As tendências que bombaram em 2016: o ano nem acabou, mas a gente já fez nossa lista

Pois é, mores. O ano de 2016 finalmente se aproxima de seu fim. Que aninho, hein? Brincamos por aqui que foram dez em um, de tanta treta braba que rolou. Pelo menos nas modas deu pra se divertir! Tendências mais ousadas, menos regras, mais ativismo na indústria… Pra relembrar o que rolou, fizemos essa listinha das nossas trends preferidas de 2016. Se liga!

LOOKS ESPORTIVOS

A gente já tinha cantado essa bola por aqui lá no início de 2015: a pegada esportiva chegou pra ficar. Bom, de lá pra cá a tendência cresceu, apareceu e amadureceu. Ficou mais ousada. Se antes a vibe sporty vinha nos detalhes, agora ela é bem mais literal e, ao mesmo tempo, mais abusada, explorando o contraste de materiais tecnológicos, cortes modernosos e caimentos que vão do sequinho ao oversized, além, é claro, de muita sobreposição. Moletons, sneakers, bonés, leggings, jaquetões e afins bombaram ainda mais em 2016; da haute couture ao fast fashion, e a gente acha que ainda tem é pano pra manga!

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SLIDES

Provavelmente a maior trend de sapatos de 2016, os slides voltaram do armário anos 90 dos nossos tios direto para nossos pés, de um jeito quase que febril. Foi um tal de slide com meia, alfaiataria, jeans e camiseta. Slide pra ir pro rolê, slide pra ir pra praia, pro bar, pro trabalho. Sem falar o frisson em torno do slide da Rihanna. O chinelo virou um coringa acessível, divertido e bem válido de ter no armário. Claro que já fizemos uma matéria delicinha contando como usar e onde comprar!

PEÇAS OVERSIZED

Da T-shirt longline ao bermudão, de repente parece que todas as peças do nosso guarda-roupas têm uma versão oversized. Justin Bieber e Kanye são reis do rolê e a tendência ganhou o mundo e nossos corações porque uma simples camiseta alongada é capaz de conferir estilêra pesada ao mais básico dos looks. A mistura de várias peças oversized com outras de tamanho normal em looks sobrepostos é certeira pra quem quer um resultado futurista, cheio de informação de moda e bonito. Dá pra entender porque o oversized nos pegou de jeito em 2016, né?

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UPCYCLING

Iniciativas de respiro numa indústria não deve ficar parada no tempo, em momento crítico de nossa estadia na terra. O que consumimos? Como? O upcycling veio renovar as nossas possibilidades na moda, aproveitando roupas velhas, materiais outrora descartados e novos processos produtivos para remodelar nosso jeito de consumir até mesmo moda, que é uma coisa tão relacionada ao desejo. Dá pra ser mais consciente sim, dá pra praticar o lowsumerism, dá pra fazer em casa. Especialmente do meio para o final desse ano, o debate sobre projetos de upcycling pipocou por aí. A gente já falou disso aqui, inclusive tem uma série de vídeos no Youtube com vários tutoriais DIY pra você experimentar o conceito em casa. Que venha 2017!

STREETWEAR

Vish, esse foi o ano do streetwear! O estilo mega urbano e conectado às metrópoles tomou as ruas e invadiu as passarelas — movimento inverso que já temos visto desde a época em que a fotografia de street style (que por sua vez tem outra pegada) tomou fôlego. Nesse ano nós selecionamos 6 marcas brasileiras de streetwear que você precisa conhecer, além de contarmos um pouco mais sobre as estreias da Just Kids e da LAB (que veio tomar um espaço de verdadeira representatividade e lugar de fala) no SPFW. Aqui, o que mais vimos foram os muitos moletons com estampas gráficas; até a Kylie Jenner lançou sua coleção no estilo. Será que as ruas estão sendo capturadas? De se esperar, mas elas com certeza nos surpreenderão em breve.

