O trabalho sensível e autoral do fotógrafo Pedro Pedreira

Este é Pedro. Pedro Pedreira. Fotógrafo e artista visual de 25 anos que mora em Nova York, mas te alcança em qualquer lugar do mundo com as mais bonitas fotografias. O cara manda muito! E olha que ele começou a fotografar profissionalmente há relativamente pouco tempo: são 3 anos pra essa conta que começou de maneira meio espontânea, como ele mesmo garante. Foi ajudando a mãe com o marketing de sua marca feminina que Pedro começou a registrar, primeiro material de backstage e depois as campanhas propriamente ditas. Não demorou pra começar a trampar com moda aqui no Brasil, mas ele sentia falta de uma educação mais formal e foi aí que Nova York entrou na jogada.

“Vim pra Nova York estudar, fui bater na porta de uma escola chamada ICP (International Center of Photography) e encontrei um curso de um ano”, ele conta. O curso terminou no meio do ano passado e desde então Pedro segue na cidade trabalhando como freelancer e tocando seus projetos pessoais, que foram se desenvolvendo: “acho que foi nesses últimos 6 meses, já pós curso, que eu realmente comecei a tatear território artístico como forma de expressão e começar entender os significados da minha fotografia”, diz.

Pedro se afastou da moda, que hoje em dia funciona como mais um recurso, um elemento criativo, mas não como assunto principal, e foi fazer retratos. Ele fotografa homens, e usa de toda a sua sensibilidade para expor, nas suas fotos, a essência alheia, contextos, personalidades, histórias. “Acho que esse imaginário se construiu naturalmente, provavelmente pelo fato de eu ser gay. Apesar disso, eu não gosto de me classificar como um ‘queer artist’, pois a mensagem nas minhas imagens, apesar de falar de gênero, não têm a ver exclusivamente com o universo homossexual”. Pedro quer quebrar barreiras de masculinidade e equilibrar feminino e masculino, colocar o homem numa posição vulnerável e mostrar pra ele que isso também significa força.

Claro que pra essa troca acontecer com verdade ele precisa caprichar na abordagem, cuja base é a honestidade. “Estar bem é o primeiro passo pra eu poder lidar com o outro”, ele diz, ressaltando que é essencial também ter tempo para observar, trocar ideia, passar confiança pras pessoas. As sessões muitas vezes rolam com gente que Pedro acabou de conhecer e a intimidade vai se construindo ao longo do trabalho. “Você aprende a ler as pessoas, a chegar mais desarmado, a se abrir buscando a abertura do outro. A entrega tem que ser caminho de mão dupla”, explica.

Atualmente Pedro está com alguns corpos de trabalho, que transitam entre séries e pegadas mais fluidas dentro de seu universo. Isso quer dizer que ele tem tanto investido em registros específicos, de uma só pessoa dentro de contexto e período particular, quanto em trampos mais abrangentes, mais chegados à sua rotina e vivência. Algumas das fotos aqui na matéria, inclusive, são de seu próximo trabalho, que até o momento se chama “Soft Hands”. O negócio, de acordo com Pedro, é não parar! “Independente da finalidade de cada imagem, é importante sempre estar fotografando, é só aí que você consegue entender e moldar esses projetos mais longo prazo”. A dica é clara: segue o rapaz no Instagram pra ficar de olho nas suas novidades!

AS INSPIRAÇÕES DE PEDRO

Três artistas que admiro muito são Helmut Newton, Robert Mapplethorpe e Peter Hujar. Como inspirações, eles me ajudam a esclarecer as dúvidas que eu tenho na prática como artista. Como lidar com explorações, como talhar a própria identidade, como colocar o trabalho no mundo e assim por diante, tentar entender realmente o ofício, o caminho. Porque eles conceberam aquelas imagens da maneira que fizeram? Não deixaria de seguir um instinto porque algum deles já fez algo parecido, mas se inspirar é justamente traduzir a referência com sua própria visão. Esses ídolos, infelizmente, já morreram, se fosse mencionar um nome contemporâneo, dentre vários que acompanho mais recentemente, seria um garoto chamado Brett Lloyd, ele arrasa demais. E fora do contexto fotografia, acho que me inspiro muito na minha própria vivência, minha sexualidade aflorou muito em Nova York e acho que fiquei mais sensível. Concebo/percebo muitas imagens em momentos mais íntimos, em que posso observar as pessoas mais cruas, mais vulneráveis. Às vezes, aquele é o momento de capturar a foto, outras é um registro mental de alguma coisa que tento recriar depois.

