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Dois looks por menos de R$ 130: Verão C&A

Já pintou verão, calor no coração: dei uma passada na C&A da Praça General Osório, no Rio, para montar dois looks para o fim de ano, um bem com cara de Réveillon e outro mais tropical – com o desafio de gastar menos de R$ 200 em cada um. Acabei gastando na verdade menos ainda: R$ 130 por look. Uma pechincha né? Tem alguns links pra quem quiser comprar online e evitar as filas de fim de ano!


Regata longline off-white R$ 39,99
Regata cinza R$ 19,99
Calça skinny branca R$ 69,99

Rangiroa é a linha especial masculina da Cia. Marítima, que acabou de criar uma parceria especial com a C&A. Achei todo esse estampado minha cara, nem dá pra negar!

T-Shirt Rangiroa + C&A R$ 49,99
Bermuda estampada Rangiroa + C&A R$ 79,99

Fotos Ícaro Silva

Diário de Viagem: Manaus e Floresta Amazônica

Eu tinha essa dívida forte com meu roteiro de viagens: nunca havia pisado em solo amazônico. Apesar de já ter passado uma longa temporada no Acre, como repórter da TV Brasil, e muitas viagens ao Pará, no Amazonas propriamente dito ainda não tivera a chance. Caso resolvido com o convite do SEBRAE/AM para ministrar minha palestra sobre Comunicação, Moda & Internet na cidade. Para completar, levei minha mãe como acompanhante para passarmos uns dias na capital amazonense, seguidos de uma incursão pelo arquipélago de Anavilhanas, a 200km de Manaus. Delícia.

MANAUS Tivemos cerca de dois dias na cidade, o suficiente para fazer um bom roteiro sem muita pressa. Vamos aos pontos altos:

de repente amazonas, boa tarde manaus! uma saúva de entrada quem vai? tem gosto de erva cidreira 🌿

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RESTAURANTE BANZEIRO A boa é comer no Restaurante Banzeiro, talvez um dos mais premiados da cidade, onde servem Pirarucus e Tucunarés a torto e a direito. O caldinho de tucunaré ao chegar é uma cortesia, e uma gentileza local, e todo mundo prova a entrada com purê de mandioquinha e saúvas, que tem gosto de erva-cidreira. Vale pelo exótico, mas é um prazer efêmero, porque a formiga é minúscula, risos.

Theatro Amazonas, templo da Amazônia. Visita obrigatória em Manaus. Luxo danado 👑 #CaionaEstrada #Manaus

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TEATRO AMAZONAS O verdadeiro templo amazônico depois da floresta. Pensar que construíram um teatro tão suntuoso e lindo no começo dos anos 1900, auge do período da riqueza da borracha, em uma obra que demorou 13 anos para ficar pronta e deixou um palácio das artes que explode luxo em cada olhar. A arquitetura, os afrescos, o salão nobre, é tudo lindo demais. Vale a pena fazer a visita guiada, que é super rápida e dá um panorama geral sobre a história do Amazonas.

LOJA BRASIL ORIGINAL A Brasil Original é uma loja criada pelo SEBRAE em um projeto que ajuda os artesãos amazônicos a unirem design em suas criações e desenvolverem produtos sustentáveis, lindos e com um propósito mais comercial. Já que estamos na Amazônia, estamos falando de aldeias indígenas super vulneráveis e que aproveitam a chance para encontrar um caminho mais leve no encontro com o capitalismo. Amei este projeto, comprei pulseiras lindas. Preços super justos, fica no Amazonas Shopping.

ENCONTRO DAS ÁGUAS + PASSEIO DE BARCO PELO RIO AMAZONAS Aula de geografia da sexta série, lembra? O Rio Negro se junta com o Rio Solimões para formar o Rio Amazonas, causando o fenômeno encontro das águas, onde as águas não conseguem se juntar por diferenças de densidade, velocidade, temperatura e outros fatores. Na verdade este foi um episódio triste da minha viagem com a morte do drone Patrícia, que caiu em cheio nas águas. Uma das hélices voou, o drone perdeu o controle e sequer boiou, afundou direto no rio. Ficou a lição de nunca subestimar a força amazônica, que geralmente é recorrente em destruir equipamentos. Procure saber.

