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Diário de Viagem: Manaus e Floresta Amazônica

Eu tinha essa dívida forte com meu roteiro de viagens: nunca havia pisado em solo amazônico. Apesar de já ter passado uma longa temporada no Acre, como repórter da TV Brasil, e muitas viagens ao Pará, no Amazonas propriamente dito ainda não tivera a chance. Caso resolvido com o convite do SEBRAE/AM para ministrar minha palestra sobre Comunicação, Moda & Internet na cidade. Para completar, levei minha mãe como acompanhante para passarmos uns dias na capital amazonense, seguidos de uma incursão pelo arquipélago de Anavilhanas, a 200km de Manaus. Delícia.

MANAUS Tivemos cerca de dois dias na cidade, o suficiente para fazer um bom roteiro sem muita pressa. Vamos aos pontos altos:

de repente amazonas, boa tarde manaus! uma saúva de entrada quem vai? tem gosto de erva cidreira 🌿

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RESTAURANTE BANZEIRO A boa é comer no Restaurante Banzeiro, talvez um dos mais premiados da cidade, onde servem Pirarucus e Tucunarés a torto e a direito. O caldinho de tucunaré ao chegar é uma cortesia, e uma gentileza local, e todo mundo prova a entrada com purê de mandioquinha e saúvas, que tem gosto de erva-cidreira. Vale pelo exótico, mas é um prazer efêmero, porque a formiga é minúscula, risos.

Theatro Amazonas, templo da Amazônia. Visita obrigatória em Manaus. Luxo danado 👑 #CaionaEstrada #Manaus

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TEATRO AMAZONAS O verdadeiro templo amazônico depois da floresta. Pensar que construíram um teatro tão suntuoso e lindo no começo dos anos 1900, auge do período da riqueza da borracha, em uma obra que demorou 13 anos para ficar pronta e deixou um palácio das artes que explode luxo em cada olhar. A arquitetura, os afrescos, o salão nobre, é tudo lindo demais. Vale a pena fazer a visita guiada, que é super rápida e dá um panorama geral sobre a história do Amazonas.

LOJA BRASIL ORIGINAL A Brasil Original é uma loja criada pelo SEBRAE em um projeto que ajuda os artesãos amazônicos a unirem design em suas criações e desenvolverem produtos sustentáveis, lindos e com um propósito mais comercial. Já que estamos na Amazônia, estamos falando de aldeias indígenas super vulneráveis e que aproveitam a chance para encontrar um caminho mais leve no encontro com o capitalismo. Amei este projeto, comprei pulseiras lindas. Preços super justos, fica no Amazonas Shopping.

ENCONTRO DAS ÁGUAS + PASSEIO DE BARCO PELO RIO AMAZONAS Aula de geografia da sexta série, lembra? O Rio Negro se junta com o Rio Solimões para formar o Rio Amazonas, causando o fenômeno encontro das águas, onde as águas não conseguem se juntar por diferenças de densidade, velocidade, temperatura e outros fatores. Na verdade este foi um episódio triste da minha viagem com a morte do drone Patrícia, que caiu em cheio nas águas. Uma das hélices voou, o drone perdeu o controle e sequer boiou, afundou direto no rio. Ficou a lição de nunca subestimar a força amazônica, que geralmente é recorrente em destruir equipamentos. Procure saber.

HOTEL VILLA AMAZÔNIA Um tesouro a apenas 70 metros do Teatro Amazonas, este hotel foi um achado incrível. Fica em um casarão histórico todo renovado, com piscina de pedra natural, mobiliário insuportavelmente lindo, como cômodas centenárias e cadeiras Sérgio Rodrigues, um café da manhã farto e com frutas regionais, e quartos cheirando a novo. Tem também um bistrô que não cheguei a provar, mas pedi room service algumas vezes e estava sempre delicioso. Super recomendo.

Imersão completa amazônica, também na literatura, salve Hatoum

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LIVRARIA DO JOAQUIM Bem do ladinho do Teatro Amazonas há um quiosque ma-ra-vi-lho-so com um raríssimo acervo de livros amazônicos e nacionais. Joaquim Melo é o livreiro responsável pela loja, especialista em historiografia da amazônia e mestre em sociedade e cultura na Amazônia. Uma figura super interessante para se bater um papo sobre literatura amazônica e brasileira, é claro. Eu e minha mãe ficamos quase uma hora conversando com ele, compramos um dicionário incrível de tupi-nheengatu e uns livros de Milton Hatoum. Quem gostar de literatura vai pirar.

por Tricia Vieira

ORLA DE PONTA NEGRA Ponta Negra é um bairro em Manaus com um quê de Barra da Tijuca, com uns prédios residenciais de luxo na orla. É bem interessante conhecer a orla de rio, revitalizada para o Copa do Mundo 2014, e de repente tomar um banho na praia do Rio Negro. Aproveitei para correr um pouco na viagem, tem um espaço legal para soltar as pernas. Depois da corrida, tomar um açaí no Waku Sese, o lugar mais recomendado pelos locais para tomar um bom açaí sem xarope de guaraná!

SELVA AMAZÔNICA: ANAVILHANAS JUNGLE LODGE

Procurando meu Macunaíma nas águas do Rio Negro @anavilhanaslodge

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O Anavilhanas é um capítulo à parte na Amazônia e traduz bem o conceito contemporâneo do que é o luxo distinto. Imagine um hotel dentro da mata, às margens do Rio Negro, com vários chalés com varandas de vidro, rede, ar condicionado split para enfrentar o calorão, camas box, tv a cabo e tudo o mais. Foi minha primeira vez ~acampando como fazem os ricos~ e confesso que gostei.

