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Detox no Sul da Índia: tudo sobre o Panchakarma!


Sorriso durante o quarto dia de Panchakarma, um dos dias que me senti mais leve em toda minha vida.

Por que fazer um retiro de desintoxicação?

Neste post descrevo com detalhes a minha experiência vivida em Setembro/Outubro de 2017 em um centro de medicina ayurvédica localizado na região do Kerala, no Sul da Índia. O ayurveda é uma tradição indiana que hoje se populariza pelo mundo como um caminho terapêutico holístico para encontrar o equilíbrio corporal e mental.

O outro, sempre ele. O outro não sou eu, nem você que está lendo. O outro é a terceira pessoa que está oculta nesta conversa. É a pessoa em quem inconscientemente eu quero chegar o tempo inteiro. Você também pensa nesse outrem. É a pessoa para quem você vai falar bem ou mal deste post. É a pessoa que você vai taguear nos meus posts e fazer com que minha mensagem circule mais, e mais.

Minha exigência com o outro parte desta necessidade inexplicável de ser admirado, querido, aceito. Tudo isso parece normal, mas temos algo que potencializa a presença do outro nas nossas vidas: smartphones, redes sociais e vidas inteiras financeiras e profissionais baseadas neste mundo virtual.

O superego construído a base de likes, comentários e afagos virtuais. Se me serve de consolo, eu sei que não sou o único que se sente pressionado pelas redes sociais. Sei mesmo até que devo oprimir muita gente — a linha entre opressão é inspiração é bem tênue. A internet amalgamou a inveja, potencializou os ególatras e produziu ansiosos em massa.

Trabalhar o tempo inteiro, sem parar, faz muito mal à saúde. A cabeça a mil, a vontade de criar impacto, tudo isso nos move, mas nos distancia da nossa essência. E obviamente, a pressão por viver ‘todos os dias como se não houvesse o amanhã‘ apenas amplifica o desamparo. Então eu levei o work hard, play harder bem à sério, para também desafogar a intensidade da minha vida profissional.

Eu não conseguia perceber o quanto este estilo de vida alimentado por jobs, hashtags, celebridades e muito fervo me faziam mal até não conseguir curar gripes, sinusites, dores de garganta, dores musculares, torcicolos. Tudo foi se somando, e eu comecei a me fragilizar cada vez mais. Minhas mãos e pés formigavam. Eu não conseguia respirar direito, pensar direito, dormir direito. Ansiedade.

Eu não conseguia encontrar a resposta em nenhum dos clínicos gerais, otorrinos, e psicoterapeutas que eu frequentei nos últimos meses. Não existe diagnóstico ou tratamento para uma pessoa que não para, não desliga, não descansa. Eles me medicavam, eu voltava sentindo as mesmas coisas, eles me perguntavam: você fez repouso? Eu sorria, de nervoso.

Eu decidi tirar um tempo. E parar é a palavra mais assustadora que você pode sugerir a um millenial, porque na sociedade da velocidade e da informação-capitalismo, um parado é um improdutivo, um ineficiente, um reles? Paro, logo inexisto.

Mas eu não poderia mais empurrar a minha existência em nome do próximo trabalho, da próxima parceria, do próximo rolê, porque meu corpo e minha mente cansaram do outro. É hora de entender ‘o que porra estou fazendo aqui’. Nós mesmos estamos nos acabando para impressionar o outro.

Decidi radicalizar. Resolvi fazer um retiro de ayurveda. Comprei a passagem e estou, neste momento, sobrevoando o Atlântico a caminho de Paris, em seguida Bombaim, e por fim Trinvandrum, aeroporto de entrada para a região de Querala, no Sul da Índia, onde nasceu o ayurveda.

A CAMINHO DAS ÍNDIAS

Aeroporto de Mumbai. Foto Robert Polidori
Mumbai (Bombaim) é uma das principais cidades indianas, junto com Nova Delhi, cada uma com 20 milhões de habitantes. A cidade sofrera um dilúvio por dois dias inteiros, o que criou um verdadeiro caos no aeroporto. Do pouso até o portão de desembarque, levamos duas horas esperando por uma vaga para estacionar. Pus-me a conversar com os vizinhos de fileira: um editor de uma revista sobre granjas (nunca soube na minha vida que existia este mercado editorial), e um pastor cristão que acabara de vir da comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante, na Alemanha.

Contei-lhes o objetivo da minha missão na Índia e receberam o tema, para minha surpresa, com muita familiaridade. Falaram maravilhas do ayurveda, inclusive que a irmã de um deles tinha se curado de um problema de coluna após passar um mês em um centro de tratamento na mesma região onde eu me destinava, o Querala, e que meu prognóstico era muito bom: eu sairia de lá um novo homem.

Papo vai, papo vem, falo da minha profissão, da correria, pressão, do momento louco que o Brasil vive, e o pastor começa um lindo sermão, dizendo que esta minha aventura pela Índia era necessária para que eu voltasse a ser uma pessoa mais humilde e me colocasse diante do mundo como apenas mais um dentre bilhões de pessoas. Parecia Vivaldi nos meus ouvidos, tudo o que eu queria ouvir, que carinho.

