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11 dicas para uma viagem inesquecível em Amsterdã


A Holanda é um país ainda desconhecido da maioria dos brasileiros. Sim, nós temos um voo direto operado pela KLM desde 1946 com frequências entre São Paulo e Rio de Janeiro para a capital Amsterdã (ou Amesterdão, como diriam os portugueses), mas quantas pessoas você realmente conhece que circularam pelo país e conhecem bem a Holanda?

Preciso confessar o quanto fiquei fascinado com a Holanda vista mais de perto e com calma. Estive lá a primeira vez em um mochilão aos 23 anos, em 2009. Fiquei apenas dois dias e não consegui fazer muita coisa além dos coffee shops, embora me lembre nitidamente da experiência de ficar muito chapado na casa de Anne Frank e ter sido inesquecível. Mas a Holanda vai bem além das garotas de programa, dos coffee shops e dos shows de sexo do Red Light District. Muito além.

O idioma holandês nem de longe é um problema, visto que a grande maioria dos holandeses fala inglês. Este dado é chocante, e ao mesmo tempo explica muito sobre a cultura holandesa. Os holandeses são os pais do neoliberalismo. Eles inventaram o comércio internacional e são super workaholics. Significa que eles fazem de tudo para facilitar o fluxo de dinheiro, seja desde um cafezinho até um container de exportação. Falar inglês é uma necessidade de sobrevivência para um país cuja língua-mãe é dominada por apenas poucas pessoas, em uma posição tão estratégica. Como bom estudante de idiomas que sou, fiquei louco para aprender.

A sensação que eu tive é que Amsterdã é a nova cidade perfeita da Europa para turismo. Na capital holandesa, esta pressão turismofóbica se descomprime com leveza e uma melhor recepção aos turistas. Entre a aspereza do serviço parisiense e a loucura veloz e apocalíptica de Londres, Amsterdã se situa como uma cidade que tem tudo o que você precisa: excelentes lojas, noitadas, parques, museus, e a proximidade das demais capitais, que estão a apenas 2-3h de trem, em média.

Fica a dica para quem está querendo visitar a Europa e quer fugir dos lugares mais batidos como Londres, Paris, Barcelona ou Roma, hoje mais saturadas do turismo.

Parques

A cidade tem vários parques incríveis, em dias de sol, o Oosterpark e o Willemspark são imbatíveis para curtir como os holandeses. Pegue sua bike, ache seu cantinho no gramado e faça o seu picnic com toda a tranquilidade do mundo. Viajei no outono e o cenário é mesmo um sonho, com as folhas acobreadas e avermelhadas pelo gramado. Paisagem raríssima para nós, brasileiros.

Albert-Heijn Supermarket

O supermercado Albert-Heijn é uma instituição holandesa! Ele está por todas as partes da cidade e para mim que sempre gostei de comida on-the-go (não à toa apresento um programa sobre marmitas, né, risos) virou meu lugar preferido para comer. Frutas, queijos, jamones ibéricos, sushis, antepastos, pães, saladas, sopas, sucos, tudo embalado individualmente, cortadinho, higienizado, pronto para comer. É o sonho de qualquer pessoa que viaja, ou mesmo mora só e tem preguiça de cozinhar. Fui todos os dias e sempre passava lá antes de qualquer picnic. Preços excelentes.



Museus

Amsterdã tem mais de 50 museus! No fim das contas, acabei indo apenas em um pequeno museu chamado Moco, na Museumsplein, esplanada onde ficam situados o Rijksmuseum, o “Louvre” da Holanda, e o Stedelijk Museum, o museu de arte contemporânea da cidade. Fui no Moco principalmente porque havia uma exposição de Bansky, quem eu adoro.

Este lance de ver museus é sempre uma contradição: não consigo ver mais do que um ou dois por dia, para poder decantar a arte com um pouco mais de calma. A minha lista de museus que eu não gostaria de ter deixado de ir, e que ficam mercadinhos para a próxima viagem: Van Gogh, Rijks, Stedelijk, Eye Museum, etc. Como eu já senti que me apaixonei pela cidade, vou querer voltar a Amsterdã várias vezes e posso vê-los no futuro! Lembrem-se: turismo é para se divertir e se inspirar, e não sair que nem um louco marcando check numa listinha de que foi lá e fez.

Daily Paper

Provavelmente a marca mais cool de streetwear de Amsterdã, para quem gosta de roupas com essa pegada meio skate/street urbana. Design minimal, excelentes formas, fotos de campanhas maravilhosas, lojas bacanas e staff lindo. Adorei ter descoberto essa crew, comprei uma camiseta e pochete.