HOTEL VILLA AMAZÔNIA Um tesouro a apenas 70 metros do Teatro Amazonas, este hotel foi um achado incrível. Fica em um casarão histórico todo renovado, com piscina de pedra natural, mobiliário insuportavelmente lindo, como cômodas centenárias e cadeiras Sérgio Rodrigues, um café da manhã farto e com frutas regionais, e quartos cheirando a novo. Tem também um bistrô que não cheguei a provar, mas pedi room service algumas vezes e estava sempre delicioso. Super recomendo.

Imersão completa amazônica, também na literatura, salve Hatoum

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LIVRARIA DO JOAQUIM Bem do ladinho do Teatro Amazonas há um quiosque ma-ra-vi-lho-so com um raríssimo acervo de livros amazônicos e nacionais. Joaquim Melo é o livreiro responsável pela loja, especialista em historiografia da amazônia e mestre em sociedade e cultura na Amazônia. Uma figura super interessante para se bater um papo sobre literatura amazônica e brasileira, é claro. Eu e minha mãe ficamos quase uma hora conversando com ele, compramos um dicionário incrível de tupi-nheengatu e uns livros de Milton Hatoum. Quem gostar de literatura vai pirar.

por Tricia Vieira

ORLA DE PONTA NEGRA Ponta Negra é um bairro em Manaus com um quê de Barra da Tijuca, com uns prédios residenciais de luxo na orla. É bem interessante conhecer a orla de rio, revitalizada para o Copa do Mundo 2014, e de repente tomar um banho na praia do Rio Negro. Aproveitei para correr um pouco na viagem, tem um espaço legal para soltar as pernas. Depois da corrida, tomar um açaí no Waku Sese, o lugar mais recomendado pelos locais para tomar um bom açaí sem xarope de guaraná!

SELVA AMAZÔNICA: ANAVILHANAS JUNGLE LODGE

Procurando meu Macunaíma nas águas do Rio Negro @anavilhanaslodge

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O Anavilhanas é um capítulo à parte na Amazônia e traduz bem o conceito contemporâneo do que é o luxo distinto. Imagine um hotel dentro da mata, às margens do Rio Negro, com vários chalés com varandas de vidro, rede, ar condicionado split para enfrentar o calorão, camas box, tv a cabo e tudo o mais. Foi minha primeira vez ~acampando como fazem os ricos~ e confesso que gostei.

O Anavilhanas foi criado há uns 10 anos para preencher uma lacuna turística que acontecia no Amazonas: o turista ia até Manaus mas não conseguia montar um roteiro bacana pela selva pela falta de estrutura in loco. Pensando nisso, Guto e Fabi (que conheci, são super simpáticos e conversadores) se juntaram para construir este sonho no meio da Selva – um lugar que pudesse acolher os turistas com conforto e servisse como base para pequenas explorações pela floresta.

Eis que o Anavilhanas Jungle Lodge começou de mansinho mas ganhou um empurrão midiático importante: um perfil no New York Times escrito pelo jornalista Larry Rother (vocês lembram que esse foi o cara que escreveu que Lula era um álcoolatra?). A matéria é de 2007 e de lá pra cá o Anavilhanas evoluiu bastante. Hoje recebe gringos de todas as partes do mundo: durante a minha estadia estavam japoneses, alemães, americanos e franceses. Aliás, a Amazônia ainda é mais visitada por gringos do que por nós mesmos brasileiros.

coisa marlinda o boto-cor-de-rosa 💕 eles são enormes, fiquei de face @anavilhanaslodge

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Há pacotes com duração de 3 até 6 dias e as atividades são trilhas pela floresta, passeios de barco pelos igarapés e paranás para observação de animais, visita ao santuário dos botos, pesca de piranhas, e claro muito descanso e banho de rio. Os passeios não são nada hardcore, minha mãe que tem 63 anos conseguiu fazer tudo numa boa. É mesmo um lugar de descanso: que tal na sua próxima viagem, ao invés de ir mais uma vez a uma praia, se refrescar no Rio Negro? Aliás, um ponto positivo do Rio Negro é que ele tem menos mosquitos que seu irmão Solimões, por exemplo, por conta da acidez da água e outros fatores. Mas sempre bom levar repelente e tomar a vacina de febre amarela, é claro.