Seguimos o textão, quando ele me diz que meditação, yoga, ayurveda, todas essas coisas são muito boas, mas são temporárias. O que realmente deixa um homem feliz é Jesus Cristo dentro do coração. Conseguimos um finger para desembarcar. Na hora certa. Amém.

Eu simplesmente decidi que queria fazer um detox ayurvédico porque era a única maneira que eu conseguiria parar de verdade e me reorganizar. Sim, é claro que eu poderia ter feito um detox no Rio, na minha casa, com algum acompanhamento médico, mas a tentação em casa é muito grande. Acho que o grande aprendizado desta vivência vai ser a resignação de tudo: do álcool, das festas, do chocolate, da velocidade. Aqui não tem socialzinha com os amigos, não tem açaí na esquina, não tem choppinho no Baixo Gávea pra dar uma relaxada.


Comecei a procurar no Google lugares onde poderia fazer esta vivência e descobri que os melhores lugares do mundo estão aqui no Kerala, região onde nasceu o Ayurveda. Há resorts chiquérrimos com vista pro mar, há lugares super simples, há lugares medianos, e há hospitais ayurvédicos. Como eu não tenho nenhuma condição grave de saúde, como uma doença auto-imune por exemplo, passei longe do hospital. Há muitas pessoas com doenças graves que decidem se tratar em hospitais ayurvédicos na Índia com sucesso: um exemplo que ficou conhecido no Brasil foi o de Laura Pires, diagnosticada com esclerose múltipla. Quando voltou, Laura publicou vários livros, entre eles ’Nutrindo Seus Sentidos’, um best-seller.


Optei por um lugar de preço e luxo medianos, que cabiam no meu bolso sem agredir. Escolhi o Athreya Ayurvedic Resort. Em tempos de Black Mirror, este lugar valia 5 estrelas, de um total de 5 no TripAdvisor. Acho importante falar isto porque este dia realmente chegou, em que estamos baseando nossas escolhas através do ranking virtual. Restaurantes, hotéis, companhias aéreas, cursos, crushes, e por que não, retiros? Vários amigos me criticaram por entrar em uma “aventura” sem calcular os riscos reais, sem referências, sem alguém conhecido. Mas quantas pessoas vocês conhecem que foi a Índia para um retiro detox ayurveda? Confiei nos ratings, e cá estou.

Fui levado ao meu quarto, que me surpreendeu pela amplitude e conforto: cama de casal, ar condicionado, banheiro próprio, varandinha particular com vista para o rio. Ótimo para ficar quinze dias, tinha até ar-condicionado, que eu jamais liguei.


O processo começou antes mesmo de sair do Brasil, quando enviei um e-mail para o Athreya e recebi uma resposta do Dr. Srjit, responsável pelo centro aqui na Índia. Ele envia um questionário enorme para que a gente preencha detalhes sobre a nossa saúde, e entra em contato alguns dias depois via Whatsapp com um diagnóstico, previsão de cura e mais detalhes. Ayurveda moderninha, né? Quando cheguei no retiro, era como se a gente já se conhecesse. Eu não me apaixonei por ele à primeira vista, mas depois entendi que ele é um sujeito sábio.

O RESUMÃO DO AYURVEDA

Eu não sou um especialista no assunto, então não me sinto à vontade de discorrer sobre o ayurveda como se fosse um tema do meu domínio – indico o livro Ayurveda: saúde e longevidade na tradição milenar da Índia, do Dr. Danilo as como praticante, posso fazer um resumo. Ayurveda é uma junção de duas palavras em sânscrito: ayus, significa vida, e veda significa ciência, ou conhecimento. A vida é encarada com uma definição complexa que combina o corpo, sentidos, mente e o espirito. A boa saúde é a combinação dos nossos aspectos vitais, além do equilíbrio físico, inclui a harmonia mental, espiritual e emocional. Parece óbvio, mas a classe médica científica raramente consegue nos enxergar desta forma.


O objetivo do Ayurveda é preservar e lapidar a saúde das pessoas saudáveis, prevenir as doenças, e harmonizar as pessoas enfermas. Simples assim. Associa-se muito também o ayurveda ao rejuvenescimento, significa, um corpo em harmonia adoece menos e por isso mantém-se mais saudável.

PANCHAKARMA

O processo de desintoxicação ayurvédica tem nome e tradição: panchakarma. O panchakarma é um ritual milenar ao qual qualquer pessoa pode se submeter, com o objetivo de melhor a saúde a qualquer grau. Pode ser curativo, rejuvenescedor, como você e o seu médico designarem. Totalmente diferente da cultura do ‘suco detox’ que a gente tem no Brasil, um bom panchakarme é coisa séria e demora pelo menos duas semanas para ser feito com sucesso. Panchakarma não é comer saladinha e cortar o refrigerante, como as revistas de fitness no Brasil insistem em nos convencer do que deveria ser um ritual de desintoxicação.


