Category: Rio de Janeiro

Malha e Instituto C&A lançam reports gratuitos sobre o Futuro da Moda

Lembra da Malha? Já falamos dela aqui. Uma espécie de coworking, cofábrica, fashion lab, espaço de eventos, entre outras iniciativas (Ufa! Aliás, foi lá que o Brazinho montou seu novo estúdio), que fica num galpão no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Parece muita coisa? Pois a equipe ainda se engaja em vários projetos bacanas alinhados com o propósito do lugar, que é a moda do futuro, justa, sustentável. E é nesse sentido que nasce o Futuro da Moda, uma série de 6 relatórios em parceria com o Instituto C&A.

A ideia é transformar em conteúdo acessível as tendências relacionadas ao futuro da moda, com os olhares voltados a transformações culturais, novos comportamentos de consumo, inovações tecnológicas e também para os agentes que estão fazendo esse futuro de uma moda mais justa e sustentável de fato chegar na cena.

Os relatórios serão lançados ao longo de 2017, sendo que o primeiro deles, “Era de Transição”, já saiu! Cada lançamento rola com a realização de um evento bem massa na própria Malha com a participação de alguns dos fazedores envolvidos no processo e especialistas da nova moda no Brasil. Por exemplo: esse primeiro lançamento contou com a presença de Luisa Santiago, da Ellen MacArthur Foundation, do cofundador da Malha André Carvalhal, equipe e residentes do lugar e ainda a plateia, formada por criadores, empreendedores e também curiosos. Ou seja: tá a fim de assistir aos lançamentos? Fica ligadinho nas redes do galpão pra colar lá você também.

Cada relatório é bem completo e traz drivers, tendências, cases e uma análise final. É delícia de ver e ler e o mais legal de tudo é que é gratuito e pode ser baixado por qualquer um no site (clica aqui e só vai). Surra de conteúdo de qualidade, de graça e acessível para quem quiser se aprofundar nos temas e entender mais de moda e seus novos caminhos sem gastar nada. Mara, né? Esse primeiro lançamento, o “Era de Transição”, mergulha nos dilemas da pós-modernidade e as principais tendências de comportamento e consumo decorrentes dela. Além desse primeiro, o projeto ainda lançará o “Identidades Fluidas”, sobre a construção e expressão da identidade individual remixada, “O Poder dos Comuns”, sobre o universo comunal, “O Poder do Planeta”, sobre questões de sustentabilidade em vários âmbitos, “O Poder das Máquinas”, sobre tecnologia, e “O Poder do Gênero”, cujo título já diz tudo.

Pra ficar ligado e não perder.

AHLMA: nova marca de André Carvalhal coloca a moda com propósito em prática

Para acalentar os corações meio carentes de marcas alinhadas com propósitos que vão além do óbvio nasceu, nessa semana, a AHLMA, mais novo projeto do multitask André Carvalhal, autor dos livros “A Moda Imita a Vida” e “Moda Com Propósito” (duas leituras recomendadíssimas aos interessados no assunto, por sinal) e co-fundador da Malha, espaço colaborativo mara no Rio de Janeiro. Oficialmente lançada no dia 10, a AHLMA é uma marca de roupas, mas, como tudo que André costuma produzir, não só isso.

Evocando as energias da lua cheia, a AHLMA chega com vibes místicas e sustenta que a moda é a potência e a ferramenta para defender o que se acredita. Construída coletivamente, a marca se define como eixo de co-criação e promete fazer roupa enquanto reflete sobre consumo, indústria têxtil e os caminhos pra mudar nosso jeito de se relacionar com essas questões. Pretensiosos da melhor maneira! A gente volta e meia conversa por aqui sobre novas formas de fazer, consumir e pensar moda. Elas existem e têm mais é que ser postas em prática!