Cabelos: conheça o short fringe, a.k.a. o atual corte do Brazinho

Esse ano de 2016 foi divertido ~pelo menos~ em termos de cabelos. Ainda em julho rolou por aqui um mega post falando dos cortes que seriam/continuariam fazendo sucesso ao longo do ano, com muitos undercuts e aqueles cortes de barbearia que gostamos tanto. Pois, antes mesmo de 2017 chegar, já fique sabendo que o novo corte (ainda nessa linha) que está tomando a cabeça dos rapazes na gringa e chegando por aqui é o short fringe, que eu, por sinal, adotei e aprovei recentemente: close certo, temos!

Mostrei o processo no snap (@brazcaio) e no instastories (@caiobraz), segue lá pra não perder os próximos!

O corte tem a ~vibe~ da barbearia (eu cortei o meu na Trois, em Recife, mas hoje em dia o que não falta são barbearias bacanudas onde você pode fomentar o hair moderninho com confiança). Basicamente ele tem as laterais mais curtas e o cabelo no topo da cabeça levemente mais comprido (ou melhor, menos curto), meio batidinho e com uma franjinha na testa; franjinha mesmo, uns quatro dedos acima da linha da sobrancelha — soa simples, mas o resultado tem um quê meio provocativo mara.

A coisa da franjinha é ótima porque é super moderna e dá muito destaque ao desenho do seu rosto, e ó, qualquer tipo de cabelo funciona com um short fringe, até os mega encaracolados, porque, mais uma vez, em cima ele é super curto, não é a franja convencional, então o efeito é mais facilmente alcançado. Claro, existem algumas pequenas variações: você pode querer o topo um pouco maior, mas com a franjinha curta, ou as laterais não tão raspadas, enfim… O importante é a franja com esse efeito. O meu corte tem aquela pegada barbearia que vocês já devem estar ligados, mas que cria impacto e dá um efeito meio “garotos do Gosha Rubchinskiy” que eu adoro. Aliás, a ideia desse post surgiu porque muita gente me perguntou sobre o corte novo.

O lado bom é que não tem aquela preocupação diária de arrumar o cabelo pra lá ou pra cá, passar mousse, pentear e afins; é um resultado bem “what you see is what you get”, o que é ótimo até mesmo pro verão que tá chegando, especialmente se você for vaidoso, mas não quiser ter aquele trabalho com os cabelos na praia. O mal é que é um corte curtinho real oficial, então logo logo ele vai estar pedindo por um retoque para não perder a definição. Ainda assim, o resultado é cool à beça e eu amei o visu novo.

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E vocês, o que acham? Investiriam no short fringe?

No Dia Mundial de Combate Contra a AIDS, o papo reto (e afetuoso) de um soropositivo

Hoje, dia 1º de dezembro, é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. E a gente queria falar sobre isso de um jeito menos “cagador de regra”, autoritário e distanciado, de uma forma mais afetuosa e numa tentativa de nos aproximarmos de pelo menos uma das realidades da doença (porque claro, existem várias). Há 35 anos aconteceu aquele momento emergencial da AIDS, que assustou muita gente e levou muitos. De lá pra cá, a realidade da epidemia se transformou: Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, declarou que “a comunidade internacional pode olhar para trás com algum orgulho, mas ainda é preciso mirar adiante com determinação e comprometimento”.

Isso vem sendo feito de diversas formas, por meio de variadas frentes, de programas mundiais que se engajam para colocar fim à epidemia até 2030, como o caso da ONU, até iniciativas de comunicação e de acesso à informação, que em dias como hoje, por exemplo, publicam grandes reportagens cheias de dados sobre o assunto. Iniciativas todas importantes e louváveis, obviamente, mas como abordar a questão de um jeito mais terreno e esclarecedor, sem reproduzir clichês ou mesmo os números que são de fácil acesso online?

