Category: Entrevistas

Conheça as colagens e bordados apaixonantes do Pedroluiss

Sabe aquela sensação gostosa de descobrir um artista no Instagram e se identificar com a sua arte e as suas fotos? Pois é. O Pedro Luis, que hoje assina como pedroluiss, é um desses caras. Passear pelos registros de suas invenções é uma delícia e dá logo vontade de saber mais sobre seu processo criativo e suas inspirações, tanto que a gente foi correndo atrás dele pra desvendar essa história direitinho.

O Pedro tem 28 anos, é carioca e formado em Publicidade pela PUC-Rio, além de ter feito alguns cursos na Central Saint Martins, em Londres, e na EAV, no Rio. Desde que se formou, trabalhou como diretor de arte em agências de publicidade e na área de criação online e offline. Em 2014 ele se mudou pra São Paulo, onde começou a estudar Artes Plásticas na Escola Panamericana. Chegou até a trabalhar em algumas agências por lá, mas em 2015 ele resolveu ser freelancer pra poder se dedicar mais às artes e a uma produção mais autoral. Sorte a nossa!

Suas colagens e bordados chamam muito a atenção, são doces e ao mesmo tempo fortes. “Tenho os trabalhos de colagem no vinil, as colagens digitais e o meu caderno de colagem, onde tento fazer pelo menos uma por semana para exercitar e não perder a mão”, conta, “o bordado surgiu em 2016, eu fiz umas aulas com a minha vizinha e tomei gosto, muito mesmo”. Ele já fez uma exposição coletiva com os discos de vinil no Rio, além de ter três desses trabalhos no cenário da novela “A Lei do Amor”, da Globo. Em 2016 também rolou o convite para ilustrar uma das cartas do baralho da El Cabriton — e ele fez uma colagem, claro!

Os bordados de Pedro são super lindos e, apesar de ter aprendido com uma vizinha, a influência veio muito de sua mãe, que faz crochê e é super ligada no artesanal. Ele tem algumas séries de trabalhos nessa linha, como máscaras, pets sob encomenda (com fila de espera, hein), bastidores bordados (que já foram feitos para o Twitter e para a Globo), a série bem autoral com fotos antigas e as “brusinhas”, feitas em parceria com a sócia Alessandra Valois. É tudo agênero, bordado a mão e exclusivo, com apenas um bordado único para cada camiseta.

Uma foto publicada por Pedro Luis (@pedroluiss) em

E de onde vem tanta inspiração? Da vida que Pedro leva, mesmo. “Às vezes a inspiração vem de ver uma combinação de cor em algum prédio na rua, ler uma palavra e assimilar com algum sentimento…”, diz. E 2017 promete! Pedro já assinou uma coleção exclusiva com a Collector55 chamada “HOME IS WHERE…”, vai começar uma oficina de bordado com a amiga Patricia Matz e com a Pat e a Alessandra iniciou um projeto chamado “Feito à Mana”, de capacitação e profissionalização de trans.

Legal, né? Interessou, quer pra você? Corre lá no Insta do Pedro e manda mensagem ou manda email no pedroluisfs@gmail.com. Você pode também entrar em contato com a Myllery, galeria com a qual o Pedro tem vínculo.

Bolovo: uma marca bem massa e comprometida com os good times

Vamos falar de coisa boa? Vamos falar de Bolovo! “Hãm?”, você talvez pergunte. Sim, Bolovo, a marca que celebra 10 anos de estrada e que nasceu das mentes inquietas de Deco Neves e Lucas Stegmann de um jeito bem descompromissado e é divertidíssima.