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só pra fechar com chave de ouro, esse fashion week estava muito gospel 🤘🏻

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MODA AGÊNERO

Outra das grandes pautas que uniram moda e causa em 2016, a moda agênero defende que roupa é roupa, é pedaço de pano, e pode servir a qualquer corpo, sem as limitações de gênero que tanto cerceiam nossas liberdades fashion. O SPFW desse ano trouxe muitas novas possibilidades dos estilistas nesse sentido, especialmente das marcas de streetwear (inovação +inovação). Não é só moda, é uma declaração, uma opinião forte sendo transmitida por meio do que se veste. Real oficial? Que tenha vida longa!

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SAIA PARA HOMENS

Ainda na onda da moda agênero, uma peça que se destacou bastante no armário masculino foi a saia. O Jaden Smith é um dos maiores defensores do agênero e sempre aparece por aí de saia, vestidos e afins, junto com outras figuras conhecidas por adotar a peça, como Marc Jacobs e Bruno Gagliasso. Fizemos um post mara dando a letra sobre como se iniciar nesse universo, lá tem surra de referências de looks para todos os estilos. Como dissemos por lá, “moda é liberdade” e usar saia é um belo de um jeito de começar a se aventurar pelas possibilidades que ela nos traz.

POCHETE

Eita item que carrega em si uma bela dose de polêmica. Queridinha dos anos 80 que caiu no ostracismo durante anos por ser considerada a epítome da cafonice, a pochete voltou COM TUDO em 2016, sendo vista na cintura de gente de todo tipo: dos mais clássicos aos mais descolados, todo mundo parece ter encontrado um modelo para chamar de seu. Verdade seja dita, ainda que os modelos com cara de vô também tenham caído no gosto da galera, hoje em dia novos designs, inclusive uns bastante divertidos, trazem novo ar à tendência. Quem se atreve? No GNT rolou até matéria sobre o babado.

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PRETO E BRANCO

Não tem caô. Essa foi, provavelmente, a maior combinação do ano que você respeita. Também muito usados separadamente, dois clássicos dos nossos armários que voltaram com força total, dando vazão a um desejo de pegada clean do qual estávamos saudosos. Depois de anos de surra de estampas (animal print, florais, crash de estampas e tudo o mais), foi um refresco para o olhar e para os nossos esforços poder investir em looks P&B. Fáceis de montar, de estética impactante e elegantes, essas produças devem seguir agradando a turma fashion e isso é mais do que compreensível pois o close é certíssimo!

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No Dia Mundial de Combate Contra a AIDS, o papo reto (e afetuoso) de um soropositivo

Hoje, dia 1º de dezembro, é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. E a gente queria falar sobre isso de um jeito menos “cagador de regra”, autoritário e distanciado, de uma forma mais afetuosa e numa tentativa de nos aproximarmos de pelo menos uma das realidades da doença (porque claro, existem várias). Há 35 anos aconteceu aquele momento emergencial da AIDS, que assustou muita gente e levou muitos. De lá pra cá, a realidade da epidemia se transformou: Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, declarou que “a comunidade internacional pode olhar para trás com algum orgulho, mas ainda é preciso mirar adiante com determinação e comprometimento”.

Isso vem sendo feito de diversas formas, por meio de variadas frentes, de programas mundiais que se engajam para colocar fim à epidemia até 2030, como o caso da ONU, até iniciativas de comunicação e de acesso à informação, que em dias como hoje, por exemplo, publicam grandes reportagens cheias de dados sobre o assunto. Iniciativas todas importantes e louváveis, obviamente, mas como abordar a questão de um jeito mais terreno e esclarecedor, sem reproduzir clichês ou mesmo os números que são de fácil acesso online?