Assim que você chega no Athreya,vai direto para o centro de tratamento receber uma massagem abdominal bem vigorosa, seguida de uma massagem no pescoço e cabeça e um banho de ervas. A massagem abdominal se repete por vários dias durante o tratamento, explico o porquê: a maioria das nossas toxinas se acumula na região do estômago e dos intestinos. Dependendo do seu dosha em desequilíbrio (kapha, pista ou vata), cada uma das áreas fica mais vulnerável: estômago para kapha, intestino delgado para pitta e intestino grosso para vata. A massagem é mesmo para fazer com que essas toxinas ‘descolem’ das paredes dos órgãos e possam ser eliminadas.

Dia 01

Depois de quase 48 horas de viagem, eu lembro que cheguei exausto e um pouco tonto no centro. A chegada foi por volta das 16h, onde recebi a massagem abdominal, massagem muscular na área do pescoço e costas e o meu primeiro shirodara, um banho de coalhada na testa, muito recomendado para quem tem pitta agravado. É uma terapia recomendada para casos de ansiedade, raiva, agitação. Terminamos com um banho de água quente e ervas por todo o corpo, para relaxar o corpo. Aliás, água quente é algo muito subestimado por nós porque vivemos num país super quente, mas só quem tem dores musculares sabe o poder de cura que a água quente tem.


Sala de tratamentos do ayurveda com maca de madeira. Frequentei esta sala durante todos os dias do detox, mais de uma vez por dia.

Dia 02

O vamana era o procedimento que eu mais temia porque todas as memórias que tenho de vômito são de cachaças muito mal tomadas ou de comidas horríveis que passei mal algum dia. Mas se revelou incrivelmente simples, na verdade. Preparam uma bacia (mesmo, enorme) com uma mistura de ervas e te dão um copo. Você enche o copo e toma repetidas vezes esta mistura até vomitar. Vomitei seis vezes. Esta terapia auxilia a limpar o estômago, o primeiro lugar por onde passa a desintoxicação. Neste dia li um livro de Gandhi, com muitos ensinamentos sobre o poder da religião, o que me estimulou a rezar o tempo inteiro sempre que algo me afligisse ou me entediasse. Uma boa lição inicial: se reconectar com o divino.

Dia 03

Importante dizer que nos primeiros dias, você come a mesma refeição no café da manhã, almoço e jantar: feijões verdes (calma, não é igual o nordestino), buttermilk curry e kanji. A princípio é até gostosinho, mas a partir da quinta vez eu já estava muito mal-humorado. Resistência.

É dia de virechana, ou terapia de purgação, ao tomar uma mistura de mel e ervas o efeito é drástico: diarreia. Fisicamente foi o pior dia das terapias, me senti muito fraco, cheguei a ir ao banheiro vinte vezes. A purgação limpa além do intestino delgado, o fígado e pâncreas. Faz todo sentido depois de tantos anos de farra este ser o dia mais vulnerável, risos. Praticamente não comi o dia inteiro, porque não aguentava mais repetir a refeição-padrão, e tive muito desejo de comida não-Indiana: açaí, batata frita, feijoada, galeto, peixe na brasa, e muito chocolate. Foi bom para refletir como sou viciado em doces, algo que não tinha percebido em mim até então.


O dia-a-dia simples da alimentação ayurvédica

Dia 04

Um dos melhores dias do tratamento. Me senti cheio de vida, leve, sorridente, com a pele bonita, os olhos brilhantes e o sorriso incrivelmente claro. Parecia que tinha passado por um dentista. Meus olhos tinham muito brilho. Resolvi postar essa foto no Instagram. Recebi muito carinho, mas depois me arrependi da exposição. Decidi não postar mais fotos minhas durante o panchakarma e fechar este canal energético até sair daqui efetivamente. Comecei a ler Dias Bárbaros, vencedor do prêmio Pulitzer de Melhor Biografia. Super livro, especialmente para alguém que gostaria de escrever algum dia, como eu.

Dia de enema, onde introduzem por via retal uma decocção de ervas para limpeza do intestino grosso, para acalmar o dosha vata, em desequilíbrio no meu corpo por causa da minha velocidade excessiva. Mais massagens, aliás, o médico ayurveda explicou que todas as massagens, além de relaxarem o corpo, servem para ‘derreter’ as toxinas, liquefazê-las, levando-as para o intestino, o caminho de saída. O intestino é também o órgão responsável pelo controle da imunidade.


Os horários das refeições. Perdeu o horário, fica com (mais) fome (ainda).