Tudo começou em 2006, quando Deco e Lucas filmavam e fotografavam as suas viagens com os amigos. O nome “Bolovo” surgiu numa dessas viagens e acabou pegando. Como a turma era uma gangue, o nome foi parar em camisetas que o Deco fez com a mãe no Brás, em São Paulo, “elas eram muito podres”, ele diz. De lá pra cá surgiu um interesse natural e bem orgânico de produzir também umas peças de roupa que a galera tinha vontade de usar, mas não encontrava para comprar. Foi daí que veio a marca, que é definida como “de espírito livre” e inserida numa espécie de plataforma onde os caras também produzem vídeos, fotos e tudo que dá na telha.

A gente bateu um papo com o Deco pra saber mais dessa história, se liga:

Podemos definir a Bolovo como uma marca? Ela parece ser quase uma filosofia de vida… Acabou virando mesmo algo nesse sentido. A Bolovo é como se fosse uma “plataforma de lançamento” das nossas ideias. Um monte de coisas legais que temos interesse, a gente coloca dentro da Bolovo e lança pro mundo: vídeos, fotos, roupas, amigos, festas, viagens, esportes, ideias de “girico.com.br”… Isso tudo sempre com o norte que é: fazer memórias/ter boas histórias pra contar. Queremos ficar velhos e ser aqueles tiozinhos que sempre têm uma história boa na manga.

Como funciona o processo criativo de vocês? O que inspira as criações? Depois desses anos todos acho que a gente ainda não sabe da onde vem a inspiração, mas normalmente não é de onde procuramos na primeira vez. Nosso processo criativo é bem solto, não tem muito um caminho, mas as melhores ideias acabam sempre saindo de quando estamos todos juntos conversando sem muita preocupação. Aí depois a gente tenta lapidar as que achamos melhores. O que a gente acha mais legal mesmo é fazer as coisas acontecerem e nessa hora vem mais um milhão de ideias. A gente curte fazer coisas pra estrada e pros amigos. Daí já é um bom norte de “inspiração”. Também curtimos coisas extremamente bem feitas ou extremamente ridículas.

Quem usa Bolovo? Acho que são pessoas que entendem o valor de sair de casa e ter boas histórias pra contar, que curtem pôr a mão na massa mesmo e fazer coisas. Não ligamos pra classe social ou se curte isso ou aquilo. Acho que se você ver alguém usando Bolovo um dia deve ir trocar uma ideia com essa pessoa que ela deve ser bem gente fina.

Quais são seus planos para 2017? Tem sido uma fase muito legal e nova pra gente. Depois que saímos da MTV [os caras já trabalharam com a MTV e mais um monte de marca legal, tipo Nike, Vans, Void, Perestroika…] tivemos mais tempo para tocar a marca e estamos com bastante coisas no horizonte. Vamos lançar algumas colabs bem legais esse ano e novas peças que nunca tínhamos trabalhado antes.

Nós compramos um furgão 82! Vamos levar ele pra estrada e isso vai virar nossa websérie no youtube, que vai se chamar “Go Out” e deve estrear no fim de Março, começo de Abril. Nosso livro de 10 anos, financiado via crowdfounding, finalmente vai sair! Queremos fazer um campeonato de snowboard dentro da nossa casa e sei lá o que mais vamos inventar até o fim do ano.

Queria agradecer todo mundo que tem apoiado essa ideia louca que é a Bolovo e por deixar os Good Times rolarem. Ohhh Yeahhh!

Bem massa, né? A Bolovo tem loja online, então quem quiser fuçar mais das ideias, das loucuras e, claro, dos produtos dos caras, é só entrar lá e se jogar. Nós temos uma queda por tudo, das meias aos shorts, passando pelas camisetas que têm uma cara meio antiguinha. É tudo mega descolado e divertido e os preços começam nos R$ 25,00 (meias invisíveis) e vão até os R$ 209,00 (casacos).

Todas as fotos são do Instagram da marca!