Foi aí que nos deparamos com um testemunho pessoal do Fernando Impagliazzo no Facebook que vem de um lugar de fala, é desmistificador e traz uma visão interna da coisa. E o convidamos para compartilhar aqui essa letra. “Você se sente confortável compartilhando, Fe?”, “Me sinto não só confortável como fazendo algo necessário e urgente. Fazer com que esse mundo seja menos preconceituoso, menos século XIX, menos difícil para todos nós”, ele respondeu. Então aqui estão suas colocações:

1º de Dezembro é o Dia Internacional da Luta Contra a AIDS. Pessoalmente, não gosto desse “contra” no título. Primeiro porque reforça a ideia bélica de que o vírus seja um invasor. Segundo porque, me sabendo soropositivo há sete anos, percebi que lutar contra alguma coisa é bem diferente de lutar a favor de si. “AID”, em inglês, é cuidado. Ser soropositivo é levar todo esse cuidado da doença pro resto da vida. Por um lado, o velho sermão de “você vai ter de tomar remédio o resto da vida”. Mas também um estar mais atento tanto à sua saúde e às suas necessidades, quanto estar atento ao outro.

A luta CONTRA a AIDS, pra mim, se torna uma luta CONTRA o “cuidado”, CONTRA um saber que há pelo menos 50 anos, a humanidade tem adquirido de si mesma. Minha luta a favor, a favor do direito de estar vivo, do direito de saber que boa parte da nossa juventude ainda contrai o vírus. Não, não é porque é promíscua (como se houvesse algum desvalor nisso, procure promíscuo no dicionário) nem muito menos porque é desavisada. As pessoas que contraem o vírus são, antes de tudo, pessoas que se doaram descuidadosamente ao outro. Esse outro, muitas vezes, não é o inimigo. O vírus vem para tomar uma outra dimensão.

Pois bem, falo de uma luta. Nada bélica. Feita de união. A favor do direito de sabermos toda a implicação que esse cuidado ainda carrega. Apesar de o vírus estar controlado pela Medicina, os efeitos são bem ruins. Desde 2010, meu fígado, por exemplo, tem apresentado uma inflamação, decorrente do vírus e do meu sobrepeso. Comecei então a fazer atividade física. O vírus, tão ruim no imaginário das pessoas, pode ser bem real na vida prática. Apesar de me trazer um hábito de vida saudável, eu repito: é sempre melhor não ter o vírus. Luto também para que, quando alguém que se souber soropositivo, isso ser encarado da melhor forma possível. Estar consciente da doença e, ao mesmo tempo, longe das metáforas preconceituosas que ouvimos cotidianamente sobre o HIV.

Amor e cuidado a todos!

Para entender mais do imaginário construído em torno da AIDS e quebrar seus paradigmas, vale ler o livro “Doença Como Metáfora / AIDS e Suas Metáforas”, da Susan Sontag, dica do próprio Fernando. Quebrar estigmas também faz parte dessa luta. É sempre importante lembrar que pessoas em situação de pobreza sofrem ainda mais com o HIV, com menos acesso a cuidados e serviços, mas o apoio é necessidade para pobres, ricos, para a classe média, para o seu amigo. A ideia aqui não é alienar, pelo contrário, é trocar. Falemos, conversemos, ESCUTEMOS e lutemos da forma que dá. E ei: vamos nos cuidar!

V Mostra de Artes Jardim Suspenso: a mostra que mora no Morro da Babilônia

No alto do Morro da Babilônia, comunidade carioca rodeada por Botafogo, Urca, Leme e Copa, quem não sobe nem imagina o que se passa lá em cima. A V Mostra de Artes Jardim Suspenso, um festival cultural que oferece exposições, residências e experimentações, ocupou a favela de sua parte alta até a floresta e esteve aberta para visitações entre os dias 19 e 20. Sim, floresta, porque o Morro da Babilônia ainda tem, lá dentro, uma Área de Proteção Ambiental (APA). Instalações, performances, site-specific, música, poesia se misturam com o cenário hora de comunidade, hora de verde da mata, em trabalhos construídos junto aos moradores da região, num processo de troca verdadeira que buscou, todo o tempo, fugir de qualquer tipo de aproveitamento abusivo.