As propostas da nova brand se fazem verdade por meio de diferentes processos que abrangem de uma comunidade de parceiros, produtores e fornecedores engajados à comunicação, que deve ser bem transparente. Além disso, rola o O.V.N.E., “Onda Virtual da Nova Era”, que é um canal de conteúdo desenvolvido pelo The Summer Hunter e que traz reportagens, fotos, matérias, vídeos e entrevistas aprofundadas e cheias de qualidade; vale muito acompanhar.

Estamos animados com esse lançamento, deu pra ver, né? Agora é seguir acompanhando os desdobramentos dessa AHLMA!

Projeto Gaveta: colocando o “ser mais, possuir menos” em prática

Em tempos de pensar cada vez mais em maneiras de desconstruir processos da moda que já se tornaram engessados, ultrapassados, desconectados das nossas necessidades como sociedade, repensando nosso jeitinho de consumir, renovar o guarda-roupa sem exageros, falando de upcycling e tudo o mais, que delícia é se deparar com um projeto que se propõe exatamente a fomentar o consumo colaborativo, né? Esse é o Projeto Gaveta, criado pelas amigas Raquel Vitti e Giovanna Nader como uma alternativa para a troca de roupas já não usadas entre quem quiser participar.

O Gaveta nasceu em 2013 e, de lá pra cá, já envolveu centenas de pessoas e circulou milhares de peças. O rolê acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro por enquanto, em edições eventuais previamente avisadas pelas redes sociais. E, se ele começou com o objetivo de “difundir o conceito de clothing swap no Brasil”, logo as meninas viram potenciais mais profundos no projeto, transformando o Gaveta num movimento que quer “incentivar uma moda mais humana, mais real e sustentável”, de acordo com as elas.

Não é papinho. As peças não selecionadas para a rede de troca (porque rola uma seleção criteriosa) já eram doadas para instituições e pessoas necessitadas, mas em 2016 surgiu também o Gaveta na Rua, que leva essas peças diretamente para os moradores de rua em parceria com o SP Invisível e o The Street Store. Essa galera monta uma loja para essas pessoas em situação de rua, na qual elas têm a chance não apenas de receber doações, mas de escolher suas roupas favoritas. É um esforço de ajudar num reencontro do próprio estilo, um alimento da autoestima e confiança. O Coletivo Tripé produziu um mini-documentário sobre esse dia, que tá disponível no Youtube:

Quem é do Rio de Janeiro tá com sorte, já que a próxima edição do Projeto Gaveta acontece na cidade no dia 29 de abril, na Malha, como parte das atividades da Fashion Revolution Week. Quem quiser participar do rolê é só enviar um email para projetogaveta@gmail.com para enteder o passo-a-passo da experiência de troca, lembrando que a entrada e a participação no evento são gratuitas.

Partiu?

Carnaval: 7 inspirações belas e imperdíveis de como usar purpurina no rolê + como aplicar e retirar

A gente sabe que no carnaval — que, por sinal, já começou — até mesmo quem odeia purpurina volta para casa feito uma estrela no céu. Não tem jeito; sempre haverá alguém para jogar glitter na sua cabeça sem pedir licença, sempre haverá o beijo, o abraço e a dança que cobram o pedágio do brilho e te deixam ornando com o rolê. Para quem se dá por satisfeito com a apropriação da purpurina alheia (kkk), é ótimo! Mas para aqueles que gostam de fazer uns desenhos especiais com os pontinhos brilhosos antes mesmo de sair de casa ou de pedir aquela ajuda ao amigo no meio do bloquinho para fomentar um concept de glitter no rosto, aqui vão umas inspirações para gravar na memória!

COMO UMA MÁSCARA

De uma linha embaixo dos olhos até a testa, onde você pode finalizar com um formato mais arredondado. Use a purpurina para fazer as vezes de máscara! É fácil e todo mundo entende a referência. Aliás, se você estiver usando uma fantasia de super-herói do tipo que usa máscara, pode ser bem legal fazer essa fake de glitter. Para maior aderência, use gloss ou protetor labial (passe com cuidado no formato que deseja e depois, se quiser, tire o excesso com um pincel seco).

