Dois looks por menos de R$ 130: Verão C&A

Já pintou verão, calor no coração: dei uma passada na C&A da Praça General Osório, no Rio, para montar dois looks para o fim de ano, um bem com cara de Réveillon e outro mais tropical – com o desafio de gastar menos de R$ 200 em cada um. Acabei gastando na verdade menos ainda: R$ 130 por look. Uma pechincha né? Tem alguns links pra quem quiser comprar online e evitar as filas de fim de ano!


Regata longline off-white R$ 39,99
Regata cinza R$ 19,99
Calça skinny branca R$ 69,99

Rangiroa é a linha especial masculina da Cia. Marítima, que acabou de criar uma parceria especial com a C&A. Achei todo esse estampado minha cara, nem dá pra negar!

T-Shirt Rangiroa + C&A R$ 49,99
Bermuda estampada Rangiroa + C&A R$ 79,99

Fotos Ícaro Silva

Diário de Viagem: Manaus e Floresta Amazônica

Eu tinha essa dívida forte com meu roteiro de viagens: nunca havia pisado em solo amazônico. Apesar de já ter passado uma longa temporada no Acre, como repórter da TV Brasil, e muitas viagens ao Pará, no Amazonas propriamente dito ainda não tivera a chance. Caso resolvido com o convite do SEBRAE/AM para ministrar minha palestra sobre Comunicação, Moda & Internet na cidade. Para completar, levei minha mãe como acompanhante para passarmos uns dias na capital amazonense, seguidos de uma incursão pelo arquipélago de Anavilhanas, a 200km de Manaus. Delícia.

MANAUS Tivemos cerca de dois dias na cidade, o suficiente para fazer um bom roteiro sem muita pressa. Vamos aos pontos altos:

de repente amazonas, boa tarde manaus! uma saúva de entrada quem vai? tem gosto de erva cidreira 🌿

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RESTAURANTE BANZEIRO A boa é comer no Restaurante Banzeiro, talvez um dos mais premiados da cidade, onde servem Pirarucus e Tucunarés a torto e a direito. O caldinho de tucunaré ao chegar é uma cortesia, e uma gentileza local, e todo mundo prova a entrada com purê de mandioquinha e saúvas, que tem gosto de erva-cidreira. Vale pelo exótico, mas é um prazer efêmero, porque a formiga é minúscula, risos.

Theatro Amazonas, templo da Amazônia. Visita obrigatória em Manaus. Luxo danado 👑 #CaionaEstrada #Manaus

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TEATRO AMAZONAS O verdadeiro templo amazônico depois da floresta. Pensar que construíram um teatro tão suntuoso e lindo no começo dos anos 1900, auge do período da riqueza da borracha, em uma obra que demorou 13 anos para ficar pronta e deixou um palácio das artes que explode luxo em cada olhar. A arquitetura, os afrescos, o salão nobre, é tudo lindo demais. Vale a pena fazer a visita guiada, que é super rápida e dá um panorama geral sobre a história do Amazonas.

LOJA BRASIL ORIGINAL A Brasil Original é uma loja criada pelo SEBRAE em um projeto que ajuda os artesãos amazônicos a unirem design em suas criações e desenvolverem produtos sustentáveis, lindos e com um propósito mais comercial. Já que estamos na Amazônia, estamos falando de aldeias indígenas super vulneráveis e que aproveitam a chance para encontrar um caminho mais leve no encontro com o capitalismo. Amei este projeto, comprei pulseiras lindas. Preços super justos, fica no Amazonas Shopping.

ENCONTRO DAS ÁGUAS + PASSEIO DE BARCO PELO RIO AMAZONAS Aula de geografia da sexta série, lembra? O Rio Negro se junta com o Rio Solimões para formar o Rio Amazonas, causando o fenômeno encontro das águas, onde as águas não conseguem se juntar por diferenças de densidade, velocidade, temperatura e outros fatores. Na verdade este foi um episódio triste da minha viagem com a morte do drone Patrícia, que caiu em cheio nas águas. Uma das hélices voou, o drone perdeu o controle e sequer boiou, afundou direto no rio. Ficou a lição de nunca subestimar a força amazônica, que geralmente é recorrente em destruir equipamentos. Procure saber.

HOTEL VILLA AMAZÔNIA Um tesouro a apenas 70 metros do Teatro Amazonas, este hotel foi um achado incrível. Fica em um casarão histórico todo renovado, com piscina de pedra natural, mobiliário insuportavelmente lindo, como cômodas centenárias e cadeiras Sérgio Rodrigues, um café da manhã farto e com frutas regionais, e quartos cheirando a novo. Tem também um bistrô que não cheguei a provar, mas pedi room service algumas vezes e estava sempre delicioso. Super recomendo.