O Anavilhanas foi criado há uns 10 anos para preencher uma lacuna turística que acontecia no Amazonas: o turista ia até Manaus mas não conseguia montar um roteiro bacana pela selva pela falta de estrutura in loco. Pensando nisso, Guto e Fabi (que conheci, são super simpáticos e conversadores) se juntaram para construir este sonho no meio da Selva – um lugar que pudesse acolher os turistas com conforto e servisse como base para pequenas explorações pela floresta.

Eis que o Anavilhanas Jungle Lodge começou de mansinho mas ganhou um empurrão midiático importante: um perfil no New York Times escrito pelo jornalista Larry Rother (vocês lembram que esse foi o cara que escreveu que Lula era um álcoolatra?). A matéria é de 2007 e de lá pra cá o Anavilhanas evoluiu bastante. Hoje recebe gringos de todas as partes do mundo: durante a minha estadia estavam japoneses, alemães, americanos e franceses. Aliás, a Amazônia ainda é mais visitada por gringos do que por nós mesmos brasileiros.

coisa marlinda o boto-cor-de-rosa 💕 eles são enormes, fiquei de face @anavilhanaslodge

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Há pacotes com duração de 3 até 6 dias e as atividades são trilhas pela floresta, passeios de barco pelos igarapés e paranás para observação de animais, visita ao santuário dos botos, pesca de piranhas, e claro muito descanso e banho de rio. Os passeios não são nada hardcore, minha mãe que tem 63 anos conseguiu fazer tudo numa boa. É mesmo um lugar de descanso: que tal na sua próxima viagem, ao invés de ir mais uma vez a uma praia, se refrescar no Rio Negro? Aliás, um ponto positivo do Rio Negro é que ele tem menos mosquitos que seu irmão Solimões, por exemplo, por conta da acidez da água e outros fatores. Mas sempre bom levar repelente e tomar a vacina de febre amarela, é claro.

Férias em Cuba: roteiro, onde ficar, o que fazer

Visto Para Cuba

O visto para Cuba é necessário, mas é possível comprá-lo no aeroporto, e evitar a função de comparecer ao consulado ou mandar o passaporte por correio à Embaixada no Brasil. Se você viaja por Copa Airlines, vai precisar fazer uma conexão no Panamá e lá mesmo eles vendem, no check-in. Se você viaja pela Aeroméxico, também pode comprá-lo em Mexico City. Para as demais companhias, melhor verificar antes de viajar! Custa 20 dólares.

Como Chegar

As duas opções mais fáceis são com a Copa Airlines, que tem voos de várias cidades do Brasil (SP, Rio, POA, Recife, Brasília) até a Cidade do Panamá, onde você pega uma conexão até Havana. A Copa normalmente tem ótimo preços e as conexões são rápidas. No meu caso eu usei milhas até a Cidade do México (35.000, super promoção) e paguei o voo de Aeroméxico até Havana, custou uns R$ 1.500.

Câmbio e Táxi

Troque todo seu dinheiro no aeroporto, pois é a melhor cotação da cidade. É a cotação oficial do Banco Central Cubano (lembre-se que é tudo tabelado). A boa é levar euros, e não dólares, pois os dólares são sobretaxados em Cuba. Do aeroporto até o hotel/casa de família espere gastar 25 CUCs, é praticamente tabelado, não pague mais, mas não espere pagar menos. Táxi comum amarelo, os táxis vintage custam mais caro, sobretudo no aeroporto.


Havana Vieja é o centro antigão da cidade, uma mistura de destruição e sítio histórico onde se percorre tudo a pé e nos bicitáxis (táxis improvisados em bicicletas com carrocinhas que levam até duas pessoas) e hoje bastante turística. Catedrais, praças, restaurantes, lojas de souvenir.

Os bares clássicos de La Habana

Visita obrigatória no La Floridita, onde Hemingway tomava seu daiquiri. Mega turístico, mas é um daqueles lugares que tem que ir pra fazer uma foto. Em lugares como o La Floridita sempre entram músicos e começam a tocar a música tradicional cubana, são super talentosos, aproveite. No final, passam o chapeu para você dar uma gorjeta: não seja mão de vaca. 😃 Outro point de Hemingway é a ‘La Bodeguita del Medio’, onde ele tomava seu mojito, mas todo mundo fala que a comida é bem fraca então acabei só passando na frente, sem dar muita atenção.

Passear sem rumo pelas ruas da cidade antiga. Para os amantes de arte, o Museu Nacional de Bellas Artes é uma opção, a parte de arte cubana é bem interessante. Adorei a feirinha da Plaza Vieja, com muitos posters de filmes clássicos cubanos, literatura latino-americana e relógios soviéticos. Entre em tudo sem medo: é muito interessante entrar em qualquer lugar que tenha escrito ‘aquí se paga con moneda nacional’, o peso cubano, pois lá rola a Cuba de verdade. Fiquei de cara com um mercado onde os cubanos faziam suas compras da semana, com a caderneta socialista, onde fiquei horas conversando com o ‘gerente’ sobre a situação de Cuba e como anda o socialismo. Viajar é pra essas coisas. Ah, e La Habana, apesar de meio ‘escura’ é super segura!

COMIDA‘O Reilly 304 e 309: não é um lugar de comida tipicamente cubana, mas de cozinha internacional deliciosa. São dois bares, um em frente ao outro. Ceviche, tacos de lagosta, e um daiquiri de manga incrível. Daiquiri é uma bebida bem típica caribenha, que mistura rum, suco de frutas e vem num copinho hipster. Um dos melhores drinks da viagem, sem dúvida. Já dá pra conhecer uns turistas legais, o staff é lindo.