NA BARBA

Essa não é mais novidade, mas que o efeito fica carnavalesco e vistoso não se pode negar. O Buzzfeed Austrália inclusive postou um “faça você mesmo” completíssimo para alcançar o resultado perfeito (bom também para quem gosta de efeitos mega definidos!). Se você não é tão exigente assim, pode investir na pasta de gel com purpurina e depois aplicar mais purpurina por cima para potencializar o brilho.

NOS CABELOS

Um cabelo mega purpurinado feito esse é de impacto imediato no meio do povo (até porque às vezes tudo que a gente vê é cabeça saltitante rs). Para conseguir esse efeito, siga os mesmos passos do tutorial da barba (gel + purpurina e + purpurina ainda).

NA LATERAL E AVANTE

Bem massa esse efeito que pega um bom pedaço da lateral do rosto e avança para os cabelos! É comum vermos uma galera com essa lateral bastante purpurinada, mas o avanço para os cabelos dá uma originalidade à coisa. Use gloss ou protetor labial para aplicar a purpurina no rosto e gel para modelar o cabelo e depois aplicar os pontinhos. Se quiser um exagero de brilho, um pincel ajudará no serviço!

NA LATERAL E ABAIXO

Outro jeito de dar um tchan a mais na purpurina passada na lateral do rosto é trazer ela para baixo. Uma ótima para quem tá a fim de marcar o maxilar avantajado ~kkk.

NA MARQUINHA DE SOL

Sabe quando você exagera um pouco no sol e fica com aquela linha marcada no rosto que pega as bochechas e o nariz? Então, que tal aplicar a purpurina nessa região? Se duvidar, rola até escolher uma cor de purpurina que lembre esse efeito, fica lúdico. Como sempre, se jogue no gloss ou protetor labial pra fixar o barato.

NO CANTO DOS OLHOS

Bem mais sutil do que pavão o efeito dessa purpurina aplicada com cuidado nas laterais externas dos olhos. Apesar de pouca coisa, quase nada, ainda assim vale se aproveitar daquele gloss maroto para não perder os brilhos na avenida. Agora, o desafio é conseguir não voltar para casa com (muito) mais purpurina do que saiu kkk.

BÔNUS CORPORAL

Essa não é uma referência de purpurina (apesar de ser facilmente substituído o material), mas fica bem bonito e carnavalesco o efeito de uma tinta brilhosa aplicada no corpo em regiões que já são naturalmente mais marcantes (músculos, dobras, ossos, desenho do rosto…).

E PARA TIRAR?

Uma das partes mais traiçoeiras de tanta farra da purpurina é conseguir tirar tudo depois, mas algumas dicas te ajudam nessa árdua tarefa.

– Use shampoo anti-resíduos: barba, cabelo e bigode agradecem uma hidrataçãozinha depois. E a boa é lavar pelo menos duas vezes!

– Use fita crepe: cole a fita crepe nas regiões da sua pele que estão purpurinadas e depois retire. A diferença é notável, mas você terá que repetir algumas vezes a ação para ficar perfeito (ou quase hehehe).

– Use demaquilante: aplique uma boa quantidade do produto no algodão e depois deixe agir de forma que você sinta a sua pele úmida. Puxe de vez para trazer a purpurina junto!

– Tome banho de shampoo: parece maluquice, mas é sério, e nesse caso pode ser qualquer shampoo. É que o sabonete vai acumulando a purpurina que ele retira do seu corpo e aí fica aquele passa pra lá, passa pra cá… Tomar um banho de shampoo (fazendo bastante espuma) ajuda bastante nessa função ingrata rs.

Gostaram das dicas? Fiquem ligados que vem mais papo de carnaval por aí. E quem tiver outras belas referências purpurinadas ou dicas de como tirar o paranauê depois, conta aqui!