Dia 05

Um dia bem difícil emocionalmente, onde eu realmente senti a resignação e comecei a me questionar o porquê de estar aqui. Me perguntei muito por que eu não estava “aproveitando” minhas férias para conhecer a Índia do Taj Mahal, do Rajastão, de Goa, os templos, os temperos, os ritmos, e estava vivendo essa experiência tão monástica dentro de um retiro? Por que não estava vivendo a minha ‘juventude’ pelas ruas? Por que não estava com o Happn ligado procurando crushs em Nova Delhi? Nesse dia me passou tudo na cabeça, até vontade de abreviar minha viagem e sair do retiro em dez dias, ao invés de quatorze, para ter mais tempo livre para passear.

No fim do dia, fiz psicanálise por Skype com meu terapeuta, como sempre faço quando estou viajando. Discutimos meus dilemas do momento: Édipo, o Rei, Narciso, mitologia rivalitária. Tomei fôlego e resolvi ficar quatorze dias, como previsto anteriormente. Para mim é muito importante resistir à tentação do poder, de decidir, de mudar de rota. Algo que estou trabalhando na minha ‘maturidade’ é não só o poder de tomar decisões, mas de viver plenamente as consequências delas. Não é hora de desistir.


Curry de manhã, de tarde, e de noite

Dia 06

Um dia tranquilo, bastante feliz porque finalmente parece que ouviram as minhas preces e deram uma ‘melhorada’ na comida. O curry estava menos forte, teve melão de sobremesa, um arroz delicioso com tâmaras e passas. Comi como não havia me alimentado todos os dias. Perdi 2,5kg nos primeiros dias e cheguei a ficar preocupado.


Me senti bem mais vigoroso nas sessões de yoga, que acontecem às 05h30 da manhã, horário delicioso, com o canto dos pássaros e da natureza, e às 17h, para encerrar o dia. Conheci melhor Jay, nosso mestre yogui, muito educado. Finalmente voltei a conversar com as pessoas, como as vizinhas da França, e as recém-chegadas da Austrália. Estava calado todos esses dias, e na verdade sigo sem muita conversa com a galera, afinal, já falo tanto na minha vida. Falo até demais, às vezes.

Eu não tinha trazido desodorante porque queria fazer uma linha mais natural, harebo. Mas eu mesmo não conseguia suportar o meu cheiro que estava a puro curry, e resolvi ir na rua procurar um — além de uma acetona porque estava com uma unha toda mal pintada. No supermercado tinha um Oreo. Meu coração disparou, mas não comi, voltei pra casa, com saudades.


A vaca do Athreya: magrinha né? Mas toda trabalhada no Sacramento. As índias são super sagradas na Índia, e no Kerala não é diferente.

Dia 07

Comecei a perceber um padrão onde tinha um dia bom e um dia ruim. Tanta instabilidade, dizem os médicos, é normal, enquanto você recebe um tratamento nos moldes do ayurveda. É o nosso corpo querendo repetir padrões de aceleração versus o ambiente te trazendo para outra velocidade.

Quarto e penúltimo dia de enema, aliás, sabe o que tem dentro de um enema? Entre ervas, óleos e mel, uma pitada de xixi de vaca destilado. Eita.

Dia 08

Pela primeira vez resolvi sair um pouco do retiro para dar uma volta pela cidade. Kottayam é bem precária, tem algumas lojas que vendem coisas de plástico, eletrodomésticos, umas roupas feias, nada demais. Acabei descobrindo um shopping, onde fui em busca de um cartão de memória para câmera. Encontrei uma loja de tortas com 16 sabores diferentes, fiquei estarrecido, saí correndo, muito desejo de doces. Falta de sexo também.


Terapeutas mulheres para clientes mulheres, terapeutas homens para clientes homens. Os tratamentos são feitos sempre sem roupa.

Dias 09 e 10

Dia de iniciar uma nova terapia, o nasya. Nasya é um procedimento onde eles vaporizam o seu rosto e depois colocam um líquido nas narinas para você expelir o muco do sistema respiratório. Para mim, especialmente, muito bom para ajudar na sinusite. Me incomodou muito, então é um sinal de que realmente precisava.

Estou até melhorando no yoga — tenho a flexibilidade de um senhor de 70 anos. Adoraria ser bom nisso um dia, me faz muito bem. Yoga e ayurveda tem tudo a ver.


Dia 11

A galera inventou um passeio pelas backwaters do Kerala, um roteiro turístico famoso no sul da Índia. São vários canais e encontros de braços de rio com o mar. Alugamos um barco enorme e ficamos lá curtindo o por do sol tomando água. Ah se fossem outros tempos, eu pensei. Tive uma miragem e vi aquele barco cheio de amigos, cerveja gelada, o DJ tocando Caetano. Saudades de Fevereiro na Bahia.


Marari Beach, balneário indiano. Para quem tá acostumado com as praias do Nordeste, a praia indiana não chega aos pés!

Dia 12

Quarto dia seguido de nasya, sinto que minha respiração está bem melhor. Decidi sair mais uma vez do retiro para conhecer a praia de Marari Beach, famosa por ser paradisíaca. Um lixo a ceu aberto, cheia de urubus, fiquei traumatizado. O mar, apesar de tranquilo, tinha banho interditado por causa das monções, que trazem muita sujeira dos rios para as praias. Acabei me enfiando em um resort onde o Paul McCartney já ficou hospedado, pagando o day use e curtindo o entardecer. Comida maravilhosa: neste dia eu acabei fugindo da dieta ayurveda, comi um biscoito e tomei um chá no hotel. Senti o açúcar percorrer meu corpo, sério.