A gente conversou com o Jeferson Andrade, uma das cabeças e corpos por trás da organização do Jardim Suspenso, para entender melhor a mostra, de seu nascimento até seu funcionamento atualmente. O Jeferson participa da mostra desde sua segunda edição e esse ano esteve bastante envolvido no processo de curadoria/escolha dos artistas que participariam da residência, vivendo e criando durante um mês numa casa no Morro e produzindo diálogos reais com a comunidade e com aquela localidade, tudo inserido dentro do tema dessa edição, que é “Descolonização”.

Como começou o evento? O evento foi inicialmente idealizado pela Dandara [Catete], uma artista que está até hoje conosco e que começou com um projeto no casarão no Cosme Velho, posteriormente fez um outro na Tijuca e na 3ª edição passou aqui para o Morro da Babilônia. O Álvaro [Júnior], que mora aqui, sempre foi um dos produtores, desde o começo. Eu entrei na 2ª edição, na Tijuca, participando como artista e da organização. Uma das características do Jardim Suspenso é que os artistas fazem parte também da produção, assim como os músicos. A ideia é que seja um evento de artes integradas que explore outros ângulos, outras linguagens, como a roda de capoeira, o debate…

E como foi o processo de organização desse ano? E de seleção de artistas? Esse ano eu estou no Jardim como produtor de arte, fazendo a produção conceitual do evento, a seleção… Fizemos a seleção a partir do espaço, contando com a ajuda de uma arquiteta, a Laura, e do Ivan Pascarelli, que nos deu uma assessoria muito importante quanto a como os artistas poderiam utilizar a experiência espacial de todo o território, desde a casa até aqui. Abrimos um edital, uma convocatória pública, para selecionar dez artistas que seriam residentes, e esses artistas residentes, junto com a gente, selecionariam outros tantos artistas como não residentes. Os artistas residentes vieram para morar, então privilegiamos artistas de endereços distantes, de periferia e até de outros países (o Peter é um artista de Berlim, o Nacho é argentino de Córdoba). Tentamos ter uma diversidade de propostas e de gênero e fomos desenvolvendo os trabalhos em torno de um tema geral, que esse ano foi descolonização.

Como esse tema se relaciona com o espaço do Jardim Suspenso, com o morro? Estávamos interessados em leituras pós-coloniais, no que seria o decolonial, as produções de linguagem como resistência, criação de novas palavras, de novas situações, instalações espaciais… O espaço da favela é um espaço que tem uma estética de vivência, vivência como produção estética contínua, decolonial. As próprias construções: eles constroem as casas deles de maneira bem manual, é uma coisa muito interna, estão sempre construindo e isso é uma demarcação de território, é uma tomada muito interessante, um senso de comunidade dentro de um cerco Zona Sul, branco e que não considera o morro como parte do bairro, mas as pessoas estão aqui vivendo há muito tempo. Na década de 80, eles foram responsáveis pelo reflorestamento da região, essa era uma área desertificada pela criação de gado. A gente conversou muito com o presidente da associação de moradores, o André, que tem um projeto interessante e uma fala incrível sobre o problema racial e de exotificação, o porquê disso, de transformar a favela num zoológico, esse turismo predatório num nível psiquíco, então ele fez parte também, no primeiro dia da residência já iniciamos com uma fala muito boa do André.

Você está com uma instalação aqui? A minha instalação são as placas,tem duas aqui e duas lá embaixo. São placas publicitárias, de vendas de imóveis, a Imobiliária Privilégio, que eu não necessariamente inventei. Eu estava dando um rolê no asfalto em Copa, tudo caro pra caralho, e aí eu passei por uma imobiliária com esse nome perto do metrô. Existe! Aqui em Copa! E aí eu falei “putz, será?”. Eu tinha conversado com o André, que tinha me dito que eles estavam com um problema super sério com a galera que mora numa clareira no morro; as pessoas estão a ponto de serem removidas porque a Área de Proteção Ambiental tem as áreas limítrofes demarcadas com barras de ferro, que foi onde coloquei minhas placas. Tudo que está pra trás vai ser removido, já existe uma ordem judicial para isso e eles alegam que é pelo impacto ambiental, mas na verdade é porque dá pra ver, de Copacabana, os barracos aqui da frente, entendeu? Isso atrapalha a especulação imobiliária.