El Chanchullero: restaurante/bar super animado com um Ropa Vieja (o típico feijão-com-arroz-e-carne-assada-cubano) delicioso e muito bem servido. Eu amei as paredes e a decoração deste lugar, com frases anti-revolucionárias, claramente operado com jovens que não estão tão contentes assim com o sistema comunista.

Uma visita obrigatória é a Fábrica de Arte Cubano, um novo espaço imenso de arte contemporânea de Cuba, onde rolam exposições, DJS, performances, shows, e tudo o mais. É ‘o pico’de Havana. Infelizmente quando fomos estavam trocando as exposições e a FAC estava fechada (ela só abre de quinta a domingo, então você precisa se programar bem), mas o restaurante que fica no topo vale muito a visita, rola uma balada por lá.

Show do Buena Vista Social Club

Fomos buscar um lugar para curtir a noite na terça-feira, e um taxista acabou nos levando no show do ‘Buena Vista Social Club’, que sinceramente parece um show de cruzeiro. Me pergunto se havia mesmo algum componente original do Buena Vista por ali, talvez um ou dois. Meio cafona, mas se não tiver outra opção, vá para ouvir boa música, porque no fim das contas tem muita qualidade, e é divertido. 30 CUCs. A boa mesmo é ir no ‘Casa de La Música’, que tem bem menos turistas e a galera local.

City Tour em carro vintage

Você certamente vai ficar fascinado com os carros dos anos 50 que dominam o cenário de Havana e vai querer andar em algum deles. A carcaça é original, mas os motores estão tunados, portanto, andam super bem. É um passeio bem divertido e que rende ótimas fotos. O Parque da Cidade, ao lado do Capitólio, é um bom point para negociar com os cubanos, custa em média 30 CUCS por hora.

Eles te levam para um city-tour por pontos importantes da cidade, como a Plaza de La Revolución, onde estão as imagens míticas de Che Guevara e Camilo Cienfuegos, herois da revolução, e outros points da cidade. Antes de escolher o carro converse muito com eles para ver quem são os mais divertidos e falantes, porque faz toda a diferença.


No meio do entra-e-sai das locadoras de carro, visitamos o Hotel Nacional, o Copacabana Palace de Havana. Para entrar, você paga 5 CUCs, que se converte em um drink. É realmente lindo e tem o ‘bar dos mafiosos’, um bar super clássico onde você toma o Mojito de La Mafia, que foi o melhor da viagem: eles misturam rum Añejo Especial (mais escuro) com rum normal. Delícia.


Com o carro na mão, fomos passar o fim de tarde na zona de Vedado, outro bairro super importante da cidade, onde acontece a Havana de ‘hoje em dia’. Parada obrigatória na sorveteria Coppelia, cenário do filme clássico ‘Fresa y Chocolate’. Leve pesos cubanos e fique na fila dos cubanos, se você só tiver CUCS, eles vão te direcionar para a área turística, onde você pagará uma fortuna por uma bola de sorvete. Aliás, a Coppelia é mais pelo astral mesmo porque o sorvete é pura gordura hidrogenada.

Ao lado de Havana: Playas del Este

Depois, à tarde, partimos para a Playa Santa María, no mesmo carro conversível, a 30-40 minutos de Havana, pra começar a curtir o mar caribenho. Água cristalina e o primeiro batismo nas piscinas caribenhas.

O grande perrengue que foi alugar um carro

Alugar um carro é maravilhoso porque quem gosta de dirigir se diverte na estrada parando nos lugares, fazendo fotos únicas, conversando com os cubanos, ouvindo as playlists, enfim. Além de que no nosso caso foi bem necesário porque estávamos cheios de malas, equipamentos, drones, e não dá pra ficar entrando e saindo da rodoviária carregando um montão de coisas.

Só que ninguém avisou que para garantir um carro você precisa reservar com no mínimo 30 dias de antecedência. Perdemos o dia inteiro indo a todas as locadoras, que ficam dentro dos hoteis, até conseguir um carro por volta das 16h, depois de muito chororô. Não é barato, cerca de 80 CUCs por dia, mas foi o preço necessário pra nossa independência. As locadoras são estatizadas, como tudo em Cuba. Conseguimos na do Hotel Sevilla, fica a dica. Valeu muito à pena.

Pé na Estrada para Trinidad

Dia para finalmente pegar a estrada para Trinidad, cidade colonial e parada obrigatória entre todos os turistas que passam por Cuba. No caminho, fizemos uma parada maravilhosa na costa entre Playa Larga e Playa Giron. O estresse pra alugar o carro já valeu à pena pelas praias desertíssimas em que paramos, com uma mistura incrível de piscinas naturais verdes e azuis.

Trinidad é o máximo, vale muito à pena. Havana é incrível mas pode ser bem estressante aquele pede-pede dos cubanos e o ter-que-ficar-o-tempo-inteiro-dizendo-não. Imagine que Trinidad é uma cidade como Paraty, Olinda, ou Ouro Preto. Umas mansões coloniais absurdas, as ruas de pedras antigas, todo mundo andando a pé, restaurantes e bares cheios de mochileiros, e uma praça central onde rola todo o bafo: shows de salsa, vendedores de mojito, um fervo. Fizemos uns bons amigos espanhois e fomos parar na boate La Cueva, a música era bem comercial com muito reggaeton, mas é o point da galera.