Imersão completa amazônica, também na literatura, salve Hatoum

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LIVRARIA DO JOAQUIM Bem do ladinho do Teatro Amazonas há um quiosque ma-ra-vi-lho-so com um raríssimo acervo de livros amazônicos e nacionais. Joaquim Melo é o livreiro responsável pela loja, especialista em historiografia da amazônia e mestre em sociedade e cultura na Amazônia. Uma figura super interessante para se bater um papo sobre literatura amazônica e brasileira, é claro. Eu e minha mãe ficamos quase uma hora conversando com ele, compramos um dicionário incrível de tupi-nheengatu e uns livros de Milton Hatoum. Quem gostar de literatura vai pirar.

por Tricia Vieira

ORLA DE PONTA NEGRA Ponta Negra é um bairro em Manaus com um quê de Barra da Tijuca, com uns prédios residenciais de luxo na orla. É bem interessante conhecer a orla de rio, revitalizada para o Copa do Mundo 2014, e de repente tomar um banho na praia do Rio Negro. Aproveitei para correr um pouco na viagem, tem um espaço legal para soltar as pernas. Depois da corrida, tomar um açaí no Waku Sese, o lugar mais recomendado pelos locais para tomar um bom açaí sem xarope de guaraná!

SELVA AMAZÔNICA: ANAVILHANAS JUNGLE LODGE

Procurando meu Macunaíma nas águas do Rio Negro @anavilhanaslodge

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O Anavilhanas é um capítulo à parte na Amazônia e traduz bem o conceito contemporâneo do que é o luxo distinto. Imagine um hotel dentro da mata, às margens do Rio Negro, com vários chalés com varandas de vidro, rede, ar condicionado split para enfrentar o calorão, camas box, tv a cabo e tudo o mais. Foi minha primeira vez ~acampando como fazem os ricos~ e confesso que gostei.

O Anavilhanas foi criado há uns 10 anos para preencher uma lacuna turística que acontecia no Amazonas: o turista ia até Manaus mas não conseguia montar um roteiro bacana pela selva pela falta de estrutura in loco. Pensando nisso, Guto e Fabi (que conheci, são super simpáticos e conversadores) se juntaram para construir este sonho no meio da Selva – um lugar que pudesse acolher os turistas com conforto e servisse como base para pequenas explorações pela floresta.

Eis que o Anavilhanas Jungle Lodge começou de mansinho mas ganhou um empurrão midiático importante: um perfil no New York Times escrito pelo jornalista Larry Rother (vocês lembram que esse foi o cara que escreveu que Lula era um álcoolatra?). A matéria é de 2007 e de lá pra cá o Anavilhanas evoluiu bastante. Hoje recebe gringos de todas as partes do mundo: durante a minha estadia estavam japoneses, alemães, americanos e franceses. Aliás, a Amazônia ainda é mais visitada por gringos do que por nós mesmos brasileiros.

coisa marlinda o boto-cor-de-rosa 💕 eles são enormes, fiquei de face @anavilhanaslodge

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Há pacotes com duração de 3 até 6 dias e as atividades são trilhas pela floresta, passeios de barco pelos igarapés e paranás para observação de animais, visita ao santuário dos botos, pesca de piranhas, e claro muito descanso e banho de rio. Os passeios não são nada hardcore, minha mãe que tem 63 anos conseguiu fazer tudo numa boa. É mesmo um lugar de descanso: que tal na sua próxima viagem, ao invés de ir mais uma vez a uma praia, se refrescar no Rio Negro? Aliás, um ponto positivo do Rio Negro é que ele tem menos mosquitos que seu irmão Solimões, por exemplo, por conta da acidez da água e outros fatores. Mas sempre bom levar repelente e tomar a vacina de febre amarela, é claro.

Férias em Cuba: roteiro, onde ficar, o que fazer

Visto Para Cuba

O visto para Cuba é necessário, mas é possível comprá-lo no aeroporto, e evitar a função de comparecer ao consulado ou mandar o passaporte por correio à Embaixada no Brasil. Se você viaja por Copa Airlines, vai precisar fazer uma conexão no Panamá e lá mesmo eles vendem, no check-in. Se você viaja pela Aeroméxico, também pode comprá-lo em Mexico City. Para as demais companhias, melhor verificar antes de viajar! Custa 20 dólares.

Como Chegar

As duas opções mais fáceis são com a Copa Airlines, que tem voos de várias cidades do Brasil (SP, Rio, POA, Recife, Brasília) até a Cidade do Panamá, onde você pega uma conexão até Havana. A Copa normalmente tem ótimo preços e as conexões são rápidas. No meu caso eu usei milhas até a Cidade do México (35.000, super promoção) e paguei o voo de Aeroméxico até Havana, custou uns R$ 1.500.