Um dos terapeutas que me acompanhou no processo inteiro, Sri.

Dia 13

Último dia de retiro! Últimos tratamentos, uma massagem maravilhosa, inesquecível, feita com um saco de arroz quente sobre os músculos, melhor que transar. Última consulta com o Dr. Sryjit, que passou remedinhos para levar para o Brasil, para a sinusite, dores musculares e ansiedade. Espero que a alfândega não me encha o saco. Me despedi de todos os amigos e preparei as malas para seguir viagem para o Norte da Índia. Eu teria direito a mais uma manhã de tratamento, mas preferi ir logo para Delhi porque tenho poucos dias livres no país.

Conclusão

* Valores (média): 13 noites x R$ 400 = R$ 5.200. Inclui hospedagem, alimentação, yoga, transporte para o aeroporto
* Amei a experiência como uma introdução ao mundo ayurvédico, as massagens são uma delícia, o descanso é rejuvenescedor.
* Senti falta de receber mais conhecimento, aulas de ayurveda, saber melhor o que estava comendo e porque estava comendo aquilo.
* Senti também falta de mais aulas de meditação, além do yoga. Técnicas, pranayamas. Preferia que não houvesse internet nos quartos, teria ficado mais desconectado.
* Há pessoas que voltam até mais de dez vezes ao Athreya, como um senhor incrível da Espanha que estava por lá. Não sei se eu voltaria pra lá porque gosto de variar as experiências, mas é importante dizer que não são quinze dias de massagens que vão curar as noias da sua vida inteira: é importante levar os ensinamentos pra casa

4 dias em Honolulu: dicas, histórias e passeios.

Clique para assistir o Caio na Estrada no Havaí

Então vamo lá: eu e meu pai fomos correr a Meia Maratona de Honolulu agora no mês de Abril. Uma sidenote sobre meu pai que virou revelação no Snapchat:

– Recebemos centenas de comentários falando que ele é o máximo
– Ele é mesmo
– Mas vocês criaram um monstro, diz ele que já está até com saudade do ~carinho do Snapchat~.

Voltando, tínhamos uma passagem de graça para os E.U.A por causa das milhagens e poderíamos escolher qualquer cidade, estado dos E.U.A. Eu que não sou bobo nem nada, queria voltar ao Havaí desde que fiz um intercâmbio em Kona, na Big Island, em 2007. Emitimos as passagens e fomos para Honolulu, cidade que eu mal conhecia. Honolulu é uma grande metrópole no meio do Pacífico, é quase inacreditável como os americanos conseguiram construir tudo isso no meio do nada. Highways imensas, um porto super arrojado, todas as lojas, supermercardos, boates, restaurantes, enfim, tudo o que você imaginar que tem em Miami, por exemplo, tem em Honolulu. A diferença é que Honolulu fica a 5 horas do continente americano e a 8 horas do Japão.

Então vamos às dicas e às histórias dessa breve viagem, que só durou 4 dias, mas foi inesquecível.

Sempre sente na janela do avião, para garantir vistas como essas

Tudo em Honolulu tem tema de abacaxi ou plantas, ou os dois juntos. Este é um ‘Mai Tai’, que é rum + muito açúcar + suco de abacaxi. Tem que provar, é a ‘caipirinha’ dos havaianos.

Para fãs de estampas, é um verdadeiro paraíso visual e imagético. Não resisti e acabei parando em uma loja chamada Fabric Mart, só de tecidões estampados. Agora tô pensando se vou forrar o sofá ou uma parede lá de casa. Olha que coisa linda!

Waikiki é super turística e tem o melhor por do sol do Pacífico. Muitas excursões japonesas, muitas mesmo, bandos e bandos, chega a incomodar porque você nunca se sente curtindo uma vibe mais aloha no meio da turistada porque tem tanta gente ~sendo turista~ o tempo inteiro. O bairro é busy, não é lugar de relaxar, é pra quem quer praia + agito + compras. Mas imagine que Waikiki é uma Ipanema que deu super certo, com lojas maravilhosas, tipo Saint Laurent, Gucci, Prada, uma Apple store incrível, e uma praia maravilhosa.

Todo mundo se veste com Aloha shirts. Isso eu já sabia, então levei um guarda-roupa bem estampado, divertido porque tinha certeza que ia combinar com a paisagem havaiana. Se você não tem roupas assim e quer entrar nesse clima, deixe pra comprar tudo lá pelo Havaí que tem uma loja de aloha shirts a cada esquina. A melhor dica é o brechó que tem mais de 15.000 camisas num precinho camarada, quase um museu fashion desse mundo. Comprei uma camisa linda e um chaveiro do Obama com uma prancha de surfe (Obama é havaiano, você sabia? Eu não!)