No Dia Mundial de Combate Contra a AIDS, o papo reto (e afetuoso) de um soropositivo

Hoje, dia 1º de dezembro, é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. E a gente queria falar sobre isso de um jeito menos “cagador de regra”, autoritário e distanciado, de uma forma mais afetuosa e numa tentativa de nos aproximarmos de pelo menos uma das realidades da doença (porque claro, existem várias). Há 35 anos aconteceu aquele momento emergencial da AIDS, que assustou muita gente e levou muitos. De lá pra cá, a realidade da epidemia se transformou: Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, declarou que “a comunidade internacional pode olhar para trás com algum orgulho, mas ainda é preciso mirar adiante com determinação e comprometimento”.

Isso vem sendo feito de diversas formas, por meio de variadas frentes, de programas mundiais que se engajam para colocar fim à epidemia até 2030, como o caso da ONU, até iniciativas de comunicação e de acesso à informação, que em dias como hoje, por exemplo, publicam grandes reportagens cheias de dados sobre o assunto. Iniciativas todas importantes e louváveis, obviamente, mas como abordar a questão de um jeito mais terreno e esclarecedor, sem reproduzir clichês ou mesmo os números que são de fácil acesso online?

Foi aí que nos deparamos com um testemunho pessoal do Fernando Impagliazzo no Facebook que vem de um lugar de fala, é desmistificador e traz uma visão interna da coisa. E o convidamos para compartilhar aqui essa letra. “Você se sente confortável compartilhando, Fe?”, “Me sinto não só confortável como fazendo algo necessário e urgente. Fazer com que esse mundo seja menos preconceituoso, menos século XIX, menos difícil para todos nós”, ele respondeu. Então aqui estão suas colocações:

1º de Dezembro é o Dia Internacional da Luta Contra a AIDS. Pessoalmente, não gosto desse “contra” no título. Primeiro porque reforça a ideia bélica de que o vírus seja um invasor. Segundo porque, me sabendo soropositivo há sete anos, percebi que lutar contra alguma coisa é bem diferente de lutar a favor de si. “AID”, em inglês, é cuidado. Ser soropositivo é levar todo esse cuidado da doença pro resto da vida. Por um lado, o velho sermão de “você vai ter de tomar remédio o resto da vida”. Mas também um estar mais atento tanto à sua saúde e às suas necessidades, quanto estar atento ao outro.

A luta CONTRA a AIDS, pra mim, se torna uma luta CONTRA o “cuidado”, CONTRA um saber que há pelo menos 50 anos, a humanidade tem adquirido de si mesma. Minha luta a favor, a favor do direito de estar vivo, do direito de saber que boa parte da nossa juventude ainda contrai o vírus. Não, não é porque é promíscua (como se houvesse algum desvalor nisso, procure promíscuo no dicionário) nem muito menos porque é desavisada. As pessoas que contraem o vírus são, antes de tudo, pessoas que se doaram descuidadosamente ao outro. Esse outro, muitas vezes, não é o inimigo. O vírus vem para tomar uma outra dimensão.

Pois bem, falo de uma luta. Nada bélica. Feita de união. A favor do direito de sabermos toda a implicação que esse cuidado ainda carrega. Apesar de o vírus estar controlado pela Medicina, os efeitos são bem ruins. Desde 2010, meu fígado, por exemplo, tem apresentado uma inflamação, decorrente do vírus e do meu sobrepeso. Comecei então a fazer atividade física. O vírus, tão ruim no imaginário das pessoas, pode ser bem real na vida prática. Apesar de me trazer um hábito de vida saudável, eu repito: é sempre melhor não ter o vírus. Luto também para que, quando alguém que se souber soropositivo, isso ser encarado da melhor forma possível. Estar consciente da doença e, ao mesmo tempo, longe das metáforas preconceituosas que ouvimos cotidianamente sobre o HIV.

Amor e cuidado a todos!