Foi aí que nos deparamos com um testemunho pessoal do Fernando Impagliazzo no Facebook que vem de um lugar de fala, é desmistificador e traz uma visão interna da coisa. E o convidamos para compartilhar aqui essa letra. “Você se sente confortável compartilhando, Fe?”, “Me sinto não só confortável como fazendo algo necessário e urgente. Fazer com que esse mundo seja menos preconceituoso, menos século XIX, menos difícil para todos nós”, ele respondeu. Então aqui estão suas colocações:

1º de Dezembro é o Dia Internacional da Luta Contra a AIDS. Pessoalmente, não gosto desse “contra” no título. Primeiro porque reforça a ideia bélica de que o vírus seja um invasor. Segundo porque, me sabendo soropositivo há sete anos, percebi que lutar contra alguma coisa é bem diferente de lutar a favor de si. “AID”, em inglês, é cuidado. Ser soropositivo é levar todo esse cuidado da doença pro resto da vida. Por um lado, o velho sermão de “você vai ter de tomar remédio o resto da vida”. Mas também um estar mais atento tanto à sua saúde e às suas necessidades, quanto estar atento ao outro.

A luta CONTRA a AIDS, pra mim, se torna uma luta CONTRA o “cuidado”, CONTRA um saber que há pelo menos 50 anos, a humanidade tem adquirido de si mesma. Minha luta a favor, a favor do direito de estar vivo, do direito de saber que boa parte da nossa juventude ainda contrai o vírus. Não, não é porque é promíscua (como se houvesse algum desvalor nisso, procure promíscuo no dicionário) nem muito menos porque é desavisada. As pessoas que contraem o vírus são, antes de tudo, pessoas que se doaram descuidadosamente ao outro. Esse outro, muitas vezes, não é o inimigo. O vírus vem para tomar uma outra dimensão.

Pois bem, falo de uma luta. Nada bélica. Feita de união. A favor do direito de sabermos toda a implicação que esse cuidado ainda carrega. Apesar de o vírus estar controlado pela Medicina, os efeitos são bem ruins. Desde 2010, meu fígado, por exemplo, tem apresentado uma inflamação, decorrente do vírus e do meu sobrepeso. Comecei então a fazer atividade física. O vírus, tão ruim no imaginário das pessoas, pode ser bem real na vida prática. Apesar de me trazer um hábito de vida saudável, eu repito: é sempre melhor não ter o vírus. Luto também para que, quando alguém que se souber soropositivo, isso ser encarado da melhor forma possível. Estar consciente da doença e, ao mesmo tempo, longe das metáforas preconceituosas que ouvimos cotidianamente sobre o HIV.

Amor e cuidado a todos!

Para entender mais do imaginário construído em torno da AIDS e quebrar seus paradigmas, vale ler o livro “Doença Como Metáfora / AIDS e Suas Metáforas”, da Susan Sontag, dica do próprio Fernando. Quebrar estigmas também faz parte dessa luta. É sempre importante lembrar que pessoas em situação de pobreza sofrem ainda mais com o HIV, com menos acesso a cuidados e serviços, mas o apoio é necessidade para pobres, ricos, para a classe média, para o seu amigo. A ideia aqui não é alienar, pelo contrário, é trocar. Falemos, conversemos, ESCUTEMOS e lutemos da forma que dá. E ei: vamos nos cuidar!

V Mostra de Artes Jardim Suspenso: a mostra que mora no Morro da Babilônia

No alto do Morro da Babilônia, comunidade carioca rodeada por Botafogo, Urca, Leme e Copa, quem não sobe nem imagina o que se passa lá em cima. A V Mostra de Artes Jardim Suspenso, um festival cultural que oferece exposições, residências e experimentações, ocupou a favela de sua parte alta até a floresta e esteve aberta para visitações entre os dias 19 e 20. Sim, floresta, porque o Morro da Babilônia ainda tem, lá dentro, uma Área de Proteção Ambiental (APA). Instalações, performances, site-specific, música, poesia se misturam com o cenário hora de comunidade, hora de verde da mata, em trabalhos construídos junto aos moradores da região, num processo de troca verdadeira que buscou, todo o tempo, fugir de qualquer tipo de aproveitamento abusivo.