Câmbio e Táxi

Troque todo seu dinheiro no aeroporto, pois é a melhor cotação da cidade. É a cotação oficial do Banco Central Cubano (lembre-se que é tudo tabelado). A boa é levar euros, e não dólares, pois os dólares são sobretaxados em Cuba. Do aeroporto até o hotel/casa de família espere gastar 25 CUCs, é praticamente tabelado, não pague mais, mas não espere pagar menos. Táxi comum amarelo, os táxis vintage custam mais caro, sobretudo no aeroporto.


Havana Vieja é o centro antigão da cidade, uma mistura de destruição e sítio histórico onde se percorre tudo a pé e nos bicitáxis (táxis improvisados em bicicletas com carrocinhas que levam até duas pessoas) e hoje bastante turística. Catedrais, praças, restaurantes, lojas de souvenir.

Os bares clássicos de La Habana

Visita obrigatória no La Floridita, onde Hemingway tomava seu daiquiri. Mega turístico, mas é um daqueles lugares que tem que ir pra fazer uma foto. Em lugares como o La Floridita sempre entram músicos e começam a tocar a música tradicional cubana, são super talentosos, aproveite. No final, passam o chapeu para você dar uma gorjeta: não seja mão de vaca. 😃 Outro point de Hemingway é a ‘La Bodeguita del Medio’, onde ele tomava seu mojito, mas todo mundo fala que a comida é bem fraca então acabei só passando na frente, sem dar muita atenção.

Passear sem rumo pelas ruas da cidade antiga. Para os amantes de arte, o Museu Nacional de Bellas Artes é uma opção, a parte de arte cubana é bem interessante. Adorei a feirinha da Plaza Vieja, com muitos posters de filmes clássicos cubanos, literatura latino-americana e relógios soviéticos. Entre em tudo sem medo: é muito interessante entrar em qualquer lugar que tenha escrito ‘aquí se paga con moneda nacional’, o peso cubano, pois lá rola a Cuba de verdade. Fiquei de cara com um mercado onde os cubanos faziam suas compras da semana, com a caderneta socialista, onde fiquei horas conversando com o ‘gerente’ sobre a situação de Cuba e como anda o socialismo. Viajar é pra essas coisas. Ah, e La Habana, apesar de meio ‘escura’ é super segura!

COMIDA‘O Reilly 304 e 309: não é um lugar de comida tipicamente cubana, mas de cozinha internacional deliciosa. São dois bares, um em frente ao outro. Ceviche, tacos de lagosta, e um daiquiri de manga incrível. Daiquiri é uma bebida bem típica caribenha, que mistura rum, suco de frutas e vem num copinho hipster. Um dos melhores drinks da viagem, sem dúvida. Já dá pra conhecer uns turistas legais, o staff é lindo.

El Chanchullero: restaurante/bar super animado com um Ropa Vieja (o típico feijão-com-arroz-e-carne-assada-cubano) delicioso e muito bem servido. Eu amei as paredes e a decoração deste lugar, com frases anti-revolucionárias, claramente operado com jovens que não estão tão contentes assim com o sistema comunista.

Uma visita obrigatória é a Fábrica de Arte Cubano, um novo espaço imenso de arte contemporânea de Cuba, onde rolam exposições, DJS, performances, shows, e tudo o mais. É ‘o pico’de Havana. Infelizmente quando fomos estavam trocando as exposições e a FAC estava fechada (ela só abre de quinta a domingo, então você precisa se programar bem), mas o restaurante que fica no topo vale muito a visita, rola uma balada por lá.

Show do Buena Vista Social Club

Fomos buscar um lugar para curtir a noite na terça-feira, e um taxista acabou nos levando no show do ‘Buena Vista Social Club’, que sinceramente parece um show de cruzeiro. Me pergunto se havia mesmo algum componente original do Buena Vista por ali, talvez um ou dois. Meio cafona, mas se não tiver outra opção, vá para ouvir boa música, porque no fim das contas tem muita qualidade, e é divertido. 30 CUCs. A boa mesmo é ir no ‘Casa de La Música’, que tem bem menos turistas e a galera local.

City Tour em carro vintage

Você certamente vai ficar fascinado com os carros dos anos 50 que dominam o cenário de Havana e vai querer andar em algum deles. A carcaça é original, mas os motores estão tunados, portanto, andam super bem. É um passeio bem divertido e que rende ótimas fotos. O Parque da Cidade, ao lado do Capitólio, é um bom point para negociar com os cubanos, custa em média 30 CUCS por hora.