Para entender mais do imaginário construído em torno da AIDS e quebrar seus paradigmas, vale ler o livro “Doença Como Metáfora / AIDS e Suas Metáforas”, da Susan Sontag, dica do próprio Fernando. Quebrar estigmas também faz parte dessa luta. É sempre importante lembrar que pessoas em situação de pobreza sofrem ainda mais com o HIV, com menos acesso a cuidados e serviços, mas o apoio é necessidade para pobres, ricos, para a classe média, para o seu amigo. A ideia aqui não é alienar, pelo contrário, é trocar. Falemos, conversemos, ESCUTEMOS e lutemos da forma que dá. E ei: vamos nos cuidar!

V Mostra de Artes Jardim Suspenso: a mostra que mora no Morro da Babilônia

No alto do Morro da Babilônia, comunidade carioca rodeada por Botafogo, Urca, Leme e Copa, quem não sobe nem imagina o que se passa lá em cima. A V Mostra de Artes Jardim Suspenso, um festival cultural que oferece exposições, residências e experimentações, ocupou a favela de sua parte alta até a floresta e esteve aberta para visitações entre os dias 19 e 20. Sim, floresta, porque o Morro da Babilônia ainda tem, lá dentro, uma Área de Proteção Ambiental (APA). Instalações, performances, site-specific, música, poesia se misturam com o cenário hora de comunidade, hora de verde da mata, em trabalhos construídos junto aos moradores da região, num processo de troca verdadeira que buscou, todo o tempo, fugir de qualquer tipo de aproveitamento abusivo.

A gente conversou com o Jeferson Andrade, uma das cabeças e corpos por trás da organização do Jardim Suspenso, para entender melhor a mostra, de seu nascimento até seu funcionamento atualmente. O Jeferson participa da mostra desde sua segunda edição e esse ano esteve bastante envolvido no processo de curadoria/escolha dos artistas que participariam da residência, vivendo e criando durante um mês numa casa no Morro e produzindo diálogos reais com a comunidade e com aquela localidade, tudo inserido dentro do tema dessa edição, que é “Descolonização”.

Como começou o evento? O evento foi inicialmente idealizado pela Dandara [Catete], uma artista que está até hoje conosco e que começou com um projeto no casarão no Cosme Velho, posteriormente fez um outro na Tijuca e na 3ª edição passou aqui para o Morro da Babilônia. O Álvaro [Júnior], que mora aqui, sempre foi um dos produtores, desde o começo. Eu entrei na 2ª edição, na Tijuca, participando como artista e da organização. Uma das características do Jardim Suspenso é que os artistas fazem parte também da produção, assim como os músicos. A ideia é que seja um evento de artes integradas que explore outros ângulos, outras linguagens, como a roda de capoeira, o debate…

E como foi o processo de organização desse ano? E de seleção de artistas? Esse ano eu estou no Jardim como produtor de arte, fazendo a produção conceitual do evento, a seleção… Fizemos a seleção a partir do espaço, contando com a ajuda de uma arquiteta, a Laura, e do Ivan Pascarelli, que nos deu uma assessoria muito importante quanto a como os artistas poderiam utilizar a experiência espacial de todo o território, desde a casa até aqui. Abrimos um edital, uma convocatória pública, para selecionar dez artistas que seriam residentes, e esses artistas residentes, junto com a gente, selecionariam outros tantos artistas como não residentes. Os artistas residentes vieram para morar, então privilegiamos artistas de endereços distantes, de periferia e até de outros países (o Peter é um artista de Berlim, o Nacho é argentino de Córdoba). Tentamos ter uma diversidade de propostas e de gênero e fomos desenvolvendo os trabalhos em torno de um tema geral, que esse ano foi descolonização.