Hospedagem: ficamos no Hostal Eilynn na Calle Maceo #700, em frente ao Hostal Colina. 30 CUC por quarto para duas pessoas, uma casa colonial belíssima com um terraço no segundo andar, uma acolhida muito simpática e carinhosa! Reverteu a má impressão da casa fria onde estivemos em Havana.

Sobrevivência nas Estradas

Uma dica importante para quem vai viajar de carro por Havana: quando houver internet, abra no Google Maps no seu telefone por cima do mapa de Cuba, com alguns zooms estratégicos nas cidades onde você pretende visitar. É muito fácil se perder nas estradas super mal sinalizadas, então o Google Maps apesar de não conseguir te criar roteiros (pela falta de 4G), te mostra pelo menos onde você está)

Tivemos um dia livre em Trinidad e fizemos um passeio pela Playa Ancón, onde inauguramos o nosso drone! A gente imaginava que o drone era proibido em Cuba, e por isso fomos extremamente discretos usando ele, sempre em lugares muito vazios e longe da polícia. Na verdade, ter entrado com o drone em Cuba foi quase um milagre, porque eles revistam você inteiro quando chega, mas por algum motivo, nosso drone passou despercebido. Se alguém tivesse nos pego, teríamos que guardar o drone no aeroporto e só pegar na saída.

Mas já que passou, fizemos imagens incríveis como estas:

Voltamos para a noite em Trinidad, onde tomamos mojitos na praça central e vimos um montão de salsa, até que começou a chover canivetes. A galera vende mojitos por 3 CUCs

Cayo Guillermo

Pegamos a estrada mais uma vez (250km) em direção a Cayo Guillermo, um paraíso do caribe. Cayo Coco é a praia ao lado mais famosa, Cayo Guillermo é um pouco mais tranquila e tem um esquema maravilhoso: um restaurante à beira mar com peixe e drinks, e uma piscina caribenha verde esmeralda à disposição. Chama-se Playa Pilar (anotem esse nome!)

O caminho é uma emoção à parte, os cubanos constroem uma estrada chamada ‘tetraplén’, que é como se fosse um aterro. Um aterro que cria um istmo (alô aulas de Geografia!) entre as ilhas e o continente, de 40km de comprimento. Estrada fascinante, e vista pelo drone, mais ainda.

Estas praias cubanas são super populares entre os turistas gringos e estão cheias de resorts internacionais, como Meliá, Pestana, mas a gente não tinha budget pra isso. À noite ficamos um ‘hotel de selva’ baratinho, só 30 CUCs para os dois a noite. Super em conta.

As fotos incríveis de Havana são do meu companheiro de viagem Victor Roncally – @roncca

Não deixe de asssitir o ‘Caio na Estrada CUBA’

Um encontro amoroso-perigoso no Grindr em Cuba

Foto: Victor Roncally

Vou parar de fazer a linha ~não falo sobre a minha vida pessoal~ porque enfim, me sinto bem mais seguro hoje pra falar da minha homossexualidade depois que postei aquele vídeo no Youtube contando a minha história e o meu processo de aceitação , enfim, quem quiser dar uma olhada, fica à vonts, vamos lá:

Aconteceu uma história em Cuba que eu preciso compartilhar. Ah, pra quem não sabe, acabei de voltar de uma viagem bem interessante de férias durante 12 dias por lá, e Cuba é aquele lugar que realmente você precisa realmente ir para entender o que seria viver sob a égide comunista e a repressão. Nenhum livro, nenhum vídeo, nenhum filme consegue mostrar exatamente o que acontece lá: você precisa viver.

Muitos gays, eu incluso, usam um aplicativo chamado Grindr (vou explicar pra quem não conhece) para promover encontros, uma rede social tipo o Tinder, só que exclusiva para gays. Ele te mostra as pessoas que estão ao seu redor, fala a distância do cara, e você começa a bater um papo.

Eu já estava em Cuba há 10 dias e não tinha encontrado nenhum gay cubano que me atraísse. Ou praticamente nenhum gay cubano mesmo. Não frequentei a noite gay de Havana, se é que ela existe mesmo, nem nas outras cidades. Acabei ficando com um espanhol em Trinidad, mas foi uma ficadinha de balada. Já estava bem decepcionado com isso. Tenho um amigo jornalista de Recife que me deu um milhão de dicas de lugares para conhecer, e a principal delas foi “migo, faça um cubano”, então eu já estava ficando bem sem dormir com essa etapa não-cumprida da viagem.

Em Cuba a internet é completamente controlada pela ETECSA, companhia de comunicação estatal. Para acessar a internet, você precisa ir para uma praça ou um hotel e usar um cartão que custa em média 2 euros por hora em uma conexão sofridíssima. Não existe internet dentro de casa, nem ilimitada, nem Snapchat (porque a conexão é muito ruim e não roda). Poderia falar horas sobre os efeitos da falta de comunicação em Cuba, mas deixa voltar pro assunto da pegação.

Já tinha tomado umas e outras e fui a uma praça antes de dormir para subir umas fotos no Instagram e acabei lembrando do Grindr. Tinha entrado algumas vezes no começo da viagem mas não aparecia praticamente ninguém perto de mim, inclusive aparecia gente de Key West, que está a 150km de Havana. NOS ESTADOS UNIDOS.

Mas neste penúltimo dia de viagem havia um muchacho lindíssimo a apenas 150 metros de mim. Meu coração chega palpitou. É hoje, pensei. Hoje tem. Hoje tem sabor latino. Obrigado Virgen de La Regla, padroeira cubana. Começamos a trocar mensagens, fotos, e falei pra gente se conhecer. Desci o quarteirão e lá estava ele com mais dois amigos. Vou chamá-lo de Miguel, nome fictício.