A gente conversou com o Jeferson Andrade, uma das cabeças e corpos por trás da organização do Jardim Suspenso, para entender melhor a mostra, de seu nascimento até seu funcionamento atualmente. O Jeferson participa da mostra desde sua segunda edição e esse ano esteve bastante envolvido no processo de curadoria/escolha dos artistas que participariam da residência, vivendo e criando durante um mês numa casa no Morro e produzindo diálogos reais com a comunidade e com aquela localidade, tudo inserido dentro do tema dessa edição, que é “Descolonização”.

Como começou o evento? O evento foi inicialmente idealizado pela Dandara [Catete], uma artista que está até hoje conosco e que começou com um projeto no casarão no Cosme Velho, posteriormente fez um outro na Tijuca e na 3ª edição passou aqui para o Morro da Babilônia. O Álvaro [Júnior], que mora aqui, sempre foi um dos produtores, desde o começo. Eu entrei na 2ª edição, na Tijuca, participando como artista e da organização. Uma das características do Jardim Suspenso é que os artistas fazem parte também da produção, assim como os músicos. A ideia é que seja um evento de artes integradas que explore outros ângulos, outras linguagens, como a roda de capoeira, o debate…

E como foi o processo de organização desse ano? E de seleção de artistas? Esse ano eu estou no Jardim como produtor de arte, fazendo a produção conceitual do evento, a seleção… Fizemos a seleção a partir do espaço, contando com a ajuda de uma arquiteta, a Laura, e do Ivan Pascarelli, que nos deu uma assessoria muito importante quanto a como os artistas poderiam utilizar a experiência espacial de todo o território, desde a casa até aqui. Abrimos um edital, uma convocatória pública, para selecionar dez artistas que seriam residentes, e esses artistas residentes, junto com a gente, selecionariam outros tantos artistas como não residentes. Os artistas residentes vieram para morar, então privilegiamos artistas de endereços distantes, de periferia e até de outros países (o Peter é um artista de Berlim, o Nacho é argentino de Córdoba). Tentamos ter uma diversidade de propostas e de gênero e fomos desenvolvendo os trabalhos em torno de um tema geral, que esse ano foi descolonização.

Como esse tema se relaciona com o espaço do Jardim Suspenso, com o morro? Estávamos interessados em leituras pós-coloniais, no que seria o decolonial, as produções de linguagem como resistência, criação de novas palavras, de novas situações, instalações espaciais… O espaço da favela é um espaço que tem uma estética de vivência, vivência como produção estética contínua, decolonial. As próprias construções: eles constroem as casas deles de maneira bem manual, é uma coisa muito interna, estão sempre construindo e isso é uma demarcação de território, é uma tomada muito interessante, um senso de comunidade dentro de um cerco Zona Sul, branco e que não considera o morro como parte do bairro, mas as pessoas estão aqui vivendo há muito tempo. Na década de 80, eles foram responsáveis pelo reflorestamento da região, essa era uma área desertificada pela criação de gado. A gente conversou muito com o presidente da associação de moradores, o André, que tem um projeto interessante e uma fala incrível sobre o problema racial e de exotificação, o porquê disso, de transformar a favela num zoológico, esse turismo predatório num nível psiquíco, então ele fez parte também, no primeiro dia da residência já iniciamos com uma fala muito boa do André.

Você está com uma instalação aqui? A minha instalação são as placas,tem duas aqui e duas lá embaixo. São placas publicitárias, de vendas de imóveis, a Imobiliária Privilégio, que eu não necessariamente inventei. Eu estava dando um rolê no asfalto em Copa, tudo caro pra caralho, e aí eu passei por uma imobiliária com esse nome perto do metrô. Existe! Aqui em Copa! E aí eu falei “putz, será?”. Eu tinha conversado com o André, que tinha me dito que eles estavam com um problema super sério com a galera que mora numa clareira no morro; as pessoas estão a ponto de serem removidas porque a Área de Proteção Ambiental tem as áreas limítrofes demarcadas com barras de ferro, que foi onde coloquei minhas placas. Tudo que está pra trás vai ser removido, já existe uma ordem judicial para isso e eles alegam que é pelo impacto ambiental, mas na verdade é porque dá pra ver, de Copacabana, os barracos aqui da frente, entendeu? Isso atrapalha a especulação imobiliária.