Nine Streets

Sabemos que os brasileiros tem taquicardia quando chegam de uma H&M porque encontram tanta roupa barata num lugar só, mas é muito interessante ver a cena mais autoral de design holandesa. Há muitas marcas de produtos de design que vão além das roupas, como móveis, sapatos, objetos de decoração e a maioria delas se situa na região de compras da Nine Street, na região dos canais. Vale à pena conhecer.

De Pijp

Um casal de amigos meus atualmente mora em Amsterdã e nos últimos dias da viagem fiquei na casa deles no charmosíssimo bairro De Pijp (lê se Dê Páipe). É um bairro que está a 10 minutos dos canais de bicicleta, mas tem todo o charme e a tranquilidade de uma Amsterdã mais residencial e um pouco menos barulhenta. Acho uma dica muito boa de localização para quem curte mais AirBnBs do que hotéis. Ficar no Red Light District não é legal.

Coffee-Shops

Sim, a maconha é descriminalizada em Amsterdã e você pode comprar até 5 gramas da erva para fumar nos coffeeshops ou em casa. Fumar na rua é ilegal, embora vez por outra você sinta o cheiro de maconha na rua e não veja repressão policial acontecendo por isso.

O Coffee Shop mais famoso é o Bulldog, que tem quatro unidades na rua mais movimentada dos canais do Red Light District. É um ponto turístico obrigatório, mas há outros mais legais, como o Bagheera, em estilo neo-raver, e o BlueBird, que tem um astral bacana.

A maconha é muito mais forte e pura do que a que se consome no Brasil, comece devagar com variedades de sativa, que te deixam mais animado. O tipo indica é para quem é mais experiente e quer uma onda mais introspectiva.

Nos coffee shops não se bebe álcool: tome café, chá, água, refrigerante, e brise muito.

Amsterdam Dance Event

O AME (Amsterdam Dance Event) é um super festival de música que acontece em Outubro e durante todos os anos a cidade se transforma para receber artistas do mundo inteiro. A vibe é fantástica, os line-ups absurdos, os clubes enormes e cheios de pistas não-convencionais, iluminações malucas, soundsystems poderosos, enfim. AMS é uma das mecas mundiais da música eletrônica, fiquei de coração partido por não poder ficar mais tempo. Espero voltar na próxima!

Volkshotel

Muito bom, muito bonito e preço muito justo. O VolksHotel foi uma grande surpresa da viagem para mim. Imagine um prédio de oito andares com boate, café, coworking, restaurantes (no plural), ioga, rooftop, sauna, tudo com o design mais absurdo e milimetricamente conceitual.

O Volks é também divertido – o staff muito alegre e simpático faz a diferença, o café da manhã é um banquete, e os quartos são sensacionais. O meu tinha um telão enorme com Netflix, Chromecast, Youtube e tudo mais que um millenial pode desejar. Era tão bom que às vezes dava raiva de ter que sair pra rua. Um perigo. As diárias custam em média 90-100 euros.

Norte de Amsterdã

O Norte de Amsterdã é a ‘nova fronteira’ da cidade, um fenômeno tal qual o Brooklyn representou em Nova Iorque alguns anos atrás. A região é ligada ao centro de Amsterdã por um ferry boat gratuito que funciona 24 horas e liga as regiões em poucos minutos. Bicicletas são permitidas no ferry, é claro.

Lá no Norte descobri um dos lugares mais bacanas da cidade, o FC Hyena. Restaurante delicioso num armazém onde também funcionam duas salas de cinema com ótima programação. Lugar frequentado por millenials criativos, super ligados em moda, cultura, arte. Fiquei apaixonado por esse lugar, se morasse em AMS iria frequentar sempre. Quero voltar!

Alugar uma bicicleta

O metrô de Amsterdã funciona bem, os trams também, mas realmente não há comparação entre transitar de bicicleta como um bom amsterdamer. As ciclovias tem faixa dupla de ida e volta, a cidade é completamente organizada para o trânsito de bicicletas, a grande maioria do território é de planície, pedalar é seguro, prático, um bom exercício e é muito mais rápido do que ficar esperando o trem chegar.

O lado negativo é que não é muito barato: as locadoras de bicicleta se aproveitam um pouco do fato da cidade ser tão bicicletável e cobram em média 17 euros por dia para alugar um bike. Achei caro. Mas valeu cada centavo, acreditem.