Que desfile bárbaro [literalmente!] fez a Dolce & Gabbana

Protestos, protestos, protestos à parte, está acontecendo o Milão Fashion Week masculino e que coisa linda e impressionante foi o desfile da Dolce & Gabbana. Fiquei encantado com tanta coisa linda como não via há muito tempo em desfiles, e na hora convoquei meu especialista em desfiles Mateus Habib, que descreve para vocês. Ansioso para ver nas lojas, será que chega no Brasil?

Nesse último sábado, timelines, whatsapps e feeds do mundo da moda mudaram de tópico quando o assunto era Dolce and Gabbana. Depois de, na última quarta-feira, terem sido condenados à prisão por sonegar cerca de 1 bilhão de euros da marca, a dupla de estilistas presenteou seu público com um desfile masculino de tirar o fôlego. Inovador, provocativo e harmonioso, bem amarrado e extremamente inteligente, com as doses certas de inventividade e teatro, o resultado foi desejo imediato, ainda assim “macho, macho man”. Um exército de Deuses Gregos, prontos para um combate bárbaro, marchando em seus uniformes cheios de atitude, elegância e virilidade.

Se no último – e igualmente bem falado – inverno feminino vimos inspirações monásticas, trabalhadas com minúcia, verdade e poesia, recheada de referências bizantinas, essa vontade “antiga” se estendeu com louvor para o verão masculino. Tops oversized, dos mais esportivos aos do tipo “manto sagrado”, em contraponto com bottoms sequinhos, encheram os olhos dos rapazes cansados da mesmice, e chacoalharam uma passarela masculina até então acomodada às transparências e recortes, poás, listras e outros grafismos. Sem forçar a barra, sem bancar cool nem boyish, aqui a vontade é rústica, madura e elegante, repleta de referências do Velho Mundo – de moedas antigas à paisagens em ruínas e monumentos gregos. A referência à Grécia, diga-se de passagem, não só se limitou ao belo trabalho em estamparia digital, mas também fez jus ao casting de, literalmente, Deuses Gregos, dignos da seleção italiana de futebol. Dá pra entender: uma parte dos homens que desfilou não era de modelos agenciados, mas de homens comuns da Sicília – o sempre presente tempero siciliano que a marca traz temporada após temporada.

Bermudas e calças com listras verticais à la Beettlejuice, por aqui já banalizadas no guarda-roupas femininos, na Dolce and Gabbana ganham variações de cores e tecidos, em versões ultra sofisticadas e usáveis, como as que vem em tons de marrom – presentes em toda a equilibrada cartela do desfile. A alfaiaria, sempre acertada, bateu ponto em looks inacreditáveis, do indefectível branco da cabeça aos pés, até sua estilosíssima versão estampada. Sandalhões pesados de ráfia, firmes já há alguns verões, arremataram as apaixonantes composições.

Depois desse desfile, uma certeza: todo Deus Grego tem um pezinho na Itália. E, certamente, veste Dolce and Gabbana.

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