities, once again shown at CCBB, cultural center in Rio de Janeiro. The exhibition proposes a fresh look at human behavior in the virtual world and its effects on individuals and communities.

The curatorship by Estúdio M’Baraká explores interactivity, allowing games and sharing on social networks to encourage reflection. The intimate and the public are opposed in the installation PostSecret, where people can reveal their secrets and compare them with the original Frank Warren project. On the other hand, in Facebook Series, Bruno Veiga uses plastic characters to symbolize aesthetic forms of online representation.

The video installations Miroir Miroir and Iphone Me Iphone You stand out. The first one, by Antonia Dias Leite, criticizes the obsession with beauty and perfection. The second one, by Marcus Faustini, is a very poetic work made with the personal content of two cell phones. The exhibition features the work of 18 artists and runs from October 22th to December 22th, in a beautiful historic building downtown Rio.

Felipe Guga: refúgio na colagem

Felipe Guga nasceu em 1979, no Rio de Janeiro. Carioca frequentador da barraca do P.Q.D. (point de uma turma quente, no Arpoador), é designer de produtos pela PUC-Rio, ilustrador e dj, mas encontrou na colagem sua verdadeira paixão. Foi querendo variar um pouco do traço de suas ilustrações que Guga resolveu experimentar essa outra linguagem e, desde 2006, não larga a tesoura, a cola e as revistas de pelo menos cinco décadas atrás.

Guga já colaborou com marcas como Ausländer e Redley, entre outras. Suas colagens já foram expostas na Casa Dezinove, em parceria com Mari Liberali, e no espaço Comuna, numa mostra coletiva. De quebra, viraram uma abertura animada para o programa Na Moral, da Rede Globo, e agora o moço ganha uma exposição só sua, na galeria da multimarcas Q.GUAI, em Ipanema.

O evento aconteceu na última quinta-feira

Chamada Refúgio, a exposição convida o observador a encontrar o seu recanto, seja ele físico, mental ou espiritual. “A colagem tem esse conceito pra mim… o de me isolar do mundo, fazer o que eu gosto.”, diz Guga. Suas criações têm uma pegada surrealista e são sempre handmade, feitas com revistas dos anos 40, 50 e 60 (garimpadas em feiras, sebos e na internet), o que traz ainda mais bossa ao trabalho já super autoral.

Quando faço colagem eu me sinto à vontade, é quando eu realmente posso brincar

ENGLISH

Felipe Guga was born in 1979 in Rio de Janeiro. Habitué of a hotspot called “barraca do P.Q.D.”, in Arpoador beach, he’s a designer, illustrator and dj who found in collage his true passion. Seeking a different direction in his work, the artist decided to try this other language, and since 2006 he won’t leave his scissor, some glue and a lot of magazines from at least 5 decades ago behind.

Guga has contributed to Brazilian brands like Ausländer and Redley, among others. His collages have been exhibited at Casa Dezinove (in partnership with Mari Liberali) and Comuna (in a collective exhibition), both in Rio de Janeiro. They also became the opening of a famous TV show in Brazil called “Na Moral”. Now Guga wins his own exhibition, in the gallery of Q.GUAI store, in Ipanema.

Called Refúgio (hideaway), the exhibition invites the viewer to find his own quiet place, whether physical, mental or spiritual. “This is what collage means to me, isolating myself from the world, doing what I love”, says the artist. His art is a bit surreal and always handmade, thanks to magazines from the 40’s, 50’s and 60’s found in flea markets and second hand bookstores, which ensures its uniqueness.

Fotos de Marina Ribeiro e arte de Felipe Guga