Miguel tinha 1.80m, corte de barbearia, lábios lindos, sorriso maravilhoso, barba por fazer, corpo super bonito sem ser corpo-de-gente-de-academia. 30 e poucos anos, falava quatro idiomas. Claro que eu me derreti inteiro. ❤️ Conheci seus amigos, tomamos umas cervejas Bucanero. Então convidei a Miguel que viesse para o quarto na casa de família onde eu estava hospedado, onde poderíamos passar a noite juntos. E aí veio a primeira bomba.

– Preciso te explicar muitas coisas sobre o encontro entre um estrangeiro e um cubano. Antes de mais nada, não sou garoto de programa. Sou recepcionista de um hotel.
– Eu sei Miguel, eu não acho que você seja garoto de programa, até porque eu não tô procurando um, eu queria era passar a noite contigo, só nos dois…
– Tenho a minha vida aqui em Cuba e não posso me aventurar. Se eu for para a sua casa, assim que eu chegar, vão pedir meus documentos e me reportar para a imigração.
– Peraí, mas por que vão te reportar? Sair com um estrangeiro é crime?
– Não é um crime, mas existe um procedimento aqui que você não conhece. Sempre que um cubano visita um hotel ou uma casa de aluguel de quartos, somos registrados. Imagina que se uma vez por mês eu conheço um estrangeiro e quero passar a noite com ele? Isso começa a ser um comportamento constante no meu arquivo policial e isso pode me trazer problemas sérios aqui em Cuba no meu trabalho e nas minhas relações com o Estado.
– Mas calma, Fidel fiscaliza a vida sexual dos cubanos?
– Sim, dos cubanos e das cubanas. Porque todo mundo quer sair daqui e um relacionamento com um estrangeiro é sempre a primeira porta de saída.
– E se a gente for pra um outro hotel então, que não seja este em que já estou hospedado, que é uma casa de família?
– A recepcionista do hotel vai pedir a minha identidade e ligar pra polícia do mesmo jeito. Estou te falando isso porque sou recepcionista e sei muito bem como funciona. Ninguém burla essa lei.

E aí eu comecei a me dar conta que Fidel era um baita de um fiscal de rola e que coisa mais deprimente que deveria ser morar em um lugar onde você simplesmente não pode conhecer alguém e ir para um hotel que ligam para a polícia para informar. Miguel morava com os pais, como a maioria dos cubanos de sua idade e que não se casam, principalmente porque em um país socialista é dificílimo que alguém more com roommates porque os salários são baixíssimos e o custo de vida, por mais irônico que pareça, é bem alto.

– Miguel, não tem nenhum jeito da gente passar a noite junto?
– Tem uma proposta que você nunca vai aceitar porque eu sei como vocês tem medo. Meu amigo que estava aqui conosco tem sua própria casa.
– Onde fica essa casa, é aqui no Vedado também?
– Não, fica a 15km, em Marianao, perto do aeroporto de Havana.

E aí veio o filme do medo na minha cabeça: eu na casa de um cara que não conheço, em um bairro pobre de Havana, sem telefone, em um lugar que a internet não funciona em caso de uma emergência. Só pensei nas más notícias que poderiam chegar para minha família.

E também me veio o filme da possibilidade de viver uma experiência autêntica onde finalmente iria a um bairro sem nenhum turista francês ou espanhol, na casa de um cubano, passar uma noite com um cara muito do lindo e simpático.

– Por favor, confie em mim. Nenhum gringo nunca confia em nenhum cubano. Temos uma reputação horrível. Eu sei que existem muitas histórias de cubanos que dão golpes em estrangeiros e roubam as suas coisas. Eu não vou te fazer nada de mal.

Voltei para conversar com o amigo dele dono da casa e ele começou a me contar sua história de vida. Ex-atleta cubano, treinador da seleção olímpica de Cuba, inclusive foi para as olimpíadas Rio-2016, me mostrou fotos do seu pupilo e dele posando na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Eu arrisquei. E fui. Morrendo de medo. Acreditando na intuição pisciana máxima. Não queria ser mais um daqueles turistas que na hora h amarelam quando tem a chance de realmente viver algo autêntico. Já tinha viajado por toda Cuba em uma posição social-financeira onde quem tem dinheiro são apenas os turistas e os cubanos estão apenas como garçons, barraqueiros de praia, donos de pousadas ou taxistas. Precisava viver com cubanos sem que o meu dinheiro estivesse em jogo, sem paternalismo, sem colonialismo, sem capitalismo.

E fui para a casa de Luís (nome fictício do amigo de Miguel), em Marianao. A entrada era toda no reboco, e a luz da madrugada não ajudava muito. Morri de medo no trajeto, na chegada, até que fechamos a porta do quarto. Tivemos uma noite maravilhosa. Lá pelas quatro da manhã fomos para a sala e aparece Luís com seu namorado.

Começamos a conversar os quatro sobre Brasil e Cuba, tomando Havana Club até as 6 da manhã. Me contaram as melhores histórias da política cubana, como todos os cubanos estão sempre burlando o estado para poder ganhar um pouco mais de dinheiro, já que o salário de Miguel, por exemplo, é de 40 euros por mês. Como é difícil a vida gay e que apesar de não haver casos explícitos de homofobia, eles precisam andar muito na linha para que o estado não os trate com diferença nas condições de trabalho. Como Cuba é absolutamente segura e todo mundo respeita a polícia que tem autoridade máxima. Como e quando eles acham que o socialismo vai cair. Como vai ser agora com a chegada dos americanos. Quem são os melhores e o piores turistas, por ranking de nacionalidade. Como os cubanos demoram uma vida inteira para fazer coisas que nós, capitalistas, fazemos com mais facilidade, como mobiliar uma casa. Como eles não tem crédito em nenhum banco.

