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4 dias em Honolulu: dicas, histórias e passeios.

Clique para assistir o Caio na Estrada no Havaí

Então vamo lá: eu e meu pai fomos correr a Meia Maratona de Honolulu agora no mês de Abril. Uma sidenote sobre meu pai que virou revelação no Snapchat:

– Recebemos centenas de comentários falando que ele é o máximo
– Ele é mesmo
– Mas vocês criaram um monstro, diz ele que já está até com saudade do ~carinho do Snapchat~.

Voltando, tínhamos uma passagem de graça para os E.U.A por causa das milhagens e poderíamos escolher qualquer cidade, estado dos E.U.A. Eu que não sou bobo nem nada, queria voltar ao Havaí desde que fiz um intercâmbio em Kona, na Big Island, em 2007. Emitimos as passagens e fomos para Honolulu, cidade que eu mal conhecia. Honolulu é uma grande metrópole no meio do Pacífico, é quase inacreditável como os americanos conseguiram construir tudo isso no meio do nada. Highways imensas, um porto super arrojado, todas as lojas, supermercardos, boates, restaurantes, enfim, tudo o que você imaginar que tem em Miami, por exemplo, tem em Honolulu. A diferença é que Honolulu fica a 5 horas do continente americano e a 8 horas do Japão.

Então vamos às dicas e às histórias dessa breve viagem, que só durou 4 dias, mas foi inesquecível.

Sempre sente na janela do avião, para garantir vistas como essas

Tudo em Honolulu tem tema de abacaxi ou plantas, ou os dois juntos. Este é um ‘Mai Tai’, que é rum + muito açúcar + suco de abacaxi. Tem que provar, é a ‘caipirinha’ dos havaianos.

Para fãs de estampas, é um verdadeiro paraíso visual e imagético. Não resisti e acabei parando em uma loja chamada Fabric Mart, só de tecidões estampados. Agora tô pensando se vou forrar o sofá ou uma parede lá de casa. Olha que coisa linda!

Waikiki é super turística e tem o melhor por do sol do Pacífico. Muitas excursões japonesas, muitas mesmo, bandos e bandos, chega a incomodar porque você nunca se sente curtindo uma vibe mais aloha no meio da turistada porque tem tanta gente ~sendo turista~ o tempo inteiro. O bairro é busy, não é lugar de relaxar, é pra quem quer praia + agito + compras. Mas imagine que Waikiki é uma Ipanema que deu super certo, com lojas maravilhosas, tipo Saint Laurent, Gucci, Prada, uma Apple store incrível, e uma praia maravilhosa.

Todo mundo se veste com Aloha shirts. Isso eu já sabia, então levei um guarda-roupa bem estampado, divertido porque tinha certeza que ia combinar com a paisagem havaiana. Se você não tem roupas assim e quer entrar nesse clima, deixe pra comprar tudo lá pelo Havaí que tem uma loja de aloha shirts a cada esquina. A melhor dica é o brechó que tem mais de 15.000 camisas num precinho camarada, quase um museu fashion desse mundo. Comprei uma camisa linda e um chaveiro do Obama com uma prancha de surfe (Obama é havaiano, você sabia? Eu não!)

Amazing Maui Babe Browning Lotion: o bronzeador #1 do Havaí é feito lá mesmo, tem muito cheiro de molho shoyu, é uma beleza e deixa a pele brilhando, tinindo. Em média 10 dólares em qualquer ABC Store, loja que é um gremlin havaiano, está em toda e qualquer esquina e tem tudo o que você pode precisar para uma viagem perfeita (comida, bebida, souvenires, todos os produtos do universo praia), dá vontade de morar lá dentro. Mas não caia na armadilha e deixe para comprar os presentes da galera no Wal-Mart, que tem a metade do preço. E com esse dólar fortunesco qualquer ímã de geladeira tá saindo na base dos R$ 16 né, não tá fácil.

