O que muda para a Geração Y com a Reforma Previdenciária

A não ser que você tenha passado os últimos tempos em outro planeta e com zero acesso às informações de terras brasileiras, você sabe que andamos vivendo tempos polêmicos e politicamente dicotômicos e confusos, né? Muito disso se deve à proposta de reforma da previdência, trazida a nós pelo presidente Michel (Fora) Temer. Mas o que muda, de fato, com a reforma, especificamente para nós da Geração Y?

Sim, nós, os nascidos mais ou menos entre 1978 e 1990, no geral ainda jovens contribuintes, muitos dos quais nunca ou muito pouco contribuíram com o INSS porque estavam investindo em trabalhos alternativos, em sobreviver como freela, em viver das coisas que a natureza dá e afins… De que forma somos impactados, então? A gente sabe que esse papo é meio chato, mas vamo encarar a vida adulta e falar rapidinho sobre isso. Aliás, pra ser contra e ir às ruas em manifestação é importante entendermos minimamente do que estamos falando!

Agora vamos lá, o que vai acontecer se a reforma for aprovada?

A idade mínima de aposentadoria será de 65 anos para homens e mulheres.

Tempo mínimo de contribuição de 25 anos.

Para receber o valor integral do benefício, no entanto, o trabalhador precisará ter contribuído com o INSS durante 49 anos!

Atualmente não há idade mínima para se aposentar, sendo que mulheres podem solicitar o benefício com 30 anos de contribuição e homens com 35. Já o valor integral depende de um sistema de pontos aprovado em 2015, que deve somar 85 pontos para as mulheres (30 anos de contribuição + 55 anos de idade) e 95 pontos para os homens (35 anos de contribuição + 60 anos de idade). Os trabalhadores rurais também se dão mal: antes eles podiam se aposentar com 55 anos (mulheres) e 60 anos (homens), comprovando 15 anos de contribuição. Com a reforma, passam a dever 25 anos de contribuição e ambos têm que ter idade mínima de 65 anos.

Obs: para os militares nada muda. O Governo diz que as mudanças serão decididas depois da reforma, respeitando as “peculiaridades da carreira”.

A coisa tá resumida pra ficar mais clara, mas deu pra entender mais ou menos?

De acordo com o governo, essas mudanças são necessárias para equilibrar as contas da União, entendendo que temos uma sociedade em processo de envelhecimento, o que deixará a situação insustentável dentro de alguns anos. Acontece que as críticas são inúmeras e se pautam especialmente no fato de que essas regras não levam em consideração as peculiaridades do povo brasileiro em cada lugar… Enfim, o buraco é mais embaixo mesmo. Lembrando que todas essas mudanças valerão integralmente para mulheres com menos de 45 anos e homens com menos de 50 anos. Acima dessas idades a regra vai do que é conhecido como “pedágio” até os direitos integralmente garantidos como são hoje.

“Beleza campeão, e eu com isso?” Bem, se você é da Geração Y, isso significa que a mudança te afeta completamente. Assim sendo, se você nunca contribuiu com o INSS na vida, leve em consideração que você precisa contribuir no mínimo durante 25 anos para conseguir se aposentar aos 65, sendo que você precisa contribuir durante 49 anos para receber o benefício integral. Lembrando que o que vale é o tempo de contribuição e não o tempo de trabalho! Você contribui ou já contribuiu com a previdência? Tá na hora de começar a fazer essas contas.

É válido também levar em consideração o nosso comportamento como grupo. Somos notadamente uma panelinha de jovens que estão meio que cagando para a previdência, e isso tem pesquisa que diz. E com essa reforma, teremos que trabalhar bem mais CONTRIBUINDO com o INSS para termos uma aposentadoria razoável. A gente odeia pensar nisso, somos a geração do “viver o agora e depois eu me preocupo”, mas lá na frente as chances de você conseguir se organizar para ter uma velhice confortável são pequenas, hein!

E o que fazer? Que tal começar a pensar mais seriamente sobre o assunto? Comece lendo mais e se aprofundando no tema, que é cheio de poréns e detalhes e super ramificado. Depois, pense na sua situação pessoal como contribuinte, na sua idade, nos seus planos futuros, e busque entender a melhor saída. Lembrando também que existe a previdência privada como opção especialmente para aqueles que não trabalham no regime CLT, mas querem fazer seu pé de meia.

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