Como é difícil ser cubano e não ter a possibilidade de viajar pelo mundo porque nenhum país lhe quer dar um visto porque ele é sempre visto como um imigrante em potencial. Como é difícil se envolver com estrangeiros porque nós chegamos com nossos reais, euros e dólares e queremos levá-los para jantar e chega uma hora que eles não aguentam mais aceitar isso porque parece que querem se aproveitar, mas a verdade é que existem dois países: o dos turistas, e o dos cubanos.

Para completar a cereja do bolo, a casa tinha dois quartos. Um deles era o santuário de Luís, onde ele cultivava seus orixás, na santería cubana, bem parecida com o candomblé brasileiro. Iemanjá, Xangô, Oxóssi, Oyá são todos cultivados em Cuba com o mesmo fervor que na Bahia. Havia um manto de Oxóssi lindíssimo, que na versão cubana, leva as cores roxo e amarelo. De arrepiar. Falamos horas sobre a santeria cubana.

No fim das contas, dormi por lá mesmo e voltei só no dia seguinte, com meu amigo de cabelos em pé, achando que podia ter acontecido tudo comigo. Apesar do ‘susto’, este foi o ponto alto da viagem, e que nenhum dinheiro poderia ter proporcionado essa lembrança positiva que tenho, mais do que nunca, do povo cubano. E de Miguel, que espero ver um dia, apesar de achar que será impossível. Torço para que ele seja muito feliz.

5 dicas imperdíveis de LA por Arthur Chini + um papo sobre o STEAL THE LOOK

Você conhece o STEAL THE LOOK? Caso ainda não tenha ouvido falar, aqui vai uma boa oportunidade de sacar melhor como funciona a plataforma de moda e beleza que é líder em conteúdo comprável no país! São 2 milhões de visitas mensais num lugar onde você pode se informar sobre estilo e já adquirir o que te interessa e tem a ver com você. Uma sacada de empreendedorismo maravilhosa e que hoje é comandada pela Catharina Dieterich, pela Manuela Bordasch e pelo Arthur Chini, sócio dessa empreitada com quem trocamos uma ideia tanto sobre negócios quanto sobre os hotspots de Los Angeles. Anota tudo aí!

Arthur em Malibu, por Luiza Ferraz

Conta pra gente um pouco da sua história: como você começou na moda? E no STEAL THE LOOK? Como surgiu e funciona a parte masculina do site?

Eu comecei no STL em 2012, logo depois que a Manu e a Catha lançaram o site. Na época ainda não havia ainda uma empresa, era mais um projeto, que tinha várias outras pessoas envolvidas. Depois de conhecer a Manu em um curso na Perestroika, o Empreendedorismo Criativo, ela me chamou para fazer a parte masculina. Eu sempre gostei de moda, mas nunca havia trabalhado na área, fiz Relações Internacionais na faculdade. Fiquei um tempo afastado do projeto, entre 2013 e 2014, pois estava estudando na França. Voltei, dessa vez como sócio da empresa, em 2015. Hoje eu cuido de toda a parte administrativa do STL, divido com a Manu o comercial e às vezes escrevo matérias para o site, tenho uma coluna chamada #TBT e escrevo reviews de desfiles de todos os fashion weeks que cobrimos. A parte masculina do STL, que chamávamos Steal His Look, hoje está em stand-by, pois decidimos pausar o projeto por enquanto para focar no core do STL, que é o site feminino.

O que é o STEAL THE LOOK Summer Office?

A ideia do Summer Office surgiu em maio do ano passado. Pensamos em levar convidados para uma casa em alguma praia paradisíaca e gerar conteúdo de lá por uma semana, unindo dicas de moda, beleza e lifestyle, criando um guia do local. A ideia é passar para os leitores o feeling de como é passar uma semana em um lugar assim, e também gerar um conteúdo relevante para quem vai já vai viajar para o lugar que escolhermos. No ano passado fomos para Ibiza, e nesse ano escolhemos Los Angeles, porque é uma cidade que une um visual incrível, com praias, e um cenário urbano, com lojas, restaurantes e arte.

5 DICAS IMPERDÍVEIS DE LOS ANGELES:

Wasteland (7428 Melrose Av.) – para mim é o melhor brechó de LA. A sessão masculina é super completa, tem araras cheias de jaquetas de couro incríveis, trajes sociais completos, uma infinidade de jeans e sapatos muito bem cuidados. Para quem gosta de garimpar, é um must-see, dá pra encontrar desde tênis da Saint Laurent a jaquetas da Margiela.

Divulgação

American Rag Cie (150 South La Brea Avenue) – uma das lojas mais legais nos entornos da Beverly Blvd, ela é incrível porque tem uma curadoria excelente de tudo desde streetwear até high fashion, passando por livros, acessórios e gadgets. Na parte masculina eles têm desde marcas famosas como Comme Des Garçons, até marcas mais low profile, como Melinda Gloss e a canadense Wings + Horns, que eu adoro.

Youtube American Rag Cie

The Broad (221 South Grand Avenue) – é o museu que guarda a coleção de arte contemporânea do casal Broad. O prédio em si já é demais, e eles têm um dos maiores acervos de obras do Jeff Koons e do Takashi Murakami no mundo, além da Infinity Room da Yayoi Kusama, que vai ficar no Broad até outubro de 2017. Esse ano eles também estão com a exposição Imitation of Life, da Cindy Sherman, que é imperdível.