Eles te levam para um city-tour por pontos importantes da cidade, como a Plaza de La Revolución, onde estão as imagens míticas de Che Guevara e Camilo Cienfuegos, herois da revolução, e outros points da cidade. Antes de escolher o carro converse muito com eles para ver quem são os mais divertidos e falantes, porque faz toda a diferença.


No meio do entra-e-sai das locadoras de carro, visitamos o Hotel Nacional, o Copacabana Palace de Havana. Para entrar, você paga 5 CUCs, que se converte em um drink. É realmente lindo e tem o ‘bar dos mafiosos’, um bar super clássico onde você toma o Mojito de La Mafia, que foi o melhor da viagem: eles misturam rum Añejo Especial (mais escuro) com rum normal. Delícia.


Com o carro na mão, fomos passar o fim de tarde na zona de Vedado, outro bairro super importante da cidade, onde acontece a Havana de ‘hoje em dia’. Parada obrigatória na sorveteria Coppelia, cenário do filme clássico ‘Fresa y Chocolate’. Leve pesos cubanos e fique na fila dos cubanos, se você só tiver CUCS, eles vão te direcionar para a área turística, onde você pagará uma fortuna por uma bola de sorvete. Aliás, a Coppelia é mais pelo astral mesmo porque o sorvete é pura gordura hidrogenada.

Ao lado de Havana: Playas del Este

Depois, à tarde, partimos para a Playa Santa María, no mesmo carro conversível, a 30-40 minutos de Havana, pra começar a curtir o mar caribenho. Água cristalina e o primeiro batismo nas piscinas caribenhas.

O grande perrengue que foi alugar um carro

Alugar um carro é maravilhoso porque quem gosta de dirigir se diverte na estrada parando nos lugares, fazendo fotos únicas, conversando com os cubanos, ouvindo as playlists, enfim. Além de que no nosso caso foi bem necesário porque estávamos cheios de malas, equipamentos, drones, e não dá pra ficar entrando e saindo da rodoviária carregando um montão de coisas.

Só que ninguém avisou que para garantir um carro você precisa reservar com no mínimo 30 dias de antecedência. Perdemos o dia inteiro indo a todas as locadoras, que ficam dentro dos hoteis, até conseguir um carro por volta das 16h, depois de muito chororô. Não é barato, cerca de 80 CUCs por dia, mas foi o preço necessário pra nossa independência. As locadoras são estatizadas, como tudo em Cuba. Conseguimos na do Hotel Sevilla, fica a dica. Valeu muito à pena.

Pé na Estrada para Trinidad

Dia para finalmente pegar a estrada para Trinidad, cidade colonial e parada obrigatória entre todos os turistas que passam por Cuba. No caminho, fizemos uma parada maravilhosa na costa entre Playa Larga e Playa Giron. O estresse pra alugar o carro já valeu à pena pelas praias desertíssimas em que paramos, com uma mistura incrível de piscinas naturais verdes e azuis.

Trinidad é o máximo, vale muito à pena. Havana é incrível mas pode ser bem estressante aquele pede-pede dos cubanos e o ter-que-ficar-o-tempo-inteiro-dizendo-não. Imagine que Trinidad é uma cidade como Paraty, Olinda, ou Ouro Preto. Umas mansões coloniais absurdas, as ruas de pedras antigas, todo mundo andando a pé, restaurantes e bares cheios de mochileiros, e uma praça central onde rola todo o bafo: shows de salsa, vendedores de mojito, um fervo. Fizemos uns bons amigos espanhois e fomos parar na boate La Cueva, a música era bem comercial com muito reggaeton, mas é o point da galera.

Hospedagem: ficamos no Hostal Eilynn na Calle Maceo #700, em frente ao Hostal Colina. 30 CUC por quarto para duas pessoas, uma casa colonial belíssima com um terraço no segundo andar, uma acolhida muito simpática e carinhosa! Reverteu a má impressão da casa fria onde estivemos em Havana.

Sobrevivência nas Estradas

Uma dica importante para quem vai viajar de carro por Havana: quando houver internet, abra no Google Maps no seu telefone por cima do mapa de Cuba, com alguns zooms estratégicos nas cidades onde você pretende visitar. É muito fácil se perder nas estradas super mal sinalizadas, então o Google Maps apesar de não conseguir te criar roteiros (pela falta de 4G), te mostra pelo menos onde você está)

Tivemos um dia livre em Trinidad e fizemos um passeio pela Playa Ancón, onde inauguramos o nosso drone! A gente imaginava que o drone era proibido em Cuba, e por isso fomos extremamente discretos usando ele, sempre em lugares muito vazios e longe da polícia. Na verdade, ter entrado com o drone em Cuba foi quase um milagre, porque eles revistam você inteiro quando chega, mas por algum motivo, nosso drone passou despercebido. Se alguém tivesse nos pego, teríamos que guardar o drone no aeroporto e só pegar na saída.