V Mostra de Artes Jardim Suspenso: a mostra que mora no Morro da Babilônia

No alto do Morro da Babilônia, comunidade carioca rodeada por Botafogo, Urca, Leme e Copa, quem não sobe nem imagina o que se passa lá em cima. A V Mostra de Artes Jardim Suspenso, um festival cultural que oferece exposições, residências e experimentações, ocupou a favela de sua parte alta até a floresta e esteve aberta para visitações entre os dias 19 e 20. Sim, floresta, porque o Morro da Babilônia ainda tem, lá dentro, uma Área de Proteção Ambiental (APA). Instalações, performances, site-specific, música, poesia se misturam com o cenário hora de comunidade, hora de verde da mata, em trabalhos construídos junto aos moradores da região, num processo de troca verdadeira que buscou, todo o tempo, fugir de qualquer tipo de aproveitamento abusivo.

A gente conversou com o Jeferson Andrade, uma das cabeças e corpos por trás da organização do Jardim Suspenso, para entender melhor a mostra, de seu nascimento até seu funcionamento atualmente. O Jeferson participa da mostra desde sua segunda edição e esse ano esteve bastante envolvido no processo de curadoria/escolha dos artistas que participariam da residência, vivendo e criando durante um mês numa casa no Morro e produzindo diálogos reais com a comunidade e com aquela localidade, tudo inserido dentro do tema dessa edição, que é “Descolonização”.

Como começou o evento? O evento foi inicialmente idealizado pela Dandara [Catete], uma artista que está até hoje conosco e que começou com um projeto no casarão no Cosme Velho, posteriormente fez um outro na Tijuca e na 3ª edição passou aqui para o Morro da Babilônia. O Álvaro [Júnior], que mora aqui, sempre foi um dos produtores, desde o começo. Eu entrei na 2ª edição, na Tijuca, participando como artista e da organização. Uma das características do Jardim Suspenso é que os artistas fazem parte também da produção, assim como os músicos. A ideia é que seja um evento de artes integradas que explore outros ângulos, outras linguagens, como a roda de capoeira, o debate…

E como foi o processo de organização desse ano? E de seleção de artistas? Esse ano eu estou no Jardim como produtor de arte, fazendo a produção conceitual do evento, a seleção… Fizemos a seleção a partir do espaço, contando com a ajuda de uma arquiteta, a Laura, e do Ivan Pascarelli, que nos deu uma assessoria muito importante quanto a como os artistas poderiam utilizar a experiência espacial de todo o território, desde a casa até aqui. Abrimos um edital, uma convocatória pública, para selecionar dez artistas que seriam residentes, e esses artistas residentes, junto com a gente, selecionariam outros tantos artistas como não residentes. Os artistas residentes vieram para morar, então privilegiamos artistas de endereços distantes, de periferia e até de outros países (o Peter é um artista de Berlim, o Nacho é argentino de Córdoba). Tentamos ter uma diversidade de propostas e de gênero e fomos desenvolvendo os trabalhos em torno de um tema geral, que esse ano foi descolonização.

Como esse tema se relaciona com o espaço do Jardim Suspenso, com o morro? Estávamos interessados em leituras pós-coloniais, no que seria o decolonial, as produções de linguagem como resistência, criação de novas palavras, de novas situações, instalações espaciais… O espaço da favela é um espaço que tem uma estética de vivência, vivência como produção estética contínua, decolonial. As próprias construções: eles constroem as casas deles de maneira bem manual, é uma coisa muito interna, estão sempre construindo e isso é uma demarcação de território, é uma tomada muito interessante, um senso de comunidade dentro de um cerco Zona Sul, branco e que não considera o morro como parte do bairro, mas as pessoas estão aqui vivendo há muito tempo. Na década de 80, eles foram responsáveis pelo reflorestamento da região, essa era uma área desertificada pela criação de gado. A gente conversou muito com o presidente da associação de moradores, o André, que tem um projeto interessante e uma fala incrível sobre o problema racial e de exotificação, o porquê disso, de transformar a favela num zoológico, esse turismo predatório num nível psiquíco, então ele fez parte também, no primeiro dia da residência já iniciamos com uma fala muito boa do André.