A melhor praia de Honolulu se chama Hanauma Bay, é realmente uma coisa divina, você precisa alugar um carro para ir, vale à pena cada centavo. Tem uma pequena chatice de pagar US$ 8 para entrar e fazer fila para assistir um vídeo super anos 90 sobre preservação ambiental e as regras do lugar, bem coisa de americano, mas superado esse desafio saia da muvuca e arrase no snorkel. Se você não tiver um, lá tem pra alugar, eu nem sou muito do rolê mergulhador mas fiquei impressionado, é lindo!

North Shore tem mais a cara das coisas que eu gosto, um pouco mais de localismo, surfistas doidões e gente que resolveu que a vida não é essa loucura urbana e precisa de um mais pouco de paz. Praias com ondas gigantes, péssimas de tomar banho mas ótimas de ficar vendo a galera surfar, e food trucks deliciosos com peixes (ahi e poke). Bom, barato e saudável.

Arrisco dizer que o Yanagi Sushi é o melhor restaurante japonês que já fui na minha vida, melhor mesmo que os de Tóquio. Encontramos o Yanagi numa lista muito santa do NYTimes, que às vezes tem dicas legais, mas de vez em quando são muito yuppies, bom ficar de olho. O Yanagi é aquele tipo de lugar que tem foto de famosos na parede, só que os famosos são do naipe do Mick Jagger, então respeito total. Sushimen absurdos, ingredientes super frescos, preços justos, inventivos, a gente sentou no balcão e ficava só falando ‘do what you want’, ‘whatever you feel like it’s right today’, deixando os caras brilharem e eles encheram a gente de maravilhosidades japonesas. A conta deu US$ 80 para duas pessoas, se converter não é barato, mas honestamente, em São Paulo ou Rio seria o dobro com toda certeza.

Alugamos um jipe pelo simples fato de querer tirar essa onda – levantar a capota, sentir o vento batendo nos cabelos e não ficar noiado se vai chegar algum maloqueiro pra levar o nosso iPhone tocando Ben Harper nas alturas. Na matemática é um custo desnecessário, porque uma diária de um carro normal custa US$ 30, enquanto a do jipe US$ 100. Mas como eram poucos dias e estávamos no Havaí, ah, vale à pena essa mini alegria da modernidade.

Essas são as minhas dicas nada didáticas do Havaí. Melhor do que uma listinha de coisas a fazer, é simplesmente ir e descobrir. Boa viagem!

Revista CAUSE, Leticia Cazarré e o retorno ao papel

Letícia Cazarré e eu, no escritório da CAUSE, no Jardim Botânico.

Conheci Leticia Cazarré – sim, esse sobrenome não é nada estranho, ela é mulher do super ator Juliano Cazarré – em um desses São Paulo Fashion Week da vida. Ela tinha acabado de lançar o primeiro volume da sua revista, a CAUSE, que surgiu recentemente como uma nova crew realizadora do Rio. Fiquei todo animado com a notícia, pois não tem nada que eu mais ame do que ver gente nova no mercado batalhando pelos seus sonhos e fazendo a ponte entre pessoas que tem ideias criativas em comum.

Alguns meses depois me encontrei com Letícia de novo em uma visitinha no escritório da revista, que fica no coworking XXVinte, no Jardim Botânico (aliás, um charme de lugar). A capa da segunda edição, com o tema Morte e Vida, traz ninguém menos que o Cauã Reymond na capa. Um Cauã sensível, bem diferente das novelas, com um fundo quartzo e direção de arte que estão uma lindeza.

Um dos lances legais do conteúdo bem interdisciplinar da revista é que ela é colaborativa, e você também pode submeter o seu trabalho – sejam textos, ensaios fotográficos, tudo o mais que for relacionado à arte. Aliás, a ideia é mesmo de que a CAUSE possa ser um veículo de papel para essa nova geração que ainda não consegue acesso publicar no impresso mainstream. Um lugar de experimentação, portfólio, e por isso, mais livre!

Tinha uma super entrevista com ela mas meu iPhone deu pau e perdi todo o arquivo de áudio. Mal minha. Mas deu tempo de salvar a nossa foto com as capas das duas primeiras edições da revista – que está à venda pelo Rio e São Paulo, e principalmente online, no site http://www.cause-magazine.com/.