Fala mais sobre o processo de seleção dos artistas, foi por vivência, por trampo? Foi uma seleção totalmente aberta. Fizemos um editalzinho, não foi nada burocrático. Os artistas inscritos enviaram projetos e nós selecionamos esses projetos de acordo com isso que estávamos interessados em construir. A partir do projeto do Jardim Suspenso a gente entendeu que a melhor experiência que poderíamos produzir era uma experiência imersiva.

Quando chegamos ao Jardim Suspenso, fica logo claro que uma das coisas mais importantes de todo aquele processo acontecendo ali é a relação entre os artistas e o lugar, especialmente se pensarmos que muitos artistas de outras cidades e até de outros países de repente se viram morando na Babilônia. “O Jardim se instaura dentro de uma questão geopolítica que a gente não pode negar, é uma favela com UPP. Tem uma pequena guerra rolando aqui, os residentes tomaram noção disso, é uma guerra, pessoas morrem, esses corpos devem ser colocados em questão, o corpo periférico, o corpo feminino, o corpo preto, o corpo do favelado”, afirma Jeferson.

Toda essa diversidade foi perseguida, mas no sentido de travar diálogos tanto com essas pessoas que possuem seu lugar de fala quanto com quem vive distante de tal realidade: “a gente não pode ficar conversando entre a gente sobre descolonização, os corpos privilegiados têm que vir aqui também, é importante criar esse tipo de integração para ter o debate”, explica Jeferson. E nisso se deu também a vontade de criar uma residência internacional. Na casa convivem artistas de Berlim, de São Gonçalo, de Mesquita, de São Paulo. E aí os tensionamentos acontecem, afinal, como essas pessoas que vêm de realidades tão diferentes lidam com a favela? E como elas se relacionam entre si diante de suas experiências tão diversas com as cidades?

Ana Matheus Abbade, de São Gonçalo, fez uma vídeo-instalação inspirada em experiências que teve ali. “Só Não Pode Ser Ele” nasceu de seu processo de reconhecimento do lugar e de sua descoberta da homosexualidade como um grande tabu na comunidade. Histórias de homens que pulavam muros para transar com outros homens sem serem vistos pipocaram em seus ouvidos, “essa relação de como se formula a identidade que se perpetua no seu corpo e como se constitui na negociação com a pólis, acho que foi mais ou menos essa a minha forma de pensar a estrutura do filme”, diz Ana, que é residente do projeto. Já Miguel Vida, que é da Espanha, mas vive na Babilônia há dois anos, tem seus trabalhos espalhados pelo Morro. Ele faz parte do projeto do Espaço Cultural Jardim da Babilônia, uma iniciativa relevante de fomento artístico e empoderamento cultural que tem um bar, por meio do qual eles pretendem viver, crescer e sustentar o projeto. Miguel pintou os degraus das escadas do Morro: “fiz uma poesia e coloquei nos degraus, porque é o que é mais visto quando você carrega material, e queria trazer para o físico. Os carregadores de material passam o tempo inteiro olhando pro chão”.

Visitar o Jardim Suspenso e entender todas essas questões na prática é deveras impactante. Não se trata de uma exposição tradicional nem da reprodução de clichês, mas de uma explosão do que se entende como instituição e espaço de representação da arte, como o próprio Jeferson nos explicou. No Morro da Babilônia, os artistas se envolvem de maneira ativa com questões políticas, sensoriais, locais, identitárias e de luta, e isso se traduz em suas obras, além de alcançar uma parte da população carioca que nem sempre tem acesso a isso. “trabalhar dentro da favela foi muito interessante porque a gente pôde explorar umas coisas incríveis, dá pra emergir coisas incríveis falando só desse lugar sem ser predatório ou exploratório. A gente tem que ter capacidade de integração, não é unidirecional”, conclui Jeferson.