Resumão da Casa de Criadores: saiba tudo que rolou na 41ª edição do evento

Ano após ano, edição após edição, a Casa de Criadores vem se confirmando como o espaço da experimentação e do ativismo na cena fashion brasileira. Sua 41ª edição, comemorativa de 20 anos do rolê, não foi diferente. Coleções para o Verão 2018 foram apresentadas na Oficina, em São Paulo, mostrando que a nova moda do país está sim preocupada com impactos ambientais, desconstrução de gêneros, representatividade, racismo e pautas LGBT. Nas passarelas que lançaram nomes como João Pimenta e Ronaldo Fraga vimos gente muito diversa representando as marcas, ao longo de cinco dias bombados de desfile. Aqui vai um resumão do que rolou pra você ficar por dentro!

08.05 SEGUNDA-FEIRA

Brechó Replay, Cemfreio, Fernando Cozendey, Filipe Freire, Rober Dagnani

O 1º dia do rolê juntou 5 estilistas: Brechó Replay e Diego Gama abriram a passarela com foco no empoderamento negro, enquanto Cemfreio trouxe referências quentes na coleção batizada de “Fogo na Babilônia”, com a trilha feita ao vivo por Pabllo Vittar. Fernando Cozendey surpreendeu ao trabalhar muito jeans e Felipe Freire estreou no evento, apostando em correntes nessa coleção. De quebra, rolou Rober Dognani, que investiu em produções all black.

09.05 TERÇA-FEIRA

Tarcísio Brandão, Felipe Fanaia, Weider Silveiro, Också, Ellias Kaleb

Na terça, Tarcísio Brandão chegou com tudo e resolveu explorar suas origens e sua história como estilista, trazendo tecidos de seu estoque e referências regionais. Felipe Fanaia brincou com o tema “Patricinhas de Beverly Hills” e abusou de alusões ao filme, passando pelas misturas de tecidos e padronagens típicas da época e do clássico. Weider Silveiro nos apresentou peças inspiradas na Espanha com o plus do upcycling e do jeans revisitado, enquanto a Också também quis relembrar a sua história ao trazer releituras de peças, que aparecem cada vez mais voltadas para a rua. Ellias Kaleb fez bordados como metáfora para o tempo em looks cheios de romantismo.

10.05 QUARTA-FEIRA

Diego Fávaro, Rafael Caetano, Alex Kazuo

No 3º dia da Casa, Diego Fávaro explorou o tema da depressão e de pedidos de ajuda tanto física quanto psicológica, inspirado por experiências próprias, na coleção “SOS”. O resultado de pegada streetwear e bem pop entregou as melhores pochetes da temporada. Rafael Caetano veio de universo queer, inspirado especialmente por “Kinky Boots” e “Priscilla: a Rainha do Deserto”. Alex Kazuo trouxe muitos looks pretos e referências do Japão em peças com reaproveitamento de tecidos. A abertura do dia ficou por conta do Projeto LAB, com Neriage por Rafaella Caniello, Acrvo, Rocio Canvas, Senplo, Caroline Funke, Renata Buzzo. Clica aqui pra saber as resenhas completas!

11.05 QUINTA-FEIRA

Isaac Silva, Ben, Igor Dadona, Karin Feller para Di Gaspi

Dia de muito “clôsy” na passarela com a Coleção de Isaac Silva em parceria com Magá Moura, claro, mega colorida e de pegada 80’s/90’s. Releituras de looks de praia com muito preto e branco e vibe modernosa foram vistas na coleção da Ben de Leandro Benites. Igor Dadona trouxe uma alfaiataria noturna e rolou ainda Karin Feller para a Di Gaspi, que homenageou o Brasil do concreto à Mata Atlântica.

12.05 SEXTA-FEIRA

Ale Brito, Heloisa Faria, Mrtns, Fila por Der Metropol

O último dia de Casa de Criadores apresentou Ale Brito, que super explorou a tendência do oversized em alfaiataria, Heloisa Faria, que se inspirou nos encontros e desencontros da vida e misturou cores, tecidos naturais e fluidos, a Mrtns e sua trupe de party people em looks da virada dos 70’s pros 80’s e a Fila por Der Metropol, que fechou a noite com inspiração no hip-hop e coleção preciosista, mas sem exageros.

Se tem uma dica amiga da moda brasileira que a gente dá, é a de ficar de olho nas marcas e estilistas que desfilam na Casa de Criadores! Cada vez mais ousados e fora da caixinha, é de dar gosto de ver. Quais foram as suas coleções preferidas? Conta pra gente!

AHLMA: nova marca de André Carvalhal coloca a moda com propósito em prática

Para acalentar os corações meio carentes de marcas alinhadas com propósitos que vão além do óbvio nasceu, nessa semana, a AHLMA, mais novo projeto do multitask André Carvalhal, autor dos livros “A Moda Imita a Vida” e “Moda Com Propósito” (duas leituras recomendadíssimas aos interessados no assunto, por sinal) e co-fundador da Malha, espaço colaborativo mara no Rio de Janeiro. Oficialmente lançada no dia 10, a AHLMA é uma marca de roupas, mas, como tudo que André costuma produzir, não só isso.