Foto @mateusaguiarph / Model @vitor_lodi / Styling @tassio_aragao / Beauty @danixrib

Vale muito à pena ficar ligado, e claro, comprar a revista, que extrapola a moda e se aventura pelas intelectualidades de uma maneira bem fresh. Ah, e também deem uma olhada nos trabalhos que estão publicados no site, tem umas coisas bem lindas, como esse editorial Shining Youth, do fotógrafo Mateus Aguiar.

Boa Sorte, Letícia!

Os looks do Lollapalooza 2016!

Às vezes o óbvio precisa ser dito mesmo, então vamos lá: eita que Lollapalooza maravilhoso. Cada vez mais eu prefiro o festival lá em Interlagos, sem apertos, sem fedor (adeus Jockey!), e sempre com uma galera incrível. Este Lolla foi mais especial ainda porque fui #OCaraDoLolla junto com AXE e pude levar meus amigos do Brasil inteiro pra curtir o festival comigo. E como curtimos! O show do DIE ANTWOORD foi uma surra de looks e referências, meu preferido disparado. E Jack U, apesar de bem comercial, botou a galera pra pular como poucos! Vamos ao que interessa – os looks com muitas referências longline que fizeram o maior sucesso

Black and White Geométrico

Óculos: Ray-Ban Clubround
Camisas: Another Place (sim, são duas!)
Calça Adidas Originals
Sneaker Nike Air Force One

All-White Justin Bieber Inspired

Óculos: Ray-Ban Clubround
Camisa: ASOS (clique para comprar)
Jaqueta ASOS (clique para comprar)
Bermuda ASOS (clique para comprar)
Meias ASOS (clique para comprar)
Sneaker Nike Air Force One

Os dez mandamentos do bom dono de casa

Você já saiu da casa dos seus pais há algum tempo, mas parece que a casa dos seus pais ainda não saiu de você, não é mesmo? Hábitos de quando você ainda tinha 15 anos permanecem recorrentes? Tudo bem, afinal, a casa é finalmente sua. Agora, se você estiver insatisfeito com a sua performance no lar (e talvez deva, né migo), coloque em prática já esses dez mandamentos que farão de você um dono de casa de respeito!

1. Organizarás seu dia As tarefas domésticas exigem logística e organização. Procure encontrar sentido na ordem e no horário de seus afazeres e mantenha um checklist atualizado.

2. Aprenderás a fazer faxina A sensação de casa limpa é das melhores, mas a verdade é que muitos de nós nunca aprendemos a limpar corretamente o lar. Sente que está com esses conhecimentos defasados? Coloque a mão na massa junto de quem tem o know-how e aprenda na prática. Tente varrer algumas vezes por semana e não acumule lixo.

3. Não procrastinarás A maior inimiga do dono de casa é a procrastinação, afinal, a casa é sua e você faz o que quiser — inclusive nada — quando bem entender. É aí que pequenas tarefas viram uma bola de neve e parecem impossíveis de serem completadas.

4. Farás comida de verdade Bela Gil agradece se você finalmente substituir os congelados por alguns minutos a mais na cozinha (e uma refeição de verdade), por exemplo. Você não precisa ser chef, mas tá na hora de aprender aqueles pratos caseiros simples e que sempre te agradaram. Domingo é dos melhores dias pra fazer um panelão de comida e deixar as marmitas da semana prontas, caso você viva uma vida corrida.

5. Reciclarás Um dono de casa moderno e responsável com o planeta. Não é isso que você quer ser? Separe orgânicos, recicláveis e óleos usados em diferentes recipientes e se informe sobre o posto de coleta mais próximo.

6. Receberás com carinho É mesmo de tremenda consideração receber os amigos com certo cuidado, e nada passa maior sensação de bom dono de casa a quem vê de fora do que ser recebido com carinho e atenção. Não é questão de montar todo um chá das cinco, mas de oferecer um café, um snack, esconder as cuecas sujas.