Você pode saber tudo que rolou na programação do Jardim Suspenso aqui!

Fotos: West Pereira

Upcycling: novas iniciativas que redefinem o consumo de moda

E se os preceitos da sustentabilidade atravessassem as barreiras do seu guarda-roupa e se aplicassem diretamente ao seu modo de vestir e de consumir moda? É disso que se trata o upcycling, uma proposta que nos convida a transformar peças e materiais que seriam descartados em artigos recuperados que podem ser reutilizados, como novos. Muitas vezes com resultados melhores do que suas formas anteriores, afinal muita engenhosidade envolve esse processo, que pode ser posto em prática por qualquer um, inclusive eu e você!

Oficina do Braz no Youtube

Começamos a viver na moda, a passos lentos, porém cruciais, uma tomada de consciência quanto ao exagero do consumo e aos impactos ambientais em larga escala que a exigência de produtividade e de mercado causam. É punk, mesmo. Você sabia que uma mísera calça jeans consome 11 mil litros de água para ser produzida? Ou que, em 2013, o Sebrae divulgou dados que mostram que 80% das 170 mil toneladas de retalhos feitos no país iam parar no lixo? São duas informações impactantes, mas apenas duas. Imagine se fôssemos à fundo nessa pesquisa, quantos números alarmantes não poderíamos descobrir sobre a nossa produção de moda e os abalos de nossas demandas desenfreadas sobre o mundo?

Ainda bem que nem tudo é desastre e tem muita gente boa no planeta disposta a encontrar soluções criativas e inteligentes para reduzir nossas “pegadas” na terra. O upcycling é uma dessas iniciativas, que vem ganhando cada vez mais força junto com o discurso da sustentabilidade, o lowsumerism, slow fashion e a construção de um mercado mais “racional” e justo com o meio ambiente. Nesse sentido, já são alguns ótimos exemplos de projetos que se valeram do conceito para criar um novo modelo de negócio e, que bom, essa vem se tornando uma tendência cada vez mais forte.

A Acorda, por exemplo, é uma marca de moda urbana, de pegada slow fashion e sustentável que faz produtos a partir do resgate de tecidos descartados. A marca é comandada pelas sócias cariocas Luana Maria e Michelle Andrade e possui preços acessíveis e um e-commerce onde você pode fazer suas compras. Tem também a Re-Roupa, da estilista Gabriela Mazepa, que busca transformar peças com defeito, esquecidas, fora da estação, fins de rolo etc. em renovados produtos. Tudo é feito em seu ateliê no Rio de Janeiro e eles também tem um site onde dá pra conhecer mais da iniciativa. Ah, e temos a MIG Jeans, uma marca de upcycling de jeans que escolheu esse material como matéria prima exatamente por ser muito poluente em sua cadeia, enquanto possui grande potencial de reaproveitamento. Eles até aceitam doações em troca de desconto!

Re-Roupa

MIG

Por outro lado, iniciativas no âmbito educacional também vêm tomando forma, como a Trama Afetiva, apresentada pela fundação Hermann Hering; uma experiência colaborativa de criação em upcycling utilizando retalhos da Hering. Foram selecionados 10 participantes que, com orientação de Alexandre Herchcovitch, Marcelo Rosenbaun e Patricia Centurion, criaram peças que foram apresentadas numa exposição em São Paulo! O IED Urca, no Rio de Janeiro, já oferece curso de upcycling, e a universidade London College of Fashion tem um setor que estuda o tema desde 2012.