Amazing Maui Babe Browning Lotion: o bronzeador #1 do Havaí é feito lá mesmo, tem muito cheiro de molho shoyu, é uma beleza e deixa a pele brilhando, tinindo. Em média 10 dólares em qualquer ABC Store, loja que é um gremlin havaiano, está em toda e qualquer esquina e tem tudo o que você pode precisar para uma viagem perfeita (comida, bebida, souvenires, todos os produtos do universo praia), dá vontade de morar lá dentro. Mas não caia na armadilha e deixe para comprar os presentes da galera no Wal-Mart, que tem a metade do preço. E com esse dólar fortunesco qualquer ímã de geladeira tá saindo na base dos R$ 16 né, não tá fácil.

A melhor praia de Honolulu se chama Hanauma Bay, é realmente uma coisa divina, você precisa alugar um carro para ir, vale à pena cada centavo. Tem uma pequena chatice de pagar US$ 8 para entrar e fazer fila para assistir um vídeo super anos 90 sobre preservação ambiental e as regras do lugar, bem coisa de americano, mas superado esse desafio saia da muvuca e arrase no snorkel. Se você não tiver um, lá tem pra alugar, eu nem sou muito do rolê mergulhador mas fiquei impressionado, é lindo!

North Shore tem mais a cara das coisas que eu gosto, um pouco mais de localismo, surfistas doidões e gente que resolveu que a vida não é essa loucura urbana e precisa de um mais pouco de paz. Praias com ondas gigantes, péssimas de tomar banho mas ótimas de ficar vendo a galera surfar, e food trucks deliciosos com peixes (ahi e poke). Bom, barato e saudável.

Arrisco dizer que o Yanagi Sushi é o melhor restaurante japonês que já fui na minha vida, melhor mesmo que os de Tóquio. Encontramos o Yanagi numa lista muito santa do NYTimes, que às vezes tem dicas legais, mas de vez em quando são muito yuppies, bom ficar de olho. O Yanagi é aquele tipo de lugar que tem foto de famosos na parede, só que os famosos são do naipe do Mick Jagger, então respeito total. Sushimen absurdos, ingredientes super frescos, preços justos, inventivos, a gente sentou no balcão e ficava só falando ‘do what you want’, ‘whatever you feel like it’s right today’, deixando os caras brilharem e eles encheram a gente de maravilhosidades japonesas. A conta deu US$ 80 para duas pessoas, se converter não é barato, mas honestamente, em São Paulo ou Rio seria o dobro com toda certeza.

Alugamos um jipe pelo simples fato de querer tirar essa onda – levantar a capota, sentir o vento batendo nos cabelos e não ficar noiado se vai chegar algum maloqueiro pra levar o nosso iPhone tocando Ben Harper nas alturas. Na matemática é um custo desnecessário, porque uma diária de um carro normal custa US$ 30, enquanto a do jipe US$ 100. Mas como eram poucos dias e estávamos no Havaí, ah, vale à pena essa mini alegria da modernidade.

Essas são as minhas dicas nada didáticas do Havaí. Melhor do que uma listinha de coisas a fazer, é simplesmente ir e descobrir. Boa viagem!

Revista CAUSE, Leticia Cazarré e o retorno ao papel

Letícia Cazarré e eu, no escritório da CAUSE, no Jardim Botânico.

Conheci Leticia Cazarré – sim, esse sobrenome não é nada estranho, ela é mulher do super ator Juliano Cazarré – em um desses São Paulo Fashion Week da vida. Ela tinha acabado de lançar o primeiro volume da sua revista, a CAUSE, que surgiu recentemente como uma nova crew realizadora do Rio. Fiquei todo animado com a notícia, pois não tem nada que eu mais ame do que ver gente nova no mercado batalhando pelos seus sonhos e fazendo a ponte entre pessoas que tem ideias criativas em comum.

Alguns meses depois me encontrei com Letícia de novo em uma visitinha no escritório da revista, que fica no coworking XXVinte, no Jardim Botânico (aliás, um charme de lugar). A capa da segunda edição, com o tema Morte e Vida, traz ninguém menos que o Cauã Reymond na capa. Um Cauã sensível, bem diferente das novelas, com um fundo quartzo e direção de arte que estão uma lindeza.

Um dos lances legais do conteúdo bem interdisciplinar da revista é que ela é colaborativa, e você também pode submeter o seu trabalho – sejam textos, ensaios fotográficos, tudo o mais que for relacionado à arte. Aliás, a ideia é mesmo de que a CAUSE possa ser um veículo de papel para essa nova geração que ainda não consegue acesso publicar no impresso mainstream. Um lugar de experimentação, portfólio, e por isso, mais livre!

Tinha uma super entrevista com ela mas meu iPhone deu pau e perdi todo o arquivo de áudio. Mal minha. Mas deu tempo de salvar a nossa foto com as capas das duas primeiras edições da revista – que está à venda pelo Rio e São Paulo, e principalmente online, no site http://www.cause-magazine.com/.