7. Decorarás com a sua cara Você terá muito mais prazer em realizar os afazeres domésticos se tiver orgulho e identificação com o seu lar. No mais, casas com cara de saídas da revista são tão sem personalidade! Encontre o seu jeitinho de decorar e seja feliz.

8. Abastecerás a geladeira O que, inclusive, completa o mandamento 4. Uma das coisas que descobrimos quando saímos de casa é que a comida não surge milagrosamente na geladeira, temos que ir ao supermercado para comprá-la.

9. Pagarás suas contas em dia Saiba que seu aluguel, incluindo condomínio e taxas, deve custar no máximo 30% da sua renda mensal. Esse é o jeito indicado pelos economistas pra que você não se meta em furadas.

10. Terás ao menos uma plantinha. Plantas mudam a vibe da casa e são outro ótimo jeito de você treinar sua responsabilidade.

Quer mais dicas para ser um bom dono de casa? Fica ligado aqui no site. Estamos, mais do que nunca, focados em cuidar direitinho dos nossos lares!

A vida real acontece offline

Campanha publicitária minha em parceria com a Ray-Ban, que por coincidência, tem o tema ‘A Vida Real Acontece Offline’

Vocês devem ter visto recentemente a notícia de Essena O’Neill, a instablogger australiana que resolveu jogar tudo pro alto e “abandonar” a sua vida perfeita. Essena faz parte de um fenômeno chamado influenciadores digitais – no qual eu também posso me enquadrar, por trabalhar há seis anos com ferramentas digitais e manter uma personalidade digital. Eu recebi a notícia de Essena com algum entusiasmo, por ver que existe gente por aí que realmente está se dando conta da inversão de valores tão rápida que sofremos, da busca eterna por likes, da amizade de famosos, por comentários positivos, e essa ansiedade sem linha de chegada em ser aceito.

O vídeo de 18 minutos é um pouco desesperador, repetitivo, mas tão contemporâneo.

A ruptura foi drástica: ela deletou 2.000 fotos e re-legendou algumas delas, com o tema ‘Social Media is Not Real Life’, e agora propõe um novo estilo de vida, mais desconectado e principalmente mais próximo à realidade. Essena agora não quer mais ser uma garota bonita, magra, bronzeada e de dentes brancos, apesar de ter construído milimetricamente este código. Quer ser conhecida pela sua mensagem, algo que apesar dos seus milhares de seguidores, jamais conseguiu materializar, pois ao perceber que suas fotos calculadas com barriguinha de fora, pose zen e saladinha no almoço faziam muito sucesso, preferiu seguir por esta linha editorial. Um caminho óbvio, esquecível, e pelo visto, que deve surtar.

Raf Simons deixa a Dior – ele só queria ser um grande estilista, e não queria fazer o rolê da celebridade. Há um ponto de contato com a história de Essena?

A maturidade de Essena, com pitadas de síndrome do pânico, nos faz refletir sobre a carência da vida real travestida do rótulo de ‘instablogger’. O quanto estamos deixando de viver momentos reais com pessoas ao lado para pensar na próxima imagem perfeita e projetar um estilo de vida invejável? O quanto estamos perdendo músicas incríveis no show do nosso artista preferido para fazer vídeos toscos e tentar colocar isso na internet só para dizer que fomos? Quantas vezes estamos sentados num restaurante sem falar com o amigo que divide a refeição conosco porque queremos fazer a foto perfeita para o Instagr.am? Quanto a isso sim, realmente, temos que abrir os olhos. Obrigado por reforçar o coro, Essena.