Como esse tema se relaciona com o espaço do Jardim Suspenso, com o morro? Estávamos interessados em leituras pós-coloniais, no que seria o decolonial, as produções de linguagem como resistência, criação de novas palavras, de novas situações, instalações espaciais… O espaço da favela é um espaço que tem uma estética de vivência, vivência como produção estética contínua, decolonial. As próprias construções: eles constroem as casas deles de maneira bem manual, é uma coisa muito interna, estão sempre construindo e isso é uma demarcação de território, é uma tomada muito interessante, um senso de comunidade dentro de um cerco Zona Sul, branco e que não considera o morro como parte do bairro, mas as pessoas estão aqui vivendo há muito tempo. Na década de 80, eles foram responsáveis pelo reflorestamento da região, essa era uma área desertificada pela criação de gado. A gente conversou muito com o presidente da associação de moradores, o André, que tem um projeto interessante e uma fala incrível sobre o problema racial e de exotificação, o porquê disso, de transformar a favela num zoológico, esse turismo predatório num nível psiquíco, então ele fez parte também, no primeiro dia da residência já iniciamos com uma fala muito boa do André.

Você está com uma instalação aqui? A minha instalação são as placas,tem duas aqui e duas lá embaixo. São placas publicitárias, de vendas de imóveis, a Imobiliária Privilégio, que eu não necessariamente inventei. Eu estava dando um rolê no asfalto em Copa, tudo caro pra caralho, e aí eu passei por uma imobiliária com esse nome perto do metrô. Existe! Aqui em Copa! E aí eu falei “putz, será?”. Eu tinha conversado com o André, que tinha me dito que eles estavam com um problema super sério com a galera que mora numa clareira no morro; as pessoas estão a ponto de serem removidas porque a Área de Proteção Ambiental tem as áreas limítrofes demarcadas com barras de ferro, que foi onde coloquei minhas placas. Tudo que está pra trás vai ser removido, já existe uma ordem judicial para isso e eles alegam que é pelo impacto ambiental, mas na verdade é porque dá pra ver, de Copacabana, os barracos aqui da frente, entendeu? Isso atrapalha a especulação imobiliária.

Fala mais sobre o processo de seleção dos artistas, foi por vivência, por trampo? Foi uma seleção totalmente aberta. Fizemos um editalzinho, não foi nada burocrático. Os artistas inscritos enviaram projetos e nós selecionamos esses projetos de acordo com isso que estávamos interessados em construir. A partir do projeto do Jardim Suspenso a gente entendeu que a melhor experiência que poderíamos produzir era uma experiência imersiva.

Quando chegamos ao Jardim Suspenso, fica logo claro que uma das coisas mais importantes de todo aquele processo acontecendo ali é a relação entre os artistas e o lugar, especialmente se pensarmos que muitos artistas de outras cidades e até de outros países de repente se viram morando na Babilônia. “O Jardim se instaura dentro de uma questão geopolítica que a gente não pode negar, é uma favela com UPP. Tem uma pequena guerra rolando aqui, os residentes tomaram noção disso, é uma guerra, pessoas morrem, esses corpos devem ser colocados em questão, o corpo periférico, o corpo feminino, o corpo preto, o corpo do favelado”, afirma Jeferson.

Toda essa diversidade foi perseguida, mas no sentido de travar diálogos tanto com essas pessoas que possuem seu lugar de fala quanto com quem vive distante de tal realidade: “a gente não pode ficar conversando entre a gente sobre descolonização, os corpos privilegiados têm que vir aqui também, é importante criar esse tipo de integração para ter o debate”, explica Jeferson. E nisso se deu também a vontade de criar uma residência internacional. Na casa convivem artistas de Berlim, de São Gonçalo, de Mesquita, de São Paulo. E aí os tensionamentos acontecem, afinal, como essas pessoas que vêm de realidades tão diferentes lidam com a favela? E como elas se relacionam entre si diante de suas experiências tão diversas com as cidades?