Foto @mateusaguiarph / Model @vitor_lodi / Styling @tassio_aragao / Beauty @danixrib

Vale muito à pena ficar ligado, e claro, comprar a revista, que extrapola a moda e se aventura pelas intelectualidades de uma maneira bem fresh. Ah, e também deem uma olhada nos trabalhos que estão publicados no site, tem umas coisas bem lindas, como esse editorial Shining Youth, do fotógrafo Mateus Aguiar.

Boa Sorte, Letícia!

Os looks do Lollapalooza 2016!

Às vezes o óbvio precisa ser dito mesmo, então vamos lá: eita que Lollapalooza maravilhoso. Cada vez mais eu prefiro o festival lá em Interlagos, sem apertos, sem fedor (adeus Jockey!), e sempre com uma galera incrível. Este Lolla foi mais especial ainda porque fui #OCaraDoLolla junto com AXE e pude levar meus amigos do Brasil inteiro pra curtir o festival comigo. E como curtimos! O show do DIE ANTWOORD foi uma surra de looks e referências, meu preferido disparado. E Jack U, apesar de bem comercial, botou a galera pra pular como poucos! Vamos ao que interessa – os looks com muitas referências longline que fizeram o maior sucesso

Black and White Geométrico

Óculos: Ray-Ban Clubround
Camisas: Another Place (sim, são duas!)
Calça Adidas Originals
Sneaker Nike Air Force One

All-White Justin Bieber Inspired

Óculos: Ray-Ban Clubround
Camisa: ASOS (clique para comprar)
Jaqueta ASOS (clique para comprar)
Bermuda ASOS (clique para comprar)
Meias ASOS (clique para comprar)
Sneaker Nike Air Force One

Os dez mandamentos do bom dono de casa

Você já saiu da casa dos seus pais há algum tempo, mas parece que a casa dos seus pais ainda não saiu de você, não é mesmo? Hábitos de quando você ainda tinha 15 anos permanecem recorrentes? Tudo bem, afinal, a casa é finalmente sua. Agora, se você estiver insatisfeito com a sua performance no lar (e talvez deva, né migo), coloque em prática já esses dez mandamentos que farão de você um dono de casa de respeito!

1. Organizarás seu dia As tarefas domésticas exigem logística e organização. Procure encontrar sentido na ordem e no horário de seus afazeres e mantenha um checklist atualizado.

2. Aprenderás a fazer faxina A sensação de casa limpa é das melhores, mas a verdade é que muitos de nós nunca aprendemos a limpar corretamente o lar. Sente que está com esses conhecimentos defasados? Coloque a mão na massa junto de quem tem o know-how e aprenda na prática. Tente varrer algumas vezes por semana e não acumule lixo.

3. Não procrastinarás A maior inimiga do dono de casa é a procrastinação, afinal, a casa é sua e você faz o que quiser — inclusive nada — quando bem entender. É aí que pequenas tarefas viram uma bola de neve e parecem impossíveis de serem completadas.

4. Farás comida de verdade Bela Gil agradece se você finalmente substituir os congelados por alguns minutos a mais na cozinha (e uma refeição de verdade), por exemplo. Você não precisa ser chef, mas tá na hora de aprender aqueles pratos caseiros simples e que sempre te agradaram. Domingo é dos melhores dias pra fazer um panelão de comida e deixar as marmitas da semana prontas, caso você viva uma vida corrida.

5. Reciclarás Um dono de casa moderno e responsável com o planeta. Não é isso que você quer ser? Separe orgânicos, recicláveis e óleos usados em diferentes recipientes e se informe sobre o posto de coleta mais próximo.

6. Receberás com carinho É mesmo de tremenda consideração receber os amigos com certo cuidado, e nada passa maior sensação de bom dono de casa a quem vê de fora do que ser recebido com carinho e atenção. Não é questão de montar todo um chá das cinco, mas de oferecer um café, um snack, esconder as cuecas sujas.

7. Decorarás com a sua cara Você terá muito mais prazer em realizar os afazeres domésticos se tiver orgulho e identificação com o seu lar. No mais, casas com cara de saídas da revista são tão sem personalidade! Encontre o seu jeitinho de decorar e seja feliz.

8. Abastecerás a geladeira O que, inclusive, completa o mandamento 4. Uma das coisas que descobrimos quando saímos de casa é que a comida não surge milagrosamente na geladeira, temos que ir ao supermercado para comprá-la.

9. Pagarás suas contas em dia Saiba que seu aluguel, incluindo condomínio e taxas, deve custar no máximo 30% da sua renda mensal. Esse é o jeito indicado pelos economistas pra que você não se meta em furadas.

10. Terás ao menos uma plantinha. Plantas mudam a vibe da casa e são outro ótimo jeito de você treinar sua responsabilidade.

