Meninos de trinta

Eles são um tipo cada vez mais comum. Donos de impérios recém conquistados e da muitíssimo aspirada liberdade, os meninos de trinta mantêm o ar despreocupado da adolescência, temperado ao charme dos, às vezes, fios de cabelos brancos que emprestam um ar irresistível de maturidade.

Estão espalhados em todas as esferas. Andam sempre acompanhados de um grupo de outros meninos de trinta, um provável lote de garotas lindíssimas e, em alguns casos, têm um cachorro ou gato que servem de alento quando a casa fica vazia.

Os meninos de trinta são uma espécie nova. Já passaram há algum tempo da fase garotão mas parece que correm contra o tempo antes que entrem no quadrado dos tiozinhos. Calm down, boys. A vida é breve mas vocês deram a sorte de se tornarem pessoas cada vez mais interessantes, com o passar dos anos. Pra quê tanta pressa?

Tudo bem que a vida já correu certo trecho. OK se você agora tem sua casa, o carro do ano, um cargo legal na empresa onde todas as estagiárias querem dar pra você mas não precisa dessa euforia – e cuidado com as estagiárias. As mulheres do mundo não vão acabar, vocês já deveriam saber.

E tudo bem. Eu respeito a sua coleção de pokes no Facebook e acho engraçada a sua lista telefônica cheia de adjetivos ou lugares que ajudam a lembrar de onde vêm as fulanas com quem você troca mensagens de Whatsapp. E antes que você me interprete como uma balzaquiana reclamona, pode parar. Ainda faltam uns anos para isso e meus melhores amigos são meninos de trinta.

Criaturas fantásticas que conversam sobre tudo, dividem as melhores cervejas mas continuam com medo de mulher muito independente. Jogam videogame e jantam Cup Noodles mas procuram saber quais são as últimas novidades do cinema francês, que é para o xaveco colar melhor.

Seres igualmente adoráveis e intrigantes. Caras realmente incríveis a quem eu não apresentaria nenhuma das minhas amigas.

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