Ana Matheus Abbade, de São Gonçalo, fez uma vídeo-instalação inspirada em experiências que teve ali. “Só Não Pode Ser Ele” nasceu de seu processo de reconhecimento do lugar e de sua descoberta da homosexualidade como um grande tabu na comunidade. Histórias de homens que pulavam muros para transar com outros homens sem serem vistos pipocaram em seus ouvidos, “essa relação de como se formula a identidade que se perpetua no seu corpo e como se constitui na negociação com a pólis, acho que foi mais ou menos essa a minha forma de pensar a estrutura do filme”, diz Ana, que é residente do projeto. Já Miguel Vida, que é da Espanha, mas vive na Babilônia há dois anos, tem seus trabalhos espalhados pelo Morro. Ele faz parte do projeto do Espaço Cultural Jardim da Babilônia, uma iniciativa relevante de fomento artístico e empoderamento cultural que tem um bar, por meio do qual eles pretendem viver, crescer e sustentar o projeto. Miguel pintou os degraus das escadas do Morro: “fiz uma poesia e coloquei nos degraus, porque é o que é mais visto quando você carrega material, e queria trazer para o físico. Os carregadores de material passam o tempo inteiro olhando pro chão”.

Visitar o Jardim Suspenso e entender todas essas questões na prática é deveras impactante. Não se trata de uma exposição tradicional nem da reprodução de clichês, mas de uma explosão do que se entende como instituição e espaço de representação da arte, como o próprio Jeferson nos explicou. No Morro da Babilônia, os artistas se envolvem de maneira ativa com questões políticas, sensoriais, locais, identitárias e de luta, e isso se traduz em suas obras, além de alcançar uma parte da população carioca que nem sempre tem acesso a isso. “trabalhar dentro da favela foi muito interessante porque a gente pôde explorar umas coisas incríveis, dá pra emergir coisas incríveis falando só desse lugar sem ser predatório ou exploratório. A gente tem que ter capacidade de integração, não é unidirecional”, conclui Jeferson.

Você pode saber tudo que rolou na programação do Jardim Suspenso aqui!

Fotos: West Pereira

5 dicas imperdíveis de LA por Arthur Chini + um papo sobre o STEAL THE LOOK

Você conhece o STEAL THE LOOK? Caso ainda não tenha ouvido falar, aqui vai uma boa oportunidade de sacar melhor como funciona a plataforma de moda e beleza que é líder em conteúdo comprável no país! São 2 milhões de visitas mensais num lugar onde você pode se informar sobre estilo e já adquirir o que te interessa e tem a ver com você. Uma sacada de empreendedorismo maravilhosa e que hoje é comandada pela Catharina Dieterich, pela Manuela Bordasch e pelo Arthur Chini, sócio dessa empreitada com quem trocamos uma ideia tanto sobre negócios quanto sobre os hotspots de Los Angeles. Anota tudo aí!

Arthur em Malibu, por Luiza Ferraz

Conta pra gente um pouco da sua história: como você começou na moda? E no STEAL THE LOOK? Como surgiu e funciona a parte masculina do site?

Eu comecei no STL em 2012, logo depois que a Manu e a Catha lançaram o site. Na época ainda não havia ainda uma empresa, era mais um projeto, que tinha várias outras pessoas envolvidas. Depois de conhecer a Manu em um curso na Perestroika, o Empreendedorismo Criativo, ela me chamou para fazer a parte masculina. Eu sempre gostei de moda, mas nunca havia trabalhado na área, fiz Relações Internacionais na faculdade. Fiquei um tempo afastado do projeto, entre 2013 e 2014, pois estava estudando na França. Voltei, dessa vez como sócio da empresa, em 2015. Hoje eu cuido de toda a parte administrativa do STL, divido com a Manu o comercial e às vezes escrevo matérias para o site, tenho uma coluna chamada #TBT e escrevo reviews de desfiles de todos os fashion weeks que cobrimos. A parte masculina do STL, que chamávamos Steal His Look, hoje está em stand-by, pois decidimos pausar o projeto por enquanto para focar no core do STL, que é o site feminino.

O que é o STEAL THE LOOK Summer Office?