Você está com uma instalação aqui? A minha instalação são as placas,tem duas aqui e duas lá embaixo. São placas publicitárias, de vendas de imóveis, a Imobiliária Privilégio, que eu não necessariamente inventei. Eu estava dando um rolê no asfalto em Copa, tudo caro pra caralho, e aí eu passei por uma imobiliária com esse nome perto do metrô. Existe! Aqui em Copa! E aí eu falei “putz, será?”. Eu tinha conversado com o André, que tinha me dito que eles estavam com um problema super sério com a galera que mora numa clareira no morro; as pessoas estão a ponto de serem removidas porque a Área de Proteção Ambiental tem as áreas limítrofes demarcadas com barras de ferro, que foi onde coloquei minhas placas. Tudo que está pra trás vai ser removido, já existe uma ordem judicial para isso e eles alegam que é pelo impacto ambiental, mas na verdade é porque dá pra ver, de Copacabana, os barracos aqui da frente, entendeu? Isso atrapalha a especulação imobiliária.

Fala mais sobre o processo de seleção dos artistas, foi por vivência, por trampo? Foi uma seleção totalmente aberta. Fizemos um editalzinho, não foi nada burocrático. Os artistas inscritos enviaram projetos e nós selecionamos esses projetos de acordo com isso que estávamos interessados em construir. A partir do projeto do Jardim Suspenso a gente entendeu que a melhor experiência que poderíamos produzir era uma experiência imersiva.

Quando chegamos ao Jardim Suspenso, fica logo claro que uma das coisas mais importantes de todo aquele processo acontecendo ali é a relação entre os artistas e o lugar, especialmente se pensarmos que muitos artistas de outras cidades e até de outros países de repente se viram morando na Babilônia. “O Jardim se instaura dentro de uma questão geopolítica que a gente não pode negar, é uma favela com UPP. Tem uma pequena guerra rolando aqui, os residentes tomaram noção disso, é uma guerra, pessoas morrem, esses corpos devem ser colocados em questão, o corpo periférico, o corpo feminino, o corpo preto, o corpo do favelado”, afirma Jeferson.

Toda essa diversidade foi perseguida, mas no sentido de travar diálogos tanto com essas pessoas que possuem seu lugar de fala quanto com quem vive distante de tal realidade: “a gente não pode ficar conversando entre a gente sobre descolonização, os corpos privilegiados têm que vir aqui também, é importante criar esse tipo de integração para ter o debate”, explica Jeferson. E nisso se deu também a vontade de criar uma residência internacional. Na casa convivem artistas de Berlim, de São Gonçalo, de Mesquita, de São Paulo. E aí os tensionamentos acontecem, afinal, como essas pessoas que vêm de realidades tão diferentes lidam com a favela? E como elas se relacionam entre si diante de suas experiências tão diversas com as cidades?

Ana Matheus Abbade, de São Gonçalo, fez uma vídeo-instalação inspirada em experiências que teve ali. “Só Não Pode Ser Ele” nasceu de seu processo de reconhecimento do lugar e de sua descoberta da homosexualidade como um grande tabu na comunidade. Histórias de homens que pulavam muros para transar com outros homens sem serem vistos pipocaram em seus ouvidos, “essa relação de como se formula a identidade que se perpetua no seu corpo e como se constitui na negociação com a pólis, acho que foi mais ou menos essa a minha forma de pensar a estrutura do filme”, diz Ana, que é residente do projeto. Já Miguel Vida, que é da Espanha, mas vive na Babilônia há dois anos, tem seus trabalhos espalhados pelo Morro. Ele faz parte do projeto do Espaço Cultural Jardim da Babilônia, uma iniciativa relevante de fomento artístico e empoderamento cultural que tem um bar, por meio do qual eles pretendem viver, crescer e sustentar o projeto. Miguel pintou os degraus das escadas do Morro: “fiz uma poesia e coloquei nos degraus, porque é o que é mais visto quando você carrega material, e queria trazer para o físico. Os carregadores de material passam o tempo inteiro olhando pro chão”.