Benny Chan

Redbird (114 East Second St.) – esse restaurante de culinária americana do chef Neal Fraser fica dentro de um dos prédios de uma antiga igreja, Vibiana Church. O menu é impecável, principalmente os drinks, e sugiro reservar com antecedência porque desde que ele abriu, no ano passado, é um dos restaurantes mais badalados de LA.

Divulgação

Commissary (3515 Wilshire Blvd.) – o Commissary é um dos restaurantes do hotel The Line, focado em culinária vegetariana/orgânica (uma fixação em LA). Tem saladas maravilhosas, os melhores pressed juices de LA e um ambiente incrível (ele parece uma estufa de flores) além do público super cool que frequenta o The Line.

Wonho Frank Lee

Ah, seria 1 sonho arrumar as malas agorinha mesmo?

4 dias em Honolulu: dicas, histórias e passeios.

Clique para assistir o Caio na Estrada no Havaí

Então vamo lá: eu e meu pai fomos correr a Meia Maratona de Honolulu agora no mês de Abril. Uma sidenote sobre meu pai que virou revelação no Snapchat:

– Recebemos centenas de comentários falando que ele é o máximo
– Ele é mesmo
– Mas vocês criaram um monstro, diz ele que já está até com saudade do ~carinho do Snapchat~.

Voltando, tínhamos uma passagem de graça para os E.U.A por causa das milhagens e poderíamos escolher qualquer cidade, estado dos E.U.A. Eu que não sou bobo nem nada, queria voltar ao Havaí desde que fiz um intercâmbio em Kona, na Big Island, em 2007. Emitimos as passagens e fomos para Honolulu, cidade que eu mal conhecia. Honolulu é uma grande metrópole no meio do Pacífico, é quase inacreditável como os americanos conseguiram construir tudo isso no meio do nada. Highways imensas, um porto super arrojado, todas as lojas, supermercardos, boates, restaurantes, enfim, tudo o que você imaginar que tem em Miami, por exemplo, tem em Honolulu. A diferença é que Honolulu fica a 5 horas do continente americano e a 8 horas do Japão.

Então vamos às dicas e às histórias dessa breve viagem, que só durou 4 dias, mas foi inesquecível.

Sempre sente na janela do avião, para garantir vistas como essas

Tudo em Honolulu tem tema de abacaxi ou plantas, ou os dois juntos. Este é um ‘Mai Tai’, que é rum + muito açúcar + suco de abacaxi. Tem que provar, é a ‘caipirinha’ dos havaianos.

Para fãs de estampas, é um verdadeiro paraíso visual e imagético. Não resisti e acabei parando em uma loja chamada Fabric Mart, só de tecidões estampados. Agora tô pensando se vou forrar o sofá ou uma parede lá de casa. Olha que coisa linda!

Waikiki é super turística e tem o melhor por do sol do Pacífico. Muitas excursões japonesas, muitas mesmo, bandos e bandos, chega a incomodar porque você nunca se sente curtindo uma vibe mais aloha no meio da turistada porque tem tanta gente ~sendo turista~ o tempo inteiro. O bairro é busy, não é lugar de relaxar, é pra quem quer praia + agito + compras. Mas imagine que Waikiki é uma Ipanema que deu super certo, com lojas maravilhosas, tipo Saint Laurent, Gucci, Prada, uma Apple store incrível, e uma praia maravilhosa.

Todo mundo se veste com Aloha shirts. Isso eu já sabia, então levei um guarda-roupa bem estampado, divertido porque tinha certeza que ia combinar com a paisagem havaiana. Se você não tem roupas assim e quer entrar nesse clima, deixe pra comprar tudo lá pelo Havaí que tem uma loja de aloha shirts a cada esquina. A melhor dica é o brechó que tem mais de 15.000 camisas num precinho camarada, quase um museu fashion desse mundo. Comprei uma camisa linda e um chaveiro do Obama com uma prancha de surfe (Obama é havaiano, você sabia? Eu não!)

Amazing Maui Babe Browning Lotion: o bronzeador #1 do Havaí é feito lá mesmo, tem muito cheiro de molho shoyu, é uma beleza e deixa a pele brilhando, tinindo. Em média 10 dólares em qualquer ABC Store, loja que é um gremlin havaiano, está em toda e qualquer esquina e tem tudo o que você pode precisar para uma viagem perfeita (comida, bebida, souvenires, todos os produtos do universo praia), dá vontade de morar lá dentro. Mas não caia na armadilha e deixe para comprar os presentes da galera no Wal-Mart, que tem a metade do preço. E com esse dólar fortunesco qualquer ímã de geladeira tá saindo na base dos R$ 16 né, não tá fácil.

A melhor praia de Honolulu se chama Hanauma Bay, é realmente uma coisa divina, você precisa alugar um carro para ir, vale à pena cada centavo. Tem uma pequena chatice de pagar US$ 8 para entrar e fazer fila para assistir um vídeo super anos 90 sobre preservação ambiental e as regras do lugar, bem coisa de americano, mas superado esse desafio saia da muvuca e arrase no snorkel. Se você não tiver um, lá tem pra alugar, eu nem sou muito do rolê mergulhador mas fiquei impressionado, é lindo!

North Shore tem mais a cara das coisas que eu gosto, um pouco mais de localismo, surfistas doidões e gente que resolveu que a vida não é essa loucura urbana e precisa de um mais pouco de paz. Praias com ondas gigantes, péssimas de tomar banho mas ótimas de ficar vendo a galera surfar, e food trucks deliciosos com peixes (ahi e poke). Bom, barato e saudável.