Evocando as energias da lua cheia, a AHLMA chega com vibes místicas e sustenta que a moda é a potência e a ferramenta para defender o que se acredita. Construída coletivamente, a marca se define como eixo de co-criação e promete fazer roupa enquanto reflete sobre consumo, indústria têxtil e os caminhos pra mudar nosso jeito de se relacionar com essas questões. Pretensiosos da melhor maneira! A gente volta e meia conversa por aqui sobre novas formas de fazer, consumir e pensar moda. Elas existem e têm mais é que ser postas em prática!

As propostas da nova brand se fazem verdade por meio de diferentes processos que abrangem de uma comunidade de parceiros, produtores e fornecedores engajados à comunicação, que deve ser bem transparente. Além disso, rola o O.V.N.E., “Onda Virtual da Nova Era”, que é um canal de conteúdo desenvolvido pelo The Summer Hunter e que traz reportagens, fotos, matérias, vídeos e entrevistas aprofundadas e cheias de qualidade; vale muito acompanhar.

Estamos animados com esse lançamento, deu pra ver, né? Agora é seguir acompanhando os desdobramentos dessa AHLMA!

Aconchego, acolhimento, tempo para si: o Hygge é o jeitinho dinamarquês de ser feliz

A Dinamarca, monarquia escandinava com 5,7 milhões de habitantes, se mantém entre os dez países mais felizes do mundo, de acordo com ranking feito pela ONU desde 2012. O país já esteve em primeiro lugar e, em 2017, ficou como segundo colocado, perdendo apenas para a Noruega. Qual será o segredo de tamanha satisfação de seu povo? Talvez, além da ótima qualidade de vida, o mistério esteja num tal de “hygge”, conceito totalmente dinamarquês sem tradução exata, mas que evoca a ideia de bem-estar por meio de ações do dia a dia que podem ser adotadas por qualquer um.

De pronúncia “hu-ga” e tendo aparecido pela primeira vez no século 19, “hygge” se tornou um estilo de vida que preza pelo conforto, pelo lar quentinho, pelas horas compartilhadas com quem se ama… É difícil de traduzir, talvez seja mais para se sentir, mas vem abarcando cada vez mais adeptos mundo afora. “Hygge” é se permitir momentos de lazer sem se privar de nada, sem se castigar. É aconchego, acolhimento, uma atitude diante da vida que é abraçada pelos dinamarqueses independente de sua classe social, pois necessita de pouco para acontecer.

Uma das explicações mais plausíveis para o surgimento desse jeito de encarar a vida vem do fato de a Dinamarca sofrer de invernos muito severos, extremamente frios e longos, quando as horas de sol chegam a ser apenas quatro. Com isso, os dinamarqueses passam muito tempo em ambientes fechados, e “truques” foram sendo desenvolvidos para tornar esses momentos bem gostosos: você pode aproveitar um banho quente de banheira enquanto degusta uma bela cerveja, dividir um bolo ou café com a família, acender algumas velas no seu ambiente de trabalho, criar um cantinho bem macio e de iluminação acolhedora para ler algo de que goste… E assim por diante. Percebe? Não existem regras propriamente ditas, mas esse jeito de deixar a rotina mais especial, o que faz bem para a alma.

Mas o inverno já não é mais “desculpa” para que se coloque “hygge” em prática. Já é um hábito que independe do tempo ruim e que vem sendo exportado para outros países. Nós também podemos colocar o rolê em prática, apesar de sermos privilegiados com um clima quente a maior parte do ano. Nos Estados Unidos já existem restaurantes e outros negócios que exploram esse conceito, e uma vez entendendo melhor como ele funciona, vai dizer que não dá vontade de adotar também?

Se, assim como a gente, você ficou com vontade de fomentar esse concept, tenha em mente que funciona melhor quando o espaço onde você está não é muito grande ou vazio. Pense sempre na ideia de aconchego e procure relaxar, se sentir acolhido, desencanar das tretas da vida por pelo menos algum tempinho do seu dia. O que você costuma fazer que te deixa assim?

Cara gente branca: já passou da hora de assistir a Dear White People

Caro amigo, cara amiga, cara gente: se vocês ainda não assistiram a “Dear White People”, nova série da Netflix lançada no dia 28 de abril, bem… o que estão esperando? Baseada no filme homônimo de 2014 de Justin Simien, a série satiriza a ideia de América “pós-racial” ao acompanhar um grupo de estudantes negros e suas tensões, desafios, dores e delícias como frequentadores de uma universidade de elite tipicamente americana, ou seja, muito branca.