Fala mais sobre o processo de seleção dos artistas, foi por vivência, por trampo? Foi uma seleção totalmente aberta. Fizemos um editalzinho, não foi nada burocrático. Os artistas inscritos enviaram projetos e nós selecionamos esses projetos de acordo com isso que estávamos interessados em construir. A partir do projeto do Jardim Suspenso a gente entendeu que a melhor experiência que poderíamos produzir era uma experiência imersiva.

Quando chegamos ao Jardim Suspenso, fica logo claro que uma das coisas mais importantes de todo aquele processo acontecendo ali é a relação entre os artistas e o lugar, especialmente se pensarmos que muitos artistas de outras cidades e até de outros países de repente se viram morando na Babilônia. “O Jardim se instaura dentro de uma questão geopolítica que a gente não pode negar, é uma favela com UPP. Tem uma pequena guerra rolando aqui, os residentes tomaram noção disso, é uma guerra, pessoas morrem, esses corpos devem ser colocados em questão, o corpo periférico, o corpo feminino, o corpo preto, o corpo do favelado”, afirma Jeferson.

Toda essa diversidade foi perseguida, mas no sentido de travar diálogos tanto com essas pessoas que possuem seu lugar de fala quanto com quem vive distante de tal realidade: “a gente não pode ficar conversando entre a gente sobre descolonização, os corpos privilegiados têm que vir aqui também, é importante criar esse tipo de integração para ter o debate”, explica Jeferson. E nisso se deu também a vontade de criar uma residência internacional. Na casa convivem artistas de Berlim, de São Gonçalo, de Mesquita, de São Paulo. E aí os tensionamentos acontecem, afinal, como essas pessoas que vêm de realidades tão diferentes lidam com a favela? E como elas se relacionam entre si diante de suas experiências tão diversas com as cidades?

Ana Matheus Abbade, de São Gonçalo, fez uma vídeo-instalação inspirada em experiências que teve ali. “Só Não Pode Ser Ele” nasceu de seu processo de reconhecimento do lugar e de sua descoberta da homosexualidade como um grande tabu na comunidade. Histórias de homens que pulavam muros para transar com outros homens sem serem vistos pipocaram em seus ouvidos, “essa relação de como se formula a identidade que se perpetua no seu corpo e como se constitui na negociação com a pólis, acho que foi mais ou menos essa a minha forma de pensar a estrutura do filme”, diz Ana, que é residente do projeto. Já Miguel Vida, que é da Espanha, mas vive na Babilônia há dois anos, tem seus trabalhos espalhados pelo Morro. Ele faz parte do projeto do Espaço Cultural Jardim da Babilônia, uma iniciativa relevante de fomento artístico e empoderamento cultural que tem um bar, por meio do qual eles pretendem viver, crescer e sustentar o projeto. Miguel pintou os degraus das escadas do Morro: “fiz uma poesia e coloquei nos degraus, porque é o que é mais visto quando você carrega material, e queria trazer para o físico. Os carregadores de material passam o tempo inteiro olhando pro chão”.

Visitar o Jardim Suspenso e entender todas essas questões na prática é deveras impactante. Não se trata de uma exposição tradicional nem da reprodução de clichês, mas de uma explosão do que se entende como instituição e espaço de representação da arte, como o próprio Jeferson nos explicou. No Morro da Babilônia, os artistas se envolvem de maneira ativa com questões políticas, sensoriais, locais, identitárias e de luta, e isso se traduz em suas obras, além de alcançar uma parte da população carioca que nem sempre tem acesso a isso. “trabalhar dentro da favela foi muito interessante porque a gente pôde explorar umas coisas incríveis, dá pra emergir coisas incríveis falando só desse lugar sem ser predatório ou exploratório. A gente tem que ter capacidade de integração, não é unidirecional”, conclui Jeferson.