Trama Afetiva

Muitas outras iniciativas já se espalham pelo país (e pelo mundo, ufa!), inclusive em outras áreas. O upcycling é possível em quase tudo: móveis e outros artigos para a casa, roupas, sapatos, materiais de trabalho, uniformes, cobertores, materiais de construção… Vale muito a pena se debruçar sobre o tema. Quem sabe você desiste de jogar no lixo aquelas peças abandonadas do seu armário e descobre novas formas de utilizá-las? Você pode transformá-las para você ou para futuras doações. E mais, nesse caminho você pode acabar encontrando marcas bem mais sustentáveis do que as que costuma consumir e transformar ainda mais o seu jeito de usar roupas. Moda também pode ser ativismo, afinal!

ALIÁS,

Acabou de sair uma série de vídeos no canal do Youtube, a OFICINA DO BRAZ, onde você pode aprender a fazer várias transformações em peças abandonadas do guarda-roupa, tudo nessa pegada de reaproveitamento que o upcycling propicia. Tem moletom do Kanye, tem tie dye, tem bermuda jeans desfiada, tem jaqueta descolorida (acid wash) e mais tutoriais DIY. Sustentabilidade e peças exclusivas na mesma pegada. Corre lá, assiste, compartilha, se inscreve e mostra pra gente os resultados nas suas roupas!

5 Apps e 1 livro para impulsionar a sua criatividade

Em tempos de hiperconectividade e infinitas ferramentas a um toque de distância, todo e qualquer momento pode ser propício para criar, registrar, pesquisar e se inspirar até mesmo nas coisas mais específicas por você desejadas. Porque não ter diretamente no seu celular algumas ferramentas que te ajudem nesse às vezes ingrato processo criativo? Seja você uma pessoa que trabalha com o tema, seja você um grande admirador das habilidades criativas alheias em busca de aperfeiçoar esse traço da sua personalidade, aqui está uma listinha de apps (e um livro, é claro!) que certamente te trarão umas boas ideias.

FLIPBOARD Não existe criativo desinformado, uma vez que a criatividade precisa ser alimentada e o jeito de fazer isso é lendo, pesquisando e mantendo os olhos e ouvidos bem abertos para o que se passa no mundo. É aqui que pode entrar um bom app como o Flipboard, que funciona como uma revista virtual. O bom é que você pode fazer sua própria curadoria, apontando os temas de seu interesse, de notícias do dia a dia até, é claro, assuntos artísticos. Pega em todas as plataformas e é gratuito.

EVERNOTE A gente nunca sabe quando a inspiração vai bater. Pode ser no meio de uma festa às 3 da manhã, pode ser enquanto tomamos o nosso café matinal, pode ser no meio de uma reunião de negócios. Nem sempre contamos com papel e caneta por perto e nem sempre temos tempo para fazer uma anotação elaborada, então é ótimo ter um app que nos permita fazer anotações de forma organizada e com praticidade. O Evernote é muito útil nesse sentido. Ele cataloga seus dados de maneira eficiente, guarda conteúdos externos e o melhor, funciona offline, passando suas atualizações para a nuvem assim que uma conexão é estabelecida. Para todos os sistemas operacionais e gratuito.

BEHANCE Você, que talvez já conheça o Behance site, saiba que vale muito a pena tê-lo em aplicativo. Precisa de internet pra funcionar, claro, mas é uma verdadeira toca de inspirações diversas, com uma galeria cheinha de trabalhos incríveis e muito profissas. Outro que pega em todas as plataformas e é gratuito.

ARTSY Conhecido como a “caixa de pandora da arte”, esse aplicativo é um verdadeiro must have para os amantes de arte e os criativos em geral em busca de inspiração e repertório. Explore imagens, coleções e grupos artísticos, pesquisando pelo nome do artista ou por palavras-chave (ou seja, a melhor forma de descobrir artistas novos bem ao seu gosto). Para IOS e de graça.

Geo Street Art Para um criativo nada se iguala a sensação de estar caminhando por um trajeto muitas vezes comum e descobrir uma nova arte de rua ou mesmo aquela arte que já estava ali, mas nunca havíamos reparado antes. Pois este aplicativo te ajuda na deliciosa tarefa de encontrar verdadeiras riquezas da arte de rua com uma curadoria de mapas de arte, de forma que você pode desvendar os tesouros escondidos da sua cidade a qualquer hora, em qualquer lugar. Que tal dar uma voltinha no seu horário de almoço? Pena que não é de graça, custa $ 2.99, mas vale a pena.