Visitar o Jardim Suspenso e entender todas essas questões na prática é deveras impactante. Não se trata de uma exposição tradicional nem da reprodução de clichês, mas de uma explosão do que se entende como instituição e espaço de representação da arte, como o próprio Jeferson nos explicou. No Morro da Babilônia, os artistas se envolvem de maneira ativa com questões políticas, sensoriais, locais, identitárias e de luta, e isso se traduz em suas obras, além de alcançar uma parte da população carioca que nem sempre tem acesso a isso. “trabalhar dentro da favela foi muito interessante porque a gente pôde explorar umas coisas incríveis, dá pra emergir coisas incríveis falando só desse lugar sem ser predatório ou exploratório. A gente tem que ter capacidade de integração, não é unidirecional”, conclui Jeferson.

Você pode saber tudo que rolou na programação do Jardim Suspenso aqui!

Fotos: West Pereira

Você pode aprender idiomas com os refugiados e ajudar ativamente o mundo!

Você sabia que, no Brasil, é possível apoiar os refugiados ao fazer aulas com os mesmos tanto de suas línguas nativas quanto de experimentações relativas a suas culturas? A iniciativa louvável veio do curso “Abraço Cultural”, que oferece diversas turmas no Rio de Janeiro e em São Paulo, com professores de diferentes nacionalidades. O curso é uma ação das ONGs Atados e Adus, com praticamente toda a renda voltada aos refugiados: a maioria das pessoas que trabalham no projeto é parte de um esquema bem bacana de voluntariado.

Atualmente eles contam com aulas de inglês, francês, espanhol e árabe. Você pode ter aulas de francês com a Geneviève, por exemplo. Uma haitiana de 32 anos que chegou ao Brasil em 2015 e caminhou da Liberdade até o Pacaembú (bairros paulistanos) para sua entrevista no Abraço Cultural. Além de dar aulas, Geneviève gosta de contar histórias tradicionais do Haiti e é uma excelente cantora. Perceba, não é um negócio assistencialista, sabe? É uma busca por trocas culturais, quebras de paradigmas, representatividade.

As aulas podem ser presenciais (entra no site e se inscreve para receber informações dos cursos diretamente no seu email!) ou particulares. Uma coisa muito legal é que dá pra fazer as aulas em casa em grupos de até 4 pessoas, ficando o preço cada vez mais em conta conforme a quantidade de alunos. Por exemplo, num grupo de 4 pessoas cada aula sai a R$ 40,00 por pessoa. Muito bom, né? Por sinal, todos os preços dos cursos são bem em conta em comparação com os cursos “tradicionais” de idiomas. A ideia é mesmo atrair cada vez mais interessados tanto em aprender quanto em ajudar.

Hoje em dia são mais de 60 milhões de pessoas no mundo todo forçadas a sair de seus países, casas e abandonar membros da família por situações de guerra e conflitos armados, temor de perseguição, violência generalizada e violação massiva dos direitos humanos. Essas pessoas chegam a países estranhos, sofrem preconceito e, muitas vezes, são pessimamente acolhidas — a gente bem sabe de diversas histórias de refugiados humilhados e maltratados quando chegam aos seus destinos.

Fica aí a dica valiosa! É sempre importante lembrarmos que, independente de credo, cor, classe social ou país de origem, o mundo é nossa casa. Casa de todos nós, seres humanos. Por aqui ficamos super empolgados para experimentar as aulas, aperfeiçoar as línguas e trocar e ouvir as histórias de vida dessas pessoas, saber mais de suas culturas e apoiar essa iniciativa de acolhimento e representatividade… E você? Se anima e vai lá!

FALANDO NISSO

Vocês viram que pela primeira vez na história das olimpíadas um time de refugiados foi formado? O Team Refugees contou com 10 atletas: dois nadadores sírios, duas judocas congolesas e seis corredores da Etiópia e do Sudão do Sul. Na cerimônia de abertura o time entrou logo antes da delegação brasileira carregando a bandeira olímpica, como um símbolo da luta pela paz entre todos os povos. Foram ovacionados, aliás. Legal pra caramba, né?