A ideia do Summer Office surgiu em maio do ano passado. Pensamos em levar convidados para uma casa em alguma praia paradisíaca e gerar conteúdo de lá por uma semana, unindo dicas de moda, beleza e lifestyle, criando um guia do local. A ideia é passar para os leitores o feeling de como é passar uma semana em um lugar assim, e também gerar um conteúdo relevante para quem vai já vai viajar para o lugar que escolhermos. No ano passado fomos para Ibiza, e nesse ano escolhemos Los Angeles, porque é uma cidade que une um visual incrível, com praias, e um cenário urbano, com lojas, restaurantes e arte.

5 DICAS IMPERDÍVEIS DE LOS ANGELES:

Wasteland (7428 Melrose Av.) – para mim é o melhor brechó de LA. A sessão masculina é super completa, tem araras cheias de jaquetas de couro incríveis, trajes sociais completos, uma infinidade de jeans e sapatos muito bem cuidados. Para quem gosta de garimpar, é um must-see, dá pra encontrar desde tênis da Saint Laurent a jaquetas da Margiela.

Divulgação

American Rag Cie (150 South La Brea Avenue) – uma das lojas mais legais nos entornos da Beverly Blvd, ela é incrível porque tem uma curadoria excelente de tudo desde streetwear até high fashion, passando por livros, acessórios e gadgets. Na parte masculina eles têm desde marcas famosas como Comme Des Garçons, até marcas mais low profile, como Melinda Gloss e a canadense Wings + Horns, que eu adoro.

Youtube American Rag Cie

The Broad (221 South Grand Avenue) – é o museu que guarda a coleção de arte contemporânea do casal Broad. O prédio em si já é demais, e eles têm um dos maiores acervos de obras do Jeff Koons e do Takashi Murakami no mundo, além da Infinity Room da Yayoi Kusama, que vai ficar no Broad até outubro de 2017. Esse ano eles também estão com a exposição Imitation of Life, da Cindy Sherman, que é imperdível.

Benny Chan

Redbird (114 East Second St.) – esse restaurante de culinária americana do chef Neal Fraser fica dentro de um dos prédios de uma antiga igreja, Vibiana Church. O menu é impecável, principalmente os drinks, e sugiro reservar com antecedência porque desde que ele abriu, no ano passado, é um dos restaurantes mais badalados de LA.

Divulgação

Commissary (3515 Wilshire Blvd.) – o Commissary é um dos restaurantes do hotel The Line, focado em culinária vegetariana/orgânica (uma fixação em LA). Tem saladas maravilhosas, os melhores pressed juices de LA e um ambiente incrível (ele parece uma estufa de flores) além do público super cool que frequenta o The Line.

Wonho Frank Lee

Ah, seria 1 sonho arrumar as malas agorinha mesmo?

A Void General Store tomou de assalto o Rio de Janeiro! Entenda o sucesso

Uma conveniência que não é apenas uma conveniência. É uma conveniência que também tem bar. Mas não só. Uma conveniência que vende roupas descoladas, tênis irados, Melissas, Havaianas. O brownie mais famoso do Rio de Janeiro, acessórios descolados, coisas que você precisa para o seu skate, parafina. Uma conveniência que, convenientemente, reúne uma galera massa para beber, comer uma besteirinha, trocar várias ideias — e lota! Uma conveniência que faz festas. Ou seja, muito, mas muito mais do que uma “lojinha de posto”.

Essa é a explicação resumida do que é a Void General Store. Talvez só indo a uma de suas seis unidades no Rio de Janeiro você entenda 100% a vibe do lugar. Se você é frequentador, sabe exatamente do que estamos falando! A Void dominou parte do Rio de Janeiro com seu jeitão sem regras e quer dominar o mundo! É, de fato, um super case de sucesso de um negócio que nasceu do sonho de amigos, há alguns anos atrás, de um jeito mega fluido, vibes geração Y, vibes trabalhar com amor, trampar e viver, tudo junto.