E aí você começa a se perguntar: será que eu sou meio Essena? É, eu devo ter meus momentos de deslumbre. Tenho meus momentos egotrip quando posto uma foto sem camisa com um resultado suado de academia, o que pra mim é motivo de orgulho pela minha vocação boêmia (gente, meu pai é do Carnaval, dá um desconto). Mas, durante toda a vida estudo, estudei e estudarei, e tento agregar isso no meu conteúdo audiovisual, como em vídeos do Youtube. Hoje dou aulas e palestras pelo país sobre comportamento jovem e empreendedorismo, momentos onde a troca de energia e principalmente conteúdo com gente pensante e interessada vale mais do que qualquer chuva de likes. Uma boa entrevista com um artista impressionante me enche de ideias e inspiração que o Instagram jamais verá. Uma viagem onde a jornada e as pessoas que a gente conhece valem mais do que os bons filtros do VSCOCam são memórias que eu vou só vou contar numa mesa de bar. Portanto há sim muitas chances de criar momentos incríveis com as plataformas online e usá-las ao seu favor ao invés de sentir que ‘criou o seu próprio monstro’. Conteúdo é uma escolha.

É necessário dar um passo para trás e perceber que tipo de comunicador você quer ser, e isso vale para qualquer carreira, afinal, não existe mais nenhum negócio no mundo sem comunicação digital. Mesmo os médicos hoje em dia tem boas páginas com um super sistema de SEO. Talvez eu nunca seja o cara do um milhão de likes. Mas eu escolhi não ser. Se você quiser ser, vou até te dar uma dica: crie um Instagr.am com moodboards com fotos de estilo de vida, cartões de embarque na executiva, pratos lights, relógios, carros, barcos, whey, abdôme trincado, e claro, muita selfie com famosos. Cuidado só pra não Essenar após alguns aninhos.

Essena agora quer se reinventar. Mas peraí, ela vai aproveitar sua plataforma – o que pra mim é controverso, afinal, se você quer mesmo desconectar, seja mais Ana Paula Arósio, amiga – para falar de coisas que para ela importam ‘de verdade’ como veganismo, preservação do meio ambiente, amor, autenticidade, mindfulness, liberdade de expressão. Por ironia do destino, ou não, todos esses temas são ~super bacanas~ e relevantes no nosso zeitgeist. É Essena, acho que ainda dá tempo de passar mais umas horas no divã.

O publicitário e o caiçara

Santiago corria pela praia enquanto avistou o sem-camisa João, que também corria, em sentido contrário. Santiago e João são dois caras bem diferentes. Provavalmente em 1992, enquanto Santiago era criado com leite NAN, William nascia e sua família não deveria ter mais que o básico para sobreviver. Santiago, branco, da cidade. João, negro, caiçara. Eles se entreolham por alguns segundos. Alair Gomes jamais resistiria a João. Santiago dá meia volta e puxa um papo frouxo de amenidades, olás, tá correndo, tá suado, tá cansado, findi foi bão…

– O que você faz da vida? — pergunta Santiago – Sou servente de pedreiro, responde João. E você? – Por isso que você tem esse corpo incrível. Sou publicitário. – Trabalha sentado né. Estudou. – É, estudei.

Não se sabe se João não estudou porque precisava ajudar em casa, se as condições da sua escola eram precárias, se ninguém da sua família valorizava os livros, se João se envolveu com o crime. O fato é quea distância entre os mundos de Santiago e João são tão maiores que o canal da Ilhabela poderia separar.

– É irmão, vou nessa. Tô atrasado. Boa sorte aí. — mentira, mas Santiago, em um misto de constrangimento e condescendência.

Ele agora se sente um pouco culpado por todas as oportunidades que teve de estudar mais, muito mais, e não aproveitou. Santiago anda empático demais, a ponto de transformar uma paquera em uma espiral do silêncio. Pensa em todos os cursos que poderia ter feito no fim de semana mas sempre se recusou, para não atrapalhar a ressaca. Que precisa mesmo engatar aquela pós e parar de enrolação.

A lição de Santiago no dia das crianças, de Nossa Senhora de Aparecida, foi a de ser grato pelo acesso à educação. De agradecer à criança que foi sempre encorajada pelos pais a estudar e perceber valor no resultado do estudo. Ao estímulo de resolver os problemas com o cérebro e não com as mãos. A de ter crescido em um ambiente amoroso e a uma casa com muitos livros e ótima música. Ao fato de que seu pico de stress adolescente foi uma crise porque não sabia o que queria ser, afinal, havia opções demais para escolher.

Todas de trabalho sentado.