Você pode saber tudo que rolou na programação do Jardim Suspenso aqui!

Fotos: West Pereira

5 Apps e 1 livro para impulsionar a sua criatividade

Em tempos de hiperconectividade e infinitas ferramentas a um toque de distância, todo e qualquer momento pode ser propício para criar, registrar, pesquisar e se inspirar até mesmo nas coisas mais específicas por você desejadas. Porque não ter diretamente no seu celular algumas ferramentas que te ajudem nesse às vezes ingrato processo criativo? Seja você uma pessoa que trabalha com o tema, seja você um grande admirador das habilidades criativas alheias em busca de aperfeiçoar esse traço da sua personalidade, aqui está uma listinha de apps (e um livro, é claro!) que certamente te trarão umas boas ideias.

FLIPBOARD Não existe criativo desinformado, uma vez que a criatividade precisa ser alimentada e o jeito de fazer isso é lendo, pesquisando e mantendo os olhos e ouvidos bem abertos para o que se passa no mundo. É aqui que pode entrar um bom app como o Flipboard, que funciona como uma revista virtual. O bom é que você pode fazer sua própria curadoria, apontando os temas de seu interesse, de notícias do dia a dia até, é claro, assuntos artísticos. Pega em todas as plataformas e é gratuito.

EVERNOTE A gente nunca sabe quando a inspiração vai bater. Pode ser no meio de uma festa às 3 da manhã, pode ser enquanto tomamos o nosso café matinal, pode ser no meio de uma reunião de negócios. Nem sempre contamos com papel e caneta por perto e nem sempre temos tempo para fazer uma anotação elaborada, então é ótimo ter um app que nos permita fazer anotações de forma organizada e com praticidade. O Evernote é muito útil nesse sentido. Ele cataloga seus dados de maneira eficiente, guarda conteúdos externos e o melhor, funciona offline, passando suas atualizações para a nuvem assim que uma conexão é estabelecida. Para todos os sistemas operacionais e gratuito.

BEHANCE Você, que talvez já conheça o Behance site, saiba que vale muito a pena tê-lo em aplicativo. Precisa de internet pra funcionar, claro, mas é uma verdadeira toca de inspirações diversas, com uma galeria cheinha de trabalhos incríveis e muito profissas. Outro que pega em todas as plataformas e é gratuito.

ARTSY Conhecido como a “caixa de pandora da arte”, esse aplicativo é um verdadeiro must have para os amantes de arte e os criativos em geral em busca de inspiração e repertório. Explore imagens, coleções e grupos artísticos, pesquisando pelo nome do artista ou por palavras-chave (ou seja, a melhor forma de descobrir artistas novos bem ao seu gosto). Para IOS e de graça.

Geo Street Art Para um criativo nada se iguala a sensação de estar caminhando por um trajeto muitas vezes comum e descobrir uma nova arte de rua ou mesmo aquela arte que já estava ali, mas nunca havíamos reparado antes. Pois este aplicativo te ajuda na deliciosa tarefa de encontrar verdadeiras riquezas da arte de rua com uma curadoria de mapas de arte, de forma que você pode desvendar os tesouros escondidos da sua cidade a qualquer hora, em qualquer lugar. Que tal dar uma voltinha no seu horário de almoço? Pena que não é de graça, custa $ 2.99, mas vale a pena.

Roube Como um Artista Esse livro, do designer e escritor Austin Kleon, figurou na lista de mais vendidos do The New York Times e também no ranking de 2012 da Amazon. Pois ele segue uma boa pedida para quem tá em busca de aprimorar suas técnicas criativas. É bem humorado, leve, gostoso de ler e quer te convencer de que a autenticidade é a melhor ferramenta que se pode ter no caminho para a criatividade. Se joga!

Gostou das dicas? Conhece outros apps perfeitos pra quem quer dar um boost na criatividade? Conta pra gente nos comentários!