Na verdade, tudo começou em 2004, quando os amigos Pedro Hemb, Ricardo Mohr, Bruno Tellechea e João Francisco Hein começaram a organizar uns eventos em Porto Alegre, onde eles moravam. O dinheiro que nasceu dessas iniciativas foi reinvestido numa revista que se chama, adivinhem, Void, e que versa bem sobre esse universo que a Void General Store agrega: skate, surf, moda, night, sons bacanas. Tudo feito de forma independente, diga-se de passagem, e com conteúdo de qualidade.

A coisa foi crescendo, uma rede foi se formando, até porque os eventos nunca deixaram de existir em paralelo ao que os meninos estavam fazendo, até que eles sentiram que era hora de ir além e viram na General Store um gap de mercado. Vieram pro Rio, muito porque no eixo Rio-São Paulo as coisas ganham dimensão com mais rapidez (e convenhamos, Rio e Void tudaver), e abriram a primeira loja em 2014. Trocamos uma ideia com o Pedro Perdigão, que se juntou ao time Void quando esse chegou ao Rio, pra entender mais desse negócio todo.

Da chegada da primeira loja ao Rio, em 2014, até agora vocês já somam seis lojas, espaços super bombados. A que vocês atribuem tanto sucesso? O crescimento acabou sendo natural. Todos os envolvidos no movimento que estamos construindo vivem a Void de uma maneira muito intensa. Acho que a ideia de ser uma loja que vai servir cada bairro de maneira diferente também contribuiu para o crescimento. Mas acho que ainda temos muito a construir. Nosso sonho é grande e estamos iniciando ele.

Como foi a evolução, o crescimento da Void no Rio de Janeiro desde a chegada de vocês por aqui? Quais acontecimentos você destaca como cruciais? A Void é muito maior do que as lojas. Ela já existe há mais de 10 anos através da revista. Nossa essência é o conteúdo. Acredito que essa evolução tem acontecido em todas as esferas. Nos filmes, nas publicações, nos eventos e nas lojas. A loja acaba sendo a forma mais rápida de entrar no nosso universo e por isso essa percepção de crescimento é maior. Mas estamos sempre evoluindo e trabalhando muito pra chegar aonde a gente quer. Posso destacar alguns momentos que contribuíram muito para essa evolução. Os Consertos para Juventude na Void Barra: Mac Demarco, Allah Las e Skegss. O Mimpi, nosso festival de filmes de surf e skate. A edição da revista Suave, SP. As aberturas das lojas foram muito importantes. Todas. Cada uma com sua característica. Mas destaco Botafogo com a presença da House of Food, pois criou uma nova dinâmica.

Os vídeos review são divertidíssimos. Como surgiu a ideia? (Veja os vídeos na página da Void no Face, a /voidelicia). Toda semana chegam produtos alucinantes nas lojas. Sempre tem uma novidade e algum item que é difícil de encontrar em outros lugares. Vimos que a comunicacão deles apenas pelo Instagram não era o suficiente. Temos uma facilidade em criar vídeos e ao mesmo tempo, vimos que o nosso time em lojas é muito foda e que poderia muito contribuir. Resolvemos então juntar tudo. Abrimos uma câmera na frente deles e aconteceu. Não tínhamos uma pretensão com os videos. Mas eles acabaram bombando muito!

A Void virou referência de lifestyle, né? Quem é a galera que frequenta as lojas? Nos relacionamos com uma cultura de fronteira. Aqueles que tem seus próprios movimentos mas que estão à margem de uma cultura tradicional. A Void reúne essas galeras. Música, moda, arte, surf, skate, rango são alguns dos territórios. Mas a Void é o caldeirão que provoca esses encontros malucos entre pessoas improváveis.

Hoje, quantas pessoas tem o time da Void? Quantos vocês eram quando chegaram por aqui? Quando começamos aqui no Rio éramos 8 no escritório e mais a galera da primeira loja. Hoje, somando todas as lojas, escritório e colaboradores, somos um time de aproximadamente de 80 pessoas.

Todas as fotos: I Hate Flash