Mas já que passou, fizemos imagens incríveis como estas:

Voltamos para a noite em Trinidad, onde tomamos mojitos na praça central e vimos um montão de salsa, até que começou a chover canivetes. A galera vende mojitos por 3 CUCs

Cayo Guillermo

Pegamos a estrada mais uma vez (250km) em direção a Cayo Guillermo, um paraíso do caribe. Cayo Coco é a praia ao lado mais famosa, Cayo Guillermo é um pouco mais tranquila e tem um esquema maravilhoso: um restaurante à beira mar com peixe e drinks, e uma piscina caribenha verde esmeralda à disposição. Chama-se Playa Pilar (anotem esse nome!)

O caminho é uma emoção à parte, os cubanos constroem uma estrada chamada ‘tetraplén’, que é como se fosse um aterro. Um aterro que cria um istmo (alô aulas de Geografia!) entre as ilhas e o continente, de 40km de comprimento. Estrada fascinante, e vista pelo drone, mais ainda.

Estas praias cubanas são super populares entre os turistas gringos e estão cheias de resorts internacionais, como Meliá, Pestana, mas a gente não tinha budget pra isso. À noite ficamos um ‘hotel de selva’ baratinho, só 30 CUCs para os dois a noite. Super em conta.

As fotos incríveis de Havana são do meu companheiro de viagem Victor Roncally – @roncca

Não deixe de asssitir o ‘Caio na Estrada CUBA’

10 verdades sobre Cuba que ninguém te falou antes de viajar

É muito quente!

Em Havana faz 35 graus na sombra e a gente sua o dia inteiro. Na hora de arrumar a mala, não faz a menor falta trazer nenhuma calça além da que você vai usar no avião. Todos estão sempre de bermuda e camiseta, e as mulheres de vestido ou roupas leves. Traga muitas opções frescas e se prepare para estar suado o dia inteiro. Chapeu ajuda bastante a vencer a batalha contra o calor, e claro, protetor solar.

A comida não é deliciosa

De uma maneira geral, a gastronomia cubana não brilha. O comunismo cria uma escassez de alimentos à qual os cubanos já estão bem acostumados, e pode estranhar aos estrangeiros. Salada fresca, por exemplo é quase uma iguaria: estou aqui há 10 dias e ainda não comi uma folha de alface. Por outro lado, lagostas e camarões tem bom preço. Não deixe de experimentar ropa vieja, um picadinho de carne típico cubano e traga do Brasil itens como chocolate, chiclete, barras de cereais, esses lanchinhos do dia-a-dia, porque falta até mesmo água nas lojas de conveniência.

Não é barata

A falsa impressão de que um país comunista é um destino barato se revela em Cuba. Aqui há duas moedas, o peso cubano, que você praticamente não vai ver, e o peso convertible (CUC), moeda dos turistas, que está atrelada ao euro. Apesar das contas em um restaurante dificilmente ultrapassarem 15 CUCs, são 15 euros, ou seja, quase 60 reais. Não é exatamente fácil para um budget de mochileiro.

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- Havana Vieja parece Badgá ou a Síria

O cenário de Havana Vieja pode assustar a princípio: há destruição em todas as esquinas, prédios que seriam condenados à demolição no Brasil, com muitas rachaduras. As ruas à noite não tem iluminação nenhuma – apesar de tudo, dizem que é um país super seguro, mas dá medo de ficar na rua, principalmente com câmeras e coisas de valor. Pode ser apenas a falsa impressão de um brasileiro que acha que no escuro pode dar uma merda a qualquer segundo, mas é sempre bom se prevenir.

Tente não precisar de ajuda de verdade

É uma verdade péssima, porque o mais interessante de uma viagem pode ser a troca com as pessoas locais, mas em Cuba principalmente, não existe almoço grátis. Um pedido de informação abre a porta para um pequeno golpe, e tem gente que faz a vida dando golpes nos turistas, os chamados jiñeteros. Use a ‘brasilidade’ e o sexto sentido para evitar cair em roubadas: não aceite ofertas de hospedagem na rua, passeios, charutos, rum, ou qualquer coisa.

Não há sinalização boa nas estradas

Nos perdemos na saída de Havana para o leste do país e um rapaz se ofereceu para ajudar: com papo ótimo, falava sobre futebol, boxe, DIlma, Brasil, música, e tudo o mais. No final, tentou nos extorquir e cobrar uma fortuna pela informação e criou um climão na nossa viagem, quase chamamos a polícia para resolver. Ao invés de pedir informação no meio da estrada, tente em postos de gasolina ou com policiais.