Roube Como um Artista Esse livro, do designer e escritor Austin Kleon, figurou na lista de mais vendidos do The New York Times e também no ranking de 2012 da Amazon. Pois ele segue uma boa pedida para quem tá em busca de aprimorar suas técnicas criativas. É bem humorado, leve, gostoso de ler e quer te convencer de que a autenticidade é a melhor ferramenta que se pode ter no caminho para a criatividade. Se joga!

Gostou das dicas? Conhece outros apps perfeitos pra quem quer dar um boost na criatividade? Conta pra gente nos comentários!

Beleza: a pele natural finalmente ganha seu lugar ao sol, especialmente se tiver sardas

Muitos de nós sofremos durante a adolescência e grande parte da nossa vida adulta com as marquinhas naturais da pele do rosto. Linhas de expressão, sinais e sardas eram encobertos por camadas generosas de maquiagem, tudo em busca da utópica “pele perfeita”, num movimento super alimentado pela indústria de cosméticos (e claro, com as mulheres esse efeito sempre foi mais forte). Para a alegria de geral, um novo olhar sobre a beleza se revela mais brando, mais generoso, e pipocam editoriais, fotógrafos e maquiadores que fogem da estética over, valorizando as histórias que cada rosto conta. Tem sardas? Melhor ainda!

fuck yeah freckles @estudiobingo 💕

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A reviravolta nos permite relaxar e aproveitar uma pele fresh, o que é perfeito para o verão que nos aguarda, além de nos livrar da imposição boba de uma pele que não existe. Nada contra a maquiagem ou procedimentos estéticos; make é divertido e cuidar da pele nunca é demais, mas pra quem se via meio perdido entre não querer se produzir muito e não querer sair de cara lavada, esse é o momento de aproveitar a suavidade e o frescor do meio termo, do “quase nada”. Os modelos cheios de sinais que antes tinham que passar por uma boa horinha de make agora são os primeiros nos castings da vida. Aquela coisa “I woke up like this” que realça sem forçação de barra é o que liga.

Há algum tempo, a cantora americana Alicia Keys soltou uma carta-manifesto na qual dizia estar cansada da pressão sofrida por mulheres em todo mundo e avisava: “Não quero me cobrir mais. Nem meu rosto, nem minha mente, nem minha alma, nem meus pensamentos, nem meus sonhos, nem meus esforços, nem meu crescimento emocional. Nada”. Ela posou de cara lavada e cheia de sardinhas para a revista Fault e desde então tem aparecido constantemente sem make nenhuma.

É nesse lugar que surge a valorização da naturalidade da pele, especialmente se ela tiver sardas. É engraçado, pois se antes as pessoas com sardas não queriam tê-las, agora são as pessoas sem sardas que vêm sendo maquiadas para ter os tais pontinhos. A Renata Brasil, que é maquiadora, falou um pouco com a gente desse rolê: “É a tendência da naturalidade da pele, linda e natural como ela tem que ser. É maravilhoso!”, disse ela, que tem trabalhado bastante com fotógrafos em busca de modelos sardentos para campanhas. De fato, as sardas têm um apelo estético forte, ficam muito bonitas nas imagens, além de serem lindas e charmosas ao vivo.

Renata nos apresentou o trabalho do fotógrafo Brock Elbank, ele recentemente finalizou o projeto #freckles no seu Instagram e vale muito dar uma boa passeada pelos seus cliques. São retratos crus e muito bonitos de gente de todo tipo ostentando sua beleza natural e seus sinais.

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Sempre bom quando as tendências dão um respiro na “cagação de regra” e propõem um novo olhar, né? Beleza natural é lindo, tenha você sardas ou não, e é um belo de um alívio ver peles “de verdade” estampadas por aí.