De pegada inteligentíssima e extremamente envolvente, a série nos convida a mergulhar nos universos desses personagens de um jeito profundo para entender com mais clareza e uma série de exemplos práticos como o racismo segue vivo, firme e forte em nossa sociedade, se apresentando tanto por meio de macro quanto de microagressões. Aliás, um dos episódios, talvez o mais forte, é realizado pelo Barry Jenkins, o diretor de Moonlight.

Apesar de se passar num ambiente tipicamente americano, é extremamente fácil se relacionar com Dear White People e trazer muitas de suas situações à nossa realidade brasileira, e isso tanto para negros quanto para brancos — que verão na série um espelho de suas atitudes de racismo velado e explícito. Um dos debates em torno do lançamento da série diz respeito ao fato de pouco ter sido dito sobre a mesma na internet, ao contrário de “13 Reasons Why”, que causou comoção na web e motivou muitos textos do tipo “eu sou um dos porquês” ou “como não ser um porquê”. Afinal, por que não nos engajamos da mesma maneira quando vemos uma série que nos mostra como o racismo deprime, exclui, violenta e mata?

Uma das coisas mais legais de “Dear White People” é que ela vai fundo na construção de seus personagens e na demonstração da existência negra e de como ela é diversa. Sobre isso a gente recomenda muito que vocês assistam ao vídeo da youtuber Nátaly Neri falando sobre o assunto em seu canal “Afros e Afins”, afinal Nátaly é negra e tem todo o respaldo para nos contar sobre como é isso. No vídeo, ela chama atenção para as mais variadas possibilidades de existência do corpo negro, para a mania que alguns têm de resumir essa existência a uma coisa só e para como a série mostra isso com maestria. Aliás, longe de querer roubar qualquer lugar de fala, nós só queríamos recomendar fortemente “Dear White People” a todos, já que a série foi um forte tapa nas nossas caras pálidas.

Se você quer entender mais sobre racismo estrutural, colorismo, a solidão da mulher negra, estereótipos, violência policial, a importância da estética negra e do seu empoderamento, apropriação cultural, relacionamentos interraciais e o mito do racismo reverso (racismo reverso NÃO EXISTE! Racismo é uma opressão conjuntural e o negro simplesmente não tem o poder institucional para ser opressor com o branco, é uma questão histórica que não se resume ao seu exemplo como indivíduo branco), assista a essa série.

Vale lembrar que quando a Netflix soltou um teaser da série (com a personagem Sam falando para brancos sobre como blackface não é aceitável e existem dezenas de outras fantasias aceitáveis para serem usadas no Halloween) houve a maior treta e muita gente boicotou o serviço de streaming e acusou a série de racismo reverso, o que só nos mostra o quanto ela é necessária e super precisa.

E aqui vão mais dois links muito legais sobre “Dear White People”:

Dear White People e o silêncio ensurdecedor da internet – Gabriela Moura

Os temas importantíssimos de Dear White People – Carolina Moreira

Festival Bananada: saiba mais sobre o rolê que vai agitar Goiânia em maio

Sabe aqueles festivais sobre os quais dá até orgulho de escrever? Um fomento brasileiro que chega pra valorizar o que a gente tem de melhor não só em termos de música, e ainda traz atrações internacionais, tudo com preços muito camaradas e pegada inclusiva. Pois esse rolê é real e se chama Bananada, um festival multicultural que há 19 anos (uau!) bomba os meses de maio da cidade de Goiânia com atrações das mais diversas que se espalham por diferentes espaços da cidade.

Esse ano o Bananada vem com mais força ainda! Depois de sua edição de mais sucesso em 2016, com 83 atrações musicais e mais de 100 horas de música, chegou a hora do festival ir além. Entre 8 e 14 de maio serão 100 atrações ocupando diferentes pontos da cidade. Nomes como BaianaSystem, Os Mutantes, Céu, Mano Brown, Liniker, Selvagem, Black Drawing Chalks e muitos outros subirão aos palcos pra agitar a galere. Um concept é um concept, né mores?!

Outra coisa massa do Bananada é que ele não se resume a música: tem artes, gastronomia, skate, tatuagem e moda, numa inter-relação de movimentos culturais de dar inveja em festivais gringos e tudo. Pratos especiais serão feitos em 28 bares e restaurantes parceiros ao longo do festival, haverá o Goiânia Crew Atack, fomento de skate com competições que foi incorporado ao Bananada em 2014 e segue forte, a Blackbook, programação de Artes Visuais que já rola há cinco anos, além de muito mais coisa foda.

É tanta coisa que é obrigatório consultar a programação pra se organizar direitinho e não perder nada do que quiser. Clica aqui e já monta sua planilha kkk.

Só vamo, né nom? Pra quem animou, os ingressos estão custando entre R$ 45,00 (avulsos) e R$ 120,00 (passaporte para o fim de semana), mas tem que correr, porque tá tudo esgotando rapidão. Dá pra comprar pelo site. NOS VEMOS LÁ?