É extremamente machista

Os homens mal podem ver uma mulher gostosa que se transformam em um animais, com piadas de péssimo gosto, assovios, insinuiações super constrangedoras. Cheguei a ver uma conversa onde estava conversando com um homem e uma mulher juntos, e ele disse a outra mulher: “quando dois homens estão se falando, uma mulher se cala”, e ela consentiu. Climão. Não quero dizer que uma mulher precise de um homem a seu lado para vir a Cuba, mas se prepare para uma cultura bastante misógina.

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Turismo Sexual

Homens a todo o tempo conversam putaria e querem te agenciar com mulheres cubanas. Eles são insistentes, e mesmo quando você resiste, eles te falam que você não precisa pagar nada, além de ‘la fiesta’, ou seja, hoteis, bebidas, etc. Socorro! Eu sendo gay já tenho a cara de paisagem bem treinada pra essas situações, mas nunca tive que usar tanto na minha vida.

Traga presentes

Eu tenho certeza que você tem um montão de coisas em casa que não usa mais. Camisas, sapatos, cremes, cintos. É muito gentil presentear os cubanos com produtos que eles não tem acesso fácil, como roupas, perfumes e coisas super corriqueiras para nós. A situação dos cubanos não é nada fácil, imagine-se vivendo com um salário de R$ 200 por mês? Não custa nada a você, e um sorriso e presentes podem abrir as portas para conhecê-los melhor.

Tem que relaxar!

Como você vai precisar o tempo inteiro se livrar de pequenas roubadas, a boa é relaxar e não tentar ser aquela pessoa que vai ‘se dar bem’ (aliás, essa é uma dica pra vida inteira né, risos) e passar horas negociando centavo por centavo. Conheça bem seu budget e saiba até onde o seu bolso aguenta ceder e o quanto está disposto a perder dinheiro pelo conforto de desfrutar a viagem, mesmo sabendo que estão tirando uma vantagem sua porque você é turista. O turismo em Cuba funciona assim mesmo, é um motor muito forte da economia, e muitas famílias dependem disso.

Um encontro amoroso-perigoso no Grindr em Cuba

Foto: Victor Roncally

Vou parar de fazer a linha ~não falo sobre a minha vida pessoal~ porque enfim, me sinto bem mais seguro hoje pra falar da minha homossexualidade depois que postei aquele vídeo no Youtube contando a minha história e o meu processo de aceitação , enfim, quem quiser dar uma olhada, fica à vonts, vamos lá:

Aconteceu uma história em Cuba que eu preciso compartilhar. Ah, pra quem não sabe, acabei de voltar de uma viagem bem interessante de férias durante 12 dias por lá, e Cuba é aquele lugar que realmente você precisa realmente ir para entender o que seria viver sob a égide comunista e a repressão. Nenhum livro, nenhum vídeo, nenhum filme consegue mostrar exatamente o que acontece lá: você precisa viver.

Muitos gays, eu incluso, usam um aplicativo chamado Grindr (vou explicar pra quem não conhece) para promover encontros, uma rede social tipo o Tinder, só que exclusiva para gays. Ele te mostra as pessoas que estão ao seu redor, fala a distância do cara, e você começa a bater um papo.

Eu já estava em Cuba há 10 dias e não tinha encontrado nenhum gay cubano que me atraísse. Ou praticamente nenhum gay cubano mesmo. Não frequentei a noite gay de Havana, se é que ela existe mesmo, nem nas outras cidades. Acabei ficando com um espanhol em Trinidad, mas foi uma ficadinha de balada. Já estava bem decepcionado com isso. Tenho um amigo jornalista de Recife que me deu um milhão de dicas de lugares para conhecer, e a principal delas foi “migo, faça um cubano”, então eu já estava ficando bem sem dormir com essa etapa não-cumprida da viagem.

Em Cuba a internet é completamente controlada pela ETECSA, companhia de comunicação estatal. Para acessar a internet, você precisa ir para uma praça ou um hotel e usar um cartão que custa em média 2 euros por hora em uma conexão sofridíssima. Não existe internet dentro de casa, nem ilimitada, nem Snapchat (porque a conexão é muito ruim e não roda). Poderia falar horas sobre os efeitos da falta de comunicação em Cuba, mas deixa voltar pro assunto da pegação.

Já tinha tomado umas e outras e fui a uma praça antes de dormir para subir umas fotos no Instagram e acabei lembrando do Grindr. Tinha entrado algumas vezes no começo da viagem mas não aparecia praticamente ninguém perto de mim, inclusive aparecia gente de Key West, que está a 150km de Havana. NOS ESTADOS UNIDOS.