Quer mais dicas para ser um bom dono de casa? Fica ligado aqui no site. Estamos, mais do que nunca, focados em cuidar direitinho dos nossos lares!

A vida real acontece offline

Campanha publicitária minha em parceria com a Ray-Ban, que por coincidência, tem o tema ‘A Vida Real Acontece Offline’

Vocês devem ter visto recentemente a notícia de Essena O’Neill, a instablogger australiana que resolveu jogar tudo pro alto e “abandonar” a sua vida perfeita. Essena faz parte de um fenômeno chamado influenciadores digitais – no qual eu também posso me enquadrar, por trabalhar há seis anos com ferramentas digitais e manter uma personalidade digital. Eu recebi a notícia de Essena com algum entusiasmo, por ver que existe gente por aí que realmente está se dando conta da inversão de valores tão rápida que sofremos, da busca eterna por likes, da amizade de famosos, por comentários positivos, e essa ansiedade sem linha de chegada em ser aceito.

O vídeo de 18 minutos é um pouco desesperador, repetitivo, mas tão contemporâneo.

A ruptura foi drástica: ela deletou 2.000 fotos e re-legendou algumas delas, com o tema ‘Social Media is Not Real Life’, e agora propõe um novo estilo de vida, mais desconectado e principalmente mais próximo à realidade. Essena agora não quer mais ser uma garota bonita, magra, bronzeada e de dentes brancos, apesar de ter construído milimetricamente este código. Quer ser conhecida pela sua mensagem, algo que apesar dos seus milhares de seguidores, jamais conseguiu materializar, pois ao perceber que suas fotos calculadas com barriguinha de fora, pose zen e saladinha no almoço faziam muito sucesso, preferiu seguir por esta linha editorial. Um caminho óbvio, esquecível, e pelo visto, que deve surtar.

Raf Simons deixa a Dior – ele só queria ser um grande estilista, e não queria fazer o rolê da celebridade. Há um ponto de contato com a história de Essena?

A maturidade de Essena, com pitadas de síndrome do pânico, nos faz refletir sobre a carência da vida real travestida do rótulo de ‘instablogger’. O quanto estamos deixando de viver momentos reais com pessoas ao lado para pensar na próxima imagem perfeita e projetar um estilo de vida invejável? O quanto estamos perdendo músicas incríveis no show do nosso artista preferido para fazer vídeos toscos e tentar colocar isso na internet só para dizer que fomos? Quantas vezes estamos sentados num restaurante sem falar com o amigo que divide a refeição conosco porque queremos fazer a foto perfeita para o Instagr.am? Quanto a isso sim, realmente, temos que abrir os olhos. Obrigado por reforçar o coro, Essena.

E aí você começa a se perguntar: será que eu sou meio Essena? É, eu devo ter meus momentos de deslumbre. Tenho meus momentos egotrip quando posto uma foto sem camisa com um resultado suado de academia, o que pra mim é motivo de orgulho pela minha vocação boêmia (gente, meu pai é do Carnaval, dá um desconto). Mas, durante toda a vida estudo, estudei e estudarei, e tento agregar isso no meu conteúdo audiovisual, como em vídeos do Youtube. Hoje dou aulas e palestras pelo país sobre comportamento jovem e empreendedorismo, momentos onde a troca de energia e principalmente conteúdo com gente pensante e interessada vale mais do que qualquer chuva de likes. Uma boa entrevista com um artista impressionante me enche de ideias e inspiração que o Instagram jamais verá. Uma viagem onde a jornada e as pessoas que a gente conhece valem mais do que os bons filtros do VSCOCam são memórias que eu vou só vou contar numa mesa de bar. Portanto há sim muitas chances de criar momentos incríveis com as plataformas online e usá-las ao seu favor ao invés de sentir que ‘criou o seu próprio monstro’. Conteúdo é uma escolha.

É necessário dar um passo para trás e perceber que tipo de comunicador você quer ser, e isso vale para qualquer carreira, afinal, não existe mais nenhum negócio no mundo sem comunicação digital. Mesmo os médicos hoje em dia tem boas páginas com um super sistema de SEO. Talvez eu nunca seja o cara do um milhão de likes. Mas eu escolhi não ser. Se você quiser ser, vou até te dar uma dica: crie um Instagr.am com moodboards com fotos de estilo de vida, cartões de embarque na executiva, pratos lights, relógios, carros, barcos, whey, abdôme trincado, e claro, muita selfie com famosos. Cuidado só pra não Essenar após alguns aninhos.

Essena agora quer se reinventar. Mas peraí, ela vai aproveitar sua plataforma – o que pra mim é controverso, afinal, se você quer mesmo desconectar, seja mais Ana Paula Arósio, amiga – para falar de coisas que para ela importam ‘de verdade’ como veganismo, preservação do meio ambiente, amor, autenticidade, mindfulness, liberdade de expressão. Por ironia do destino, ou não, todos esses temas são ~super bacanas~ e relevantes no nosso zeitgeist. É Essena, acho que ainda dá tempo de passar mais umas horas no divã.