Arrisco dizer que o Yanagi Sushi é o melhor restaurante japonês que já fui na minha vida, melhor mesmo que os de Tóquio. Encontramos o Yanagi numa lista muito santa do NYTimes, que às vezes tem dicas legais, mas de vez em quando são muito yuppies, bom ficar de olho. O Yanagi é aquele tipo de lugar que tem foto de famosos na parede, só que os famosos são do naipe do Mick Jagger, então respeito total. Sushimen absurdos, ingredientes super frescos, preços justos, inventivos, a gente sentou no balcão e ficava só falando ‘do what you want’, ‘whatever you feel like it’s right today’, deixando os caras brilharem e eles encheram a gente de maravilhosidades japonesas. A conta deu US$ 80 para duas pessoas, se converter não é barato, mas honestamente, em São Paulo ou Rio seria o dobro com toda certeza.

Alugamos um jipe pelo simples fato de querer tirar essa onda – levantar a capota, sentir o vento batendo nos cabelos e não ficar noiado se vai chegar algum maloqueiro pra levar o nosso iPhone tocando Ben Harper nas alturas. Na matemática é um custo desnecessário, porque uma diária de um carro normal custa US$ 30, enquanto a do jipe US$ 100. Mas como eram poucos dias e estávamos no Havaí, ah, vale à pena essa mini alegria da modernidade.

Essas são as minhas dicas nada didáticas do Havaí. Melhor do que uma listinha de coisas a fazer, é simplesmente ir e descobrir. Boa viagem!

Milão com C&A + Replay: diário de viagem

Que 2016 abençoado! Esse projeto era segredo e eu segurei a onda até a véspera da viagem. Logo após o São Paulo Fashion Week embarquei em uma trip muito massa com a galera da C&A para cobrir o lançamento da nova colab Replay + C&A. A Replay é uma marca italiana de muito sucesso quando o assunto é jeanswear e nós fomos a Milão conferir as roupas em primeira mão e acompanhar o shooting da campanha: os modelos foram o casal Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, belíssimos e muy sexy, eu diria.

Primeira foto da trip no aeroporto de Guarulhos com as poderosas do Youtube: Nina Secrets, Jade Seba, Taciele Alcolea e Nah Cardoso. Juntas elas devem ter uns 10 milhões de seguidores e causam nas redes socais.

Look da viagem todo Replay para C&A: casaco, calça e bota (aliás, essa bota é incrível!)

Primeiro jantar da nossa turminha em Milão: Hugo Gloss, Rodrigo Costa, o maquiador da campanha, Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. Fomos ao Giacomo, um restaurante quase visita obrigatória a qualquer turista em Milão. Delícia.

Ficamos hospedados no hotel Principe de Savoia, o ‘Copacabana Palace’ de Milão. A arquitetura é uma loucura, de 1927, serviço impecável. Acho que nunca tinha ficado num hotel tão chique fora do Brasil – me lembrou a época em que fiz os intercâmbios de trabalho nos EUA e trabalhei na rede Four Seasons, onde tudo era impecável. A diferença é que eu estava do lado detrás do balcão, risos.

Time completo de influencers para a campanha Replay + C&A, apresentando agora as meninas do Steal the Look à esquerda, Manuela Bordasch e Catharina Diethrich.


Uma das locações lindas das fotos, um tram (sim, o bondinho resiste em Milão).

Mais um look Replay + C&A, em frente à flagship da marca, que é imperdível, parece um estúdio de cinema: tricô e calça navy, dá super pra usar junto. A calça é bem modelagem italiana, cintura baixa e skinny.

Claro que eu não larguei as corridas, apesar de um joelho bem chateado após a maratona do Havaí e que eu ainda não tive muito tempo de ver de perto o que aconteceu. Corri 8 km pra dar uma soltadinha no Parque Sempione, onde fica a Trienalle de Milano, mas senti dor de novo, tomara que não seja nada grave.

Clássica foto em frente ao Duomo com os migxs da C&A, Johnny, gerente de produto da coleção da C&A + Replay e Mari Moraes, gerente de marketing da C&A Brasil. Morremos de rir juntos.

Uma das poucas compras da viagem com o euro a R$ 4, um livro na Corso Como, o dicionário de gestual italiano, afinal, ninguém fala tanto com as mãos como essa turma.

Tive um dia especial de shooting com a Jade Seba, também vamos ser modelos para a campanha – não tão sexies quanto Gio e Bruno, é claro, mas a gente tenta fazer um biquinho, risos.

Uma surpresa muito bacana dessa viagem foi conhecer melhor a editora da Glamour Mônica Salgado, carinhosamente chamada por Salty por mim (roubei a gíria da Paula Merlo). A hashtag #caionaglamour segue bombando ein Moni, hehe beijos.

Ô lugar lindo essa tal Colonne di San Lorenzo, perfeita para um aperitivo. Diz que elas estão lá desde os anos 400 d.C., respeito total.

Uma das minhas peças preferidas de toda coleção Replay + C&A é essa parka bem militar e perfeita para o frio que tava fazendo, de uns 15 graus à noite.

Um passeio que a gente fez no tempinho livre e super recomendo é a visita à Fondazione Prada, a impressionante galeria de arte e design de Miuccia – não espere encontrar sapatos, e sim exposições do que há de mais bacana na arte contemporânea. A arquitetura é de morrer (olha essa casa dourada), além do bar projetado por ninguém menos que Wes Anderson, diretor de O Grande Hotel Budapeste.

E para encerrar, meu drink preferido, a cara da Itália. Negroni, sempre!