Mas neste penúltimo dia de viagem havia um muchacho lindíssimo a apenas 150 metros de mim. Meu coração chega palpitou. É hoje, pensei. Hoje tem. Hoje tem sabor latino. Obrigado Virgen de La Regla, padroeira cubana. Começamos a trocar mensagens, fotos, e falei pra gente se conhecer. Desci o quarteirão e lá estava ele com mais dois amigos. Vou chamá-lo de Miguel, nome fictício.

Miguel tinha 1.80m, corte de barbearia, lábios lindos, sorriso maravilhoso, barba por fazer, corpo super bonito sem ser corpo-de-gente-de-academia. 30 e poucos anos, falava quatro idiomas. Claro que eu me derreti inteiro. ❤️ Conheci seus amigos, tomamos umas cervejas Bucanero. Então convidei a Miguel que viesse para o quarto na casa de família onde eu estava hospedado, onde poderíamos passar a noite juntos. E aí veio a primeira bomba.

– Preciso te explicar muitas coisas sobre o encontro entre um estrangeiro e um cubano. Antes de mais nada, não sou garoto de programa. Sou recepcionista de um hotel.
– Eu sei Miguel, eu não acho que você seja garoto de programa, até porque eu não tô procurando um, eu queria era passar a noite contigo, só nos dois…
– Tenho a minha vida aqui em Cuba e não posso me aventurar. Se eu for para a sua casa, assim que eu chegar, vão pedir meus documentos e me reportar para a imigração.
– Peraí, mas por que vão te reportar? Sair com um estrangeiro é crime?
– Não é um crime, mas existe um procedimento aqui que você não conhece. Sempre que um cubano visita um hotel ou uma casa de aluguel de quartos, somos registrados. Imagina que se uma vez por mês eu conheço um estrangeiro e quero passar a noite com ele? Isso começa a ser um comportamento constante no meu arquivo policial e isso pode me trazer problemas sérios aqui em Cuba no meu trabalho e nas minhas relações com o Estado.
– Mas calma, Fidel fiscaliza a vida sexual dos cubanos?
– Sim, dos cubanos e das cubanas. Porque todo mundo quer sair daqui e um relacionamento com um estrangeiro é sempre a primeira porta de saída.
– E se a gente for pra um outro hotel então, que não seja este em que já estou hospedado, que é uma casa de família?
– A recepcionista do hotel vai pedir a minha identidade e ligar pra polícia do mesmo jeito. Estou te falando isso porque sou recepcionista e sei muito bem como funciona. Ninguém burla essa lei.

E aí eu comecei a me dar conta que Fidel era um baita de um fiscal de rola e que coisa mais deprimente que deveria ser morar em um lugar onde você simplesmente não pode conhecer alguém e ir para um hotel que ligam para a polícia para informar. Miguel morava com os pais, como a maioria dos cubanos de sua idade e que não se casam, principalmente porque em um país socialista é dificílimo que alguém more com roommates porque os salários são baixíssimos e o custo de vida, por mais irônico que pareça, é bem alto.

– Miguel, não tem nenhum jeito da gente passar a noite junto?
– Tem uma proposta que você nunca vai aceitar porque eu sei como vocês tem medo. Meu amigo que estava aqui conosco tem sua própria casa.
– Onde fica essa casa, é aqui no Vedado também?
– Não, fica a 15km, em Marianao, perto do aeroporto de Havana.

E aí veio o filme do medo na minha cabeça: eu na casa de um cara que não conheço, em um bairro pobre de Havana, sem telefone, em um lugar que a internet não funciona em caso de uma emergência. Só pensei nas más notícias que poderiam chegar para minha família.

E também me veio o filme da possibilidade de viver uma experiência autêntica onde finalmente iria a um bairro sem nenhum turista francês ou espanhol, na casa de um cubano, passar uma noite com um cara muito do lindo e simpático.

– Por favor, confie em mim. Nenhum gringo nunca confia em nenhum cubano. Temos uma reputação horrível. Eu sei que existem muitas histórias de cubanos que dão golpes em estrangeiros e roubam as suas coisas. Eu não vou te fazer nada de mal.

Voltei para conversar com o amigo dele dono da casa e ele começou a me contar sua história de vida. Ex-atleta cubano, treinador da seleção olímpica de Cuba, inclusive foi para as olimpíadas Rio-2016, me mostrou fotos do seu pupilo e dele posando na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Eu arrisquei. E fui. Morrendo de medo. Acreditando na intuição pisciana máxima. Não queria ser mais um daqueles turistas que na hora h amarelam quando tem a chance de realmente viver algo autêntico. Já tinha viajado por toda Cuba em uma posição social-financeira onde quem tem dinheiro são apenas os turistas e os cubanos estão apenas como garçons, barraqueiros de praia, donos de pousadas ou taxistas. Precisava viver com cubanos sem que o meu dinheiro estivesse em jogo, sem paternalismo, sem colonialismo, sem capitalismo.

E fui para a casa de Luís (nome fictício do amigo de Miguel), em Marianao. A entrada era toda no reboco, e a luz da madrugada não ajudava muito. Morri de medo no trajeto, na chegada, até que fechamos a porta do quarto. Tivemos uma noite maravilhosa. Lá pelas quatro da manhã fomos para a sala e aparece Luís com seu namorado.

Começamos a conversar os quatro sobre Brasil e Cuba, tomando Havana Club até as 6 da manhã. Me contaram as melhores histórias da política cubana, como todos os cubanos estão sempre burlando o estado para poder ganhar um pouco mais de dinheiro, já que o salário de Miguel, por exemplo, é de 40 euros por mês. Como é difícil a vida gay e que apesar de não haver casos explícitos de homofobia, eles precisam andar muito na linha para que o estado não os trate com diferença nas condições de trabalho. Como Cuba é absolutamente segura e todo mundo respeita a polícia que tem autoridade máxima. Como e quando eles acham que o socialismo vai cair. Como vai ser agora com a chegada dos americanos. Quem são os melhores e o piores turistas, por ranking de nacionalidade. Como os cubanos demoram uma vida inteira para fazer coisas que nós, capitalistas, fazemos com mais facilidade, como mobiliar uma casa. Como eles não tem crédito em nenhum banco.

Como é difícil ser cubano e não ter a possibilidade de viajar pelo mundo porque nenhum país lhe quer dar um visto porque ele é sempre visto como um imigrante em potencial. Como é difícil se envolver com estrangeiros porque nós chegamos com nossos reais, euros e dólares e queremos levá-los para jantar e chega uma hora que eles não aguentam mais aceitar isso porque parece que querem se aproveitar, mas a verdade é que existem dois países: o dos turistas, e o dos cubanos.

Para completar a cereja do bolo, a casa tinha dois quartos. Um deles era o santuário de Luís, onde ele cultivava seus orixás, na santería cubana, bem parecida com o candomblé brasileiro. Iemanjá, Xangô, Oxóssi, Oyá são todos cultivados em Cuba com o mesmo fervor que na Bahia. Havia um manto de Oxóssi lindíssimo, que na versão cubana, leva as cores roxo e amarelo. De arrepiar. Falamos horas sobre a santeria cubana.

No fim das contas, dormi por lá mesmo e voltei só no dia seguinte, com meu amigo de cabelos em pé, achando que podia ter acontecido tudo comigo. Apesar do ‘susto’, este foi o ponto alto da viagem, e que nenhum dinheiro poderia ter proporcionado essa lembrança positiva que tenho, mais do que nunca, do povo cubano. E de Miguel, que espero ver um dia, apesar de achar que será impossível. Torço para que ele seja muito feliz.

Como ser muito cool sem esforço: Lacoste French Sporting Spirit

Nada mais em alta agora do que a moda esportiva, aliás, se a gente for parar pra pensar, nunca estivemos tão esportivos. Cada um dentro do seu mundo fitness: o meu começa pela corrida e sempre que pode termina no tênis, meu esporte desde a adolescência. E quando a gente fala de tênis e moda, você deve lembrar da Lacoste. O fundador da marca, o francês René Lacoste foi um dos grandes atletas do tênis mundial, lá pelos anos 20-30 do século passado, quando criou um dos principais símbolos da França na moda mundial até hoje: o crocodilo (e todas as polos que são hit) .

Se tem uma tendência que pega carona nesse comportamento mais saudável é o activewear, ou seja, aquela roupa que tem uma cara incrível tanto para o esporte quanto para uma programação mais casual-chic, e na vanguarda disso, podemos dizer que a Lacoste marca presença há um bom tempo. Com a nossa rotina corridíssima, temos menos tempo para trocas de roupas e realmente o conforto aliado com estilo se tornaram uma verdadeira missão no mundo fashion.

A combinação dessa história francesa de tantos anos com a modernidade da vida urbana e os esportes está aqui na nova coleção de Lacoste. É o French Sporting Spirit. Boa para quem quer atingir aquilo que eles chamam de ~frenchness~, ou francesismo (palavra que não existe mas inventei agora né, risos), aquele je ne sais quoi, savoir faire, trazudindo: a arte de simplesmente estar muito cool mas parecer muito natural e moderno e de usar as cores da bandeira francesa com um apelo estético muito elegante. #SupportWithStyle. É, os franceses são mestres nissso